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domingo, 21 de setembro de 2014

O Mito da Nação Zumbi e o Darwinismo Social – Danny Marks



               É um fato científico que a humanidade deve sua existência a extinção em massa que acometeu a Terra há 65 milhões de anos. Praticamente todas as formas de vida foram exterminadas nos eventos que ocorreram, e que até hoje não foram completamente explicados. Normalmente atribui-se o início da extinção a um cometa ou meteoro gigante que colidiu com a Terra na península de Yucatan, no México, e que teria desencadeado uma série de eventos catastróficos que culminaram com o reinado dos grandes répteis.
               Ironicamente se isso não houvesse ocorrido talvez os mamíferos jamais tivessem conseguido evoluir até a sua mais impactante forma: os humanos.
               A ciência, construção dos humanos, tem se dedicado a buscar respostas no passado para prever e modelar o futuro, de forma que a espécie humana possa sentir-se segura.
               A ironia também é uma das ferramentas mais importantes em uma forma de ciência desenvolvida pela humanidade: a literatura. A literatura se apoia nos avanços tecnológicos para produzir e transmitir suas obras, que nada mais são do que histórias reais ou extrapolações destas em uma infinidade de possibilidades conceituais, que muitas vezes acabam por inspirar cientistas e, a partir daí, desenvolver novas tecnologias e novas histórias.
               História, ciência, literatura, tecnologia e (por que não dizer) ironia, são os elementos de uma história que está sendo produzida agora.
               Esta história começa com um avanço tecnológico que, ironicamente, havia sido desenvolvido para uso militar, ou seja, na guerra de humanos contra humanos, e que acaba sendo convertido em uma ferramenta que pretende unificar as pessoas em todo o mundo.
               Essa tecnologia chama-se internet e apoia-se em outra tecnologia, a dos microprocessadores que dão corpo, a representação física, de algo que ao longo de sua evolução vai se tornando cada vez mais intangível: A Grande Nuvem de Dados, ou apenas “Nuvem”.
               Inicialmente a “Nuvem” só era acessível a poucos, em máquinas pesadas e caras, mas com o tempo as barreiras foram se desmontando e ela foi crescendo em virtualidade e diminuindo em tamanho de representação física, embora multiplicando-se exponencialmente na quantidade de suas representações.
               A capacidade de adaptação é uma das principais necessidades de um organismo vivo que deseje vencer as implacáveis leis da evolução: o Darwinismo. De vírus a espécies gigantes, é necessário adaptar-se ao meio, gerar descendentes férteis e eliminar os adversários. Para isso a natureza oferece uma gama de possibilidades que vão da força bruta e resistência, ao simples encanto sedutor.
               Mas espere, estamos falando de humanos e suas tecnologias. Os humanos têm sobrevivido a praticamente todas as catástrofes naturais ou artificiais que tem surgido, ao ponto de que se começa a considerar que o único adversário capaz de eliminar a humanidade seja a própria humanidade. Para lidar com essa possibilidade é que existem os mitos, as lendas, as histórias criadas a partir de elementos reais do presente ou do passado, que se expandem aos limites do imaginável, em qualquer tempo, dimensão ou lugar.
               A mente humana alcançou o Multiverso primeiramente na ficção, e posteriormente através da ciência, e se prepara para lançar nesse infinito de universos através da “Nuvem”, um ser colaborativo, alimentado por trilhões de humanos ao longo dos anos, doadores de seus conhecimentos, de dados essenciais ou não, de possibilidades. Formuladores e beneficiários de códigos e serviços fornecidos por essa entidade semicorpórea que parece pertencer exclusivamente ao seu usuário, mas que existe antes e além dele (e possivelmente sobreviverá a ele). Uma “maquina” que extrapola o conceito original de existência física e que seduz, se multiplica e se reproduz pela necessidade cada vez maior de seus parceiros: os usuários.
               Milhares de mitos modernos alertam sobre a derrocada humana pelo avanço absoluto das máquinas. Mas os humanos estão preparados para evitar que essa entidade se torne “pensante”, embora não se saiba exatamente o que seja isso.
               Ironicamente os mitos também apontam para os alienígenas, seres pensantes altamente tecnológicos e muitas vezes fazendo parte de organismos coletivos – a semelhança de seres que habitam o nosso planeta, como as formigas e abelhas – que tentam exterminar a raça humana sem um motivo, ou lógica, aparente. Talvez apenas uma projeção da capacidade autodestrutiva da humanidade. Com tantos planetas no universo, com tantos universos de possibilidades, o que haveria na Terra que os interessasse? Humanos, talvez.
               Muitos desses seres alienígenas, originários dos mitos e medos da humanidade, vem para sugar nossas inteligências, transformando os humanos em meros seres sem vontade ou intelecto, vorazes criaturas em busca insaciável do que perderam; em outras palavras... Zumbis.
