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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Coluna D2 entrevista Danny Marks


O reporter da Coluna D2 entrevista com exclusividade para o Retratos da Mente, o escritor Danny Marks que fala de sua carreira, sobre o Fazer Literário, personagens, Humanismo, Nietzsche, literatura e muito mais.
A entrevista na integra está em http://www.osretratosdamente.blogspot.com.br/p/exclusivo.html
Não perca.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Para todos nascidos antes de 1983 - Maro Mannes (Narração Nando Pinheiro)


Este vídeo está nas mídias sociais, mas não vi os créditos. Fui buscar essa importante informação porque para todos nascidos antes de 1983 é importante dar os devidos créditos a quem os fez por merecer (Danny Marks)

Autor: Maro Mannes
Locutor Nando Pinheiro


ABAIXO NA INTEGRA...

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebê eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo, altamente tóxicas, que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas à prova de crianças, ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas numa boa.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes, cotoveleiras e joelheiras, e olha que mertiolate ardia mais do que ácido!
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos de segurança e airbags, ir no banco da frente era um bônus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não de garrafa, que na época nem vendia.
Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e outras porcarias mas dificilmente engordávamos porque estávamos sempre loucos para brincar na rua com os amigos.
Partilhávamos garrafas e copos com dezenas de colegas e nunca morremos disso.
Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pela rua mais íngreme, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar algum tipo de freio.
Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
Não tínhamos Play Station, X Box, nada de 100 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, celulares, computadores, DVD, Chat na Internet.
A Tv pegava no máximo globo, sbt e manchete!
Tínhamos amigos e para vê-los era só ir pra rua.
Caíamos de muros e de árvores, nos cortávamos, até partíamos ossos, apertavamos as campainhas dos vizinhos, fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
Tudo isso sem ninguém processar ninguém!
Íamos a pé para casa dos amigos.
Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamãe ou o papai nos levassem.
Criávamos jogos com simples paus e bolas.
Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem.
Eles estavam era do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
És um deles?
Parabéns!
Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças!!!
Para todos os outros que não têm a idade suficiente, pensei que gostariam de ler acerca de nós.
Isto, meus amigos, é surpreendentemente medonho… E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.
A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades e nasceram em 1986, ou depois, chamam-se “jovens”!
Nunca ouviram “we are the world”.
Para vocês sempre houve uma só Alemanha e um só Vietnã.
O HIV sempre existiu.
Os CD’s sempre existiram.
O Michael Jackson sempre foi branco.
Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo foi um Deus da dança.
Acreditam que “Missão impossível” e “As Panteras” são filmes da atualidade.
Não conseguem imaginar a vida sem computadores.
Não acreditam que houve televisão preto e branco e quem tinha era rico.
Agora vamos ver se estamos ficando velhos:
1.    Entendes o que está escrito acima e sorri?;
2.    Precisas dormir mais depois de uma noitada?;
3.    Os teus amigos estão todos casados?;
4.    Se surpreende ao ver crianças tão a vontade com computadores?;
5.    Se lembra da novela “dancing day”?;
6.    Encontra amigos e falas dos bons e velhos tempos?;
7.    Vai encaminhar este texto para outros amigos porque achas que vão gostar?

Se a resposta é COM CERTEZA para a maioria dos, SIM, ESTAMOS VELHOS (heheheh)…
Mas tivemos uma infância maravilhosa.

Autor: Maro Mannes
Locução realizada pelo Ator e Locutor Nando Pinheiro

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Oceano – Danny Marks

 

