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terça-feira, 3 de abril de 2018

Uma Casa em Segunda Instância - Danny Marks

Resultado de imagem para Liberdade
A criança é acusada de cometer uma falta. O pai analisa a denuncia e manda por de castigo. Impetrado um recurso contra o julgamento do pai, recorre-se à mãe, que analisa o caso e confirma o veredito de culpado.
A criança deve cumprir o castigo imediatamente ou isso só deve acontecer depois do julgamento dos avós que só poderão vir à casa na próxima reunião familiar, sem data para ocorrer?
Se os avós decidirem pela absolvição, não estarão afirmando que os pais são incompetentes para criar os filhos, apesar destes terem seguido as regras que aprenderam com os avós? Deveriam os avós ordenar uma reciclagem das competências paternas sobre as regras familiares para aprenderem a julgar melhor?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

País do Diabo – Danny Marks


           Em 1884, um brasileiro chamado de Machado de Assis, publicava um texto intitulado de Igreja do Diabo. Neste, apresentava a ideia do citado personagem do título para resolver o problema de que sempre se dava mal. Faltava-lhe uma igreja que permitisse aos humanos exercerem de forma livre e desimpedida a sua natureza sórdida, coibida pela ação daqueles que se alinhavam em templos de natureza oposta. Com essa ideia em mãos, foi solicitar a Deus a justiça da igualdade de direitos. Queria montar a sua igreja, e assim lhe foi permitido.
          133 anos após, no mesmo pais, em outra história, o que se observa é o passo seguinte, a construção de um Pais do Diabo. A exemplo do que foi solicitado anteriormente, o pedido foi de que, não apenas em um templo fosse feito o que se tivesse vontade, mas em todo um país. Todos estariam livres para fazer o que bem entendessem, por mais imoral ou ilegal que isso fosse, não seriam punidos. E viva a liberdade de se ser o que é.
          Impossível! Diriam alguns tolos, acrescentando que a moral elevada é uma condição da natureza humana. Mas o que se viu foi exatamente o que o Diabo esperava. Dada a liberdade com garantia de impunidade, a corrupção se instalara facilmente. A princípio em pequenos gestos, tímidos. Um pequeno engano aqui, um desvio moral ali, justificados pela necessidade ou pela generalização. Todos mentem, quem ainda não percebeu isso?
          Do menino que colava na hora da prova ao médico que comprou os trabalhos em sites especializados, todos garantiram uma vida mais fácil com os recursos necessários. Combatia-se o crime, é claro, aquele descarado, de armas na mão. A venda de drogas ilícitas que degradavam rapidamente a ideia de uma sociedade ordenada sob princípios mais elevados, estéticos. Roubar é algo que prejudica a imagem, desviar recursos é um ato de inteligência. Matar com disparos de armas ou bombas é um crime hediondo. Matar dezenas, milhares, por projetos mal dimensionado que desabam, por falta de recursos desviados da saúde, apenas um acidente não intencional.
          O importante é ter a garantia de apoio daqueles que pensam igual, alinhados em um discurso que os defende e os representa. E como não há unidade de interesses, então é preciso criar representantes para estes, defendidos com unhas, dentes, paus, pedras, bombas, balas de borracha ou de chumbo, para garantir que a bandeira do que é moral e ético (o conjunto de valores estabelecidos e reconhecidos por um grupo) seja defendido dos imorais (aqueles que defendem discursos diferentes).
          Criam-se times e torcidas que se confrontam. Criam-se divisões polarizadas o suficiente para saber que há apenas dois lados, a seu favor ou contra, sendo obvio qual que se deve se defender e ouvir, o outro deve ser exterminado sumariamente, nem merece ocupar um lugar ao sol. Na verdade é a causa das nuvens negras que tampam o seu sol. Essa é a lei.
          A lei não deve beneficiar a todos, como assim defender bandidos? Por isso mesmo que é necessário criar uma legião de defensores da lei acima de tudo. E estes devem ser escolhidos entre aqueles que não compraram o diploma. Devem ser expertos e inteligentes (sim, há uma diferença entre os termos) para defender os que são bem-sucedidos daqueles que tentam usurpar seus vencimentos exigindo igualdade de valores. Como assim, igualdade de valores? Os que trabalharam duramente para criar esquemas ilícitos para ganhar mais devem poder gozar dos resultados dos seus esforços em driblar a concorrência e convencer com fortunas prometidas os que poderiam favorece-los.
          Os vagabundos que nada fizeram, esperando que a lei os beneficiasse, mamando nas tetas do populismo complacente com o ócio, não merecem ser compensados por nada fazer. Ao contrário, devem pagar ainda mais pela oportunidade de fazer parte do progresso, daqueles que realmente trabalham para conquistar ainda mais lucros e tornar a nação e a família rica. É uma questão de valores elevados que devem ser defendidos a todo custo.
          É claro que para que haja um lado vencedor, deve ter um lado perdedor. É a vida. O melhor adaptado sobrevive para lutar mais um dia. Soldados morrem nas guerras, para isso são feitos soldados. Pessoas morrem todos os dias, e ninguém nem fica sabendo, melhor morrer por uma causa, a minha. É preciso garantir o futuro das próximas gerações de iguais, daqueles que seguem os mesmos valores e, para alcança-los, fazer uso daquilo que aprenderam. A vida é curta e cheia de perigos, mas é sempre melhor quando se pode olhar do alto de uma montanha, de preferência de dinheiro, para as mazelas do mundo.
          Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. Essa é a lei, garantida por um pelotão de fuzilamento judicial que serve aos que roubam muito, porque roubar pouco é sinal de mediocridade e deve ser combatido. O mundo é dos expertos, todos sabem. Garantir que apenas os expertos sobrevivam é tornar o mundo melhor, mais humano. Afinal a humanidade é corrupta por sua própria natureza, e só os fortes sobrevivem.
          É claro que quando todos descobrem que roubar muito compensa, e roubar pouco condena, começam a fazer uma concorrência desleal. Agora não basta ser experto, tem que ser também articulado, garantir apoio para os seus e garantir que não traiam os ideais que os fizeram fortes. Mas como evitar trair quando a traição é parte do negócio? Traindo antes que seja traído, é claro. Isso demonstra a habilidade em perceber quando a pirâmide vai desabar e permite escapar com um belo acordo de delação que vai garantir grande parte do lucro conquistado, pagando uma pequena propina à título de ressarcimento por não ter incluído, antes, os novos aliados.
          Com o mundo violento do jeito que está, é melhor viver em uma prisão domiciliar, uma mansão conquistada com muito suor dos incompetentes, garantindo uma escolta armada para impedir que os ludibriados tentem resgatar de volta o que lhes foi tomado pela inação. A lei existe para ser cumprida, desde que beneficie aqueles que as fazem e as mantém. E quem são esses senão aqueles lideres visionários que perceberam que a condição humana é uma incoerência absoluta, como declarado por Machado.