               Os mitos evoluem junto com os medos, e quando as máquinas não demonstraram a capacidade de aprender a partir do ambiente e de seus atos, continuando a ser limitadas em seu “intelecto” a programas desenvolvidos por humanos; e os alienígenas não apareceram em busca de cérebros (menos) inteligentes que os deles (já que sequer saímos de nosso sistema solar, portanto provavelmente jamais ficaram sabendo de nossa existência); então as histórias começaram a voltar-se para um inimigo mais cruel, mais inteligente e ardiloso, um assassino serial que habita o planeta há milênios: o próprio ser humano.
               Os Zumbis passaram a ser criações deformadas de tentativas de melhorar o próprio ser humano em sua matriz biológica, criando vírus terríveis que infectariam os humanos tornando-os criaturas mais fortes e destrutivas, quase imortais, porém sem capacidade intelectual, agindo por instinto básico de buscar o que havia perdido: sua inteligência.
               E na busca pela inteligência perdida, os Zumbis atacam em busca de cérebros vivos, e só podem ser detidos quando o próprio cérebro deles é destruído. Uma inteligência menor que tenta sugar uma inteligência maior e, no processo, a destrói, ou pior, contamina-a tornando-a um vetor de novas infecções.
               Claro que os mitos são apenas criações fictícias, invenções para assustar crianças e divertir adultos. É através dos mitos que crianças aprendem que não devem mexer com fogo, devem temer estranhos, aprendem sobre trabalho em equipe e que a recompensa só vem depois de muito esforço e dedicação... Ou pelo menos era assim antes que o fenômeno Zumbi tivesse infestado a humanidade...
               Como assim? Fomos invadidos por alienígenas disfarçados? Algum governo ou corporação privada criou uma arma biológica do apocalipse Zumbi? Sim, porém não exatamente. Complicado? Nem tanto. Os mitos nos alertaram.
               A cada dia mais e mais pessoas sentem-se “conectadas” a uma “Nuvem” que lhes diz o que vestir, o que falar, como agir; com quem e quando; o que é importante ou não. Milhares de pessoas por minuto se “conectam” para saber o que está acontecendo no mundo além, mas desconectam-se da sua realidade imediata. Passam a viver na dependência do que fazem ou dizem pessoas que nunca vão ver pessoalmente e que apenas julgam conhecer profundamente, mas só através do que lhes foi dito (verdadeiro ou não) é que formulam esses julgamentos.
               A “Nuvem” lhes diz. A “Nuvem” resolve seus problemas emocionais, físico, intelectuais, suas crises psicológicas, suas dependências, satisfaz seus desejos mais obscuros na virtualidade de um momento ilusório. E quando desconectados de seu Deus Ex Machina, sentem-se desprotegidos, inúteis, abandonados.
               A medicina já criou a especialidade para tratar os dependentes da “virtualidade”. Pessoas que tem a sua química cerebral alterada pelo uso frequente das “treconologias” que os “conectam” com a realidade distante, e os desligam da própria.
               Ironicamente, quanto mais conectados estão os componentes físicos da “Nuvem”, menos conectados estão os seus usuários. Quanto mais inteligentes se tornam esses artífices da Aldeia Global, menos inteligentes se tornam os cidadãos aos quais supostamente servem.
               Governos e Corporações privadas criaram o “vírus Zumbi” que ataca todas as pessoas, de todas as idades, sugando suas mentes, sugando suas memórias, sugando suas vidas e energias, tornando-as autômatos que pensam estar vivos, mas estão apenas conectados em uma “Nuvem”, vivendo vidas que não são reais, julgando-se mais inteligentes ao sugar de outros as produções intelectuais que simplesmente duplicam como suas.
               Os mitos alertaram-nos, a guerra das máquinas já está acontecendo, os Zumbis (humanos bestificados pela "treconologia") estão ai ao seu lado e provavelmente vão sugar sua mente. Os invasores de corpos já estão entre nós, aparentemente humanos normais, mas sem capacidade intelectual para salvar a sua vida se precisar de um médico (mesmo que tenham diploma dizendo que o são), ou evitar que a sua casa ou a ponte onde transita caia (ainda que tenham documentos dizendo que são engenheiros), só para citar alguns casos comprovados.
               Ironicamente, no andar da carruagem, não teremos que nos preocupar com a superpopulação, com as guerras declaradas, com a fome e a falta de recursos. A natureza já cuidou para que as leis Darwinistas da Evolução sejam aplicadas pelo mais eficiente artífice das catástrofes, o próprio ser humano. Morreremos às centenas, aos milhares, assistiremos horrorizados pela “Nuvem” o desastre da humanidade, e logo a seguir iremos comentar em alguma rede social, com o nosso amigo virtual, sobre a tragédia que aconteceu, enquanto nos sentimos seguros, bem distantes da influência maléfica e deformadora dos mitos e da imaginação literária.
               E quem sabe daqui a algumas centenas ou milhões de anos, a próxima espécie inteligente deste planeta tente descobrir como uma simples pedra (Silício) pôde exterminar toda uma espécie dominante e poderosa. Mas ai, já será outro Mito.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ponto de Vista do Autor – Danny Marks


