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terça-feira, 3 de abril de 2018

Uma Casa em Segunda Instância - Danny Marks

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A criança é acusada de cometer uma falta. O pai analisa a denuncia e manda por de castigo. Impetrado um recurso contra o julgamento do pai, recorre-se à mãe, que analisa o caso e confirma o veredito de culpado.
A criança deve cumprir o castigo imediatamente ou isso só deve acontecer depois do julgamento dos avós que só poderão vir à casa na próxima reunião familiar, sem data para ocorrer?
Se os avós decidirem pela absolvição, não estarão afirmando que os pais são incompetentes para criar os filhos, apesar destes terem seguido as regras que aprenderam com os avós? Deveriam os avós ordenar uma reciclagem das competências paternas sobre as regras familiares para aprenderem a julgar melhor?

sábado, 17 de março de 2018

A Gota - Danny Marks

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Um dia uma gota fez derramar o copo.
Houve muitos protestos, não pelo copo derramado, mas porque a gota era de óleo e não houve comoção por todas as gotas anteriores que haviam caído.
Debatiam o valor da gota, não a existência do vazamento.
Uma gota de óleo, não se misturava na água, não importava.
Poderia ter sido lágrima, sereno, suor, sangue, mas era óleo.
Até que o copo transbordou.
E ninguém sabia lidar com isso.

sábado, 30 de setembro de 2017

Depois da Pós-Verdade, a Polêmica – Danny Marks

             
Sabe da última polêmica? Não tem, pelo simples fato que jamais vai ser a última, apenas a mais recente que alguém inventou por algum propósito que poderá ou não ser atingido. Recentemente há uma tendência a revitalização dessa metodologia de provocar o outro através de atos ou palavras de duplo sentido e múltiplas interpretações. Digo recente porque não é algo novo, embora a forma como seja utilizada pode ser recente, incorporando novas tecnologias.
               Quando falo em tecnologias não digo apenas as novas formas de mídia, tecnologia vai além disso, significa algum tipo de conhecimento que pode ser transmitido e utilizado para algum fim, nesse sentido as técnicas de manipulação e apresentação da informação são tecnologias também, não apenas os aparelhos ou mídias em que aparecem.
              Quem trabalha com textos escritos ou visuais aprende bastante sobre os usos das tecnologias de informação para poder fazer melhor o seu trabalho, mas para o público em geral muitas coisas passam despercebidas e apenas os efeitos são sentidos. Há os que dizem que é possível através do conhecimento das técnicas envolvidas ficar vacinado contra a manipulação, não acredito nisso, embora concorde que é possível tornar mais difícil que os efeitos sejam sentidos quando se conhece os mecanismos que os produzem, algo como perder a encanto pela mágica quando se sabe como o mágico consegue ludibriar a plateia, mesmo que não se perceba o truque durante a sua apresentação.
              Esse também é um assunto polêmico, mas como todos do gênero é interessante poder ser discutido, afinal o objetivo verdadeiro e necessário da polêmica é justamente provocar um debate racional e saudável. Mas quando a ferramenta é usada para outros fins que não os quais foi criada para executar ocorre o que podemos chamar de deturpação de propósitos. E é o que tenho observado muito em relação a ferramenta da polêmica.
              Recentemente houve uma grande polêmica sobre a Pós-Verdade, um neologismo criado para as situações em que se nega veementemente uma verdade consensual com o uso de uma interpretação amplamente divulgada apoiada em fatos selecionados especialmente para reforçar a interpretação dada, recortes da verdade realinhados em uma sequência que parece ser verdadeira, mas não é. Apesar de ainda amplamente usada, a pós-verdade tem sido ridicularizada e denunciada de diversas formas, reduzindo o seu efeito danoso, mas não eliminando-o. O problema é que todo vírus não tratado até o extermínio, adapta-se ao remédio e fica mais forte. É o que aconteceu quando a pós-verdade se fundiu com a polêmica.
              Basta uma rápida olhada nas redes sociais e poderá ser constatado que as postagens mais comentadas são aquelas que envolvem algum tipo de polêmica, mobilizando exércitos de defensores e detratores com a mesma paixão. Espere, paixão e polêmica não combinam por um pressuposto básico que tudo que é feito emocionalmente exclui automaticamente um raciocínio lógico e deforma a argumentação, certo? A menos que esse seja o efeito desejado, utilizado com habilidade na construção da polêmica para alcançar o seu objetivo.
              E a polêmica apaixonada tem invadido as redes com todo tipo de objetivo manipulatório, desde a venda de um livro porque supostamente houve um engodo prévio, até a desautorização de instituições por conta de situações polêmicas habilmente trabalhadas para confundir. Tenho visto desde vídeos editados para apresentar uma posição que parece contrária a uma determinada pessoa, até recortes de cenas apresentados para embasar teses polêmicas em si mesmas. O que é direito? O que é arte? O que é ético? Tudo pode virar polêmica e ser apresentado com o viés necessário através da junção da pós-verdade com a paixão polêmica.
              Ah, mas isso é bom, as pessoas estão falando mais sobre as questões apresentadas. Estão falando mais de política, estabelecendo limites éticos, questionando as instituições, etc. Será? A que preço isso vem sendo feito e com qual objetivo?
              Recentemente vi um vídeo claramente manipulado sobre um possível candidato a presidência do Brasil que supostamente teria o efeito de validar a sua inadequação e demonstrar a falta de caráter e qualificação para o cargo. Mas será que é esse o objetivo? Ou será que a exibição obvia da manipulação não deixa a dúvida sobre todos os outros fatos levantados? Aquilo que poderia comprovar a inadequação pode ter o efeito inverso de criar uma dúvida sobre um (já declarado anteriormente) ataque desleal contra alguém que, até prova em contrário, é inocente e está sendo perseguido de forma abjeta, desprezível, provocando a simpatia pelo ofendido e não a aversão.
              A desconstrução de argumentações de algumas instituições e suas resoluções apresentadas sem um cuidado (ou com um cuidado específico?) pode desautorizar qualquer resolução justificada e enfraquecer todo um conjunto a partir de uma falha ocasional. É como construir uma lógica tendenciosa a partir de recortes que validem a teoria ou a condenem de vez. Alguém poderia dizer que aviões não podem voar porque maças caem das arvores, por exemplo, ou que não se deve dar tratamento humanitário para pessoas que matam e assassinos deveriam ser mortos para evitar que matassem novamente, mas quem seria o carrasco assassino final? Ou há justificativa para alguns assassinatos e outros não?
              A deturpação de argumentos contrapostos por recortes polêmicos se tornou a maior e mais eficiente ferramenta da pós-verdade, utilizando as paixões e os medos inconscientes de forma eficiente para criar um efeito amplificador que corrompe efetivamente qualquer projeto racional de um debate. Não dá para argumentar contra algo que, deslocado do contexto, é apresentado como argumento, ainda mais se dentro do contexto original teria o efeito oposto. Se alguém é a favor de algo em uma situação, fica automaticamente proibida de ser contra outra situação similar, mas com significantes diferentes, ou vice e versa.
              Se digo que gosto de bananas, como ser contra bananada ou a fruta junto com a comida, por exemplo? Não disse que gosta de bananas? Então vai ter que gostar de banana em qualquer contexto ou está sendo hipócrita. Fica automaticamente obrigado a gostar de banana com arroz e feijão, ou com aveia, ou feita em doce, ou temperada com sal e pimenta, ou... Pois é, dessa mesma forma que as polêmicas estão sendo tratadas, em uma cortina de desinformação apaixonada de pós-verdades que tem por único objetivo possível a manipulação subvertida de racionalidades e sentimentos para atingir um objetivo particular inconfessável.