          Bendito o pais que elege o Diabo do inferno que merece. Isso fica claro a cada dia para este autor, que pretende incluir urgentemente no currículo a habilidade absoluta em criar discursos que justifiquem qualquer coisa, de forma a garantir um lugar de destaque nessa nova ordem a um custo exorbitantemente justo pelo que é oferecido. E que todos digam Amém!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Psicodeidade - Danny Marks

(Quando a vida parecer uma droga, vicie-se nela)

Sabe, tem aqueles dias em que tudo parece confuso
E você se pergunta o que tem feito de errado
Se está tudo certo na sua vida e chegou onde queria
Mas não pode ficar apenas parado.

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Qual o sentido de tentar alcançar o impossível?
E se todos os seus sonhos forem realizáveis?
Quão pequena é a sua imaginação?
Será o objetivo da vida ficar frustrado?
Ou descobrir que acreditou nas pessoas erradas?

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Senti o meu mundo girando em louca velocidade,
E meus olhos estavam fechados ao terror
As coisas só eram assim na minha cabeça
Não era o mundo que girava rápido, eu que havia parado
em relação ao universo. Então ele disse;

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Oh, Deus, onde você está?
Por que só tenho pesadelos, quando penso nos seus planos?
Você me disse que havia um caminho
E não revelou como chegar lá.
Oh, Deus, você é insano! Agora eu sei.
Tem uma voz gritando no meu lado esquerdo:

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Só pode morrer o que está vivo.
Li em um livro que escrevi, há muito tempo.
Ontem completei mais um ciclo neste mundo
E só agora descobri que sempre quis morrer,
mas para isso tenho que aprender como VIVER.
E você nem se importa quando digo:

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Aprendi uma ou duas coisas novas, entende?
Talvez ainda haja uma chance para mim.
Me livrar das correntes que me acorrentei
Voltar a sorrir e sentir que não é vantagem
ter um bom coração no inferno
Isso serve apenas para dizer, seu lugar não é aqui.
Então, volte pra casa. Ah, volte pra casa!

