terça-feira, 26 de abril de 2011

PAI FILHO - Rogério Camargo

Se não basta ser pai para ser pai
também não basta ver-se como filho
quando, no tempo, muito longe vai
uma canção só feita de estribilho.

Nenhuma casa permanece, cai,
e trem algum mantém-se sobre os trilhos
quando o que é de ficar não fica, sai,
e a pólvora rejeita seu rastilho.

A seriedade é mesmo algo mais sério
do que pode supor a leviandade
do pai que ainda se vê como criança.

O que há de sólido no espaço aéreo
não pode sustentar uma cidade
construída somente em esperança.

ROGÉRIO CAMARGO
25.04.2011
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