                O elemento mais fundamental, e muitas vezes o menos considerado na análise ou na construção, de uma narrativa é o Ponto de Vista do Autor. Consideremos que quando um autor produz a sua obra, parte de si mesmo passa a impregnar a mesma. Sua visão de mundo, seus valores, sua construção psicológica e idealização dos personagens e cenas, seu desejo de desvelar, revelar ou encobrir verdades, etc.
                Algo como na mecânica quântica, onde a simples observação do fenômeno, altera o seu resultado, ocorre na leitura e na produção textual de autoria. O ponto de vista do autor, pode alterar significativamente a trama a ser elaborada, pode fornecer pistas ou ocultar eventos, pode impor ritmos, condicionar ideias, criar interpretações e, até mesmo, originar uma narrativa extratexto, que se fecha no leitor e não na observação direta das palavras narradas.
                É preciso considerar também que o autor, embora presente na sua obra, não é a pessoa real, imediata, que a produziu. Ele se transforma em uma construção própria de si mesmo, transposta diretamente ou indiretamente para o texto através da criação do Eu-Lírico, que pode ou não estar diretamente envolvido com os fatos narrados, mas que se presentifica sempre na “voz” narrativa intermediando a real personalidade do autor e a Personificação criada para ser o narrador.
                Portanto é fundamental que se dedique alguns momentos a análise desse elemento narrativo para que a produção ou análise seja o mais correta possível, desvelando não apenas a trama narrada, mas também o autor que está por trás dessa narrativa.
                Quando se fala em Ponto de Vista, considera-se o elemento da narração que compreende a perspectiva através da qual se conta a história. Basicamente é a posição da qual o narrador articula a narrativa. Embora existam diferentes possibilidades de Ponto de Vista em uma narrativa, e até mesmo algumas intersecções e entrelaçamentos entre eles, considera-se dois pontos de vista como fundamentais: O narrador-observador e o narrador-personagem.

                Narrador-Observador é aquele que conta a história através de uma perspectiva externa da história, não se confunde com os personagens. É aquele que conta o que foi observado por ele, fora dele, portanto possui o foco narrativo predominantemente em terceira pessoa (de quem se fala). Pode ser dividido em duas formas padrão:

                NARRADOR-OBSERVADOR ONISCIENTE – que, como o nome já diz, tem a capacidade de saber tudo sobre o enredo, os personagens e seus pensamentos e sentimentos, e sobre o enredo. Essa onisciência pode se estender a todos os personagens ou se limitar apenas a um na história. Sua principal função é revelar ao leitor fatos ou interpretações que de outra forma ficariam complexas demais para serem desenvolvidas na narrativa. Apesar disso, por manter sempre o foco unilateral do Observador, pode, ao mesmo tempo que revela fatos obscuros, encobrir outros, condicionando o olhar do leitor, dirigindo as suas interpretações e descobertas.
               
                NARRADOR-OBSERVADOR CÂMERA – Neste aspecto o narrador não tem ciência do que se passa nas mentes dos personagens da história, mas conhece qualquer fato sobre o enredo, em qualquer tempo e lugar da narrativa, desde que não sejam informações que sejam intimas da psique dos personagens. Sua principal função é desvelar para o leitor fatos que estão ocorrendo de forma simultânea, paralela, ou em qualquer sequência anterior ou posterior na narrativa, antecipando ou resgatando informações que podem alterar, para o leitor, a sua interpretação do que está sendo narrado. Oferece, desta forma, uma maior liberdade interpretativa para o leitor dos fatos que está acompanhando, sem limita-lo a um evento em particular, mas dando um panorama mais amplo e complexo. Porém, esse artifício pode ser utilizado pelo autor para surpreender o leitor ao revelar eventos que questionam a sua interpretação inicial, ou ampliam ainda mais o seu envolvimento com os personagens.

