quinta-feira, 25 de agosto de 2016

COPO MEIO CHEIO e o copo meio vazio - Danny Marks


          Chega aquele momento em que tem várias pessoas querendo se colocar no lugar do outro. Só precisam tirar o outro de lá primeiro. Algumas coisas parecem completamente diferentes, de acordo com a perspectiva que se observa. Clichês são construídos em cima de uma única forma de ver as coisas, reforçadas constantemente, até que se para de ver já pressupondo tudo o que poderá ser visto.
          Talvez seja esse o motivo clássico da história ser cíclica. Afinal, quando temos elementos tão semelhantes com as mesmas atitudes, seguindo os mesmos princípios básicos, não se pode esperar que os resultados sejam exatamente inéditos, não é? Em palavras simples pode-se afirmar que estamos fadados a repetir os erros do passado até que tenhamos aprendido.
          Em alguns momentos existe um aprofundamento e alienamento da perspectiva, apoiada na visão do clichê, que provoca uma ruptura na estrutura que se torna insustentável, com a consequência geral de uma crise restauradora.
          Ok, hoje acordei de um sonho complexo e o cérebro ainda está processando, portanto estou usando apenas uma pequena parte do que sobrou para escrever, a parte que junta palavras como se fossem peças.
          Então vamos juntar algumas peças mais ilustrativas. Quem está acompanhando as redes sociais ou as notícias, pode perceber que há algo de podre no reino da terra média. Até parece que os elfos negros invadiram as catacumbas dos ogros para libertar os demônios e, junto com eles, destituir os seres celestiais nas cidades de luz, derrubando-os nos abismos em que habitam os meros mortais.
          Só usando a fantasia para amenizar as imagens milhares de vezes mais grotescas que a guerra global, verdadeira, pode produzir. Não, não há um engano aqui. Estamos em guerra mundial, a terceira do seu nome. Basta olhar os livros de história e pode-se ver as referências clássicas.
          Ao contrário do que se pode supor quando se fala em uma guerra global, o campo de batalha, propriamente dito, é específico e apenas os seus efeitos e outras batalhas menores é que atingem em maior ou menor grau outros países. Mas a intenção é sempre a mesma, a imposição de uma nova forma de poder.
          Nos últimos cinco anos temos observado a guerra na Síria, as imagens percorrem os noticiários e as redes sociais, chocam os trabalhadores do mundo todo que seguem para as suas rotinas diárias tentando esquecer o que viram, até que algum atentado terrorista, efeito dessa guerra, seja deflagrado em algum outro ponto, levando o pânico da guerra até onde ela não está.
          Crises econômicas globais é que, invariavelmente, causam as guerras globais (e as tivemos recentemente, podem verificar); apesar de que sempre se alegam outros fins, ideológicos. Pode-se dizer que se cria uma guerra para restituir a liberdade, ou para defender uma fé, ou para corrigir uma distorção que atinge um determinado grupo, vilipendiado dos seus direitos mais básicos; mas a verdade é sempre a mesma. Cria-se a guerra para alterar a forma de poder no mundo e, dessa forma, controlar o dinheiro e a forma como ele circula.
          A alienação, o abismo que se cria entre a realidade vivenciada e a realidade criada especificamente para suprir os mecanismos que movimentam o conflito, separando de forma minimalista os atores em dois times específicos (NÓS contra ELES), torna-se maior a cada instante. Polarizar é sempre fundamental, desde os romanos que abusavam do “dividir para conquistar”.
          Mas, por que se preocupar com isso se estamos seguros aqui do outro lado do mundo, sem atentados terroristas, tocando a nossa própria crise que não tem nada a ver com aquela outra e é muito mais importante, não é mesmo?
          O problema é que o tecido fluído do poder é algo que recobre todas as sociedades humanas, e se algo afeta a estabilidade da trama em um ponto, ela vai criar um desfiar que vai se estender, e enfraquecer, todo o conjunto de alguma forma. Quer um exemplo?
          Veja a crise política, que gerou a crise econômica aqui mesmo. A guerra pelo poder se tornou intensa lá na cúpula. Aliados anteriores agora se voltam uns contra os outros e antigos inimigos já projetam novas alianças para se manter sempre acima do nível de submissão, a terra média, onde os efeitos, independente dos vencedores, sempre são sentidos de forma desastrosa.
          Enquanto os que estão acima da terra média lutam para se manter bebendo no copo cheio, e manter o copo cheio, os que estão nos subterrâneos usam a terra média, onde o copo sempre está vazio, como alavanca para se lançar nas alturas e tentar ocupar um lugar nesse farto mundo de bem-aventuranças.
          A lógica milenar é a mesma, retratada em diversas lendas e registrada nos livros de história: Os que estão no topo, lançam os desafetos no abismo e criam uma barreira imensa no meio, chamada de purgatório, simplesmente criando a ideia de que, se resistirem bravamente às investidas dos inferiores, vão algum dia conseguir um lugar lá no alto. Já os que estão lá no abismo, tentam de todas as maneiras convencer de que a única maneira da terra média conseguir alcançar seus sonhos é se inverter as coisas destituindo os algozes e substituindo pelos que foram mais duramente atingidos por eles.
          Quando ambos os lados conseguem aliciar uma boa parte da terra média, cria-se o conflito definitivo que culmina com a violência, a guerra para restabelecer a ordem. O que significa que os que têm o seu copo sempre cheio vão continuar a se sustentar com os que tem o copo sempre vazio, simplesmente colocando um dentro do outro para que pareça que o copo é maior e está ou meio cheio, ou meio vazio. E tudo voltará a normalidade de sempre.
          Mas, é claro, que poucos vão se dar conta disso e as coisas vão continuar sendo o que sempre foram mudando a perspectiva de quem vê e preservando o que sempre tem dado certo, para alguns. A menos que alguma coisa que não foi prevista entorne todo o equilíbrio dinâmico e a história reinvente o curso, chamado de normal pelos sobreviventes. Mas isso é outro assunto, que já foi discutido, e que não vale a pena retomar agora. Ou está disposto a olhar para o passado?

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