segunda-feira, 14 de março de 2016

Sísifo, construindo o futuro. (Editorial Coluna D2) – Danny Marks


Olá amigos do Coluna D2, o único lugar onde a boca é livre, pedimos licença poética para os usos que normalmente damos a este espaço humorístico para falar de um assunto sério sem, porém, deixar de cumprir nosso papel de levar a crítica, a análise dos fatos e a informação da melhor forma que nos cabe.
Esclarecido de antemão esse importante ponto passamos a comentar a manifestação que ocorreu em todo território brasileiro no dia 13 de março de 2016, onde milhões de pessoas foram às ruas pedir uma mudança da situação vigente.
Nossos repórteres entrevistaram diversos manifestantes e obtiveram declarações no mínimo importantes. Vamos, por motivos de coerência textual, deixar de lado as manifestações mais absurdas do tipo “porque não mataram todos em 1964”, “o PT é o pai da Aedes Aegypt” e outras do mesmo tipo. Vamos nos concentrar nas frases que, acreditamos, estejam mais de acordo com os sentimentos e pensamentos, manifestos ou não, do grupo que se reuniu em protestos legítimos.
Frases do tipo “Chega, não aguentamos mais”, “Fora corruptos”, “A hora da mudança chegou, fora Dilma, fora PT”, “Nós somos de direita. Direita neles”, e outras do mesmo tipo, foram as mais amplamente divulgadas e reproduzidas pelos dirigentes e manifestantes. Porém, quando nossos repórteres perguntavam aos manifestantes coisas como: “Quem você acha que vai assumir a presidência em caso de renúncia ou impedimento (impeachment) da presidente?”, “Que mudanças você quer para o pais?”, ou ainda “O que é ‘ser de Direita’ para você?”, as respostas que obtivemos foram do silêncio incômodo até uma confusa tentativa de explicação envolvendo coisas dispares com o conceito, ou ainda, uma solicitação de outros para ajudar na argumentação, bem como vários casos de “não sei, mas do jeito que está não pode ficar”.
Como esta coluna tem o intuito de levar informação com diversão, decidimos explicar para os manifestantes alguns pontos que talvez não tenham sido bem esclarecidos pelos organizadores dos eventos. Vamos a eles.
              Em caso de Impedimento da Presidente o que ocorre? A resposta é: Depende.
              No caso de apenas a Dilma ser Impedida, assume o vice Michel Temer, que está indiciado também na lavajato, aquela famosa operação da Polícia Federal que está investigando os atos de corrupção e que é a principal fonte da insatisfação com o governo do PT, em particular, o governo Dilma.
              Em caso de haver Impedimento da chapa por denúncia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de atos ilícitos na campanha, são destituídos Dilma e Michel Temer e assume o presidente da Câmara dos Deputados, atualmente Eduardo Cunha, também indiciado na mesma operação lavajato, que teria entre sessenta e noventa dias para convocar novas eleições.
              Aqui cabe um adendo importante: Esse quadro descrito acima só ocorre se o Impedimento for ANTES do final do ano de 2016 configurando, portanto, menos de 50% de mandato cumprido. Se o Impedimento ocorrer depois de janeiro de 2017, inclusive, o que ocorre é a chamada Eleição Indireta, aquela que já registramos anteriormente na história do Brasil e que foi extremamente combatida para ampliar a democracia e dar ao povo uma representatividade efetiva. Em caso de Eleição Indireta, o Congresso Nacional assume o caráter de um Colegiado Eleitoral e define dentre os seus membros quem será o novo presidente. Isso está previsto na constituição brasileira e quem quiser pode ir verificar, aqui só estamos dizendo onde está o peixe e quem quiser que o vá pescar, isso ajuda no processo democrático como o entendemos. Uma rápida pesquisa na internet deve trazer bons resultados.
              O que é ser de Direita? O termo remete à Revolução Francesa e se estabeleceu porque os que apoiavam o rei e o regime monárquico sentavam-se a direita do Rei, enquanto os opositores e partidários da revolução, sentavam-se a esquerda do Rei, no parlamento. De forma geral costuma-se dizer que a esquerda inclui progressistas, sociais-liberais, ambientalistas, social-democratas socialistas, democrático-socialistas, libertários socialistas, secularistas, comunistas e anarquistas; enquanto a direita inclui capitalistas, neoliberais, econômico-libertários, conservadores, reacionários, neoconservadores, anarcocapitalistas, monarquistas, teocratas, nacionalistas, fascistas e nazistas.
              Creio que a quantidade de “legendas” permite verificar que o tema não é tão simples e polarizado como alguns querem demonstrar. É possível ainda que um grupo mais de “esquerda” assuma posições mais de “direita” devido a necessidades pontuais e imediatas, sem abandonar o seu discurso geral ou orientação. O mesmo vale para o lado “oposto”.
              Portanto a nossa conclusão acerca de toda a movimentação política que está ocorrendo, e que teve sua mais midiática forma até o momento na manifestação do dia 13, está apenas mexendo uma fervura que não pode ser definida pela polarização que se está querendo vender para o povo pelos organizadores a favor ou contra. Fica a dúvida sobre quais são os verdadeiros interesses por trás de toda essa movimentação que se configura no, assim chamado pelos especialistas, Jogo Político.
              Nós da Coluna D2 não defendemos ou apoiamos bandeiras partidárias porque entendemos que as coisas não se resumem a “palavras de ordem” ou “discursos de legenda”, é preciso mais informações, principalmente as históricas, e reflexões para entender que a democracia é boa por permitir que a diversidade estimule novas formas de ver sob perspectivas diferentes os mesmos problemas, em busca de soluções melhores que as já apresentadas. Entendemos que a política é a arte de conviver com as diferenças sem que haja conflitos desnecessários, mas também entendemos que toda forma de poder acaba por buscar se blindar contra toda e qualquer oposição que se fizer contra a sua manutenção, e que quando um sistema começa a usar de manipulação da informação para se revestir de uma couraça protetora, é preciso curar esse sistema com doses ainda maiores de informação que permitam novamente o debate racional, com argumentos sólidos que ajudem a olhar em perspectiva os fatos e, se for necessário, corrigi-los antes que a “cura” provoque a morte do doente.
              Vemos com bons olhos as manifestações pacíficas, sejam de apoio ou de repúdio ao que está dado, porque representam um engajamento necessário ao bem-estar coletivo e, nesse sentido, nos sentimos obrigados a colaborar apontando fatos que acabam por se perder nos embates polarizados, na tentativa de restabelecer os diálogos que sempre se provaram salutares.
              Agradecemos aos nossos leitores pela paciência e pelo prestigio que dedicam a este espaço e esperamos em breve poder voltar às nossas atividades humorísticas e críticas, que sempre serão necessárias a evolução dos diálogos que constroem uma sociedade mais justa e capaz de, reconhecendo os próprios erros, rir deles, enquanto buscam as soluções necessárias.

Sem mais,

Danny Marks
Editor (Ir)responsável do Coluna D2
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