              A diferença entre remédio e veneno é uma questão de dose correta e intencionalidade. E parece que, cada dia mais, aqueles que tem o conhecimento das ferramentas da informação as usam para seus fins particulares das mais variadas formas, sem qualquer apego pela ética ou preocupação com o coletivo. E se a informação pode ser manipulada dessa forma negativa, a única solução possível para impedir ou minimizar seus efeitos danosos continua sendo mais informação, mais transparência, mais criatividade na solução do problema que afeta a todos nós, mesmo que estejamos cientes disso, pois não há vacina possível para impedir a doença, mas há tratamento. E se não concorda com isso, apresente-me seus argumentos sem paixão e estarei disposto a conversar sobre isso porque adoro boas polêmicas, feitas da forma correta.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Spoilers – Danny Marks


          Eu sei que você provavelmente tem uma opinião formada a respeito do assunto, e acredite respeito isso, mas vamos combinar. Se você for a favor de spoilers, vai concordar comigo. Se não for a favor de spoilers, não me diga nada ou estará traindo a sua convicção ao me dar spoilers da sua opinião, deixe que descubra sozinho. Fala sério!!!
          Estabelecida essa regrinha básica para este caso, vamos a minha argumentação. Eu não ligo para spoilers, na maioria das vezes. Claro que se for aquele caso de uma história cuja única característica importante é justamente o suspense, saber antecipadamente o que vai acontecer é estragar a única coisa que faria outra pessoa acompanhar a narrativa, concorda? Isso é uma tremenda sacanagem, no sentido de coisa ruim, porque há aquelas sacanagens que...
          Voltando ao assunto. Excetuando aquele caso descrito ali acima, qual o problema de spoiler? Aliás, o que seria exatamente um spoiler? Segundo a Wiki (ALERTA DE SPOILER) é o ato de “Destruir ou reduzir o prazer, interesse ou beleza de algo”, cara isso é muito sério. Deveria ser considerado como o décimo primeiro pecado capital “Não darás Spoilers ao teu semelhante” e deveria vir logo antes de “Não Matarás” para prevenir. Mas, convenhamos, quando isso realmente ocorre? E lembre-se, excetuando-se aquele exemplo que dei, não vejo muitas situações em que isso realmente ocorra.
          Sou da época em que as pessoas adoravam comentar sobre qualquer coisa, tendo o outro ciência disso ou não. O último capítulo da novela? Aquele livro daquele autor? O seriado que passava na televisão? E o filme que está em cartaz? Eram motivadores para longas discussões, e nem era preciso que o interlocutor realmente tivesse visto o motivo do debate, bastava que tivesse interesse que, invariavelmente, seria aguçado depois do spoiler.
          Como assim? Ora, muitas vezes o interesse era provocado apenas e tão somente para provar que o outro que teve o conhecimento antecipado, não tinha percebido todos os detalhes, que seriam acrescentados em outras discussões. E nem precisava ser imediato, poderia levar anos até que se conseguisse debater com suas próprias impressões as questões levantadas pelo outro que, muitas vezes, era obrigado a rever tudo de novo para poder continuar debatendo.
          Isso causava um fenômeno estranho para os dias de hoje, as pessoas RELIAM LIVROS!!! Às vezes mais de uma vez. Assistiam filmes incontáveis vezes para não deixar escapar nenhum detalhe. Viam novamente séries inteiras, descobrindo falhas de argumentos, confirmando teses, eram verdadeiros garimpeiros de novidades dentro do que já haviam visto. Por vezes criavam clubes para debater cada particularidade de uma obra exaustivamente, e ao final, voltavam a ver só para ter o prazer de ampliar a beleza do que já sabiam existir através dos comentários com os amigos. Era como se a cada revisão todos com quem já tivesse debatido sobre a obra, estivessem ali ao lado, vendo tudo de novo e tendo a mesma sensação de que valia a pena rever.
          Hoje, isso parece ser algo que não existe mais. Ou pelo menos alguns querem fazer crer que não é mais possível ter esse prazer de rever pela perspectiva compartilhada. Sabe aquele filme? Não fala nada, ainda não vi! E o livro do... Nem pensar, não me conta. Ah, mas o jogo de ontem. Cala essa boca! Eu não quero saber o resultado, deixei gravado para assistir mais tarde. Ok, então aquela novela. Já disse para não dar spoiler! Mas, estão reprisando ela...
          Que tipo de sociedade que estamos criando? Não vou mais votar na próxima eleição porque já sei que ninguém que for eleito vai fazer nada de bom, já votei em muitas eleições antes. Não vou me esforçar para vencer na vida, já me falaram que nunca dá certo. Não vou investir em um relacionamento porque já tive um e deu tudo errado. Não vou reler aquele livro, ou ver aquele filme, já conheço a história. Deus, nunca mais vou ao teatro ver uma nova interpretação daquela peça que já foi exibida por séculos! Que perda de tempo. Quero novidades, quero coisas que nunca fiz, que nunca ninguém fez, coisas que me desafiem e que não vou poder contar para ninguém porque spoiler é a coisa mais abominável que existe e não posso cometer o mesmo erro que os outros.
          Adeus clubes de fãs, para que falar com pessoas sobre um livro que todo mundo já leu e sabe tudo o que precisa saber sobre ele; e se não souber, não vou poder falar nada para não quebrar o prazer da descoberta.

          Você já soube que tem um livro novo do... Não me conta! Deixa eu descobrir sozinho. No entanto, ainda damos risadas das velhas piadas, que todos já estão cansados de ouvir, mas que ainda nos faz rir. Ainda estamos tentando resolver os velhos problemas que todos já sabem as causas, mas ninguém descobriu a solução. Ainda estamos aguardando aquele final do mundo que já foi anunciado milhões de vezes, mas para o nosso prazer sádico, ninguém ainda interpretou corretamente. Até que alguém nos dê o spoiler final. Então será realmente o fim. Mas isso você nunca vai ficar sabendo.

