quarta-feira, 29 de abril de 2015

Me vê dois quilos de Educação, por favor. – Danny Marks



                Crise na educação? Que crise? Me desculpem os que tem opinião contrária e se baseiem em teorias e históricos, em dados tabulados ao longo dos anos, mas o que apresento não é uma tese acadêmica, embora alguém possa se predispor a buscar os embasamentos necessários para tal.
                Este é um artigo de opinião, de quem vivenciou e observou de vários ângulos a chamada “Crise da Educação”. Em primeiro lugar é preciso definir: que crise?
                Entre os especialistas, com ou sem aspas, não há consenso. Uns dizem que é uma crise do modelo educacional que está ultrapassado, outros que o problema é da sociedade permissiva e da falta de limites que os pais deveriam impor aos filhos (para o bem deles mesmos), outros ainda afirmarão que a culpa é do governo que não quer um povo instruído e que os salários são baixos.
                Há os que digam que a culpa é dos profissionais da educação por não utilizarem novas técnicas e tecnologias, ainda que a maioria das escolas só disponham da tecnologia da lousa verde e do giz branco.
                Outros alegam que o grande vilão é o currículo voltado mais para as especificidades genéricas e não para a formação de cidadãos voltados para o mercado de trabalho e para a cidadania.
                E enquanto há vários “vilões” possíveis nessa história, culpa-se o governo por não dar jeito, culpa-se o professor por não se impor e dar limites aos alunos, culpa-se os pais por não educarem os seus filhos, culpa-se a escola por não se decidir se deve instruir ou educar, ou ambos, de alguma forma que ninguém sabe definir como seria. E o inferno continua sendo o Outro.
                Talvez o problema seja tudo isso, de certa forma, e mais um pouco. A crise vai do baixo salário à mentira de que um professor é um ser especial, mágico, capaz de formar ou deformar uma nação e que, de alguma forma, não sabe ou não faz uso da força que possui.
                A crise vai da falta de investimentos na educação porque isso não aparece no curto prazo das campanhas eleitoreiras, e desaparece rapidamente na memória dos falsos cidadãos que jamais tiveram uma educação politizada, mais voltada para o bem comum do que para os interesses próprios, uma imersão no sujeito histórico de sua própria comunidade, um registro de valores morais que nasce na família e se estende na escola e na sociedade.
                A crise vai da falta de interesse dos pais, dos alunos, dos professores, do governo, da sociedade, até a falta de perspectivas verdadeiras, a falta de interesse em buscar soluções viáveis e aceitar as responsabilidades individuais, porque educação é construída por todos os agentes envolvidos e não por indivíduos heroicos salvadores da pátria.
O próprio conceito de pátria já deveria dar conta disso: Pátria, do latim patriota (terra paterna), é o lugar onde se nasceu ou se adotou criando vínculos afetivos, valores culturais, morais e sociais, onde se desenvolveu uma história. Pátria é o primeiro conceito de educação que se deveria aprender e manter pelo resto da vida, sendo a base de todo o conceito de quem é o agente da Educação.
                A crise atual da educação é uma crise de paradigma, que começa justamente pela crise do paradigma de Pátria. Quando o mundo se tornou globalizado, quando se tornou possível assistir uma tragédia no Nepal com milhares de mortos ao mesmo tempo que uma partida de futebol na cidade vizinha, ou um casamento em alguma ilha particular no pacífico sul. Quando o seu quintal se estende até os confins da galáxia, com imagens das mais modernas sondas espaciais, e no seu bolso cabem idiotices do mundo todo, transmitidas como notícias importantes de um segundo de fama.
                Aí começa a crise do paradigma da educação. Como preparar para uma sociedade que se reinventa a cada milionésimo de segundo e que muda de percurso ou de necessidade com a mesma velocidade, ou pior, que acumula necessidades e velocidades e percursos e objetivos e certezas e indefinições e...
                Quando os valores se tornam tão relativos que deformam o tempo e o espaço, e a própria realidade se perde nas incertezas quânticas, na subjetividade do observador que determina o evento, na possibilidade da Matrix ser uma realidade inventada pela nossa mente que necessita ordenar o que não pode ser ordenado porque o Universo é caótico. E nem universo é mais, multiverso agora, sem sentido, sem objetivo, sem relação de causa e efeito, sem ordem. Quando nada mais faz sentido.
                Então, talvez, esteja na hora de repensar os paradigmas; de atribuir valores possíveis às incógnitas para poder se alcançar e testar as incertezas; de se repensar as atribuições e focar os objetivos não como algo determinístico, mas como um meio para se ir além.
                É preciso se repensar o indivíduo perante a sociedade, a sociedade perante a comunidade; as responsabilidades perante o seu objetivo em particular e em relação ao objetivo geral; a pátria em relação à educação e a educação em relação a formação do Ser e do que podemos nos tornar, se não deixarmos de buscar culpados e começarmos a olhar, cada um de nós, no que estamos fazendo hoje para construir o amanhã.
Amanhã que nos alcançará com velocidade superior a da luz, coisa que sequer imaginávamos ser possível, até ontem.
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