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sábado, 18 de maio de 2019

Aforismos de Criminal Minds 14ª Temporada

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14ª Temporada

14x01 – 300

A única coisa nova no mundo é a história que você não sabe.
Harry Truman

A Família. Aquele querido polvo cujos tentáculos não conseguimos escapar, nem no fundo do coração desejamos escapar.
Dodie Smith

14x02 – Starter Home

A memória é uma mulher maluca que coleciona trapos coloridos e desperdiça comida.
Austin Omalley

Sem família, sozinho no mundo, o homem estremece no frio.
Andre Maurois

14x03 – Rule 34

O fascínio da fama é tão grande, que queremos associar tudo a ela, até mesmo a morte.
Blaise Pascal

As crianças nunca foram boas em escutar os mais velhos, mas não falham em imita-los.
James Baldwin

14x04 – Innocence

Vivemos num mundo de fantasia, um mundo de ilusão. A grande missão da vida é encontrar a realidade.
Iris Mudoch

Quando as feridas são curadas com amor, as cicatrizes são lindas.
David Bowles

14x05 – The Tall Man

A pergunta mais importante que se pode fazer a si mesmo: Em qual mito estou vivendo?
Carl Jung

Há tempos em nossas vidas quando temos que perceber que nosso passado é exatamente isso e não podemos muda-lo, mas podemos mudar a história que contamos a nós mesmos. E fazendo isso, podemos mudar o futuro.
Eleanor Brown

14x06 – Luke

Sou um lutador. Acredito na lei do olho por olho.
Muhammad Ali

14x07 – Twenty Seven

.......

14x08 – Ashley

Quando você tem uma criança, o mundo tem um refém.
Ernest Hemingway

A vontade de ter um lar vive em todos nós, o lugar seguro que podemos ir como somos sem ser questionados.
Dra Maya Angelou

14x09 – Broken Wing

Se não conhece alguém que teve problema com algum vício, você conhecerá.
Dana Boente.

O elo que liga sua verdadeira família, não é de sangue, mas o respeito e alegria na vida um do outro.
Richard Bach

14x10 – Flesh and Blood

O que é passado é prólogo.
William Shakespeare

A história nunca se repete, mas frequentemente rima.
Mark Twain

14x11 – Night Lights

Vingança, o pedacinho mais doce à boca já cozido no inferno.
Sir Walter Scott

Todos vão morrer, todos nós. Que circo. Só isso deveria fazer amarmos uns aos outros, mas não faz. Somos aterrorizados e achatados por trivialidades. Somos devorados por nada.
Charles Bukowski

14x12 – Hamelin

Há sempre um momento na infância em que a porta abre e deixa o futuro entrar.
Graham Greene

Não é o que eles falam sobre você, é o que eles sussurram.
Errol Flynn


14x13 – Chameleon

As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer.
Stephen King


14x14 – Sick and Evil

O medo me fez cruel
Emily Brontë

Como alguém não sente medo, me pergunto? Como você dispara um tiro através de seu coração, corta sua cabeça, pega pela sua garganta?
Joseph Conrad


14x15 – Truth or Dare

Todos temos um monstro dentro de nós. O que difere é o grau, não o tipo.
Douglas Preston

Tudo o que você precisa, é amor.
John Lennon

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Os Caminhos da Narrativa – Danny Marks





