Seguidores

Translate

Site Protegido

Protected by Copyscape Plagiarism Scanner

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Palavrão – Danny Marks


Vai pra puta que o pariu!
Não, não, não.
Como assim?
Não funciona, entende? É uma coisa muito longa e tem que raciocinar e tudo. Não, não dá. Tenta outra coisa.
Mas é totalmente autoexplicativa, como não funciona? Que raciocínio tem que ter? Já estou falando para onde ir, o tipo de lugar que vai encontrar e com quem. E de quebra ainda digo que tipo de pessoa que é, já que falo de filho de peixe...
Esse é o problema, entende? Fica meio que uma coisa implícita, uma ofensa subliminar por tabela, indireta demais, exige uma acuidade mental para entender os implícitos no discurso na elucidação da cena que se deseja representar metaforicamente.
Como é que é?
Tem muitas palavras para funcionar.
Ah, tá, então que tal só puta que pariu? Sem indicativo de lugar.
Mas ai já vira interjeição exclamativa de espanto, como se estivesse assustado com algo inusitado, fora do contexto. Não vai funcionar.
Mas o contexto já diz que se trata de uma ofensa, não pode simplesmente pegar uma frase e descontextualizar dos antecedentes e querer que tenha o mesmo sentido.
Engano seu, seria como que um fechamento que resumisse todo o discurso anterior em uma síntese parafrásica de conteúdo redundante encerrativo do discurso.
Hein!???
Uma frase de fechamento que remetesse diretamente ao que foi dito anteriormente e resumisse, ainda que independente do que foi apresentado, porque possui conteúdo autoexplicativo.
Nossa ficou pior ainda, mas tá, acho que entendi. Quer resumir tudo o que foi dito antes em algo mais direto e emotivo.
Basicamente isso.
Pode usar uma aliteração, aquela coisa de suprimir parte da palavra e...
Elipse.
Como?
É elipse, a coisa de suprimir palavras facilmente entendidas é elipse. Aliteração é repetição de palavras com o mesmo som tipo....
Tá, então alitera isso logo e vamos embora.
Posso suprimir o “i” do vai e o “o” , já que suprimiu o primeiro “a” do para.
É, então, faz isso e pronto.
Não vai funcionar.
Por que não?
Porque fica meio que faltando uma coisa depois, um segundo termo ofensivo para reforço do primeiro, enfraquecido pela vinculação subliminar a terceiros que não estão expressos no contexto.
E qual o problema?
Estou evitando a redundância, mas não quero perder a força narrativa da evocação pejorativa como fechamento do contexto em uma frase sintética que mantenha a coerência textual e que esteja de acordo com a forma discursiva adotada pelo falante.
Meu...
Quero uma frase que expresse o sentimento de indignação e ao mesmo tempo de repúdio ao que já foi apresentado como justificativa, sem perder a verbalização afetiva, ao mesmo tempo que mantém a carga irônica não associada na contextualização prévia, ainda que remetendo indiretamente a esta pelo discurso subjetivo do entendimento popular.
Quer saber? Foda-se!
Não, ainda não entendeu? Uma frase só...
Fo-da-se!
Isso, você é um gênio, nossa, é o fechamento ideal. A carga pejorativa emocional sintetizada e reforçada na separação silábica que dá ao discurso adotado a entonação irônica na medida certa reforçando e sintetizando todo o texto precursor em uma frase de efeito e totalmente de acordo com o vernáculo do falante.  Ei! Onde está indo?
Pra puta que O pariu!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Desfile – Danny Marks


Vai passar? Vai passar?
O ditador, o general, o presidente?
O mudo, o demente, o descrente?
O suspeito, a evidência, o fato consumado?
Vai passar o dia e a noite?
Vai passar à história, à alegoria, ao mito?

Vai passar! Vai passar!
O discurso que não cala, a mágoa,
 A fala lançada, a pedra atirada,
A batida forte no coração, a dor, a ilusão.
Vai passar de mão em mão, pé ante pé.
A solidão e o desconforto
O entendimento e o descontentamento
A mudança e a permanência.

Vai passar... vai passar...
O medo, a coragem, a lucidez.
A miséria, a fartura, a esperança.
Vai passar o sonho, a utopia a se desfazer.
A crença, a manipulação, o poder.
Vai passar a vida diante dos seus olhos
Então, você também vai passar.


