segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Flor dos Dias - Danny Marks




Impressionista
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
Adélia Prado


Flor dos Dias (adaptação transcritiva para linguagem teatral) – Danny Marks
(Entra a menina cabisbaixa com as pétalas de uma rosa presas em seu punho. O talo da flor enconstado na pele do braço desnudo)
— Meu pai descobriu-se doente quando já era irremediável qualquer possibilidade de cura. Contrariando a si mesmo, deu para rir mais. Contrariando o médico, não repousou jamais. Pintou de amarelo brilhante, quase alaranjado, o semblante de nossa casa, como a rir do seu.
(Pausa)
(A menina ergue o olhar para o público e lentamente ergue os braços em um abraço, abrindo as mãos.)
— Por algum tempo moramos em uma casa onde, constantemente, amanheciamos.
(A rosa alaranjada cai ao chão e a menina fecha o abraço sobre si mesma definhando de joelhos)

Fim

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