            É muito comum se falar dos benefícios de um livro para a vida das pessoas, inúmeras vantagens são levantadas pelos autores e divulgadores e não vou gastar seu tempo falando sobre isso. Mas, será que é apenas pela possibilidade de divertimento, de instrução, de autoconhecimento e coisas afins que é importante ler um livro? No Brasil, nas últimas décadas, temos observado um movimento interessante. Há cada vez mais autores iniciantes lançando seus livros e tentando uma carreira nessa área, alguns com relativo sucesso, por algum tempo. Por outro lado, vemos um declínio significativo do mercado de livros (não confundir com mercado editorial, que é outra coisa). Também não vou aprofundar na questão de que ainda precisamos inventar um mercado de LIVROS no Brasil, porque já fiz isso em outros momentos e o objetivo deste texto é diferente, embora haja muitos pontos em comum com essas outras questões. Então vamos lá.
            As narrativas têm evoluído ao longo dos séculos, e isso é bom porque, em última análise, criatividade é o nosso negócio, certo? Alguns fatores são cruciais para que essa evolução se efetue. Em primeiro lugar há a realimentação dos temas. Uma temática tem que ser relevante para conquistar algum sucesso e longevidade na construção de um texto literário, isso significa dizer que o texto literário se apropria das condições de uma sociedade, elabora de forma artística e devolve para a sociedade os desdobramentos possíveis até os limites da imaginação e, em muitos casos, influencia os rumos dessa sociedade para algum caminho diferente. Esse movimento quase orgânico é semelhante ao que se pode perceber em qualquer sistema evolutivo, as soluções importantes prevalecem e se multiplicam, até que se tornam comuns e outros desafios se impõem exigindo novas soluções, enquanto que as que não são relevantes apenas desaparecem pelo peso de sua falta de sintonia.
            Não vou tentar descrever a miríade de modelos literários que foram criados, ampliados, ramificados e remodelados ao longo dos tempos, porque isso seria um trabalho para uma vida inteira e não haveria espaço aqui para isso. Vamos nos concentrar em algo mais específico e que serve como um dos pilares para vários modelos literários, a Jornada do Herói. É chamada assim porque trabalha com um formato específico, linear, de construção do personagem (o herói) que se encontra em uma zona de conforto até que é provocado por um chamado (algo que o obriga a sair dessa zona de conforto) e é auxiliado por um guia em sua jornada em busca de algo que vai promover o retorno à estabilidade perdida quando alcançar um determinado objetivo. Ao longo da jornada o herói terá que lidar com várias dificuldades e ao supera-las sozinho ou com ajuda de outras pessoas, vai desenvolvendo capacidades anteriormente adormecidas, além de sabedoria, e conquistando ferramentas na construção de seu destino.
            Se identificou? Provavelmente sim, porque a Jornada do Herói é em maior ou menor grau uma metáfora da saída da infância, o percurso da adolescência rumo à maturidade, que todos passamos em algum momento. Por isso mesmo é um dos pilares de vários modelos literários de extrema eficiência, afinal todos passamos por essa fase em nossas vidas, embora alguns não a superem com todos os méritos, mas isso é outra história. O problema, e nesse ponto é que iniciamos o nosso desvio, é que a sociedade evoluiu para uma forma em que cada vez menos há espaço para os heróis que centralizam em si a força e as soluções em jornadas razoavelmente solitárias, embora solidárias. Sem falar que cada vez mais, na sociedade atual, há uma identificação maior com o Vilão, o adversário do herói, a ponto de muitas narrativas inverterem o sentido e quase apagarem a linha divisória entre um e outro criando uma variante que denominamos o anti-herói, que é quase um vilão que deu certo quebrando as regras e fazendo as coisas necessárias de forma diferente do que está estabelecido a despeito do custo envolvido.
            Essa identificação com o anti-herói muitas vezes é maior do que a identificação com o herói, porque é mais comum em um mundo em que as regras mudam rapidamente e há necessidade de fazer diferente do padrão estabelecido e ainda assim funcionar bem para todos. O anti-herói não é contra o caminho do herói, mas um caminho paralelo, sombrio, onde não há certezas de sucesso e decisões difíceis são exigidas constantemente sob o risco de tornar as coisas piores, e não melhores. Se identificou com esse modelo? Pois é, na sociedade tecnológica as regras mudam rapidamente, e apenas aqueles que são capazes de fazer diferente e melhor são os que obtém sucesso. Nesse mundo tudo precisa evoluir, até mesmo os vilões, ninguém é bobo de acreditar que os desafios vão se manter os mesmos e é preciso sobreviver a qualquer custo. A sociedade pressiona nesse sentido “Seja igual a todos, mas faça melhor que qualquer um”, ou seja um paradoxo. Como fazer algo igual, a partir das mesmas bases, e obter resultados melhores?
            Essa é a grande charada da evolução. Seguir as regras até o limite de adquirir força suficiente para superar as regras e dar um salto no desconhecido. Se é desconhecido, não haverá guias, não haverá regras claras, quando muito a certeza de riscos e a possibilidade do fracasso, mas que se conseguir superar obterá uma capacidade inigualável, ou rapidamente será esquecido sem qualquer epitáfio. A pior parte do caminho do anti-herói é justamente essa, ele não tem uma zona de conforto, o chamado para a aventura não existe, ou melhor, sempre existiu e se chama sobrevivência, implicando que dependerá dos recursos da sociedade que o sustentou e agora exige a mudança, porém fará tudo para que fracasse e resistirá a qualquer alteração da balança do poder. O anti-herói precisa provar seu valor para ser reconhecido, o que é impossível até que a tarefa esteja completa, mas para conseguir alcançar o seu objetivo terá que convencer os provedores de recursos a ajuda-lo, fazendo o mesmo salto que ele no desconhecido.
            É nesse cenário de incertezas absolutas, de caos constante e desafios absurdamente enormes que o anti-herói tem que continuar sobrevivendo, e suportando as perdas pessoais e dos aliados que se arriscaram junto com ele nesse caminho, seguindo sua visão e confiando em suas habilidades. Parece impossível? Então considere que as coisas estão tão ruins que as chances de sucesso são mínimas para qualquer um, se nada for feito o fim já está decretado, por outro lado se fizer algo errado pode acelerar o fim OU pode encontrar uma solução inusitada para o problema, que permitirá que o próximo da fila consiga avançar mais um pouco. O anti-herói, nesse contexto, é a evolução do herói que depois de ter conquistado a sabedoria, de ter feito sua aventura e vencido coisas terríveis, percebe que esse é apenas o início da jornada e não há um “viveram felizes para sempre”, pelo contrário, os adversários agora sabem do que é capaz e se preparam para vencê-lo e destruir tudo o que conquistou. Sabe aquele mosquito que sugou o seu sangue? Ele é mais fácil matar enquanto está com a barriga cheia, porque se move mais lentamente, está mais pesado, a fartura o coloca mais próximo do risco pela indolência.