          Tem esse oceano, no sonho que acontece, não sei, algumas vezes.
          É um oceano de águas límpidas, refletindo o céu. Dá para ver as nuvens passando lentamente, embaladas pelas ondas que amortecem. O tempo. O tempo não dá pra ser medido, para onde se olha só tem as águas, as nuvens, o céu límpido. O sol está sempre lá, em algum lugar, iluminando, aquecendo, não dá pra ver o sol, não ofusca, não aparece. Mas está lá em algum lugar.
          Não tem quase nada nesse oceano, onde se pode perceber, só uma imensa e distante igualdade. E no meio disso tudo, um corpo.
          O corpo está flutuando de costas. Os braços meio que afundados, as pernas. A água cobre os ouvidos que escutam apenas o som distante.
          Fecho os olhos. Ainda sinto a luz. Ainda sinto a leveza que sustenta como poderosa mão invisível, intocável, penetrante.
          E aos poucos vou afundando. Não há medo. Não sei se respiro. Oceano.
          Continuo a descida de costas respirando oceano sem me preocupar com a luz que se esvai em noite eterna; há um certo frio que agasalha a pele delimitando o corpo, definindo, definitivo.
          E quanto mais afundo, mais percebo a atividade insaciável que jaz embaixo dessa colcha liquida gelada.
          Há movimento a minha volta, cercando, vigiando, contorcendo-se em um balé fluido. Quase posso sentir um cheiro que atravessa metálico o meu peito.
          Será a morte? O nascimento? Não, nada tão simples assim. Não um dissolver-se no absoluto, não um confronto que obriga a desprender-se do que não é mais você. Nada tão simples. E ainda breve, cristalino, como uma certeza que está antes e além da construção do pensamento. Não é paz, não tem nome.
          A sombra mais perfeita é a que sobrevive a escuridão, nasce na ausência da luz e se movimenta no espaço entre os fótons, brincando de não ser vista, como se não existisse. Matéria. Escura. Energia.
          Anterior a tudo e depois de tudo. Engolfando criaturas que voam no ambiente espesso que respiram sem asas. Alguns criam suas próprias luzes, não porque temem a escuridão, apenas para se divertirem, para iluminarem suas vítimas que devoram com dentes longos, aguçados, sem culpa à mesa.
          Em algum lugar deve haver um solo brotando sulfúreas nódoas de silicatos e metálicos grãos que servem de base para uma complexa cadeia de eventos. Só então me sinto preso.
          A liberdade não é a ausência de laços que o segurem, mas a capacidade de ignorar esses laços, transforma-los em algo que sustenta mais do que prende; que impulsiona mais que paralisa. A liberdade é uma mentira que aceita-se com gratidão e que se luta para manter enquanto não se percebe.
          E quando se percebe, acorda. O sonho se esvai. E só retorna quando as coisas ficam difíceis demais. Loucas demais. Violentas demais. Reais demais para se suportar todas as coisas que se escondem nas almas e nas mentes.
          Então o oceano fica recorrente. E a cada noite ele chama para depositar os ossos no leito profundo do berço da vida que poderia ter sido tão linda e perfeita, e acabou apenas vida. Até o próximo despertar.

sábado, 4 de julho de 2015

Uroborus - Danny Marks


              Você está bem? Você está bem? Fica estranho fazer essa pergunta para você. É uma pergunta que se faz quando se sabe que o outro não está bem, na verdade. As pessoas costumam perguntar isso na esperança de que o outro minta e diga que sim, está tudo bem. Mesmo quando não está. Normalmente não se quer saber dos problemas do outro, apenas se está tentando manter uma conexão, algum link onde possamos enviar os nossos problemas, as nossas dúvidas, nosso prazer, nossa dor, qualquer coisa, para algum lugar e imaginar que está sendo recebido aumentando o alcance do que é apenas nosso. Mas, as vezes isso não funciona, cai-se em um buraco que vai sugando a atenção, exigindo cada vez mais da conexão e entupindo as pretensões até que é necessário derrubar a rede inteira, explodir alguma bomba que quebre definitivamente o vínculo. Por algum tempo. Depois é só pedir desculpa, e inventar algum motivo para o ocorrido, e tentar tudo de novo. Você está bem?
              Mas não é estranho perguntar isso para você por esses motivos. É estranho perguntar para você porque você é uma invenção minha. Uma ficção criada na minha cabeça para que eu pense estar falando com alguém que não seja eu mesmo. Não há muitas pessoas com quem eu possa falar hoje em dia. Falo com um monte de gente, mas nada que realmente importe. Nada que realmente importe para mim. Elas não têm nada para me dizer que me interesse ou que possa me ajudar, embora eu ajude, de vez em quando, não sei bem por que.
              Há um problema no mundo e poucas pessoas percebem isso. Bilhões de pessoas tem problemas no mundo. Dez por cento dessas pessoas comandam o mundo e gerenciam seus problemas como se fossem recursos. Um por cento dessas pessoas sabe realmente o que estão fazendo e orquestram todo o resto. E nenhuma dessas pessoas sabe qual o problema de verdade, não percebem nada além do que eles mesmos criaram, ou se envolveram, ou projetaram, ou partilharam com...
              Há poucas pessoas como eu por aí. Não conheço nenhuma delas. A solidão não é você não ter ninguém igual a você para conversar, é saber que existe alguém igual a você em algum lugar que não é aqui, não é agora, e que você provavelmente jamais vai ver, ou falar, ou tocar. E ainda assim, essas pessoas estão lá. Solitárias.
              Você deve estar pensando. E não importa que você é uma criação da minha cabeça porque eu fiz você um ser pensante. De que me serviria falar com alguma coisa que criasse que não tivesse pensamento? Seria o mesmo que falar com uma maçã que acabasse de comer, enquanto desce pela garganta em direção ao estomago.
              Você deve estar pensando que é melhor eu procurar ajuda, que a minha racionalidade esta escorrendo pelos olhos, pelo nariz, subindo como fumaça pelas orelhas e presa apenas pelos dentes apertados, na boca.
              Eu começo a desconfiar do seu sexo. Mulheres sempre acham que a resposta está no outro, que é preciso um outro para fazer sentido a sua vida. Mulheres sempre lutam contra o vazio que carregam dentro de si, e se enchem de todas as coisas que acreditam que as tornem melhores, e querem sempre ser mais. Querem ser mais bonitas, mais perfeitas, mais inteligentes, mais delicadas, mais fortes, mais sensíveis, mais, mais, mais, e sempre buscam mais no outro. Esquecem que é preciso ter algo para haver uma troca, que quando se junta duas metades, fica apenas um inteiro e um vazio. É preciso dois inteiros para fazer dois inteiros.

