terça-feira, 26 de maio de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button - Danny Marks



Ficha Técnica
Título Original: The Curious Case of Benjamin Button
Gênero: Drama
Duração: 166 min.
Ano: 2008
Distribuidora: Warner Bros
Direção: David Fincher
Roteiro: Eric Roth e Robin Swicord, baseado em estória de F. Scott Fitzgerald
Elenco
Brad Pitt (Benjamin Button)
Cate Blanchett (Daisy)
Julia Ormond (Caroline)
Faune A. Chambers (Dorothy Baker)
Elias Koteas (Monsieur Gateau)
Donna DuPlantier (Blanche Devereaux)
Jacob Tolano (Martin Gateau)
Ed Metzger (Teddy Roosevelt)
Jason Flemyng (Thomas Button)
Tilda Swinton (Elizabeth Abbott)
David Ross Patterson (Walter Abbott)
Joeanna Sayler (Caroline Button)
Taraji P. Henson (Queenie)
Mahershalalhashbaz Ali (Tizzy)
Fiona Hale (Sra. Hollister)
Patrick Thomas O'Brien (Dr. Rose)
Danny Nelson (General Winston)
Marion Zinser (Sra. Horton)
Paula Gray (Sybil Wagner)
Taren Cunningham (Elizabeth Abbott - jovem)
Elle Fanning (Daisy - 7 anos)
Madisen Beaty (Daisy - 10 anos)
Peter Donald Badalamenti II (Benjamin Button - 1928 a 1931)
Robert Towers (Benjamin Button - 1932 a 1934)
Tom Everett (Benjamin Button - 1935 a 1937)
Spencer Daniels (Benjamin Button - 12 anos)
Chandler Canterbury (Benjamin Button - 8 anos)
Charles Henry Wyson (Benjamin Button - 6 anos)

“Já te contei que fui atingido por um raio sete vezes?”

Qual a melhor forma de analisar o filme “O Estranho Caso de Benjamin Button”?
Pelo lado literário?
Benjamin Button cumpre, com a sua vida, o desejo de Mark Twain que acreditava que o homem seria muito mais feliz se nascesse aos 80 anos e fosse se tornando jovem com a passar dos anos.
Como um relógio rodando ao contrário, Benjamin nasce velho, senil, a beira da morte, e vai rejuvenescendo até tornar-se irremediavelmente jovem, e morrer.
Mais do que o desejo de juventude eterna, o que o filme retrata é o desejo que todos temos de acompanhar a maturidade da alma com o vigor da juventude.


Pode-se analisar pela vertente da Psicologia?
O Relojoeiro Cego que constrói um relógio que desafia a regra da vida e regride no tempo.
E o tempo está permanentemente aparecendo no filme, como um pano de fundo que passa quase despercebido. Do Deus Chronos que devora os filhos ao contraste marcante dos dois extremos do mesmo circulo, a juventude infante e a maturidade senil.
O Tempo Cronológico dos eventos que se sucedem como o fim da primeira guerra, e o inicio da segunda, a subida do homem ao espaço, a mulher mais idosa a atravessar o canal da mancha, realizando um sonho de se sentir viva, de deixar sua marca no mundo.
O tempo biológico dos anciões no asilo em contraste com o tempo rejuvenescedor de Benjamim. A vida de todos que cruzam o seu caminho, realçando as degenerações e reavivando as realizações.
Temos também o tempo climático, as tempestades, o furacão Kathrina que devastou a cidade na época em que ocorreu de fato. Ficção e realidade sem fronteiras, como o tempo efêmero em sua passagem e real em seus efeitos.
O Relojoeiro Cego que sabe exatamente para onde vai, embora surpreenda a todos quando o faz de forma misteriosa.
Mas, resolvi analisar o filme por outra vertente, algo que ao meu ver unifica todos os pontos anteriores e muitos outros em um só: Os Raios que Caem em nossas vidas.
E isso fica marcado pela fala do simpático ancião que foi atingido sete vezes pelo raio:
_ Já te contei que fui atingido por um raio sete vezes?

- No telhado enquanto consertava o vazamento
- Atravessando a rua para pegar a correspondência
- Cuidando das vacas no campo
- Em um passeio de caminhão
- Ou simplesmente andando com o cachorro.

Mas não são apenas estes raios, mais explícitos, que surgem na história. Há o que atingiu o próprio Relojoeiro Cego, ao perder o seu filho ainda jovem para a guerra e que o faz decidir criar a anomalia de Benjamin como resposta ao mundo louco em que vivemos.
- Há o raio que leva a vida da Sra Button no instante do parto
- Há o raio que atinge o Sr Button ao ver o filho que o destino lhe deu em sua viuvez precoce e lhe levou a alegria de viver.
- Há o raio fulminante que abate o pastor que ensina Benjamin a dar os primeiros passos
- Há o raio que atinge Caroline, filha de Daisy, ao descobrir que Benjamin é o seu verdadeiro pai.
- Vários raios atingem a bela Daisy durante a sua vida, como aquele que lhe tirou a arte da dança, a decisão de Benjamin de abandoná-la e à filha, reproduzindo o ato de seu pai inconscientemente.
- Mas, os mais marcantes são os que atingem Benjamin Button, marcando cada passo, cada nova etapa de sua vida.
Perde a mãe ao nascer, é rejeitado pelo pai e adotado por uma estranha.
Descobre que terá que dividir o amor de sua mãe com uma irmã.
Decide abandonar a sua casa, começa a trabalhar, faz os seus rituais de passagem com bebidas e mulheres, perde pessoas que ama, conquista o seu lugar no mundo, torna-se homem.
Volta para casa, reencontra seu primeiro amor, conhece o pai e descobre sua história, tendo que encarar o passado sombrio.
Faz as pazes com o passado, aprende a perdoar os outros e a si mesmo, descobre que a vida é muito mais do que fazer escolhas, é aceitar que nem todas escolhas nos são agradáveis e que não há como saber o que elas nos trarão no futuro, aprende sobre o si mesmo.

Ao longo da vida de Benjamin, passamos a nos ver como em um espelho, cada particularidade de riso e de dor, cada pequeno nuance escondido, como a bondosa Miss Mapple que lhe ensina a tocar piano e a preparar-se para todos os momentos como se fosse o mais importante de sua vida, mesmo que nada aconteça.

Conexões, vidas que se entrelaçam e criam a malha do destino, nos oferecendo as opções da vida, nem sempre agradáveis, muitas vezes cruéis e injustas.

E ao longo do tempo, o relógio vai girando ao contrário até ser substituído por outro mais moderno, porque o tempo não para, seja para que lado corra, e tudo o que tem um início deve ter um fim.
E como diria a sábia Miss Mapple, é necessário que assim seja para que possamos saber que amamos de verdade, porque é o fim que nos dá o sentido de tudo o que aconteceu. É no final que sabemos o quanto estávamos tensos, emocionados, apaixonados, vivos, e o quanto isso nos fez bem de fato, não importa quantos raios nos tenham atingido, para que soubéssemos que estávamos vivos, e até por eles, porque a vida não foi feita para ser analisada, apenas apreciada e vivida.

O Futuro é um mistério e as únicas certezas de nossa vida são que nascemos um dia e que em algum momento deixaremos apenas lembranças de nossa passagem.
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