terça-feira, 19 de abril de 2016

Precisamos falar da Internet Brasileira – Danny Marks

              Este espaço sempre teve a intenção de levar ao seu público o prazer da literatura, da informação, do humor inteligente, preservando sempre a qualidade do que é apresentado e buscando melhorar a cada dia.
              Juntamente por querer levar a informação e a reflexão da melhor qualidade aos leitores, tenho que apresentar um assunto que está sendo pouco comentado, apesar da sua importância, provavelmente devido à crise política e econômica do Brasil.
              Alguns talvez tenham ouvido falar da proposta de limitar e tarifar a internet fixa da mesma forma que já é feita na internet móvel, quem não ouviu falar ainda, recomendo uma breve pesquisa na internet que encontrará facilmente vários resultados confiáveis, inclusive a decisão da ANATEL de “cobrar algumas medidas” antes que isso seja feito. Ou seja, a ANATEL, responsável pela regulamentação da Internet no Brasil, diz que não pode fazer nada contra, que não é ilegal, mas quer que o usuário seja “avisado” antes que haja redução. Até que esse “serviço” seja disponibilizado pelas operadoras, proíbe a limitação.
              Habilmente algumas operadoras tentam contornar a proposta definida como Marco Civil da Internet, o projeto de lei aprovado em 22/04/2014 que regulamenta o uso da internet no Brasil, buscando ampliar os seus lucros com o serviço de internet fixa, alegando uma “dificuldade técnica” na prestação do mesmo, sendo a limitação uma forma de solucionar o problema (deles).
              Não vou falar que em outros países desenvolvidos a qualidade dos serviços é extremamente superior à do Brasil, e que esses mesmos países buscam ampliar ainda mais a disponibilidade ilimitada e de alta velocidade da internet. Vou me concentrar apenas na realidade brasileira e no que, aparentemente, não está sendo visualizado pelos cidadãos, empresários e políticos daqui.
              É fato que, atualmente, boa parte da população utiliza a internet para o lazer, inclusive assistindo filmes on-line, participando de redes sociais, etc. Porém, também utilizam para outros fins, como pesquisa escolar, compras, pesquisas de preços, transações bancárias, etc. Sem falar em boa parte dos microempresários que utilizam o serviço de internet para divulgar e até implementar os seus serviços. A lista de atividades comerciais com o uso da internet é grande, nem vou perder tempo colocando aqui, são apenas alguns exemplos mais comuns.
              O que não está sendo discutido é exatamente isso: O que as pessoas vão fazer se a sua internet ficar limitada? Aparentemente, na visão das operadoras, as pessoas vão se dispor a pagar mais para ter o mesmo. Pode até ser, mas não acredito que seja tão simples assim.
              Provavelmente as pessoas não vão querer abrir mão das redes sociais, que já ocupam boa parte do seu tempo e dos dados utilizados. Sem poder pagar mais, terão que fazer todo o resto da forma mais “antiga”, ou seja, presencial.
              Entrar no site do banco para pagar as contas? Não, isso gasta dados, vamos à agencia bancária (que economiza atualmente um bom dinheiro com serviços on-line).
              Compras on-line? Esqueça, demora muito para fazer o pedido, confirmar e depois pagar. Melhor ir na loja, ou nem comprar, já que não dá tempo.
              Aliás, o que comprar? Não vejo anúncios on-line (a menos que as empresas se disponham a pagar por esses dados de divulgação. “Entre na minha página e não se preocupe com a sua franquia, nós cobrimos o serviço”. Claro que esse valor terá que ser acrescido no preço dos produtos, da mesma forma que é acrescido o valor da propaganda.
              Logo as redes sociais terão também um decréscimo. Por mais viciados que haja, quem vai ficar perdendo tempo em ver vídeos de gatinhos fofos que devoram seu tempo disponível? Talvez o twitter amplie ainda mais os usuários e retornem as listas de ICQ, aqueles fóruns de mensagens da pré-história da Net.
              Fico pensando, quando as empresas vão começar a olhar para esse lado mais obscuro do controle de dados da internet brasileira? Quando vão perceber que terão um prejuízo maior que qualquer cidadão? Talvez, ao menos desta vez, o capitalismo funcione a favor da população e reaja de forma eficiente, seja obrigando as operadoras a investirem mais em qualidade de serviços para ampliar os seus lucros, seja criando alternativas para as mesmas.
              Pode ser até uma nova forma de comércio, redes privadas que oferecem internet gratuita aos seus clientes. Também não descarto a possibilidade de uma involução, um retorno ao CD e ao DVD pirata, ou a redes clandestinas via satélite ou rádiofrequência. Tudo é possível e, normalmente, as soluções desesperadas descambam para a marginalidade (no sentido de ser à margem da lei, o “jeitinho” duvidoso).
Não sei como as coisas vão se desenvolver, não sou futurólogo, sou apenas um escritor que utiliza teorias da conspiração como seu material de trabalho. Crio cenários imaginários, utópicos ou distópicos, para informar e divertir através de realidades inventadas que podem ou não se tornarem reais. Inteligência e Imaginação são necessárias para um bom escritor, que dirá para um empresário, mas parece que alguns ainda não se aperceberam disso. Será?

Danny Marks

Editor Responsável do Retratos da Mente.
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