quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Deus e o Diabo na Terra de Malboro - Danny Marks


Cara, se liga agora no papo reto!
Essa coisa de falá que perifa é tudo igual; qual é, meu? Tá me tirano?
Saca só: perifa tem no plano e tem no alto; tem do bom e do ruim.
Perifa é outro mundo, sem frontera entre bem e mal. Deus e o Diabo fazendo churrasco no mesmo quintal, se liga ai, Mané.
Se for vê de perto vai encontrá os noia, e claro que tem traveco e puta, nas outra zona não tem tamém? Aqui tem pastor do senhor e trabalhador, crescendo lado a lado com as Dama dos doutor, tá ligado? Tem mina direita pra casar de papel passado e tem artista do rebolado.
Só na perifa que cê encontra o pagode e o samba de raiz, conviveno junto com o rock e o rap, o funk pancadão e o batidão da sinfônica, aquele do maestro e do balé.
Aqui a dor se transforma em musica e canção, cada um fala o que tem no coração, de mente aberta e de visão. Não vem com enrolação não, que isso aqui é papo reto. É futebol correndo na veia, é energia na ginga e no rodado, pra encará quebrada feia tem que sê prendado, malandro.
Cada um tem o seu lado, mas não sai da linha que excesso é que cria conflito armado, e a guerra se faz na terra de Malboro. Ai a lei é a da bala que atravessa parede e corpo fechado de santo ou deliquente, que bala não olha quem é gente ou coisa.
Quando o governo não chega junto, quem supre necessidade é que vira autoridade, traz sustento, saúde e educação; ai o malandro do pó fica atuante na situação. É foda, mermão!
Se liga mano velho que julgamento de fora não entra aqui. Nós tem a nossa lei e nossa desgraça, que dança junto com a dos home que faz pirraça, que olha torto pra gente que se encolhe. Nos não escolhe, sobrevive.
Pensa que nós não vê o câncer começano pequeno? Nasceno do meio da pivetada, parece gente na quebrada, mas come as mina e os mano no consumo, vira bicho doido, rouba mata e destrói. Nós vê, mano velho, nos sabe como é. Se pudé pula fora, mas só se tivé jeito na hora.
Na perifa tumém tem moda local, que os pano e as cor representa o pensamento, a identidade. É saia curta e vestido rodado, calça rasgada ou Jens apertado, camiseta e corrente, blusa quente e brinco imitano diamante. Coisa fina, mano velho.
Na perifa tatuagem é na pele e no barraco, bandeira, carteira, documento, personalidade. Entendi, brodi? No documento e na cabeça. Tem que sabe o lado que manda e o lado que respeita, sobrevivência é questão de habilidade.
Pra subi o morro do Rolabosta ou equilibrá no mangue do Caiocú. É nois no DVD e os boy na fita.
Perifa é ginga, é dança, é credo e cruz. É vida e morte que a Jesus conduz. Né Não?!
Se liga ai, mano velho, que pra falá da perifa tem que saí do teu castelo, tem que sabe olha o dragão de frente, como Jorge, santo guerreiro.
Ogum é meu pai e meu protetor, que Deus nosso senhor há de me sustentar quando na quebrada eu andar e se o Diabo atentar no caminho, bebo cachaça de macumba e frango com farofa pra fica forte e levá o tranca rua de volta pro barraco, na paz e no amém que aqui se faz.
Perifa é Deus e o Diabo dançando rock favela apertado em terra de Malboro, que vida se ganha de graça, mas sustento aqui é conquistado todo dia.
Falei, Mané?! Tá dado o recado então.
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