Só não vão passar as consequências...

terça-feira, 25 de março de 2014

Perdi meu sorriso na curva do rio – Danny Marks


— Ei, devolve o meu sorriso!
A chave saltou da minha mão em mergulho suicida na calçada. O que estava acontecendo com aquela sombra? A essa hora da noite as ruas não deveriam ter arvores.
Era só uma questão de vencer a ultima barreira da liberdade de ir para a segurança da vigília de câmeras sem holofote.
Abaixar rapidamente para desviar das palavras que vinham em minha direção e pegar as chaves do castelo. Palavras pesadas desabam do ar quando nos curvamos.
— Tá ouvindo? Devolve!
Quantas chaves cabem em um Molho? Coletivo de chaves, que se fosse de macarrão levaria tomate e outras coisas e serviria para tanto, neste momento, quanto não encontrar a chave certa. Tremor, calafrio, arrepio, descarga de adrenalina por situação de stress súbito, droga, alguém me empresta um palavrão!
— Eu sei que tá me ouvindo. Por que não devolve? Esse sorriso não te pertence mais.
Com tantas coisas para fazer, quem iria roubar um sorriso?  Drogado, bêbado de delírios químicos. São os mais perigosos quando resolvem agir violentamente, não tem nada a perder. Perdeu... Perdeu... é o que dizem sempre. Ou seria metáfora?
Metáfora, palavra ou expressão que produz sentido figurado.
Quem será a figura? Um rosto que o identifique, nas câmeras.  Louco, poeta, criatura vil arquitetando planos de traição? O assassino do noticiário foi encontrado nas imagens e capturado em regime fechado. O regime da vítima mais que fechado, lacrado, emagrecendo e apodrecendo até o pó. Vingança que só serve aos que ficam, justiça seja feita, vão-se os dedos ficam os anéis.
Dá vontade de chorar, o objeto metálico penetrando, forçando a passagem, empurrando mecanismos até ouvir um... click? Deveria ouvir se não fosse o tênis provocando ruídos de aproximação.
Entrar, trancar, um tiro alcança longe, mas nem sempre acerta o alvo. Só se for por azar.
Melhor enfrentar a situação, há uma química estranha entre o medo e a curiosidade que nos faz...
Adolescente. Quem ensina tantos palavrões a essa geração? Nem mesmo os sei. O celular onipresente, todos tem um para distanciar as comunicações.
Fico olhando, e no assombro do inusitado o aparelho é desligado. Águas seguem o seu rumo, contornando os acidentes do terreno, extraindo sua força da gravidade da situação. Nos tempos de hoje não se chora em presença, só nas ondas eletromagnéticas das imagens fantasiosas, estáticas.  Humanos são os únicos animais que lacrimejam por sentimentos.
Ele se afasta e desaparece da visão, fico sem saber quem ou como lhe roubou o sorriso. Uma ponta de remorso escondida no bolso, mãos geladas, as costas encostadas nas grades que separam a segurança da liberdade, o cansaço de mais um dia refletido nas lentes frias que poderiam registrar...
Só então me dei conta da perda. Onde está? Grito...
EI! DEVOLVE O MEU SORRISO!!!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Todo Mundo tem o Direito de Ser Feliz - Campanha da Saatchi & Saatchi

Este vídeo é a resposta para a mãe que enviou o email... e para todos nós também. Porque ninguém nasce perfeito, isso é algo que construímos durante a vida. Parabéns a todos os envolvidos nessa jornada, fazem por conquistar o meu carinho e respeito. (Danny Marks) 



A filial italiana da Saatchi & Saatchi aproveitou um e-mail enviado por uma futura mãe para criar a nova campanha da CoorDown, organização nacional de apoio à Síndrome de Down.
"Que tipo de vida o meu filho vai ter?", perguntou a mulher que estava com medo, pois acabara de descobrir que seu filho iria nascer com a doença genética.
O anúncio, feito especialmente para o Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, traz 15 portadores da Síndrome de Down para responder a pergunta da mãe, mostrando as alegrias e os desafios que o filho possivelmente enfrentará no futuro.
O filme adota o conceito "Todo mundo tem o direito de ser feliz", a fim de promover a diversidade e integração na sociedade, especialmente na escola e no trabalho.
Este é o terceiro ano de trabalho da Saatchi com a CoorDown. As duas últimas campanhas ganharam 11 Leões em Cannes para a agência.
Com informações do Adweek.


Leia Mais:

