sábado, 3 de dezembro de 2011

O Danado e o Caboclo - Danny Marks


 

Num gosto de animar. Nem cachorro, nem cabra, nem jegue.
Nem a mocha no fundo me segue, sozinho onde vá.
Muitos me acham doido das ideia, nem consegui direito casá
Ta certo que tremo um pouco do braço, mas casa tenho e uma hortinha no fundo. E a mocha a pastar.

Água do ribeirinho tem que ir buscá, farinha só quando consegue plantá.
E foi num dia desses que me deixaram ele na porta, tremendo de frio, coitado.
Inté fiquei sismado. 

Logo alguém vem busca...

Mas num é que num veio não?
Foi difícil de criar, tem vez que a seca é braba e água tem que busca longe, comida pouca. 

Inté a vaca leiteira acabou morrendo, nem o coro deu para aproveita.
Mas doido que sô, peguei o danado pra cria. 

E criei como pude!!
Dividindo a miserê, a fome e a água, e ele corria e fazia festa
Até que o danado me dava alegria. 

Ô danado da molesta, como eu ria.
Um dia sumiu que nem vi, mas grande que tava, devia sabe se virá...
Toquei a vida na labuta até o sol rachá de vez as terras.
Da hortinha, nem siná...
Então o danado me aparece di novo, grande feito rio, correndo água dos óio.
a me ver assim, feito saco vazio.
Eta ropa bunita que o danado tem! 

Viro dotô na capitá e quer me leva com ele.
Me deu um aperto no coração e cai duro no chão, feito jegue quando morre de sede.
Ah, moleque danado, que um dia peguei pelado, que alimentei com farinha e cuidado

Sossega moleque e me deixa. 
Aqui no meu cerrado nasci, e agora de olho bem fechado, de coração alegre por cê ter vortado. Aqui no meu chão, feliz, posso ser enterrado.
Vai se embora agora!

Semente virei, no solo plantado, com sua água regado.
Por Deus colhido e guardado, ao seu lado estarei.

Meu filho sempre amado.

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