            Um herói evita arriscar a vida dos amigos e aliados, por isso que facilmente conquista apoio, o vilão não se importa com ninguém e por isso tem dificuldade de manter o apoio,  já o anti-herói sabe que não pode proteger a todos e a si mesmo, então escolhe não ter aliados ou prepara-los para se defenderem sozinhos, apenas apontando a direção para onde pretende ir e se aproveitando de qualquer avanço que puder tornar seu, mesmo que ao custo dos que o seguem. Percebe que essa é uma forma de apresentar a teoria da Evolução das Espécies de Darwin? Os melhores preparados sobrevivem, isso quer dizer que nem todos vão conseguir, ou melhor, para que alguns sobrevivam, todos tem que dar o seu melhor e criar soluções que ajudem a coletividade e a si mesmos, não há um indivíduo que vai solucionar tudo, mas um grupo de indivíduos que pode potencializar suas chances trabalhando por um objetivo em comum. Parte desse grupo não vai chegar ao final, não vai suportar, mas de outra forma ninguém conseguirá vencer a adversidade, o herói passa a ser aquele que se sacrifica pelos outros e não o que chegou até o final. Nesse modelo a coletividade se torna mais eficiente que o indivíduo e se alimenta dos indivíduos que a compõe, e obriga a um outro tipo de habilidade, a do Líder que motiva os que o acompanham e se arriscam junto em um projeto. O líder, diferente do herói, não tem todas as respostas e vai cometer erros, por isso tem que rever constantemente suas estratégias para não perder o apoio e a força que o grupo lhe fornece. Um líder egoísta morre sozinho ou é morto pelos que o apoiavam. Só um líder que tenta atender as necessidades da coletividade, mesmo lutando contra essa mesma coletividade, consegue apoio para sobreviver por tempo suficiente para fazer a diferença, até ser substituído por outro melhor capacitado que se formou no âmbito do grupo. É como o macho alfa de um bando de predadores, que tem seguidores enquanto conseguir sucessos, mas gera e sustenta os que irão substituí-lo entre os amigos e adversários.
            Conseguiu perceber os links com algumas narrativas de sucesso? Acredita que é injusto? Não é, se olhar pela perspectiva da evolução. Tudo tende a um declínio na natureza, chama-se entropia. A única forma de evitar a entropia é justamente manter a evolução constante, isso significa tornar as coisas diferentes para que continuem a funcionar, até porque tudo muda quando as soluções deram certo. Algo que muda para permanecer igual tende a decair em sua energia gerando a estagnação, a entropia. É por isso que há um movimento crescente da distopia, aquele modelo literário que quebra as regras e tenta demonstrar da forma menos idealizada os fatos, destruindo a jornada do herói e seus maniqueísmos e tentando demonstrar que entre os dois extremos há um universo de possibilidades interessantes, mas nem todas viáveis ou benéficas para os envolvidos, por isso é importante ter cuidado com as escolhas que se faz e quais regras pretende quebrar.
            Foi nessa linha de argumentação que desenvolvi um modelo literário diferenciado, para poder alcançar o máximo potencial da narrativa que se tornou o eixo central da Saga SOBREVIVENTES. Em primeiro lugar abandonei a jornada do herói, a jornada do anti-herói, a jornada do vilão e estabeleci um modelo em que nenhum personagem é mais importante que o outro, mas todos tem um papel fundamental no desenvolvimento da trama. Isso gerou um problema enorme para compor a narrativa, não havia um modelo que pudesse me apoiar, era um terreno pantanoso que tinha tudo para dar errado e apenas algumas possibilidades de sucesso. Tive que refazer todo o projeto diversas vezes ao longo de seis anos de trabalho, reformulando tudo até chegar ao ponto em que gerava os resultados desejados. A narrativa cresceu tanto que não cabia mais em um único volume e isso me obrigou a quebrar outro paradigma. Em Sagas é comum que a narrativa vá evoluindo ao longo dos volumes que podem ser intermináveis, enquanto o leitor tiver interesse, e as vezes não há interesse justamente porque são vários volumes para contar uma história. A solução foi pensar de outro modo, mais de acordo com a realidade das coisas e em consonância com o modelo que desenvolvi. Se os personagens são importantes em sua história, e são relevantes na história como um todo, mas nenhum é insubstituível, então porque não tornar cada livro independente, fazendo parte de um todo maior que vai se construindo?
            No modelo que construí para a narrativa distópica desenvolvida em SOBREVIVENTES, o eixo central é a sobrevivência. Sem vilões, heróis, anti-heróis, personagens centrais, mas com tudo isso junto, em histórias que se desenvolvem em livros fechados, com início, meio e fim, mas que compõem e ampliam o universo criado em que existem. São como peças de um quebra-cabeças em que cada uma se basta, mas que quanto mais peças, maior a diversão. Percebi uma coisa interessante nesse modelo, cada livro pode ser feito com um modelo diferente, que pode até ter a jornada do herói e seus maniqueísmos, pode ter a jornada do anti-herói e suas complexidades, pode até ter a jornada do vilão e suas perspectivas, ou pode ter tudo isso junto e misturado em uma narrativa diferenciada, como o volume de abertura que leva o nome da saga, SOBREVIVENTES. Onde quero chegar com essa loucura toda? Não sei, não há um objetivo a ser alcançado, mas uma jornada a ser percorrida que pode ajudar aos que trabalham com os modelos clássicos a progredirem e pode ajudar aos que querem romper com esses modelos a ver outras perspectivas, ao mesmo tempo que ofereço aos meus leitores uma forma diferente de narrar essa aventura e encantar, instruir, denunciar, questionar e divertir.
            Antes mesmo de ser lançado o primeiro volume, desenvolvi três livros dentro do modelo para verificar a funcionalidade. Estão prontos e serão lançados seguindo uma estratégia de marketing diferenciada, porque, como disse lá no início, precisamos inventar um mercado de livros no Brasil, e se é para inovar, vamos fazer bem feito. A evolução é necessária e para que as coisas funcionem, precisamos pensar que cada um dos envolvidos vai ter que contribuir com a sua parte para a coletividade e fazer com que seja conquistado algo que poderá nos dar uma nova chance de continuar tentando fazer melhor, usando tudo o que já sabemos e todas as regras já estabelecidas, mas avançando no desconhecido e inventando novas soluções para um mundo que tem que se recriar constantemente, para se manter vivo e evoluindo. Não há outra opção viável se quisermos continuar a nossa jornada em busca do melhor que podemos obter, sem destruir os caminhos para os heróis, anti-heróis e vilões que merecem ter suas histórias contadas e recontadas até que não sejam mais necessárias.
            Quer saber mais? Continue acompanhando nos meus canais o desenvolvimento desta jornada. Apresentarei oportunamente todos os bastidores da Saga, os modelos utilizados em cada um dos volumes, as técnicas de construção da narrativa e dos personagens e muito mais. Conto com o apoio de todos para que possa realizar essa jornada sem heróis ou vilões, mas com pessoas que vão dar o melhor de si para atingirem um patamar mais elevado de evolução. Deixe suas dúvidas, criticas, sugestões, apoio, nos comentários, todos serão parte desta história que estamos escrevendo juntos. As coisas nunca mais serão as mesmas, e isso faz toda a diferença no sucesso.

