quinta-feira, 1 de outubro de 2009

PRISIONEIRAS DO TEMPO - Lariel Frota




Presas no tempo, em frangalhos,
Vivem: a menina que ainda espera,
A mulher com sonhos incompletos
E a que já tem cabelos grisalhos,
Que a fazem parecer esperta.
Fala pra menina curiosa: -"O saber liberta".
Vendo que não é ouvida, irritada grita:
-"Mas só a sabedoria santifica".
Grita em vão, a menina está presa,
no seu mundo estranho feito de letras,
Onde beija flores e urubus de tetas,
Simbolos estranhos, lhe fazem caretas.
Quanto mais a velha insiste e grita,
Mais a menina presa se agita,
Se enrosca em verbos e adjetivos,
Tropeça no hífen, cai no substantivo,
Tromba com o pleonasmo e as metáforas,
Se perde no abismo entre linhas,
Derruba aspas, vírgula, ponto de interrogação.
Toda arranhada e com marcas roxas
Sem conseguir ouvir o conselho, responde em gestos:
-"Outra linha, parágrafo, travessão!"
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