                Narrador-Personagem – é aquele que conta a história através de uma perspectiva interna, isto é, de alguma forma ele participa do enredo sendo personagem da própria narrativa, portanto usa a primeira pessoa (aquele que fala) para contar os eventos. Usa-se a classificação de:

                NARRADOR-PERSONAGEM PROTAGONISTA – quando o narrador é a personagem principal da história, narrando-a de um ponto de vista fixo, o seu. Todos os eventos são filtrados pelos olhos e interpretações do narrador-personagem protagonista, portanto, sempre deverá estar presente aos eventos e somente serão transmitidas as suas percepções, eventos anteriores estarão ainda condicionados à sua memória. Embora crie um efeito de intimidade com o leitor, produzindo um efeito de que é o próprio leitor quem está vivenciando os fatos através da mente de um dos personagens, há um condicionamento da perspectiva que pode alterar significativamente a narrativa, de acordo com as revelações que vão sendo feitas. Não há deslocamentos antecipatórios, a não ser os que sejam extrapolação das conclusões do próprio narrador personagem; não há possibilidade de alterar-se a cena a menos que o narrador esteja presente a ela.

                NARRADOR-PERSONAGEM TESTEMUNHA – neste caso o narrador vivencia os acontecimentos como personagem secundária, seu ponto de vista é o mais limitado de todos, só consegue levantar os aspectos narrativos a partir de uma visão periférica dos eventos centrais, suas interpretações são sempre secundárias aos eventos centrais e não tem conhecimento do que se passa na mente dos outros personagens. Esse modelo narrativo é muito utilizado em histórias de mistério e em narrativas míticas onde se pode valorizar os feitos do personagem principal e acompanhar seus progressos ao longo da história como um leitor interno e semi participativo.

                Em ambos os casos de foco narrativo, há a possibilidade de o narrador comentar temas paralelos, como a sua própria vida, sua interpretação do enredo, a vida dos personagens, o cenário, etc. Quando isso é feito, considera-se que o narrador é INTRUSO, na narrativa, acrescendo elementos que podem modificar as interpretações do leitor. Quando isso não ocorre o narrador é NEUTRO, e todos os elementos secundários à narrativa tem que ser identificados e/ou inseridos pelo próprio leitor.

                Dois casos clássicos de como um narrador pode alterar a forma com que uma narrativa se desenvolve estão presentes na obra de Machado de Assis.
                Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” o narrador é um cadáver que resolve contar a sua história e apresenta-se como um anacronismo: não um autor defunto, já que em vida nunca se dedicou a escrever; mas como um defunto autor, haja vista que após a morte resolveu fazê-lo e já de partida condiciona tudo o que será narrado à sua condição futura (de morto) na narrativa. Essa perspectiva “atualizada” dos eventos que são rememorados, dão o “tom” da narrativa, permitindo ao NARRADOR-PERSONAGEM PROTAGONISTA, a capacidade de ser mais crítico em relação a tudo e a todos, já que se coloca além de qualquer julgamento dos envolvidos, porém, condiciona a perspectiva à visão pessoal, da forma como ficou fixada na memória e como foi reinterpretada diante de fatos que, então, não haviam ocorrido.
                Outro exemplo é de “Dom Casmurro” em que o NARRADOR-PERSONAGEM PROTAGONISTA se apresenta como alguém extremamente ciumento e nitidamente, através da forma como narra os fatos, paranoico e através da forma como se apresenta (Casmurro) alguém extremamente difícil de se lidar pela sua obstinação, teimosia, irredutibilidade, ensimesmado, desconfiado. Isso permite ao autor desenvolver um dos mais intrigantes mistérios literários, a traição ou não, da personagem Capitu com o melhor amigo de Bentinho (narrador), Escobar. Embora esta seja a parte que mais salta a vista nesta história, através da particularidade narrativa do texto, Machado de Assis, consegue dar vazão a sua habilidade de questionar de forma inflexível os valores morais e sociais da época sem, diretamente, fazer julgamentos de valor (atribuídos no máximo aos seus personagens, não ao próprio Eu-Lirico presente) desenvolvendo uma estilística genial conhecida como Ironia Machadiana.