Danny Marks, 2018

terça-feira, 3 de abril de 2018

Uma Casa em Segunda Instância - Danny Marks

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A criança é acusada de cometer uma falta. O pai analisa a denuncia e manda por de castigo. Impetrado um recurso contra o julgamento do pai, recorre-se à mãe, que analisa o caso e confirma o veredito de culpado.
A criança deve cumprir o castigo imediatamente ou isso só deve acontecer depois do julgamento dos avós que só poderão vir à casa na próxima reunião familiar, sem data para ocorrer?
Se os avós decidirem pela absolvição, não estarão afirmando que os pais são incompetentes para criar os filhos, apesar destes terem seguido as regras que aprenderam com os avós? Deveriam os avós ordenar uma reciclagem das competências paternas sobre as regras familiares para aprenderem a julgar melhor?

sábado, 17 de março de 2018

A Gota - Danny Marks

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Um dia uma gota fez derramar o copo.
Houve muitos protestos, não pelo copo derramado, mas porque a gota era de óleo e não houve comoção por todas as gotas anteriores que haviam caído.
Debatiam o valor da gota, não a existência do vazamento.
Uma gota de óleo, não se misturava na água, não importava.
Poderia ter sido lágrima, sereno, suor, sangue, mas era óleo.
Até que o copo transbordou.
E ninguém sabia lidar com isso.

