terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Objetos de Desejo




Tenho que me distanciar. Um pouco mais longe, para ver melhor.
A distância elimina as imperfeições, as coisa ficam melhores, mais agradáveis a todo tipo de olhar.
Nada é o que parece ser, o tempo desmascara, permite conhecer detalhes e imperfeições, só a distância pode fazer com que se retome a beleza perdida.
Me afasto! Me privo do contato direto por opção e por necessidade.
Quanto tempo deve durar o gozo?
Sempre me parece, depois, menor que o tesão que o provocou. E no entanto, durante, se assemelha à eternidade.
Eu cuspiria na eternidade, se não fosse me afogar na minha própria saliva. Gosto amargo de sangue.
Distante olho cada momento como se fosse apenas mais um, não há prazer nisso, só necessidade de seguir adiante, não sei para onde.
Amanhecer, um dia, talvez.
Hoje vejo, perdido no passado, um tempo bom, superado, ultrapassado.
Mentira! Olho de perto e vejo, nada é perfeito! Acúmulo de sensações desvairadas que faço questão de guardar na memória apenas o delírio embriagante de um instante eterno de prazer. E o que resta? Enormes vazios entre um delírio e outro, entorpecido.
A noite é negra, nela ironicamente vivo os meus dias. Até que um dia possa descansar em paz e recordar, nos momentos finais, um tempo que para mim, afinal, terá sido bom.
Por pior que tenha sido para minhas vítimas
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