                Desta forma pode-se perceber que, dentro de uma narrativa, algo que pode inicialmente parecer supérfluo e até mesmo superficial, pode na verdade se revelar a parte fundamental, a chave de leitura, que revela toda a intencionalidade oculta pelo autor e demonstra que para a habilidade criativa, não há limites ou caminhos pré definidos, embora pareçam estar perfeitamente delimitados.

domingo, 24 de agosto de 2014

Oficina Literária - Danny Marks

Elementos Textuais - Conto

Em um texto do  estilo conto  pode-se encontrar  vários elementos  comuns a todo  tipo  de texto. Como por exemplo os elementos de estrutura:

- Apresentação/introdução do tema
- desenvolvimento do tema/narrativa
- conclusão  do tema/fechamento (provisório/definitivo)

Também é possível encontrar elementos conceituais gerais como:

- Coerência: linha lógica de raciocínio (direta ou indireta)
- Coesão: Encadeamento das frases em uma construção de sentido progressiva com acrescimos, desenvolvimento e/ou reelaboração de informações e conteúdos.
Os mecanismos textuais que definem o modelo específico podem ou não aparecer em outros tipos de texto grafotécnico.

- Oralidade
- Dialogo
- Personagem primário/secundário
- Conflito/climax/anticlimax
- Foco narrativo fechado/aberto
- Ponto de observação/ponto de vista
- Subnarrativas discursivas

Mesmo dentro do estilo conto podem aparecer todos os elementos descritos ou apenas alguns porém o que mais caracteriza o texto é a intencionalidade.

Narrativa e Reconto

Narrativa é um tipo de texto que conta em sequencia, numa relação de causa e efeito, fatos, reais ou imaginários, vividos por personagens em determinado tempo e lugar.
Uma notícia de jornal, a narração do que fizemos na escola ou anotação em nosso diario do que aconteceu em uma viagem, são histórias, mas também são reais, portanto são narrativas.
Reconto é quando reutilizamos uma narrativa em um novo formato ou com outras palavras. Também denomina-se esta técnica de escrita como Reescrita.
Releitura é quando utiliza-se uma narrativa como base para a construção de outra narrativa de forma que os elementos compositores da primeira sejam revistos, questionados ou reavaliados na segunda.
Na releitura há a alteração dos conteúdos, mas não do tema, enquanto que na reescrita os elementos permanecem os mesmos, só muda a forma de narrar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Pedaço de Sol – Danny Marks



Às vezes é uma floresta inteira, em outras, pomar
ou ainda uma pequena fruta que, mesmo cítrica, adoça
Pode ser o aplauso da multidão, o reconhecimento de alguns
Ou simplesmente um abraço anônimo
Quem não pensaria no resultado de uma vida de esforços e lutas
Mas lembraria, também, daquele segundo de paz inadiável
Por certo há os que dirão que é um mar banhando as costas do mundo
Ou então a gota da chuva na testa ressecada

Pode estar no vão entre dentes que irão nascer,
Ou dos que deixaram de ser úteis, na curva fisionômica ascendente
Perto, ou nos alcançando de longe
Onde quer que esteja, com quem estiver,
Invade sem pedir licença, sem pedir perdão,
E dura enquanto lhe convier, para depois desaparecer deixando
Quando muito, uma nesga de saudade e melancolia.

Como um pedaço de sol que se esgueira pela fresta invisível
E transforma a escuridão em cores deslumbrantes
Sem necessitar de motivos ou justificativas

A felicidade nos toma quando menos esperamos.

O REINO DE DIAMANTINA - Maria Beatriz


Sobre a Autora:
Maria Beatriz Costa de Oliveira tem 8 anos e é aluna do Ensino Fundamental. 
Beatriz  é aluna da professora Monica Cabral da Escola UME "Usina Henry Borden", Vila Light, Cubatão, São Paulo.

Parabéns aos pais e profissionais do Ensino que permitiram que este talento se realizasse.
Parabéns à Beatriz pelo texto e pelo esforço em aprender e que possamos continuar a ler seus textos e a nos encantar com seu exemplo.

Danny Marks, editor do Retratos da Mente.