sábado, 30 de setembro de 2017

Depois da Pós-Verdade, a Polêmica – Danny Marks

             
Sabe da última polêmica? Não tem, pelo simples fato que jamais vai ser a última, apenas a mais recente que alguém inventou por algum propósito que poderá ou não ser atingido. Recentemente há uma tendência a revitalização dessa metodologia de provocar o outro através de atos ou palavras de duplo sentido e múltiplas interpretações. Digo recente porque não é algo novo, embora a forma como seja utilizada pode ser recente, incorporando novas tecnologias.
               Quando falo em tecnologias não digo apenas as novas formas de mídia, tecnologia vai além disso, significa algum tipo de conhecimento que pode ser transmitido e utilizado para algum fim, nesse sentido as técnicas de manipulação e apresentação da informação são tecnologias também, não apenas os aparelhos ou mídias em que aparecem.
              Quem trabalha com textos escritos ou visuais aprende bastante sobre os usos das tecnologias de informação para poder fazer melhor o seu trabalho, mas para o público em geral muitas coisas passam despercebidas e apenas os efeitos são sentidos. Há os que dizem que é possível através do conhecimento das técnicas envolvidas ficar vacinado contra a manipulação, não acredito nisso, embora concorde que é possível tornar mais difícil que os efeitos sejam sentidos quando se conhece os mecanismos que os produzem, algo como perder a encanto pela mágica quando se sabe como o mágico consegue ludibriar a plateia, mesmo que não se perceba o truque durante a sua apresentação.
              Esse também é um assunto polêmico, mas como todos do gênero é interessante poder ser discutido, afinal o objetivo verdadeiro e necessário da polêmica é justamente provocar um debate racional e saudável. Mas quando a ferramenta é usada para outros fins que não os quais foi criada para executar ocorre o que podemos chamar de deturpação de propósitos. E é o que tenho observado muito em relação a ferramenta da polêmica.
              Recentemente houve uma grande polêmica sobre a Pós-Verdade, um neologismo criado para as situações em que se nega veementemente uma verdade consensual com o uso de uma interpretação amplamente divulgada apoiada em fatos selecionados especialmente para reforçar a interpretação dada, recortes da verdade realinhados em uma sequência que parece ser verdadeira, mas não é. Apesar de ainda amplamente usada, a pós-verdade tem sido ridicularizada e denunciada de diversas formas, reduzindo o seu efeito danoso, mas não eliminando-o. O problema é que todo vírus não tratado até o extermínio, adapta-se ao remédio e fica mais forte. É o que aconteceu quando a pós-verdade se fundiu com a polêmica.
              Basta uma rápida olhada nas redes sociais e poderá ser constatado que as postagens mais comentadas são aquelas que envolvem algum tipo de polêmica, mobilizando exércitos de defensores e detratores com a mesma paixão. Espere, paixão e polêmica não combinam por um pressuposto básico que tudo que é feito emocionalmente exclui automaticamente um raciocínio lógico e deforma a argumentação, certo? A menos que esse seja o efeito desejado, utilizado com habilidade na construção da polêmica para alcançar o seu objetivo.
              E a polêmica apaixonada tem invadido as redes com todo tipo de objetivo manipulatório, desde a venda de um livro porque supostamente houve um engodo prévio, até a desautorização de instituições por conta de situações polêmicas habilmente trabalhadas para confundir. Tenho visto desde vídeos editados para apresentar uma posição que parece contrária a uma determinada pessoa, até recortes de cenas apresentados para embasar teses polêmicas em si mesmas. O que é direito? O que é arte? O que é ético? Tudo pode virar polêmica e ser apresentado com o viés necessário através da junção da pós-verdade com a paixão polêmica.
              Ah, mas isso é bom, as pessoas estão falando mais sobre as questões apresentadas. Estão falando mais de política, estabelecendo limites éticos, questionando as instituições, etc. Será? A que preço isso vem sendo feito e com qual objetivo?
              Recentemente vi um vídeo claramente manipulado sobre um possível candidato a presidência do Brasil que supostamente teria o efeito de validar a sua inadequação e demonstrar a falta de caráter e qualificação para o cargo. Mas será que é esse o objetivo? Ou será que a exibição obvia da manipulação não deixa a dúvida sobre todos os outros fatos levantados? Aquilo que poderia comprovar a inadequação pode ter o efeito inverso de criar uma dúvida sobre um (já declarado anteriormente) ataque desleal contra alguém que, até prova em contrário, é inocente e está sendo perseguido de forma abjeta, desprezível, provocando a simpatia pelo ofendido e não a aversão.
              A desconstrução de argumentações de algumas instituições e suas resoluções apresentadas sem um cuidado (ou com um cuidado específico?) pode desautorizar qualquer resolução justificada e enfraquecer todo um conjunto a partir de uma falha ocasional. É como construir uma lógica tendenciosa a partir de recortes que validem a teoria ou a condenem de vez. Alguém poderia dizer que aviões não podem voar porque maças caem das arvores, por exemplo, ou que não se deve dar tratamento humanitário para pessoas que matam e assassinos deveriam ser mortos para evitar que matassem novamente, mas quem seria o carrasco assassino final? Ou há justificativa para alguns assassinatos e outros não?
              A deturpação de argumentos contrapostos por recortes polêmicos se tornou a maior e mais eficiente ferramenta da pós-verdade, utilizando as paixões e os medos inconscientes de forma eficiente para criar um efeito amplificador que corrompe efetivamente qualquer projeto racional de um debate. Não dá para argumentar contra algo que, deslocado do contexto, é apresentado como argumento, ainda mais se dentro do contexto original teria o efeito oposto. Se alguém é a favor de algo em uma situação, fica automaticamente proibida de ser contra outra situação similar, mas com significantes diferentes, ou vice e versa.
              Se digo que gosto de bananas, como ser contra bananada ou a fruta junto com a comida, por exemplo? Não disse que gosta de bananas? Então vai ter que gostar de banana em qualquer contexto ou está sendo hipócrita. Fica automaticamente obrigado a gostar de banana com arroz e feijão, ou com aveia, ou feita em doce, ou temperada com sal e pimenta, ou... Pois é, dessa mesma forma que as polêmicas estão sendo tratadas, em uma cortina de desinformação apaixonada de pós-verdades que tem por único objetivo possível a manipulação subvertida de racionalidades e sentimentos para atingir um objetivo particular inconfessável.