Conheça o site de Danny Marks em www.dannymarks.com.br

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Comunicado Importante - Danny Marks


Olá leitores do Retratos da Mente, devem ter percebido que houve um decréscimo de postagens no blog, além de alterações recentes. A questão é que tenho que fazer uma escolha séria. Ou reformulo completamente as estratégias em relação a minha carreira como um escritor profissional, ou vou ter que abandonar completamente essa ideia e pensar em algo completamente diferente.
Venho falando há algum tempo sobre o mercado literário brasileiro e suas crises, então não há o que estranhar quando editoras, livrarias, escritores, etc resolvem encerrar suas atividades e partir para novos rumos. Tenho observado diversos autores nacionais terem sérias dificuldades, enquanto outros assumem os postos. Tenho visto modelos antigos (e ruins) de publicação retornando, outros modelos sendo criados, mas ainda é visível e incontestável que no Brasil, só fica famoso quem é famoso, só ganha dinheiro quem tem dinheiro (as exceções ilícitas não vou considerar, estou falando de um trabalho honesto, dentro das regras), salvo raras exceções que as mídias adoram apontar como "cases de sucesso", mas cá entre nós, desde o século passado quando estudei administração, venho dizendo que exceção não é regra e essa conversa de que "o cara fez, então você também pode" é balela de auto-ajuda e (muitas vezes) armadilhas de mal intencionados. Alguém conseguir fazer só demonstra que é possível, mas não significa que a regra está estabelecida.
O que vale, em termos de negócio, é criar uma estratégia solida com base em um estudo prolongado, levando em conta os recursos disponíveis e com um bom plano de contingência para o caso de imprevistos ocorrerem. Em outras palavra, vai na fé e se der tudo errado, reza em dobro. 

Brincadeira, mas não se pode negar que mesmo uma estratégia muito bem elaborada pode esbarrar em imprevistos que podem derrubar todo o esquema, enquanto um improviso pode acabar encontrando um meio favorável e dar muito certo, por algum tempo. Um bom administrador tem que levar em consideração todas as variáveis e sempre ter um plano B na manga para o caso dos imprevistos serem desfavoráveis, ou até mesmo para dar tudo mais certo do que previsto (sim, isso pode ser um problema, porque rapidamente cria uma expectativa que pode ou não ser cumprida e precisa de uma análise rápida para saber se é uma tendencia ou uma "moda" que logo vai desaparecer). Prever e planejar no curto, médio e longo prazo em tempo real e durante todo o processo, é a marca de um bom administrador. 
Infelizmente, sou melhor escritor que administrador, mas atualmente para ser escritor tem que ser administrador, relações públicas, marketeiro, agente cultural, ativista social, historiador, psicólogo, político, empreendedor, sociólogo, filósofo, e por ai vai. Além de ter que dominar as técnicas de escrita e arrumar algum tempo para pesquisar os temas a serem trabalhados. Ser rico ajuda bastante, pode contratar uma equipe para fazer todos os trabalhos e se dedicar a essência da escrita que é, acreditem, escrever!!! Ser famoso também ajuda, porque pode captar investidores ricos e eles contratam as equipes. Quando não se é nem rico, nem famoso, então... você tem que dar um jeito de fazer as coisas darem certo por outros caminhos mais difíceis (nem preciso falar qual é o meu caso).

Não sei se felizmente ou infelizmente (não há consenso nem entre os poucos adversários que tive ao longo da vida) sou uma pessoa teimosa e inteligente, dotado de criatividade dita acima da média (Já ouviram a minha frase que Criatividade é o meu negócio? Pois é...) e sempre que esbarro em um problema estudo todos os ângulos, testo possibilidades, analiso resultados, crio estratégias e, na maioria das vezes, consigo superar de alguma forma (com a ajuda de amigos, sempre fica mais fácil). Não a toa que o lema do meu grupo de estudos misticos, que ajudei a montar e presidi por vários anos, era "Fazemos o possível hoje, e o impossível amanhã".
Ok, onde quero chegar com tudo isso? Que estou decidido a fazer a maior (e talvez a última) aposta da minha vida, me tornar um escritor mundialmente famoso e (de preferência) rico. Para tanto vou reformular completamente as estratégias, mobilizar meus amigos, leitores, colegas, incentivadores, apoiadores, etc em uma grande aventura que pode mudar completamente os rumos da história do mercado de livros brasileiros e a própria literatura nacional. 

Achou ambiciosa a proposta? Claro que é, sempre pense grande quando traçar os seus objetivos, depois pense nos pequenos detalhes que serão sua escada para alcança-lo. Dessa forma não será surpreendido por nenhum dos fatores que possam aparecer, nem mesmo o sucesso da empreitada (é, tem gente que não sabe o que fazer quando consegue um sucesso depois de ter batalhado muito, já deve ter ouvido histórias verídicas a respeito).
Como mudaria a história do mercado de livros nacionais? Simples, porque nunca deixo de pensar no crescimento dos que estão lutando ao meu lado. Essa é a marca da minha trajetória até agora e vai continuar sendo. Crescemos juntos, para crescer melhor, abrimos caminhos para que todos possam passar e ver novos horizontes. O mercado de livros no Brasil sempre foi um mercado de nichos, falar em crise é até ridículo nesse contexto, mas pretendo mudar isso. Será um longo percurso até chegar nisso, mas estou acostumado com histórias complexas, sem heróis, sem vilões, apenas pessoas fazendo o que podem para viver um amanhã melhor.
Por isso estou dando um ponto no trabalho deste blog e de outros que participei. Mas não é um ponto final, é apenas o encerramento de uma ideia e a abertura de um novo capítulo que ainda não sei como será exatamente (ainda estou trabalhando nos detalhes), mas que vai seguir um rumo diferente, a começar pela marca Danny Marks, que podem observar encimando esta postagem. 
Podem se preparar para ouvir falar muito dessa marca. Podem se preparar para conhecer o melhor que posso fazer. Meu estilo literário central vai ser a FC & Fantasy, nos moldes clássicos, aqueles que embalaram a minha infância com Arthur Clarck, Isaac Asimov, Poul Andersen, Dean R Koontz, Ray Bradbury, Stephen King, entre outros, mas vou fazer incursões também na Comédia de Costumes, no Horror, no Policial, e pode ser que tudo isso acabe aparecendo em um mesmo lugar, porque a minha literatura pode ter ponto de partida, mas não pretende ter um destino final.
Quer fazer parte desta aventura? Então fique de olho aqui e nos diversos lugares onde se fala de literatura. Procure Danny Marks no Facebook, no Google Plus, na internet. Apoie, divulgue, leia, compartilhe, cresça junto, tenho certeza que vai gostar bastante do que virá. E se quiser falar diretamente comigo, mandar sugestões, pedir explicações, o que quiser (não sei se vou atender a todos os pedidos, mas pode tentar, não?), pode mandar email para dannymarksblog@gmail.com ou aguarde os canais de contato que serão abertos junto com o site que estou desenvolvendo. Venha fazer parte dessa jornada sem herói, mas com uma força imbatível, e que as Estrelas continuem a iluminar os nossos caminhos. Assim será.

