sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O BAILE - Lariel Frota


          A princesa se travestiu de rendas e joias brilhantes esperando pela festa. A orquestra tocou   as valsas preferidas e ela esperando o belo par  com quem   depois de tanto preparo, dançaria linda.
         
          A madrugada terminou, os primeiros brilhos  do sol anunciam. a festa   acabando. Pensativa espera o grande momento.  Enfim se abre o  portal e entra o caminhante esperado. Uma figura andrógena,  vestida em  tons prateados. Aproxima-se tão belo que quase a faz desmaiar de emoção. Sorri com seus dentes alvos e  olhos profundos estendendo-lhe as mãos.

          Ocorre  a transformação,  somem os dentes brancos e o riso se faz cínico,   amargo. Derretem os trajes lindos,  trapos feios lhe ocupam o lugar. O pavor se apossa da princesa, que ela mesma de beleza já não guarda nada, só  uns restos mortos de  sonhos e  esperanças vãs. Então com  dentes podres e hálito fétido a figura enfim se transforma. Uma mulher horrenda  vocifera rude:

          -Estou te abrindo a porta,  perceba nada há além. Tudo lhe foi oferecido, até as  possibilidades  dos pecados capitais... mas você não ousou, se guardou,  se restringiu  a esperar pelo grande  momento  que viria depois, eis  o  premio pelo qual você  passou todo tempo esperando....esperando....esperando!.... encara  o que te pertence:  o nada  absoluto.
           Eternidade???? Ah...ah....ah.....ah.....
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