sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Metafísica do Sonho - Danny Marks




O homem por trás dos óculos não consegue ver direito.
                Houve um tempo em que ele conseguia ver a luz do sol por entre as brechas da cerca, uma nesga que se infiltrava pela parede mais escura e se espalhava por todo o ambiente.
                E a sua fé era luminosa como um raio de sol que invadia todos os espaços e encontrava os maiores tesouros por mais que estivessem enterrados sob camadas e camadas doloridas.
                E nesse tempo, o sorriso era o seu companheiro mais próximo e a esperança era o seu guia mais confiável.
                Houve um tempo em que a ciência ampliou os horizontes do homem por trás dos óculos e, pelas lentes, levou mais longe e mais profundamente o seu olhar.
                Ele ansiou por novos tesouros e novos companheiros para o seu sorriso.
                Mas no fundo de muitas almas, há arcas de tesouro que se tornam baú de ossos ressequidos, guardado por espíritos desiluminados de sol e de calor, buracos negros que absorvem qualquer coisa sem jamais devolver-lhes nada além de mais espaços vazios.
                Ainda assim, o homem procurava e procurava, com a esperança a cegar-lhe e a guiar-lhe; porque esperança é algo que se coloca no mais alto espaço interior e ela se põe a cantar e a cantar como uma sereia.
                E aquele que se guia pela esperança, alcança um porto seguro, mas aquele que vai ao encontro da esperança, é devorado pelas suas garras e dentes.
                Assim como nos mares não há estradas e caminhos pré-traçados, e todos os lugares podem levar a algum lugar ou lugar nenhum, assim como a luz se espalha e se dissolve a partir da sua fonte, mas deixa rastros do seu trajeto enquanto percorre o seu caminho, também a vontade dos que não desistem de seus sonhos se infiltra e se esvai, e todos os lugares podem ser um porto seguro ou apenas um ponto para parar.
                A Terra gira mesmo para quem fica fixo, gira e rodopia pelo universo em um balé sem música, e tão longe vai que quando sua imagem for vista não existirá mais quem a tenha produzido, um sonho a vagar pelas trevas frias entre as estrelas em busca de olhos de outro sonhador.
                Um sonhador que, talvez, como o homem atrás dos óculos, não possa ver com seus olhos de fonte, a sua luz, por entre as frestas, a se espalhar.
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