segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aos que tem o poder de Ferir - Danny Marks



          
           Há de se temer os que tem poder de ferir, como se teme a Barca de Caronte, com respeito temeroso daquilo que não se compreende e que está além de nossas forças superar eternamente, um farol sombrio que nos guia os passos incertos e que traça objetivos e finais.
           
            Há de se temer os que tem poder de ferir, como se teme a Burca.
            O temor resignado e revoltante que nos suprime a liberdade de ver e agir; que nos embrulha em falsas proteções e ideias vagas, que submete a quem submetemos-nos, até que o algoz seja substituído por outro algoz.

            Há que se temer os que tem poder de ferir, como se teme a Beca.
            O temor insatisfeito e suplicante do poder que ainda está longe de ser alcançado e de quem dependemos para ir além e nos manter além de nós mesmos.

            Há de se temer os que tem poder de ferir, porque são pequenos e frágeis vitimas de algo que os fere, que conquistaram com lágrimas e dor. Portadores do poder que julgam necessário exercer com lágrimas e dor.

            Há de se odiar os que tem poder de ferir enquanto não se tem o poder de ferir. Lutando pela sobrevivência, justificando o ferir nessa luta que torna perdedores os vencedores, que torna covardes os heróis auto proclamados, que torna animais os que se curvam ao seu uso, abuso.

            Há de se superar os que têm o poder de ferir, como se supera obstáculo indefinível. Com paciência e inteligência. Com força tranquila que se arranca da compreensão dos que tem o poder de ferir.

            Há que se elevar o poder dos que não querem ferir mesmo tendo poder para isso. Gigantes se tornam quando decidem sobreviver sem dor.
            Vivendo entre os que ferem  e abdicando dessa forma vil de poder, mostrando que força verdadeira é energia de fazer, não de destruir.
           
            Há que se respeitar os que tem poder de ferir e não o fazem porque são verdadeiramente fortes; porque se recusam a usar a Barca, a Burca e a Beca como fontes de poder e estas perdem seu dominio sobre eles.
            Respeitados serão, inatingíveis, embora ao alcance de todos.
            Respeitados serão porque se tornaram fortes sem ferir.
            Haveremos assim, de nos tornar Humanos e aprendermos a sorrir.



 
(Danny Marks - 06/02/2007)         

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