sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Dias Confusos - Danny Marks

Os dias andam confusos?
Bem, acho que entendo isso.
Passei boa parte da vida fugindo de datas comemorativas, simplesmente porque elas me deixam...confuso.

Em aniversários devemos ficar felizes?
No natal devemos juntar todos que gostamos?
No ano novo devemos renovar as esperanças?
Em formaturas devemos estar orgulhosos?
Em batizados devemos sentir a glória da vida se renovando?
Em casamentos devemos sentir a segurança da responsabilidade e do início de uma nova etapa?
Em funerais devemos sentir a perda?

São tantas dívidas e tão pouco com o que pagar, tantas necessidades dos outros e quase nenhum respeito ao que realmente necessitamos. Às vezes, apenas ficar sozinhos e... deixar as coisas acontecerem; até porque elas acontecem mesmo quando não as queremos, ou mesmo quando as desejamos de outra forma.

Com quase cinquenta anos de vida, aposentado, retornando à sala de aula como professor, engatinhando como escritor, com tantas contas pagas ao longo dos tempos e tantas outra a pagar; eu me pergunto: E daí?

Com tantas promessas que se perderam, tantas ilusões que foram desacreditadas, tantas esperanças que germinaram em outras formas que não as que plantei. E daí?

Sem saber quanto tempo ainda resta viver, quais caminhos a seguir, qual a verdade e qual a mentira que se esconde e das quais eu me escondo. E daí?

E daí se o sol continua a nascer, dia após dia. Se a dor precede e segue a alegria, se o dia dos pais é uma data a mais que não torna o dia tão diferente assim?

E daí se amanhã posso não acordar cedo, ou se acordar tenho um longo dia pela frente. Se estudar muito só leva a estudar mais, e alguns ganham mais que outros, mesmo sem merecer?

E daí se poderia ter feito escolhas melhores quando tinha tempo, mas se não fiz foi por falta de conhecimento que chegou após ter gasto muito tempo em escolhas erradas; que só se provaram erradas depois que as tinha feito?

E daí se há anjos, demônios, magias, ou se tudo não passa de imagens produzidas pelo cérebro em meio a uma massa gelatinosa e reações bioelétricas? 

O que eu sei é que a escolha que fiz foi de seguir em frente, e sigo. Enfrentando o medo e a tristeza, enfrentando a solidão e a multidão, encarando o sol, a lua e as paredes nuas do quarto. Não por ser a melhor escolha, ou a que trará melhores resultados para todos; apenas porque é assim que o rio faz, é assim que a árvore faz, é assim que a vida acontece.

E talvez como os rios que se alargam, como a árvore que dura séculos, como a vida que se renova, também eu acabe por compreender algum dia que há algum sentido nisso tudo e que, sentindo, segui em frente.
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