              Mas posso ver que há algo de masculino em você. Uma coisa de conquista, de querer fugir, de ser o melhor, o primeiro, o sozinho, o que resolve, o que quebra, o que constrói, o que possui. E de tanto querer possuir todas as coisas, de tanto querer estar sempre à frente de tudo, se desgasta, morre, despedaça, endurece, apodrece lentamente perdendo a sua essência na busca incessante de algo que ainda não tem.
              Poder. No fundo tudo se resume a isso agora, posso ver. No início todos queriam comida para sobreviver, ter filhos para ter prazer e sobreviver no tempo, de alguma forma. Depois queriam dinheiro para poder ter comida e conseguir todo o resto. Depois passaram a usar a comida, o sexo, o dinheiro, os filhos, o tempo, para ter cada vez mais poder. Poder sobre a comida do outro, o sexo do outro, o dinheiro do outro, os filhos do outro, o tempo do outro, a vida do outro. Porque uma vida apenas não é suficiente para usar o poder que se pode ter quando se busca cada vez mais poder. E arrancar o poder dos outros dá mais poder de estuprar a alma coletiva, a sua, para não ter que encontrar algum sentido nisso tudo.
              É preciso manter a mentira da felicidade, possuir a felicidade por alguns segundos, alcançar a felicidade que está em algum lugar, ver a felicidade, usar a felicidade, comprar a felicidade, vender a felicidade, sentir a felicidade correndo nas veias congestionadas do vício. Só a felicidade adia a morte.
              A morte cobra um sentido, a morte esclarece que não há sentido, apresenta o vazio, o desconhecido, o absoluto e inegável nada que destrói qualquer dúvida, qualquer esperança, qualquer deus que possa usar como totem do seu poder. A morte invencível que retira a sua máscara e lhe diz que valor tem. Nenhum. Só os seus atos sobrevivem.
              Você não é nada sem sua contribuição para o fazer. E o que você faz é apenas manter alguma coisa que não lhe pertence, que lhe foi imposta e você aceitou como sua, que não entende mas finge amar, para fazer algum sentido estar vivo, fazendo, até que seja substituído por um declínio. E tudo caminha para a morte, tentando demorar o mais que puder antes que alcance o seu objetivo.
              Há um incomodo em você agora. Posso sentir. Você ainda não percebeu, mas logo vai fazer sentido, e vai querer correr, vai querer fugir, desaparecer, desligar. Logo você vai tentar romper a conexão. Talvez até consiga. Depois vai voltar. Você está bem?
              Você capturou o mundo, que estava na minha cabeça. Você estava na minha cabeça, mas não tinha controle de nada. Eu criei você na minha cabeça, deixei que capturasse o mundo. E sem que percebesse, entrei na sua cabeça e me tornei o problema do seu mundo. Não faz nenhum sentido para você. Não entende. Tenta ignorar, mas continua percebendo que estou em algum lugar aí dentro. Que não dá para arrancar de você o que eu sou.
              E é só isso que vai perceber.
              Você está bem? Você está bem?
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