Danny Marks
Escritor
15/08/2017

domingo, 13 de agosto de 2017

Alguma Poesia - Danny Marks




Sinto-me constrangido quando me chamam poeta. Por conhecer e ler tantos Poetas e suas obras. Alguns amar, outros ser amável, alguns ignorar, outros que me ignorem. Não sou tão fã de poesia quanto poderia, nem sei. Nem domino tanto assim a métrica, a forma, a desconstrução e a perfeição artística da Arte de Poetar, prefiro escrever outras formas de história. Quem me dera ser alguém assim, meio pássaro, meio gente; Meio, início e fim, ter algo de poético em mim para poder olhar o mundo e sempre ver, sempre procurar algo de belo no horror que pode ser o mundo, na denúncia que se proclama. Se declama. Mas me vem um poeta e diz: Poeta! E por ver em mim a poesia que dele transborda, me torno poeta também, menor, distante, desconstruído em palavras em busca de sentidos. Então, que haja alguma poesia, até mesmo onde ela não se reconheça, mas que esteja presente no que se faz.

sábado, 1 de julho de 2017

Um pensamento na noite - Danny Marks

Eu realmente não me importo se você fala muitas línguas, se posso me comunicar com um abraço muito melhor que você.
E não me importo se vai passar pelas pontes que construí, eu as deixei para que todos as usassem.
Só não fique impressionada quando a multidão me tocar com os seus olhos. E se eu chorar novamente, pode sorrir, será com alegria que o farei.
Não desci das Estrelas para ser o seu céu, mas para dizer que há um lugar para todos no Universo. Porque de onde eu vim, todos são Alguém.
E se algum dia se esquecer, não importa. Em algum lugar contarei a sua história também. No meu coração não há espaço para guardar mágoas, está todo cheio de amor.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Costelas de Salomão – Danny Marks