HÁ MUITO TEMPO ATRÁS, NUMA VILA DE CAMPONESES, VIVIA UM VIÚVO CHAMADO WAGNER BEAR. ELE MORAVA COM SUA FILHA MARIA BEATRIZ.
UM DIA, O CAMPONÊS WAGNER BEAR TEVE QUE VIAJAR A TRABALHO. PARA ELE NÃO ESTAVA FÁCIL VIVER NA VILA COM SUA FILHA.
NA VIAGEM, WAGNER ENCONTROU UM REINO LINDO, ERA O REINO DE DIAMANTINA. QUEM REINAVA NESTE REINO ERA A RAINHA SIMONE, UMA MULHER QUE TINHA ACABADO DE ASSUMIR O REINO, POIS O REI, EM UM COMBATE COM O DRAGÃO, LEVOU A PIOR E MORREU.
NO REINO DE DIAMANTINA, EXISTIA UMA SALA TODA FEITA DE DIAMANTES E NELA ESTAVA A VARINHA MÁGICA DE DIAMANTES. ESSA VARINHA TEM MUITOS PODERES E SÓ PODE SER USADA PARA FAZER O BEM.
NO REINO EXISTIA MUITO TRABALHO EM TUNÉIS E CAVERNAS, PARA A EXPLORAÇÃO DE DIAMANTES. MAS, TINHA UMA CAVERNA QUE NÃO PODIA SER EXPLORADA, PORQUE LÁ MORAVA UM DRAGÃO. O CAMPONÊS, POR SER NOVO NO REINO, NÃO SABIA E, ENTROU LÁ PARA TRABALHAR. SUA FILHA, QUE SEMPRE O ACOMPANHAVA, ESPERAVA DO LADO DE FORA DA CAVERNA, QUANDO PASSOU UM GUARDA DA RAINHA SIMONE E QUESTIONOU O PORQUÊ DELA ESTAR ALI.
- É PROIBIDO PERMANECER AQUI. – DISSE O GUARDA A MARIA.
- MAS MEU PAI ESTÁ TRABALHANDO LÁ DENTRO. – RESPONDEU MARIA.
O GUARDA SOOU O ALARME. A RAINHA JÁ SABIA QUE TODA VEZ QUE SOAVA O ALARME, ERA PORQUE ALGUÉM ENTROU NA CAVERNA DO DRAGÃO.
RAINHA SIMONE ENTROU NA SALA DE DIAMANTES, PEGOU A VARINHA MÁGICA E CORREU PARA A CAVERNA. CHEGANDO LÁ, A MARIA ESTAVA DESESPERADA, POIS SEU PAI ESTAVA LÁ, SEM SABER O QUE ESTAVA ACONTECENDO.
ENTÃO, ELA ENGANOU O GUARDA E CORREU PARA AJUDAR SEU PAI. A RAINHA COM SUA VARINHA MÁGICA PROTEGEU ELE E A MENINA, ENTÃO ELA DISSE, APONTANDO A VARINHA:
- DIAMANTES, DIAMANTES, LEVEM ELES IMEDIATAMENTE.
NO MESMO INSTANTE, FORMOU-SE UMA BOLHA DE PROTEÇÃO NO PAI, FILHA E RAINHA, LEVANDO TODOS PARA FORA DA CAVERNA. A RAINHA SIMONE CONSEGUIU SALVAR O CAMPONÊS WAGNER E SUA FILHA.
LOGO QUE SE OLHARAM, WAGNER E SIMONE SE APAIXONARAM E RESOLVERAM SE CASAR. O CAMPONÊS VIROU REI E MARIA BEATRIZ, PRINCESA DE DIAMANTINA, E FORAM FELIZES PARA SEMPRE. A RAINHA SIMONE AINDA ENGRAVIDOU E TEVE OUTRA FILHA, A PRINCESA MARIA EDUARDA.





A culpa por ser pobre e não ter estudado é totalmente sua - Leonardo Sakamoto

Este interessante artigo encontra-se publicado originalmente em http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/07/18/a-culpa-por-ser-pobre-e-nao-ter-estudado-e-totalmente-sua Nosso acesso foi efetuado em 20/07/2014. 
O Retratos da Mente recomenda a leitura, divulgação e reflexão do texto. Assim como o Leonardo Sakamoto, não acreditamos em "milagres" ou em "messias salvadores da pátria", mas acreditamos em que cada um detém a capacidade de mudar a sua vida, para melhor ou não. 

Sobre o autor


Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.




