segunda-feira, 11 de maio de 2009

Térmitas de Shopping Center - Danny Marks


O Ser Humano descende do cupim, não do macaco, como pensava Darwin.
Basta observar como a cultura humana se desenvolve de forma similar à dos térmitas. Estas estranhas criaturas, livres na natureza, constroem torres cada vez mais altas onde abrigam suas colônias e desenvolvem o seu trabalho. Veja o Shopping Center, por exemplo, com suas paredes altas e vários andares sobrepostos e, no centro, o imenso vão a permitir a visibilidade dos níveis hierárquicos de projeção. Quanto maior a importância adquirida mais alto se encontra a sua participação e visibilidade.
O estudioso da evolução poderia contestar que o fato das similaridades construídas se deve ao tipo de alimentação que os símios de outrora, nossos parentes distantes, possuíam, pois que estes se alimentavam de cupins e piolhos tanto quanto de frutas. Talvez essas características tenham adentrado o DNA da espécie que hoje se auto intitula homo sapiens sapiens. Eu não teria como discutir tais fatos enquanto aprecio um café no subsolo desta fenomenal construção de térmitas humanos.
Talvez, penso eu, a essa junção se deva o fato das praças de alimentação serem situadas no plano mais alto, como os galhos onde se encontravam as frutas, ou as cabeças com piolhos. Felizmente não mais é necessário que cada macaco fique em seu galho, podendo alcançar os mais altos através de escadas rolantes. E nota-se o empenho em escaladas cada vez mais rápidas dessas criaturas homogeneizadas e sua ânsia por novos planos, até mesmo durante a subida, para isso criaram as esteiras rolantes que nada mais são do que planos diagonais que conduzem ao topo tão rapidamente quanto conduziriam para baixo.
E tão rápidos são que sequer notam o entorno. Mas, eu, parado aqui em um canto do subsolo, observo atentamente o céu encoberto, não por nuvens como meus supostos ancestrais, mas por altiplanos e tetos projetados em abóbadas e cumes pontiagudos, sem estrelas mas com luzes fortíssimas a tornar dia qualquer horário.
O que torna mais interessante é a diversidade desse casulo de concreto. Podemos identificar facilmente os operários dos mais altos escalões através de suas vestes que, estranhamente, nunca são iguais às que são apresentadas para venda nesses mesmo locais onde desfilam. Como se o importante fosse ser diferente nessa similaridade, e, no entanto, se parecem tanto, uns com os outros, em suas atitudes.
Decerto que os ecologistas diriam que estou corretíssimo em minha suposição de descendência térmita devido ao estrago que fazemos ao meio ambiente, corroendo em nossa sanha alimentar tudo o que nos envolveria com abrigo e fartura. Já os simiescos antagonistas refletiriam sobre o comportamento de bandos, as brincadeiras ridículas ofensivamente chamadas de macaquices pelos que não estão compartimentalizados nesses mesmos grupos.
Mas o que me leva a pensar em térmitas não são fatos tão banais que, tivéssemos mais olhos como aracnídeos, veríamos facilmente. Não, o que me constrange a pensar de forma insetívora é o movimento construtivo que aproxima cada vez mais os lares das cidades unilocalizadas dos mega shopping centers que estão a ser construídos cada vez mais rapidamente, unificando os locais de trabalho, de viver, de lazer e de comer em um enorme cupinzeiro com todas as castas representativas em seus devidos lugares e cada vez mais uniformizadas em seus planos elaborados, diagonais ou horizontais.
Se me assusta essa descendência tão degradante, também me faz rir ao pensar na Terra como a enorme cabeça pensante de Gaia, na qual eu e todos os meus semelhantes não passamos de uns meros piolhos, a sugar pensamentos e alimentos em uma existência que, apesar de todos os pesares, deve ter lá sua significância. Nem que seja para produzir a coceira que fará a nobre hospedeira perceber que estamos aqui, até que esta se digne a cuidar, ao seu modo, de tantos parasitas.
Então, caso isso aconteça em breve, terei a conclusão à minha tese de que não importa de onde venham nossos genes, mas o que absorvemos do meio para nos tornar o que somos de fato.
E fico olhando para o biscoito amanteigado que acompanha o meu café e imaginando no que isso vai me transformar amanhã.
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