segunda-feira, 18 de junho de 2012

Solitude (Danny Marks)


Por que uma mulher desejaria um homem na sua vida?
Homens podem ser bons acessórios. Você pode usá-los para ir a uma festa, exibi-los para os amigos; torná-los um adereço que destaque a sua beleza e bom gosto.
Se for um bom exemplar masculino pode provocar inveja nas concorrentes, demonstrar a sua habilidade em ter o melhor.
Um homem também serve para carregar as suas coisas, trocar uma lâmpada, fazer algum trabalho sujo e pesado que não se adéque a sua constituição física ou seu ânimo mental.
Mas nada disso justifica uma mulher querer um homem na sua vida.
Você pode pagar por esses serviços. Sempre haverá aqueles dispostos a fazer qualquer coisa para aparecerem ao seu lado, por um sorriso seu ou mesmo a promessa de uma algo mais que você pode ou não conceder.
Nem mesmo o sexo eventual, uma necessidade de contato, de carinho, a realização de um desejo; nem mesmo isso justificaria uma mulher querer um homem na sua vida.
Todas essas coisas podem ser conquistadas, mantidas, descartadas a qualquer momento por uma mulher que saiba como conseguir e que tenha os recursos necessários para obter. E todas as mulheres possuem recursos de uma forma ou de outra.
O que faz uma mulher querer ter um homem na sua vida é algo mais profundo, que envolve ter todas essas coisas e mais.
A solidão é algo avassalador na vida de uma mulher. Todas nós podemos disfarçá-la com maquiagens e escapadas na noite. Encontros provocantes e amigos desinteressantes.
Todas nós podemos sorrir em público de uma forma convincente e satisfatória, e até preencher o espaço vazio ao lado da cama com animais, almofadas ou mesmo um parceiro quente e sensual.
Só não podemos preencher as quatro paredes do quarto em que acordamos à noite e sentimos o frio entranhado na ausência do contato.
Não o contato com um corpo quente, sólido; mas o contato com o envolvimento de saber que se tem alguém na vida com quem partilhar alegrias, tristezas, duvidas e certezas, ainda que este alguém não esteja ali, na ausência presente e cálida.
Solidão é algo que as mulheres sentem profundamente no corpo e na alma e chega a ser mais forte que qualquer orgasmo múltiplo que se possa ter com um amante ocasional.
Mentimos para nós mesmas e para os outros quando dizemos que precisamos de um homem para nos proteger, para nos amar, para nos aconchegar em seus braços e nos sustentar nos nossos sonhos e delírios inconstantes.
Mentimos porque a verdade é mais dura do que revelar uma possível fraqueza que pudesse haver, uma incerteza que pudéssemos ter.
A verdade é que precisamos de um homem na nossa vida para justificar a nossa existência de mulher, a nossa necessidade de entregar algo que desejamos seja conquistado e mantido com o vigor de um braço forte e com o carinho de um amante. E por trás disso tudo, há sempre o medo de estar oferecendo o melhor para alguém que pode não merecer, pode não compreender o nosso verdadeiro segredo e mistério; ou que ao descobrir-nos tão nuas e carentes, passe a nos achar menos do que somos e não nos aprecie com o mesmo ardor dos primeiros dias. E mantemos a mentira de uma carência e fragilidade para reforçar a masculinidade insegura daqueles que admiramos secretamente por sua força e suavidade.
E por essa mentira pagamos o preço da solidão.
Podemos ter um homem em nossas vidas e ainda assim nos sentirmos solitárias em meio aos lençóis, presas nas quatro paredes que não amanhecem.
Qual homem poderia compreender essa dor em uma mulher?
Que tipo de companheiro poderia trazer alívio a essa ferida que não fecha, que sangra todos os meses e que nos consome de forma atroz?
Se os homens pudessem compreender como a solidão nos afeta, como nos fragiliza de forma debilitante, talvez pudéssemos aceitar plenamente um homem em nossas vidas, sem nenhum medo ou censura.
Será que algum homem jamais conseguiu sentir algo assim, ou equivalente talvez? Terá esse ser másculo a capacidade de compreender a imensa perda que há em dar parte do seu corpo ao mundo e ficar eternamente com o vazio a ser preenchido? A espera de algo que o complemente?
Se houvesse, talvez alguma mulher realmente pudesse amar o seu homem e fazê-lo feliz por estar em sua vida, e se fazer presente na vida dele, nos seus sonhos e delírios.
Então, alguém como eu, poderia acreditar que o amor realmente existe e que as pessoas podem alcançá-lo.
E não apenas olhar para essa coisa que nos ataca nos momentos mais impossíveis e nos faz sofrer com as dores da solidão, na ausência de algo que sempre ouvimos falar, mas que raramente presenciamos.
Todas mulheres, de putas à damas, de mães à amantes, todas nós, deveríamos ter o mínimo direito de conhecer o amor sem ter que sofrer tanto por isso.
Malditos sejam todos os homens por não nos pertencerem a ponto de podermos colocá-los em nossas vidas; malditos todos eles por serem tão fracos que precisam ser protegidos de nossas fragilidades tornando impossível que nos entreguemos como mereceriam.
E com isso, somos todos solitários em meio ao banquete dos reis.
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