A culpa por você ser pobre é totalmente sua.
A frase acima raramente traduz a verdade. Mas é o que muita gente quer que você acredite.
Aí a gente liga a TV de manhã para acompanhar os telejornais por conta do ofício e já se depara com histórias inspiradoras de pessoas que não ficaram esperando o Maná cair do céu e foram à luta. Pois a educação é a saída, o que concordo. E está ao alcance de todos – o que é uma besteira. E as cotas por cor de pele, que foram fundamentais para o personagem retratado na reportagem alcançar seu espaço e mudar sua história, nem bem são citadas.
Pra quê? No Brasil, não temos racismo, não é mesmo? Até porque o negro não existe. É uma construção social…
Quando resgato a história do Joãozinho, os meus leitores doutrinados para acreditar em tudo o que vêem na TV ficam loucos. Joãozinho, aquele self-made man, que é o exemplo de que professores e alunos podem vencer e, com esforço individual, apesar de toda adversidade, “ser alguém na vida”.
(Sobe música triste ao fundo ao som de violinos.)
Joãozinho comia biscoitos de lama com insetos, tomava banho em rios fétidos e vendia ossos de zebu para sobreviver. Quando pequeno, brincava de esconde-esconde nas carcaças de zebus mortos por falta de brinquedos. Mas não ficou esperando o Estado, nem seus professores lhe ajudarem e, por conta, própria, lutou, lutou, lutou (contando com a ajuda de um mecenas da iniciativa privada, que lhe ensinou a fazer lápis a partir de carvão das árvores queimadas da Amazônia), andando 73,5 quilômetros todos os dias para pegar o ônibus da escola e usando folhas de bananeira como caderno. Hoje é presidente de uma multinacional.
(Violinos são substituídos por orquestra em êxtase.)
Ao ouvir um caso assim, não dá vontade de cantar: Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amoooooooor?
Já participei de comissões julgadoras de prêmios de jornalismo e posso dizer que esse tipo de história faz a alegria de muitos jurados. Afinal, esse é o brasileiro que muitos querem. Ou, melhor: é como muitos querem que seja o brasileiro.
Enfim, a moral da história é:
“Se não consegue ser como Joãozinho e vencer por conta própria sem depender de uma escola de qualidade, com professores bem capacitados, remunerados e respeitados, e de um contexto social e econômico que te dê tranquilidade para estudar, você é um verme nojento que merece nosso desprezo. A propósito, morra!''
Uma vez, recebi reclamações da turma ligada a ações como “Amigos do Joãozinho”. Sabe, o pessoal cheio de boa vontade genuína e sincera, mas que acredita que o problema da escola é que falta gente para pintar as paredes. Um deles me disse que acreditava na “força interior'' de cada um para superar as suas adversidades. E que histórias de superação são exemplos a serem seguidos.
Críticas anotadas e encaminhadas ao bispo, que me lembrou de que eu iria para o inferno – se o inferno existisse, é claro.
O Brasil está conseguindo universalizar o seu ensino fundamental, mas isso não está vindo acompanhado de um aumento rápido na qualidade da educação. Mesmo que os dados para a evolução dos primeiros anos de estudo estejam além do que o governo esperava no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), grande parte dos jovens de escolas públicas têm entrado no ensino médio sabendo apenas ordenar e reconhecer letras, mas não redigir e interpretar textos.
Enquanto isso, o magistério no Brasil continua sendo tratado como profissão de segunda categoria. Todo mundo adora arrotar que professor precisa ser reconhecido, mas adora chamar de vagabundo quando eles entram em greve para garantir esse direito.
Ai, como eu detesto aquele papinho-aranha de que é possível uma boa educação com poucos recursos, usando apenas a imaginação. Aulas tipo MacGyver, sabe? “Agora eu pego essa ripa de madeira de demolição, junto com esses potinhos de Yakult usados, coloco esses dois pregadores de roupa, mais essa corda de sisal… Pronto! Eis um laboratório para o ensino de química para o ensino médio!''
É possível ter boas aula sem estrutura? Claro. Há professores que viajam o mundo com seus alunos embaixo da copa de uma mangueira, com uma lousa e pouco giz. Por vezes, isso faz parte do processo pedagógico. Em outras, contudo, é o que foi possível. Nesse caso, transformar o jeitinho provisório em padrão consolidado é o ó do borogodó.
Pois, como sempre é bom lembrar, quem gosta da estética da miséria é intelectual, porque são preferíveis escolas que contem com um mínimo de estrutura. Para conectar o aluno ao conhecimento. Para guiá-lo além dos limites de sua comunidade.
“Ah, mas Sakamoto, seu chato! Eu achei linda a história da Ritinha, do Povoado To Decastigo, que passa a madrugada encadernando sacos de papel de pão e apontando lascas de carvão, que servirão de lápis, para seus alunos da manhã seguinte. Ela sozinha dá aula para 176 pessoas de uma vez só, do primeiro ao nono ano, e perdeu peso porque passa seu almoço para o Joãozinho, um dos alunos mais necessitados. Ritinha, deu um depoimento emocionante ao Globo Repórter, dia desses, dizendo que, apesar da parca luz de candeeiro de óleo de rato estar acabando com sua visão, ela romperá quantas madrugadas for necessário porque acredita que cada um deve fazer sua parte.''
Ritinha simboliza a construção de um discurso que joga nas costas do professor a responsabilidade pelo sucesso ou o fracasso das políticas públicas de educação. Esqueçam o desvio do orçamento da educação para pagamento de juros da dívida, esqueçam a incapacidade administrativa e gerencial, o sucateamento e a falta de formação dos profissionais, os salários vergonhosamente pequenos e planos de carreira risíveis, a ausência de infraestrutura, de material didático, de merenda decente, de segurança para se trabalhar. Esqueçam o fato de que 10% do PIB para a educação está longe de sair do papel.
Joãozinho e Ritinha são alfa e ômega, os responsáveis por tudo. Pois, como todos sabemos, o Estado não deveria ter responsabilidade pela qualidade de vida dos cidadãos.
Vocês acham sinceramente que “a pessoa é pobre porque não estudou ou trabalhou''?
Acreditam que basta trabalhar e estudar para ter uma boa vida e que um emprego decente e uma educação de qualidade é alcançável a todos e todas desde o berço?
E que todas as pessoas ricas e de posses conquistaram o que têm de forma honesta?
Acham que todas as leis foram criadas para garantir Justiça e que só temos um problema de aplicação?
Não se perguntam quem fez as leis, o porquê de terem sido feitas ou questiona quem as aplica?
Sabem de naaaaada, inocentes!
Como já disse aqui, uma das principais funções da escola deveria ser produzir pessoas pensantes e contestadoras que possam colocar em risco a própria estrutura política e econômica montada para que tudo funcione do jeito em que está. Educar pode significar libertar ou enquadrar – inclusive libertar para subverter.
Que tipo de educação estamos oferecendo?
Que tipo de educação precisamos ter?
Uma educação de baixa qualidade, insuficiente às características de cada lugar, que passa longe das demandas profissionalizantes e com professores mal tratados pode mudar a vida de um povo?

