segunda-feira, 23 de junho de 2014

Era uma vez uma sala de Aula – Danny Marks

 (Passeando pela internet encontrei um texto creditado a Luiz Moreno (2014) chamado de “como irritar seu professor” e achei bem interessante. Acredito que muitos alunos devem tê-lo lido, pois é muito comum que o citem – inadequadamente, devo dizer, não fazem referência ao autor. Marcelino Freire (2014) diz que gosta de escrever sobre aquilo que o incomoda. E este texto me incomodou por não ter as respostas que acredito o “professor” poderia ter dado de forma que houvesse um dialogo completo. Então resolvi, fazer a minha própria versão privilegiando essa parte. Obviamente trata-se de um texto literário que, como afirma Compadre Washington (2014), é completamente “inocente, não sabe de nada”.)

            Depois que o professor já escreveu até a metade da lousa um aluno pergunta:
— É para copiar?
De forma alguma! É que tenho uma compulsividade para preencher espaços vazios com palavras.
É pra responder?
— Qual pergunta? A sua ou as minhas?
— É pra fazer agora?
Se preferir pode deixar para o próximo ano quando estiver cursando esta mesma série.
— Vai valer ponto?
— Não só ponto como também virgulas, acentos, concordância verbal e nominal, coerência, coesão...
— Cai na prova?
Se não cair na prova é que caiu durante o percurso...
— É pra trazer o livro?
— Claro que não, basta você decorar ele inteiro.
— Posso usar o celular?
Só se for no banheiro...
— Quantas linhas eu pulo?
— Todas que ficarem entre a imaginação e a inteligência.
— Que dia é hoje? (a data do dia já estava na lousa desde o início da aula)
— Depende da perspectiva. Pode ser o primeiro dia do resto da sua vida, ou o resto da sua vida.
— É pra copiar de caneta ou de lápis?
— Faça a lápis se quiser economizar caderno para o próximo ano, ou a caneta se não quiser escrever tudo de novo.
— Você é professor de qual matéria mesmo? (aluno do 2o bimestre)
— De estudos comparativos entre Élfico e klingon na perspectiva Grega. Ainda não tinha percebido?
— Como é seu nome mesmo? (aluno no 30 bimestre)
— Em qual língua?
— Você só da aula ou também trabalha?
— Na verdade eu só estudo. Isto aqui é meu Mestrado para Serial Killer.
— Meu caderno acabou, o que eu faço?
— Pegue as bolinhas que atirou nos colegas, desamasse e as use corretamente desta vez.
— Esqueci o trabalho em casa, posso entregar na próxima aula?
— Não precisa. Guarda ele para o próximo ano.
— Minha resposta está certa? Falta alguma coisa? (durante a prova)
— Deixe-me ver... Estudar mais? 
— Eu não sei a resposta, deixo em branco?
Claro, preencho depois em vermelho. Lembra da minha compulsão?
— Ué, hoje tem prova?
Não, é só um ensaio sobre o que vai dizer aos seus pais quando for reprovado.
— Hoje tem prova de quê?
Do que vai dizer aos seus pais quando for reprovado?
— Vai ser de consulta?
Sim, pode ser. Comece consultando o início da folha onde diz “Prova individual, sem consulta”.
— Pode ser em dupla?
Claro, se junte o seu neurônio com o do seu colega ali, se juntarem alguns milhões vão ter um cérebro.
— Trabalho? Que trabalho?
Aquele que você conseguiria se tivesse estudado.
— É pra responder com as minhas palavras?
— Não precisa, só me diz de quem copiou para poder dar a nota pra ele.
— Esqueci de estudar, posso fazer a prova amanhã?
— Posso estudar a sua proposta e responder amanha?
— Professor, quando o senhor vai faltar?
Provavelmente no mesmo dia que você
— Professor, o senhor nunca fica doente?
Ate hoje não tinha ficado.
— Você sabe se a gente vai sair cedo hoje?
Eu tenho que ficar ate o final, aquela coisa de que o capitão afunda com o navio...
— Vai ter que escrever muito hoje?
Claro que não, só até você aprender.
— Quanto você ganha?
Para os políticos mais do que preciso, mas cada vez me parece menos do que mereço.
(...)
— A reunião vai demorar? (mãe do aluno antes que a reunião sobre o seu filho comece)
— Depende, a senhora pretende matricular o seu filho nesta escola no próximo ano?


Texto Original abaixo:

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