              A diferença entre remédio e veneno é uma questão de dose correta e intencionalidade. E parece que, cada dia mais, aqueles que tem o conhecimento das ferramentas da informação as usam para seus fins particulares das mais variadas formas, sem qualquer apego pela ética ou preocupação com o coletivo. E se a informação pode ser manipulada dessa forma negativa, a única solução possível para impedir ou minimizar seus efeitos danosos continua sendo mais informação, mais transparência, mais criatividade na solução do problema que afeta a todos nós, mesmo que estejamos cientes disso, pois não há vacina possível para impedir a doença, mas há tratamento. E se não concorda com isso, apresente-me seus argumentos sem paixão e estarei disposto a conversar sobre isso porque adoro boas polêmicas, feitas da forma correta.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Comunicado Importante - Danny Marks


Olá leitores do Retratos da Mente, devem ter percebido que houve um decréscimo de postagens no blog, além de alterações recentes. A questão é que tenho que fazer uma escolha séria. Ou reformulo completamente as estratégias em relação a minha carreira como um escritor profissional, ou vou ter que abandonar completamente essa ideia e pensar em algo completamente diferente.
Venho falando há algum tempo sobre o mercado literário brasileiro e suas crises, então não há o que estranhar quando editoras, livrarias, escritores, etc resolvem encerrar suas atividades e partir para novos rumos. Tenho observado diversos autores nacionais terem sérias dificuldades, enquanto outros assumem os postos. Tenho visto modelos antigos (e ruins) de publicação retornando, outros modelos sendo criados, mas ainda é visível e incontestável que no Brasil, só fica famoso quem é famoso, só ganha dinheiro quem tem dinheiro (as exceções ilícitas não vou considerar, estou falando de um trabalho honesto, dentro das regras), salvo raras exceções que as mídias adoram apontar como "cases de sucesso", mas cá entre nós, desde o século passado quando estudei administração, venho dizendo que exceção não é regra e essa conversa de que "o cara fez, então você também pode" é balela de auto-ajuda e (muitas vezes) armadilhas de mal intencionados. Alguém conseguir fazer só demonstra que é possível, mas não significa que a regra está estabelecida.
O que vale, em termos de negócio, é criar uma estratégia solida com base em um estudo prolongado, levando em conta os recursos disponíveis e com um bom plano de contingência para o caso de imprevistos ocorrerem. Em outras palavra, vai na fé e se der tudo errado, reza em dobro. 

Brincadeira, mas não se pode negar que mesmo uma estratégia muito bem elaborada pode esbarrar em imprevistos que podem derrubar todo o esquema, enquanto um improviso pode acabar encontrando um meio favorável e dar muito certo, por algum tempo. Um bom administrador tem que levar em consideração todas as variáveis e sempre ter um plano B na manga para o caso dos imprevistos serem desfavoráveis, ou até mesmo para dar tudo mais certo do que previsto (sim, isso pode ser um problema, porque rapidamente cria uma expectativa que pode ou não ser cumprida e precisa de uma análise rápida para saber se é uma tendencia ou uma "moda" que logo vai desaparecer). Prever e planejar no curto, médio e longo prazo em tempo real e durante todo o processo, é a marca de um bom administrador. 
Infelizmente, sou melhor escritor que administrador, mas atualmente para ser escritor tem que ser administrador, relações públicas, marketeiro, agente cultural, ativista social, historiador, psicólogo, político, empreendedor, sociólogo, filósofo, e por ai vai. Além de ter que dominar as técnicas de escrita e arrumar algum tempo para pesquisar os temas a serem trabalhados. Ser rico ajuda bastante, pode contratar uma equipe para fazer todos os trabalhos e se dedicar a essência da escrita que é, acreditem, escrever!!! Ser famoso também ajuda, porque pode captar investidores ricos e eles contratam as equipes. Quando não se é nem rico, nem famoso, então... você tem que dar um jeito de fazer as coisas darem certo por outros caminhos mais difíceis (nem preciso falar qual é o meu caso).

Não sei se felizmente ou infelizmente (não há consenso nem entre os poucos adversários que tive ao longo da vida) sou uma pessoa teimosa e inteligente, dotado de criatividade dita acima da média (Já ouviram a minha frase que Criatividade é o meu negócio? Pois é...) e sempre que esbarro em um problema estudo todos os ângulos, testo possibilidades, analiso resultados, crio estratégias e, na maioria das vezes, consigo superar de alguma forma (com a ajuda de amigos, sempre fica mais fácil). Não a toa que o lema do meu grupo de estudos misticos, que ajudei a montar e presidi por vários anos, era "Fazemos o possível hoje, e o impossível amanhã".
Ok, onde quero chegar com tudo isso? Que estou decidido a fazer a maior (e talvez a última) aposta da minha vida, me tornar um escritor mundialmente famoso e (de preferência) rico. Para tanto vou reformular completamente as estratégias, mobilizar meus amigos, leitores, colegas, incentivadores, apoiadores, etc em uma grande aventura que pode mudar completamente os rumos da história do mercado de livros brasileiros e a própria literatura nacional. 