          Chega o momento em que se tem que mandar as estratégias às favas e rever tudo do zero, e o único momento em que isso acaba acontecendo é quando todas as coisas parecem estar erradas, ao menos para os brasileiros. Temos a cultura (errada) de que “em time que está ganhando não se mexe”, e nisso denota-se dois erros clássicos: 1 – de que tudo funciona como no futebol, com times e torcidas organizadas (às vezes até mais do que os clubes e confederações) e 2 – esquecem que é quando o time está ganhando que há espaço para testar novas possibilidades, não quando está já quase derrotado, no desespero.
          Ok, claro que vou falar (novamente) do “mercado literário brasileiro” que insisto, não existe de fato, sendo mais um “mercado de nichos” que realmente um mercado de livros e, não, não vou apresentar novamente os argumentos a respeito disso. Desta vez vou usar uma estratégia diferente, dissecar o problema por segmentos e apontar onde possam estar soluções. É claro que não sei se funcionam, não tenho como testa-las, mas pensem a respeito e me digam, ou não digam, façam.
          Então vamos lá. Em primeiro lugar há na atualidade uma grande reclamação por parte dos segmentos envolvidos nessa crise de que as vendas despencaram, ou nem alavancaram, apesar dos esforços. Sei disso porque tenho contato com várias pessoas do setor e muitos me procuram em busca de soluções, até testei algumas, mas os resultados neste caso sempre são de longo prazo. Qual o problema? O que está havendo? Quem ou o que está provocando isso tudo? É o que pretendo destrinchar neste trabalho.
          Vamos começar pelos autores brasileiros. As perguntas que faço são: Quantos autores brasileiros contemporâneos foram lidos por autores brasileiros? De que tipo? Só os que já foram consagrados? Autores iniciantes com novas propostas? Desses, quantos foram divulgados pelos autores que os leram? Fica difícil querer que haja um mercado quando os próprios agentes do mercado que poderiam se beneficiar mais, agem como se não existisse. Entenda, não existe mercado de UM único produto, há sempre a necessidade de uma variação para gostos, preços, qualidades, etc., e é ISSO que faz com que os segmentos se formem e o mercado se fortaleça.
          Ah, mas autores brasileiros são ruins de se ler. Concordo, em parte, há uma gama imensa de autores que acreditam que basta o talento e tudo se resolve. É como se fosse possível arrancar um diamante da terra e incrusta-lo em um anel e pronto, nenhuma lapidação, nenhuma técnica, só o “natural”. Tentem fazer isso e o mercado de diamantes vai abaixo em pouco tempo. São as técnicas de lapidação que tornam a pedra valiosa, brilhante, eficiente. Então, autores, estudem muito as técnicas, ou guardem o seu talento para si. E, sim, há muitos autores excelentes, embora na maioria das vezes desconhecidos do público e dos próprios autores, então, experimentem, vão se surpreender.
          E nisso chegamos ao segundo segmento envolvido, as editoras. Tudo bem que uma editora precisa vender, mas é preciso ter noção do que será negociado e como. Houve há algum tempo uma enxurrada de editoras que nasciam apenas para vender publicações para autores. Qualquer um podia publicar em um livro solo ou coletânea, bastava pagar e ainda “ganhava” alguns livros que poderia vender e resgatar o dinheiro de volta. Ótimo negócio, se fosse combinado com os russos, no caso os leitores, que foram simplesmente deixados de fora na equação. Quando se tem um produto ruim, pode-se até vender e ter lucro por algum tempo, mas depois o mercado (leitores) reage e exige uma qualidade melhor, haja vista como exemplo as lojas de R$ 1,99 que vendiam qualquer porcaria por um preço baratinho e depois tiveram que subir o preço e a qualidade ou fechar.
          Se as editoras não investem em profissionais de revisão para trabalhar os textos que, invariavelmente vão chegar com erros de todos os tipos (desde estilísticos até gramaticais), vão acabar entregando um produto ruim, defeituoso e vão prejudicar a própria imagem da marca (editora), o que dificulta as vendas posteriores. Pior, se a editora publica qualquer coisa, literalmente falando, acaba criando a imagem negativa de negócio que dificilmente será revertida. Por outro lado, se as editoras investissem em profissionais de revisão, haveria uma demanda maior por cursos do tipo nas escolas, haveria mais profissionais qualificados e uma competição saudável por preços e qualidade do trabalho de revisor que seria benéfico para as editoras e para os autores, que poderiam contratar esses profissionais para auxiliar no processo de depuração do original antes de apresenta-los para as editoras, que então teriam menos trabalho e mais qualidade no material recebido. Não lhe parece um bom negócio?
          Então vamos a outra ponta da equação, as vendas. Sites de publicação há aos montes, mas todos seguem os mesmos padrões. Colocam os títulos, os preços e uma resenha curta (na maioria das vezes feitas pelo próprio autor). Alguns até disponibilizam para os leitores (que compraram) falar algo sobre o livro e dar “estrelinhas”. Sério?! Alguém volta no mercado para dizer “este sabão em pó é excelente, dou cinco estrelinhas para ele” e sai satisfeito de ter dado a sua contribuição para o mercado? O mesmo ocorre com livros, acreditem. Livros são produtos, precisam de estratégias de marketing, de exposição, de incentivos ao público para que falem sobre o produto, de degustação, enfim, todo tipo de coisa que pode alavancar uma venda quando a qualidade é garantida. Querem estimular os leitores (e não apenas os que compraram no site aquele determinado livro) a comentarem sobre? Então ofereçam descontos para quem fizer comentários (sejam quais forem) nos livros apresentados. Ao mesmo tempo que alavancam as vendas do site (no uso dos descontos), fazem com que as pessoas se proponham a comentar sobre o produto oferecido.
          “Ah, mas eu gosto de livro físico, essa coisa de eBook não colou não, me perdoem as arvores”. Ok, em primeiro lugar são dois segmentos não excludentes, ou não deveriam, que exigem estratégias diferenciadas. Um livro impresso que não é exposto, ou fica em uma prateleira na estante do fim da loja, dificilmente vai vender, serão arvores derrubadas inutilmente. Que tal fazer rotatividade nos exemplares apresentados na vitrine? Colocar os menos vendidos e os mais vendidos, lado a lado? Porque, pense bem, quem vai comprar dois exemplares do mesmo livro? A não ser para dar de presente. Então se um livro teve muitas vendas, a probabilidade delas caírem com o tempo é muito maior, e se você volta à mesma vitrine e sempre estão com as mesmas ofertas que, provavelmente, você já tem, qual o interesse em parar para ver novamente? Não seria melhor uma oferta rotativa? Gerar um interesse em buscar aquele livro que viu na vitrine (e não está mais lá) dentro da loja?
          Quanto aos eBooks, eles oferecem a oportunidade de degustação, que pode alavancar a venda do digital (por ser mais barato, e por favor, TEM que ser MUITO mais barato) ou até a do físico, afinal com o preço dos livros é sempre bom poder dar uma olhadinha para ver se é realmente interessante antes de pagar por ele. Então deveria haver estratégias de incentivo a essa degustação, estarem disponíveis INCLUSIVE na livraria física, não apenas nos sites especializados que colocam uma enxurrada de livros de todos os tipos, com filtros que mais embaralham que ajudam. E se há procura por um determinado livro, então ele deve ser disponibilizado o mais rápido possível para o leitor na opção que achar melhor.
          Recentemente me perguntaram qual seria a minha estratégia para fazer uma tarde de autógrafos de um eBook. Achei pertinente a pergunta e a resposta é bem simples, aliás, dou um exemplo de estratégia de mercado. Recentemente comprei um pacote de programas de uma empresa famosa mundialmente. Veio a embalagem e um código que me deu acesso a um site na internet onde pude instalar os programas e usa-los e, veja que interessante, me ofereceram vantagens e ofertas para ampliar ainda mais a experiência, caso estivesse interessado. Então a resposta é simples, em uma tarde de autógrafos de eBooks, poderiam ser autografadas as embalagens com a capa do livro e dentro o código exclusivo para acesso ao conteúdo digital em diversas plataformas, além de poder incluir alguns benefícios exclusivos para quem comprasse naquele evento específico. Teriam algo físico para marcar, guardar e até dar de presente, e não alteraria o valor do produto digital. Poderia haver leituras de trechos do livro junto com o público que poderia acompanhar em seus aparelhos particulares. E por aí vai, as estratégias são ilimitadas quando há criatividade e interesse e, como sempre digo, criatividade é o meu negócio, sou um autor afinal de contas.
          Por fim é preciso combinar com os russos, digo, leitores. Sem isso não há mercado. Como fazer com que o público queira ler mais autores nacionais de qualidade (sim, é preciso que seja oferecido algo bom, do contrário toda a estratégia vira o contrário do que deveria, mas isso já supondo que foram feitos os trabalhos descritos anteriormente aqui mesmo)? Ora, é igual novela, que faz sucesso porque todo mundo comenta. Mesmo quem diz que não gosta, sempre dá uma espiadinha nem que seja para poder entrar naquela conversa em ponto de ônibus, no trabalho, na roda de amigos, nas redes sociais, etc. De que adianta saber de uma coisa fantástica que não se pode comentar com ninguém? Trocar experiências e impressões? A primeira lei de Marketing é sempre a de que um produto só existe se alguém falar sobre ele. Então como fazer isso?
          Caso não tenha percebido, apresentei algumas estratégias nesse sentido ali acima no texto, retorne e leia com mais atenção. Mas não são as únicas, é possível estimular um mercado criando demanda a partir de soluções simples. O mercado da moda cria desfiles, diversas lojas contratam modelos para usarem as roupas que estão acessíveis nas arandelas e as exibem para o público criando o desejo de ficarem parecidos com as belezas que se apresentam. Na literatura deveria haver o mesmo. Bibliotecas deveriam, com o apoio das livrarias e editoras, fazer saraus de leitura de diversos autores contemporâneos. Escolas deveriam promover encontros do tipo, abertos ao público em geral e estimular os alunos a participarem (além de poderem atrair público para os seus cursos).        É preciso desconstruir a coisa de que ler é uma atividade solitária, para poucos e estranhos seres. Sexo é uma atividade intima e, no entanto, todos falam de sexo, todos se interessam por sexo, todos têm seus gostos e preferências e, não, não estou incentivando o sexo em público e coletivo, é apenas um exemplo de que há atividades que são intimas, mas que produzem experiências que podem ser compartilhadas de forma saudável e enriquecedora dentro de grupos com os mesmos interesses, e até abrir possibilidades maiores de experimentação.
          Claro que todas as estratégias apresentadas aqui necessitam de maior elaboração para serem aplicadas, são genéricas por necessidade de espaço e porque também sou um administrador, quem estiver interessado em um estudo mais aprofundado, basta me procurar que negociamos um valor razoável e interessante para ambos. Também sou escritor, professor de técnicas discursivas e leitor, então todas as estratégias para melhorar o mercado me interessam de diversas formas. Além disso acredito que, ou se perde tempo dizendo como as coisas estão ruins, ou se ganha tempo resolvendo a situação.

