domingo, 22 de setembro de 2013

O Papagaio de Botas – Danny Marks


             O policial entrou nervoso na sala do delegado.
            — Senhor, tem um caso de furto...
            — Tá, e o que eu tenho a ver com isso? Faz a ocorrência e coloca na fila.
            — Mas é que o denunciante alega que foram depenados.
            — Que se foda, anota a porra da ocorrência e coloca na caixinha.
            — O senhor não está entendendo, é um papagaio.
            O delegado apagou o cigarro na placa de proibido fumar.
            — Que tá acontecendo contigo? Não quer mais fazer as ocorrências? Que merda! Tem alguém querendo denunciar um furto, anota as coisas e depois coloca na fila. Dá pra fazer isso?
            — Mas senhor, é que é muito suspeito.
            — O que é suspeito?
            — É que ele está usando botas.
            O delegado ficou olhando para o policial por um tempo, mas nada mais foi dito. A contra gosto levantou da sua cadeira e deu uma olhada na sala de espera. Estava lá, o papagaio de botas.
            — Realmente é muito suspeito.
            — O senhor está vendo? Foi o que pensei.
            — Muito bem. Mas temos que fazer alguma coisa. Ele deu alguma indicação do endereço do furto?
            — Sim, é onde ele mora.
            — Entendo. E havia mais alguém com o suspeito para comprovar a veracidade da coisa?
            — Não, senhor. Disse que quando chegou já tinha acontecido tudo e que não viu mais ninguém.
            — Ai tem truta. Esse ai está escondendo alguma coisa, posso sentir.
            — Eu senti a mesma coisa, por isso vim falar com o senhor.
            — Precisamos agir com cautela, as coisas andam difíceis e não podemos dar vacilo, entendeu? Faz o seguinte, quem tá de plantão hoje?
            — Tem mais uns dois tomando café na padaria.
            — Passa um radio e manda virem preparados pra tudo. Enquanto isso enrola esse ai. Fica vigiando que a gente não sabe o que pode acontecer.
            — E quando os outros chegarem?
            — Captura o desgraçado e joga na cela. Deixa comigo, vou fazer esse papagaio cantar como nunca na vida dele.
            — Eu sabia que o senhor ia resolver a situação.
            — Só uma coisa.
            — Sim, senhor.

            — Bico fechado, entendeu? 
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