Achou ambiciosa a proposta? Claro que é, sempre pense grande quando traçar os seus objetivos, depois pense nos pequenos detalhes que serão sua escada para alcança-lo. Dessa forma não será surpreendido por nenhum dos fatores que possam aparecer, nem mesmo o sucesso da empreitada (é, tem gente que não sabe o que fazer quando consegue um sucesso depois de ter batalhado muito, já deve ter ouvido histórias verídicas a respeito).
Como mudaria a história do mercado de livros nacionais? Simples, porque nunca deixo de pensar no crescimento dos que estão lutando ao meu lado. Essa é a marca da minha trajetória até agora e vai continuar sendo. Crescemos juntos, para crescer melhor, abrimos caminhos para que todos possam passar e ver novos horizontes. O mercado de livros no Brasil sempre foi um mercado de nichos, falar em crise é até ridículo nesse contexto, mas pretendo mudar isso. Será um longo percurso até chegar nisso, mas estou acostumado com histórias complexas, sem heróis, sem vilões, apenas pessoas fazendo o que podem para viver um amanhã melhor.
Por isso estou dando um ponto no trabalho deste blog e de outros que participei. Mas não é um ponto final, é apenas o encerramento de uma ideia e a abertura de um novo capítulo que ainda não sei como será exatamente (ainda estou trabalhando nos detalhes), mas que vai seguir um rumo diferente, a começar pela marca Danny Marks, que podem observar encimando esta postagem. 
Podem se preparar para ouvir falar muito dessa marca. Podem se preparar para conhecer o melhor que posso fazer. Meu estilo literário central vai ser a FC & Fantasy, nos moldes clássicos, aqueles que embalaram a minha infância com Arthur Clarck, Isaac Asimov, Poul Andersen, Dean R Koontz, Ray Bradbury, Stephen King, entre outros, mas vou fazer incursões também na Comédia de Costumes, no Horror, no Policial, e pode ser que tudo isso acabe aparecendo em um mesmo lugar, porque a minha literatura pode ter ponto de partida, mas não pretende ter um destino final.
Quer fazer parte desta aventura? Então fique de olho aqui e nos diversos lugares onde se fala de literatura. Procure Danny Marks no Facebook, no Google Plus, na internet. Apoie, divulgue, leia, compartilhe, cresça junto, tenho certeza que vai gostar bastante do que virá. E se quiser falar diretamente comigo, mandar sugestões, pedir explicações, o que quiser (não sei se vou atender a todos os pedidos, mas pode tentar, não?), pode mandar email para dannymarksblog@gmail.com ou aguarde os canais de contato que serão abertos junto com o site que estou desenvolvendo. Venha fazer parte dessa jornada sem herói, mas com uma força imbatível, e que as Estrelas continuem a iluminar os nossos caminhos. Assim será.

Danny Marks
Escritor
15/08/2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Costelas de Salomão – Danny Marks


