quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Semeadores (Parte I) - Danny Marks



 
Houve um dia, quando o tempo não era medido como hoje, em um lugar que não é mais visitado, um Ser, filho das Estrelas, que pediu para obter o poder de conhecer e compreender o Universo em que vivia.
            Seu Criador falou-lhe:
            — O que pedes será teu criança, se souberes esperar o devido tempo.
            — Morrerei se tiver que esperar, dá-me agora — disse o filho das estrelas.
            Mas o seu criador não o atendeu
            Sendo filho das estrelas o ser tinha o poder latente que todos os filhos das estrelas têm de saber onde encontrar o que buscam.
            Impaciente, buscou diretamente na fonte o que desejava.
            Seu poder era grande, tinha vivido mil vidas e lembrava-se delas, mas sua sede de conhecimento era maior que sua capacidade de compreender.

            Após algum tempo, apesar de advertido, descobriu como beber da fonte do conhecimento.
            Sua sabedoria era suficiente para compreender que poderia suportar apenas dez por cento do conhecimento que a fonte lhe daria, mais do que isso poderia mata-lo.
            Previdente como julgava ser, reuniu mais doze que, como ele, pudessem suportar dez por cento do conhecimento.
            Seu plano era simples, somando todos, mais do que cem por cento poderia ser absorvido sem ninguém perecer.
            Mas a criança das estrelas esqueceu que o conhecimento quando junto ao próprio conhecimento multiplica a si mesmo e não apenas soma-se ao que já existia.
Levando avante o seu intento desgraçou a si mesmo, aos que o seguiram, e a todos que estavam a sua volta, antes que o seu criador pudesse conter a fúria do que não deveria ser libertado de forma tão negligente.
A água da fonte que mataria a sede, afogou aos ineptos que não sabiam como lidar com o que estava alem da sua compreensão. Mais sorte teve os que pereceram na catástrofe, pois a eles foi dado seguirem em frente no caminho da roda da vida, abençoados pelo esquecimento do que lhes ocorrera.
            Houve aqueles que não tiveram tanta sorte, e ainda aquele que, em sua ambição deixou-se cegar e não merecendo sequer o pouco do poder que tinha adquirido, agarrou-se com as unhas da alma ao que julgava lhe pertencer por direito adquirido, não se importando com o preço a pagar.
            Seu criador apiedou-se do filho das estrelas e falou-lhe:
            — Criança das Estrelas, devolve o que foi tomado de forma tão ilícita para que possas seguir o teu caminho em paz.
            — Prefiro ser destruído a perder o que duramente consegui.
            — Conseguiste? Roubaste o que não compreendes e se quiseres manter o que agora possuis terás que pagar o preço.
            — Farei o que quiseres, mas jamais deixarei o que por direito me pertence, prefiro perecer a perder o objetivo de minha existência.
            — O Objetivo da Existência de cada um sempre é alcançado a seu devido tempo, querer o que não pode suportar a ter é desejar a dor e a desgraça, dia virá em que te lembrarei disso.
            — Que assim seja.
            — Se esta é tua decisão, Assim Será!
            A criança das estrelas viveu quatro mil vidas carregando o fardo do conhecimento sem jamais poder usá-lo, pois cada vez que o usava, mais conhecimento era acrescentado e mais seu fardo aumentava.
            Os músculos de sua alma jovem tinham a força e o fogo da paixão, porém a caminhada era longa e a cada passo dado o fogo diminuía e o peso multiplicava.
            Por fim, vencido pelo desespero, o filho das estrelas chamou seu criador e lhe disse.
            — Pai, reconheço que errei, tira-me este fardo dos ombros, deixa-me seguir o caminho que mereço.
— O que dizes? Eis que o caminho que segues é o que escolheste para ti, não posso dar-te outro que não mereças mais que este que tuas escolhas criaram.
— Permita então que seja exterminado e possa começar tudo de novo.  
— Filho das Estrelas, se pudesse te atender já o teria feito no instante que vi a tua dor, mas não sou mais teu guia, deixei de sê-lo no momento em que tomaste o rumo dos teus passos em tuas mãos. Foste a minha criança e te protegi até que perdeste a inocência, agora deves aprender a proteger a ti e aos que te seguem. Este é o preço do conhecimento que adquiriste.
            — Por que não me mataste então, impedindo-me desta forma de seguir o caminho errado? Não foi a tua negligência que precedeu o meu erro?
            — Um dia, Filho das Estrelas, aprenderás sobre o caminho. E o caminho será o teu guia e a tua resposta! Até lá deixo-te a benção da ilusão que perdurará até que teus olhos possam ver a luz sem ofuscar-se e teus ombros possam erguer o peso dos teus atos sem se partirem. Assim Será! Um dia filho, verás que não estou, nem jamais estarei adiante ou atras de ti, e sempre estarei ao teu lado.

            
          
            
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