          Gostou? Detestou? Não se cale, compartilhe o texto com todos os seus conhecidos e amigos, reflitam em conjunto sobre o que foi apresentado e me incluam no debate, se possível; tenho o maior interesse em ouvir o que tenham a dizer a respeito. Afinal, crítica é algo bom, mesmo sendo desagradável de se ler, porque nos ajuda a entender como os leitores estão recebendo o que produzimos e podemos melhorar o que está ruim e aprimorar ainda mais o que está bom. E, me perdoem os que pretendem ser autores, se não concordam com o que foi dito neste último parágrafo, talvez seja melhor investir em outra profissão. Dizem que a de político está em alta, e não precisa nem dar bola para o eleitorado o tempo inteiro, só contratar bons marqueteiros na hora da campanha. Como não tenho estofo para política, então vou continuar como escritor mesmo, e que venham os comentários. Estou aguardando você.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Psicodeidade - Danny Marks

(Quando a vida parecer uma droga, vicie-se nela)

Sabe, tem aqueles dias em que tudo parece confuso
E você se pergunta o que tem feito de errado
Se está tudo certo na sua vida e chegou onde queria
Mas não pode ficar apenas parado.

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Qual o sentido de tentar alcançar o impossível?
E se todos os seus sonhos forem realizáveis?
Quão pequena é a sua imaginação?
Será o objetivo da vida ficar frustrado?
Ou descobrir que acreditou nas pessoas erradas?

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Senti o meu mundo girando em louca velocidade,
E meus olhos estavam fechados ao terror
As coisas só eram assim na minha cabeça
Não era o mundo que girava rápido, eu que havia parado
em relação ao universo. Então ele disse;

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Oh, Deus, onde você está?
Por que só tenho pesadelos, quando penso nos seus planos?
Você me disse que havia um caminho
E não revelou como chegar lá.
Oh, Deus, você é insano! Agora eu sei.
Tem uma voz gritando no meu lado esquerdo:

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Só pode morrer o que está vivo.
Li em um livro que escrevi, há muito tempo.
Ontem completei mais um ciclo neste mundo
E só agora descobri que sempre quis morrer,
mas para isso tenho que aprender como VIVER.
E você nem se importa quando digo:

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Aprendi uma ou duas coisas novas, entende?
Talvez ainda haja uma chance para mim.
Me livrar das correntes que me acorrentei
Voltar a sorrir e sentir que não é vantagem
ter um bom coração no inferno
Isso serve apenas para dizer, seu lugar não é aqui.
Então, volte pra casa. Ah, volte pra casa!

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

Não há como retornar no caminho
As coisas mudam, eu/você sabe, é assim
De alguma forma vai chegar onde estava
Quando finalmente resolveu partir
antes da hora de voltar.
Não pare agora, apenas vá, você sabe...

— Siga. Enfrente! Siga em frente.

A curva está logo ali a esperar.