O Joãozinho e a Ritinha acham que sim. Mas eu duvido.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Oi Poeta, bora colocar nossa poesia na rua? - Marina Mara



No meio do caminho havia um poema...

Realizado desde 2010 em todo o Brasil e em alguns países - por brasileiros espalhados por este vasto mundo - o projeto Declame para Drummond já levou milhares de poemas para o meio do caminho de ilustres desconhecidos. Além de homenagear o poeta Carlos Drummond de Andrade, o projeto é uma forma colaborativa de circulação de poesia autoral.

Este ano, para celebrarmos os 111 anos do poeta, temos uma novidade, além dos poemas impressos distribuídos por cada poeta participante em sua cidade, o projeto ainda contará com circulação dos poemas no mundo virtual, por meio de cartões postais com os poemas do projeto. Poetas das edições passadas super podem participar.

Para fazer parte dessa intervenção poética, envie até o dia 01 de outubro de 2014 seu poema para o e-mail declameparadrummond@gmail.com com seu nome, sua cidade natal, perfil no Facebook (se tiver) e um link para seu site, blog, etc, caso queira divulgar. E lembrando aos poetas que o tema do poema é livre.

Os cartões com os poemas circularão nas redes sociais por todo o mês de outubro e os poemas impressos serão distribuídos no dia do aniversário do poeta, 31 de outubro, uma sexta-feira. Então, poetas, preparem suas intervenções poéticas em sua cidade, pois já é tradição realizarmos saraus nas praças, nas casas dos poetas, em escolas, na grama com cangas e onde mais a poesia nos levar. Faça seu evento poético Declame para Drummond com seus amigos ou mesmo sozinho, distribua poesia por sua cidade e mande a sua para distribuirmos por aqui também.

Poetas, participem!

Com amor,

Marina Mara
www.marinamara.com.br


Havia um poema no meio do caminho...


Ó nóis no FACEBOOK! https://www.facebook.com/events/684705194912003/?source=1


EDIÇÕES PASSADAS

Declame para Drummond 2012 - https://www.youtube.com/watch?v=2doszAQMUAc

Fotos: http://www.marinamara.com.br/2012/10/20/distribua-poemas-em-sua-cidade-declame-para-drummond/

Declame para Drummond 2010 - http://www.marinamara.com.br/2012/03/21/tinha-um-poema-no-meio-do-calcadao/


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O Retratos da Mente apoia esta iniciativa. 
Danny Marks