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Não há como retornar no caminho
As coisas mudam, eu/você sabe, é assim
De alguma forma vai chegar onde estava
Quando finalmente resolveu partir
antes da hora de voltar.
Não pare agora, apenas vá, você sabe...

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

A curva está logo ali a esperar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Simpatia para Mudança de Governo - Danny Marks



O que era:
1 - Pegue um governo com um líder incompetente e desacreditado devido ao bando de colaboradores suspeitos de envolvimentos em operações ilícitas.
2 - Junte um grupo interessado em derrubar esse governo a qualquer custo para defender seus próprios interesses.
3 - Arregimente um batalhão de batedores de panela e tocadores de apito que queiram extravasar todas as suas frustrações, preconceitos, raiva e toda sorte de sentimentos negativos.
4 - Crie fantasias, músicas, discursos de como será melhor para a democracia a mudança, como haverá menos ministérios, como não será permitido a “blindagem dos amigos” com cargos públicos pagos pelo povo apenas para garantir um processo mais lento e que dê mais margem para arrumar acordos por baixo dos panos.
5 - Divida e incentive a polarização dos lados insuflando o “Nós contra Eles” com nomes pejorativos para cada um dos lados, fáceis de gritar, de forma que não consigam se comunicar entre sí, evitando que acabem descobrindo que no fundo são todos iguais.
6 - Mexa bem e acrescente doses dos ingredientes 3 a 5 até obter um resultado. Importante: Bata sempre que possível para aumentar a intensidade do efeito. Pode ser para a direita ou para a esquerda, não importa, desde que se mantenha a coisa agitada.

Como fica:
Em pouco tempo você consegue um novo governo, com toda a cara da democracia que plantou nas ruas em meio aos protestos e vandalismos necessários para impor o seu ponto de vista sem medo de passar por cima dos outros. E tenha absoluta certeza de que esse novo governo vai produzir ótimos discursos que não serão cumpridos, vai blindar os seus (dele) amigos com cargos públicos pagos pelo povo, vai tentar abafar todas as denúncias de corrupção que surgirem sobre os seus colaboradores e pode até deixar as coisas piores dizendo que a culpa foi do governo anterior e que está tentando resolver a (própria) situação.

Se não gostar do resultado, basta voltar no passo 1 e começar tudo de novo. Sucesso garantido sem dinheiro de volta. Afinal, SIMPATIA é tudo, não é?

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

HellsClick II (Mais Selfies no Inferno) – Danny Marks



XIV
— Há pouco estávamos falando de você.
— É mesmo? O quê?
— Imagina se vou falar essas coisas para você.

XV
— Por que não vai usar a prataria no jantar? Convidou algum lobisomem?
— Não, só políticos e associados.

XVI
— Como você lida com a raiva?
— Você quer uma explicação ou uma demonstração?

XVII
— Havia tantos interessados, como conseguira criar um consenso?
— Separamos os que tinham os mesmos interesses que nós e ignoramos o resto.
— Interessante.

XVIII
— Sabe como se cria uma briga entre cegos? Diz para eles: Toma esta nota de cem e divide entre vocês.
— E como separar a briga de cegos?
— Fácil, você grita: Faca não vale!

XIX
— Hoje em dia não se pode confiar em ninguém. Ei! Por que está gravando isso?
— Só por garantia.

XX
— Não sei por que essas pessoas ficam dando palpites em realidades que nem conhecem.
— Ignore! São apenas filósofos, cientistas, escritores, estudiosos...

XXI
— Debater nas redes sociais não leva a nada. É nas escolas que as pessoas estão sendo doutrinadas nas ideologias.
— É mesmo? De onde você tirou essa ideia?

XXII
— Esse foi um golpe bem dado.
— Mas foi totalmente dentro das regras.
— Claro que sim. Há cadáveres que são conquistados apenas usando as defesas do corpo como doença. Anafilaxia.

XXIII
— Quero deixar claro que aqui todos são iguais perante a lei.
— E quem é você?
— Eu sou a lei.

XXIV
No mundo do ódio, amar é crime.

XXV
— As coisas estão fervendo.
— Então dê um jeito de esfriar um pouco, não queremos que percebam que estão sendo cozidos. Deixe que vão se acostumando, senão vão reagir.

XXVI

A porta de emergência é sempre a garantia de que a vítima não enfrentará o problema, até ser abatida.

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