sábado, 8 de março de 2014

Encontro às Escuras – Danny Marks


DEUS!!!
Oi, está tudo bem por aqui?
Quê? Porra, velho, quem é você?
Não me reconhece? Sou eu...Deus! Você me chamou...
Não chamei não. Foi a luz que apagou. Que barulheira é essa? Como entrou aqui?
Não ouviu antes? Sou... Deus, as trombetas são...efeito sonoro, pra dar dramaticidade.
Como assim... Deus!?
Tipo assim, o criador de todas as coisas. O pai supremo. Aquele que concede graças...
Ah, fala sério. Vai me dizer que você é um empresário. Saquei, isso é algum golpe publicitário da sua empresa e daqui a pouco a luz acende  e vai ter um monte de gente, as câmeras...
 Não, ainda não entendeu... Meu... EU! Onde foi que errei ao criar essa espécie?
Se não é da TV, então é ladrão. É, porque entrar assim na minha casa... meu, se arrombou a minha porta vai ter que pagar!
Não arrombei a porta... Surgi aqui na sua sala. Eu sou Deus, lembra? Não é do meu feitio ir por ai arrombando portas...
Velho, de boa, se for o figura que falam por ai, cara, cê é um tremendo de um mau caráter.
Epa! Olha lá como fala, cadê o respeito?
Respeito? Você é o principal causador das guerras no mundo. Seguido de perto pelo dinheiro, mas tudo bem, porque o conceito é o mesmo. Tudo o que é cultuado acaba virando motivo de guerra, de imposição e...
Não, há um engano nisso. Eu tenho sido mal interpretado e...
Ah, claro. Agora vem com esse papo de político. Os desvios de verbas, as falcatruas por baixo dos panos, sociedades secretas e coisa e tal... foi um erro de interpretação... sei.
As coisas são mais complicadas do que parecem.  Posso sentar?
Ah, sim, pode... Quer uma cerveja?
Não tem vinho? Sabe, é que eu prefiro.
Eu posso te dar água e você transforma, quer? Tipo assim, aquela vez...
Não, esse foi o meu filho...
Tá vendo? Eu sempre disse que esse lance de protecionismo era a sua pior característica. Por que pra ele você deu poderes enormes e pra todo o resto nada?
O que você queria? Crucificar a todos? Quem iria me adorar?
Ah, mas é muita hipocrisia, fazer com que um carregue a culpa de todos. Depois tem gente reclamando dos políticos que sacrificam os inocentes para pagar os próprios pecados.  Esse é o seu exemplo...
Quer saber...? Me traz a cerveja mesmo.
Não tá muito gelada, acabou a luz, lembra? E é daquela marca...
Tudo bem! Traz logo essa mesmo. Que se dane.
Tipo assim, você não poderia fazer um milagre de multiplicação?
Da cerveja?
Não, de uns dólares que tenho escondido. A coisa tá feia pro meu lado e... sabe como é...  o lance de família...pra ajudar nos momentos difíceis...
Mas vocês me abandonaram...
Não, nada disso! Até onde sei foi você que expulsou a gente de casa. Tava tudo muito bem no paraíso, com sexo, comida, boa vizinhança...  
Mas eu dei a Terra para vocês...
E nunca veio nos visitar... Agora não vem não que já é usucapião...
Tá... tudo bem, não vamos falar do passado...
Legal, vamos falar do futuro. Quais  números que vão ser sorteados na Mega-Sena acumulada?
Mas você só pensa em dinheiro?
Claro que não. Também penso nas coisas que o dinheiro traz. Esse lance de dar a vida é fácil, mas quem sustenta? Ai, toma a cerveja.
Nossa, é muito ruim mesmo.
É o que deu pra comprar. Já falei, a coisa tá feia pro meu lado. Se tivesse mais grana...
Acho que vou acabar com o mundo.
Por mim tudo bem... pode ser na terça feira? Quero saber o final daquele livro...
O assassino é o Jorge, estava devendo para os mafiosos e armou o plano do sequestro, mas deu tudo errado e...
Beleza! Acabou de fuder o meu prazer de ler. Vai, acaba com o mundo...  Ao menos não vou ter que pagar as contas no próximo mês.
Está tudo errado, não deveria acontecer assim.
Ei, não olha pra mim não, o Deus aqui é você.
E você deveria ser meu profeta. Anunciar ao mundo a minha palavra...
E por acaso tenho cara de publicitário? Velho, se enganou de apartamento...
Aqui não é o 2024?
Não, é o 2014.
Putz, desculpe. Bem, então vou indo... obrigado pela cerveja.
Quer mais uma?
Bem... pode ser... Um milagresinho não faz mal, né?
Opa! Agora sim. Essa é da boa.
Eu sei, andei pesquisando na internet enquanto falávamos.
Valeu! Até que você não é tão mal quanto dizem por ai... tem essas coisas das sete pragas e tal, mas quem é perfeito, né?
EU sou perfeito.
Ih, cara, de boa, não está acostumado a beber, não é mesmo? Vai, chega pra lá. Quer ver alguma coisa na TV? Tem canal de sexo, de esportes... Ah, droga, a luz ainda não voltou...
Podemos apenas ficar conversando. Trocar umas ideias e tal, tenho todo o tempo do mundo...
Sem problemas, também não curto muito beber sozinho, e tem umas coisas que eu queria lhe dizer...
É mesmo? O quê?
Ah, nada demais... Só umas curiosidades e... sei lá, sugestões para melhorar o mundo...
Tranquilo... Quer um queijinho? Esse é do bom, acabei de fazer.
Pai... posso te chamar de pai, não é? Afinal...
Pode sim, diga meu filho...

Acho que esse será o início de uma grande amizade...