terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cicatrizes

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Como uma febre que se vai
tu fostes adiante,
como parte um marinheiro,
em busca de outros mares,
matando a fome das gaivotas.

Cá, fiquei!
Perdida na tempestade.
Inerte, medrada, enclausurada...
às precisões ínfimas
de uma dor supliciada...

O amor ruiu.
O coração crespusculou.
A lança trespassou a alma.

O Mar? Ah! O mar!

Nem a fúria oceânica,
afoga na areia
- o rastro dos teus passos.

Não há de ser nada, amor!
- O teu rumo será a minha aurora.

Guardarei esse desabafo
para lê-lo apenas nos momentos em que:

a tua memória
for indiferentemente/ permanente,
- como cicatrizes -
na minha pele tão cansada

ou quando
a sombra no meu leito,
estiver serena e casta,
desconectada à quimera;

findando
à alcova silenciosa;
perfumada de rosas.

(Ana Cristina Souto)
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