quinta-feira, 2 de março de 2017

A Fabulosa Bola Quadrada – Danny Marks



          Deixe-me contar-lhe a história da Fabulosa Bola Quadrada, originária da fantástica terra de Obtusolândia. Uma terra tão boa que qualquer coisa que se plantasse por ali, dava e abundava até os horrores. E digo isso porque todos hão de saber que há sempre mais ervas daninhas que arvores frutíferas em qualquer pomar descuidado. Mas não nos desviemos, ainda, do rumo dessa interessante história sobre o inacreditável ocorrido nos idos de alguma década que não me vem à memória no momento, nesse paraíso de comércios e consumos.
          Não me recordo direito dos detalhes, ainda influenciado pelos efeitos da visita em Obtusolândia, de como a coisa se deu, mas digamos que havia uma nova perspectiva comercial muito boa, inspirada em algo semelhante que já ocorria em outras terras. Era a Bola Quadrada, um sucesso imediato entre os comerciantes e seus produtores. Houve um momento em que todo mundo se considerava capaz de produzir a sua própria bola quadrada e comercia-la, e isso gerou todo um modelo de negócio vantajoso para o comércio. Desde os maiores e mais preparados autores de bolas quadradas até os mais simples e inspirados, todos acabavam tendo sua chance de inserir suas produções artisticamente feitas com todos os ângulos desenhados para atender as expectativas dos que iriam confecciona-la. E as empresas que produziam bolas quadradas sob encomenda dos seus criadores, ganhavam muito dinheiro entregando seus produtos acabados em vários formatos para os seus autores, algumas até ofereciam brindes extras e outros penduricalhos para alavancar a venda da tal bola quadrada. Mas depois de algum tempo começou a haver reclamações, os autores trocavam, doavam, pagavam para que outros autores falassem sobre suas bolas quadradas e como eram maravilhosas, mas não havia consumidores para elas. Ninguém que não era autor de bolas quadradas ou amigo dos autores ou parente dos autores, ou produtor de bolas quadradas para autores, queria comprar o produto e assim o negócio foi definhando. Houve um ou outro que tentou apresentar um novo modelo, um Poli Dodecaedro, mas foram escorraçados pelos famosos entre si, autores de bolas quadradas que chamavam aquilo de imitação do produto estrangeiro, cheio de pontas e ângulos que doíam só de olhar. E, por falta de novos clientes autores de bolas quadradas, até mesmo as produtoras acabaram deixando a Obtusolândia e indo trabalhar em outras terras, onde se vendia bolas redondas para outro tipo de público.
          Ok, deve estar me perguntando que porcaria de história ridícula é essa. Mas é o mesmo tipo de pergunta que me faço quando falam na “crise do livro brasileiro”. Como assim? Até onde sei, para que haja uma crise comercial, em algum momento teve um comércio vigoroso que entrou em declínio por algum fator a ser analisado. A menos que o nome da crise esteja errado, por motivos quaisquer que possam haver. Quando me falam das “grandes livrarias” fechando as portas e saindo do país, e como isso vai afetar as vendas de livros nacionais, quando ouço falar nas tecnologias que ”estão matando” o hábito de ler, quando ouço dizerem que “esta nova geração” não gosta de leituras, fico completamente confuso quanto a quem essas pessoas se referem.
          Vejo muitos jovens lendo, boa parte em formatos de eBooks nos celulares que (pasmem) permitem esse tipo de leitura também (!) porque são mais acessíveis no preço (absurdo) que os livros físicos são vendidos. Sem falar que houve toda uma campanha em rádio e tv (e nas próprias publicações impressas) quando lançaram os eBooks para que evitassem derrubar arvores para fazer papel (hoje nem se fala mais nisso, acho que acabaram as arvores ou a vontade mudou). Eu vejo editoras investindo em autores novos, no sentido de tentar cada vez mais ter autores publicando com eles. Todos os dias novas editoras (e outras já estabelecidas) incentivam os autores a estarem enviando seus originais para avaliação. Nunca se escreveu tanto neste país, em diversas plataformas, eletrônicas ou aquelas mais formais, em livro. Chovem resenhas, e citações, e comentários de livros de autores nacionais, crescem os blogs literários, criou-se até um comercio (escondido, mas que todos sabem que existe) de “leituras” e “likes” e recomendações de livros de autores que “são um sucesso de vendas”.
          Então como é possível que as livrarias estejam fechando? Como é possível que haja uma crise nesse meio? Pois é, há uma crise e não é nova. Na verdade, todo o modelo comercial foi estruturado de forma errada. Quando se foca um modelo comercial na produção estrangeira, quando se cria uma demanda nacional sem um estudo completo do negócio, se estabelece a base para uma crise séria, uma base que se assemelha a uma “pirâmide”. É, aquela daquele golpe clássico em que é preciso haver sempre uma “injeção” de novos “contribuintes” para que não desabe sobre si mesma. Até os que já obtiveram lucros em algum momento são incitados a se reinserir na base para que ela continue aumentando, até que tudo explode e muitos perdem para que poucos ganhem. E nunca se sabe em que estágio da “pirâmide” se vai estar quando ela explodir, ou implodir, para ser mais exato.
          O negócio de livros é complexo e envolve muitas variáveis de investimento. O Governo diz que investe em livros, mas só faz é comprar livros clássicos para ser doado em escolas para alunos que não foram preparados para ler de forma crítica, mesmo livros modernos não funcionariam assim. Ok, vão falar que há autores nacionais muito ruins, e há de fato, mas onde estão as faculdades, os cursos técnicos, as oficinas públicas de Literatura? Há cursos (caros e muitas vezes inacessíveis) de escrita, mas quantos desses procuram formar LEITORES? Quantos desses ensinam como fazer uma leitura crítica? Ou mais importante, como formar leitores críticos para os livros existentes? Podemos reclamar que as livrarias vendem os livros caros, ao que elas vão dizer que pagam caro para obtê-los e mantê-los em estoque, até porque mais da metade (para não dizer quase todos) são de autores estrangeiros e apenas os nacionais que vendem muito (ou seja, que possuem um público já formado) são disponibilizados.
          Vejam a complexidade da coisa. Há investimentos que são feitos em um produto que ninguém conhece, para um consumidor que não sabe que necessita desse produto e que nem sabe para que serve, e quando não vende se fala em crise. Aí entra o governo com seus investimentos em produtos consagrados que mais ninguém quer, na tentativa de estimular a venda dos produtos mal-acabados feitos por principiantes que não tiveram condições alguma de aprimorar seus produtos e que se acham o máximo porque leram resenhas pagas para dizerem isso. E novamente se fala em crise. Alguma semelhança com a Obtusolândia e sua fantástica bola quadrada?
          Quantos autores se dedicam a criar um público leitor? Quantos falam de Livros que não sejam os seus? Que sejam de autores nacionais contemporâneos? Que ensinem como se lê um clássico ou mesmo um livro moderno? Que se aprimoram em técnicas de escrita para levar para seus leitores uma qualidade melhor, seja nos seus livros, seja na crítica que fazem de outros autores? Quantos incentivam a leitura seja no celular, no tablet, no notebook, no eReader, no livro físico, tendo como base a importância da leitura de qualidade e não do meio em que ela é feita?
          Lembro-me de um caso em que uma de minhas alunas não tirava os olhos do celular, enquanto tentava dar aula de como fazer uma resenha. Fui até ela e perguntei o que estava fazendo e ela me disse constrangida (assustada até) que estava lendo um livro. Achei interessante, nunca havia visto alguém ler no celular. Perguntei o que estava lendo, era um autor estrangeiro desses best sellers instantâneos. Perguntei se estava gostando. Disse que sim. Então pedi que fizesse um resumo da história, uma apresentação do livro para os colegas de classe. Ela foi engatinhando na coisa e fui ajudando (eu havia lido o tal livro e detestado, mas o objetivo não era expor a minha opinião ou debate-la com pessoas menos preparadas) e ela foi se entusiasmando e fez um ótimo trabalho de estimular os colegas a ler. Aproveitei o gancho e sistematizei a resenha dela dentro de um modelo profissional de qualidade, que era o objetivo da aula.
          O que aconteceu? Todos prestaram atenção redobrada e me perguntaram se poderiam trazer as suas próprias resenhas de livros que estavam lendo para divulgar entre os colegas. Claro que incentivei e fizemos ótimas leituras de resenhas, com inúmeras sugestões de livros que poderiam ler. Até mesmo eu fiz algumas para demonstrar que havia autores nacionais contemporâneos ótimos e que mereciam um espaço. Mas quantos fazem algo do tipo? Quantos não teriam dito que “aula de literatura não é para ler” (oi??), ou então “guarde esse celular que aqui não é o lugar”, ou coisa pior ainda, matando o estímulo de leitura de alguém que só tinha condições de ler pelo celular, porque não podia comprar um aparelho mais adequado, porque não podia pagar o preço de um livro da moda, por morar em uma comunidade carente.
          Será que haveria crise se os investimentos no comercio de livros fossem mais estruturados com os verdadeiros consumidores? Se o governo criasse políticas para formar tanto leitores quanto autores qualificados, de forma que houvesse um crescimento da qualidade do produto e um incremento de toda uma nova forma mercadológica estruturada de ponta a ponta e não no velho “vai que dá certo” do jeitinho brasileiro? Informalidade não pode ser padrão, tem que ser exceção para poder funcionar direito. As livrarias poderiam reduzir seus estoques porque os autores nacionais são mais acessíveis, os livros impressos aqui mesmo, com tecnologias que seriam desenvolvidas aqui para os leitores nacionais, com o seu jeito específico de ler, sua cultura revisitada por autores que não teriam a preocupação de serem “vendáveis” como os estrangeiros.
          Poderia haver toda uma nova forma de negócio nas plataformas digitais, para todos os bolsos e gostos, que não seria exclusiva, mas complementar (eu mesmo leio e escrevo nos dois modelos, por que não?) com suas vantagens e desvantagens apreciadas pelo seu principal fomentador, os leitores. Poderia até mesmo haver um novo investimento em tecnologias mais baratas e acessíveis, modelos de distribuição de livros criados para atender as demandas de um país de nível continental. Quantos modelos menores de negócios poderiam ser criados a partir de um investimento no rumo certo, nos agentes certos, com a visão correta. O governo poderia investir em aparelhos para leituras de livros eletrônicos, com milhares de livros disponíveis para todos os gostos, em vez de comprar livros que muitas vezes vão para o lixo sem chegarem nunca na mão dos leitores a que se destinam (sim, já houve muito disso por aqui).
          Ou podemos nos juntar ao povo de Obtusolândia que não consegue entender por que uma bola quadrada não vende tão bem quanto as bolas redondas que são produzidas em outros lugares, mas são tão caras que se tornam proibitivas para o grande público, se resumindo a pequenos consumidores que as abandonam em troca de outras coisas mais “da moda”. Podemos continuar falando em crises, apontando os culpados, rindo dos polis dodecaedros que aparecerem, e dizendo que a culpa é do “governo”, da “falta de cultura do povo”, da péssima qualidade dos (outros) autores. E talvez um dia, não haja nem mais espaço para um blog sobre literatura que não seja a estrangeira. Difícil vai ser tentar vender resenhas para os autores de lá com a qualidade crítica das produzidas aqui. E então, a Fabulosa Bola Quadrada fará todo o sentido e eu terei sido apenas uma voz berrando na multidão ululante com suas ideias fechadas e suas bolas quadradas.

          Agora, diga-me, posso lhe contar uma boa história?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Tem alguém tramando a sua felicidade – Danny Marks



          Há tempos que percebi isso, mas é daquelas coisas que se tenta negar veementemente até que não se consegue mais. Não vem como uma epifania, ou uma Gestalt, ou qualquer nome esquisito que queiram dar para aquela compreensão imediata de algo obscuro. Está lá desde sempre, você percebe, mas tenta ignorar até que os fatos se provam irredutíveis e não há o que fazer senão aceitar que a verdade é desse jeito mesmo, não tem significados ocultos que possam mudar os sentidos.
          Fica mais evidente ainda quando ocorre em larga escala, no sentido de que atinge não apenas a você, mas a grupos inteiros dos quais de alguma forma você pertence e que entram em evidência por algum motivo global que o coloque definitivamente no centro das atenções. Sempre tem aqueles momentos em que os olhares ficam mais intensos, então é Natal, e Ano Novo também, um avião que cai com um grupo inteiro reunido, uma guerra, um muro a ser construído, uma lei desleal, um projeto pronto para cair, símbolos e mais símbolos que se alinham a meses e cores, a bandeiras e sabores, qualquer agrupamento que se possa condicionar e lixar as arestas pela habilidade de reducionismo simplista.
          Então, quando menos você espera, naquele momento em que suas defesas estão baixas o suficiente para ser atingido em cheio, vem aquela compreensão de que não dá mais para fugir daquela voz que lhe vaticina sem piedade: Estão tramando a sua felicidade.
          Nesse momento percebe em quantas armadilhas caiu ao longo dos tempos, nos singles que lhe diziam que liberdade era uma calça velha, azul e desbotada, que você poderia usar do jeito que quisesse. E você tinha que ter uma calça assim, ou não seria livre. Tinha que usar o fator de proteção solar 50 para evitar a velhice precoce, comer frutas, tomar três litros de água por dia, fazer esportes, escrever todos os dias, amar ao próximo e ao próximo depois dele, mas com toda a intensidade do presente. Tem que ter uma paz interior, ir visitar o interior, conhecer o campo, a praia, aquele país paradisíaco, fotografar todos os instantes que não voltam mais e divulgar nas redes sociais que está feliz, finalmente, para que lhe deixem em paz.
          Pegue o espelho e sorria, tente de novo, e outra vez, vá treinando a pose que fará no próximo selfie do seu amigo ou amiga que tem que registrar como foi pleno o encontro de vocês, mesmo que não se lembre de nada do que falaram, do momento em si. A imagem vai lhe dizer que deve ter sido muito bom e que devem repetir isso mais vezes. Alie-se a uma causa, seja solidário, viver sozinho é bom quando se sente bem consigo mesmo, não há tristeza quando se tem uma família feliz, mesmo que os laços sanguíneos não definam a sua família e sim a lealdade que sentem. Quer um cachorro ou gato? Não há amigos mais leais que eles, e você deve ter um e ama-lo, sofrer por eles, chorar pela celebridade que morreu, ser humano de alguma forma que deixe marcas. Tem aquelas famosas que ficam bem na foto e no shopping.
          Não reclame, comerciais, um novo programa, você não vai? Como assim? Você não está sozinho, acredite em mim. Vou tocar uma música que você vai gostar, posso lhe chamar assim? Respeito o seu espaço, o seu direito de ser, desde que não entre em conflito com o que é meu, porque sei o que é melhor para você, não está vendo? É para o seu bem. Você ainda não entende, mas um dia vai perceber que foi melhor assim.
          Seja dócil, levante-se e lute, não aceite opiniões formadas, explique melhor, não me venha com esse textão de novo, acredite em você, tenha momentos felizes, seja radical, compreenda o outro lado, você não sabe como é ser assim se não for também, relaxe, faça alguma coisa, divirta-se, descanse, dance, cante, grite, silêncio!! Espera, vou te mostrar como se faz.
          Tem sempre alguém tramando a minha felicidade. Notei isso há algum tempo, mas não queria acreditar. Não dá para justificar mais, é um fato consumado e agora vou ter que lidar também com essa consciência, enlouquecer ou ser tão antipático que ninguém mais vai querer o meu bem, muito pelo contrário. E quem sabe, então, poderei descobrir o que me faz feliz de verdade. O que posso fazer por você hoje?

quarta-feira, 6 de julho de 2016

In Memorian - Danny Marks




Ontem, antes de dormir, tomei decisões que vão me levar a uma nova qualidade de vida, reescrever a minha história, me colocar no rumo de conquistar tudo o que sempre quis.

Desde que acordei, hoje, estou tentando lembrar quais foram.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Mim Tarzan, Darwin - Danny Marks


Quando era garoto achava estranho que chamassem Tarzan de "O Rei das Selvas". Ele matava leões (que seriam naturalmente os "reis da selva"), matava jacarés, andava com macacos nas árvores e dominava cobras gigantescas.
Mas se não fosse Tarzan, jamais entenderia o que é um "efeito manada", com o discurso (grito, no caso) certo, ele mobilizava uma tropa de choque que esmagava qualquer argumentação contrária, literalmente. Depois era só subir nas costas do primeiro elefante (branco) e correr para o abraço, dos macacos.

Ninguém melhor que Darwin para explicar as leis das selvas ou Tarzan, para ilustra-las adequadamente.

sábado, 30 de abril de 2016

Evolução - Danny Marks


— Pai, o que é ironia?
— Humm, deixe-me pensar. Já sei! Um meteoro acabou com o Tiranossauro Rex...
— Mas qual é a ironia?
— ... permitiu que Eduardo Cunha nascesse.
— Nossa! Deixa eu correr no face. Tenho que apagar algumas postagens.
— Por quê?
— Eu pedi que viesse outro meteoro. Imagina o que vai surgir por minha culpa!!!

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