          Chega o momento em que se tem que mandar as estratégias às favas e rever tudo do zero, e o único momento em que isso acaba acontecendo é quando todas as coisas parecem estar erradas, ao menos para os brasileiros. Temos a cultura (errada) de que “em time que está ganhando não se mexe”, e nisso denota-se dois erros clássicos: 1 – de que tudo funciona como no futebol, com times e torcidas organizadas (às vezes até mais do que os clubes e confederações) e 2 – esquecem que é quando o time está ganhando que há espaço para testar novas possibilidades, não quando está já quase derrotado, no desespero.
          Ok, claro que vou falar (novamente) do “mercado literário brasileiro” que insisto, não existe de fato, sendo mais um “mercado de nichos” que realmente um mercado de livros e, não, não vou apresentar novamente os argumentos a respeito disso. Desta vez vou usar uma estratégia diferente, dissecar o problema por segmentos e apontar onde possam estar soluções. É claro que não sei se funcionam, não tenho como testa-las, mas pensem a respeito e me digam, ou não digam, façam.
          Então vamos lá. Em primeiro lugar há na atualidade uma grande reclamação por parte dos segmentos envolvidos nessa crise de que as vendas despencaram, ou nem alavancaram, apesar dos esforços. Sei disso porque tenho contato com várias pessoas do setor e muitos me procuram em busca de soluções, até testei algumas, mas os resultados neste caso sempre são de longo prazo. Qual o problema? O que está havendo? Quem ou o que está provocando isso tudo? É o que pretendo destrinchar neste trabalho.
          Vamos começar pelos autores brasileiros. As perguntas que faço são: Quantos autores brasileiros contemporâneos foram lidos por autores brasileiros? De que tipo? Só os que já foram consagrados? Autores iniciantes com novas propostas? Desses, quantos foram divulgados pelos autores que os leram? Fica difícil querer que haja um mercado quando os próprios agentes do mercado que poderiam se beneficiar mais, agem como se não existisse. Entenda, não existe mercado de UM único produto, há sempre a necessidade de uma variação para gostos, preços, qualidades, etc., e é ISSO que faz com que os segmentos se formem e o mercado se fortaleça.
          Ah, mas autores brasileiros são ruins de se ler. Concordo, em parte, há uma gama imensa de autores que acreditam que basta o talento e tudo se resolve. É como se fosse possível arrancar um diamante da terra e incrusta-lo em um anel e pronto, nenhuma lapidação, nenhuma técnica, só o “natural”. Tentem fazer isso e o mercado de diamantes vai abaixo em pouco tempo. São as técnicas de lapidação que tornam a pedra valiosa, brilhante, eficiente. Então, autores, estudem muito as técnicas, ou guardem o seu talento para si. E, sim, há muitos autores excelentes, embora na maioria das vezes desconhecidos do público e dos próprios autores, então, experimentem, vão se surpreender.
          E nisso chegamos ao segundo segmento envolvido, as editoras. Tudo bem que uma editora precisa vender, mas é preciso ter noção do que será negociado e como. Houve há algum tempo uma enxurrada de editoras que nasciam apenas para vender publicações para autores. Qualquer um podia publicar em um livro solo ou coletânea, bastava pagar e ainda “ganhava” alguns livros que poderia vender e resgatar o dinheiro de volta. Ótimo negócio, se fosse combinado com os russos, no caso os leitores, que foram simplesmente deixados de fora na equação. Quando se tem um produto ruim, pode-se até vender e ter lucro por algum tempo, mas depois o mercado (leitores) reage e exige uma qualidade melhor, haja vista como exemplo as lojas de R$ 1,99 que vendiam qualquer porcaria por um preço baratinho e depois tiveram que subir o preço e a qualidade ou fechar.
          Se as editoras não investem em profissionais de revisão para trabalhar os textos que, invariavelmente vão chegar com erros de todos os tipos (desde estilísticos até gramaticais), vão acabar entregando um produto ruim, defeituoso e vão prejudicar a própria imagem da marca (editora), o que dificulta as vendas posteriores. Pior, se a editora publica qualquer coisa, literalmente falando, acaba criando a imagem negativa de negócio que dificilmente será revertida. Por outro lado, se as editoras investissem em profissionais de revisão, haveria uma demanda maior por cursos do tipo nas escolas, haveria mais profissionais qualificados e uma competição saudável por preços e qualidade do trabalho de revisor que seria benéfico para as editoras e para os autores, que poderiam contratar esses profissionais para auxiliar no processo de depuração do original antes de apresenta-los para as editoras, que então teriam menos trabalho e mais qualidade no material recebido. Não lhe parece um bom negócio?
          Então vamos a outra ponta da equação, as vendas. Sites de publicação há aos montes, mas todos seguem os mesmos padrões. Colocam os títulos, os preços e uma resenha curta (na maioria das vezes feitas pelo próprio autor). Alguns até disponibilizam para os leitores (que compraram) falar algo sobre o livro e dar “estrelinhas”. Sério?! Alguém volta no mercado para dizer “este sabão em pó é excelente, dou cinco estrelinhas para ele” e sai satisfeito de ter dado a sua contribuição para o mercado? O mesmo ocorre com livros, acreditem. Livros são produtos, precisam de estratégias de marketing, de exposição, de incentivos ao público para que falem sobre o produto, de degustação, enfim, todo tipo de coisa que pode alavancar uma venda quando a qualidade é garantida. Querem estimular os leitores (e não apenas os que compraram no site aquele determinado livro) a comentarem sobre? Então ofereçam descontos para quem fizer comentários (sejam quais forem) nos livros apresentados. Ao mesmo tempo que alavancam as vendas do site (no uso dos descontos), fazem com que as pessoas se proponham a comentar sobre o produto oferecido.
          “Ah, mas eu gosto de livro físico, essa coisa de eBook não colou não, me perdoem as arvores”. Ok, em primeiro lugar são dois segmentos não excludentes, ou não deveriam, que exigem estratégias diferenciadas. Um livro impresso que não é exposto, ou fica em uma prateleira na estante do fim da loja, dificilmente vai vender, serão arvores derrubadas inutilmente. Que tal fazer rotatividade nos exemplares apresentados na vitrine? Colocar os menos vendidos e os mais vendidos, lado a lado? Porque, pense bem, quem vai comprar dois exemplares do mesmo livro? A não ser para dar de presente. Então se um livro teve muitas vendas, a probabilidade delas caírem com o tempo é muito maior, e se você volta à mesma vitrine e sempre estão com as mesmas ofertas que, provavelmente, você já tem, qual o interesse em parar para ver novamente? Não seria melhor uma oferta rotativa? Gerar um interesse em buscar aquele livro que viu na vitrine (e não está mais lá) dentro da loja?
          Quanto aos eBooks, eles oferecem a oportunidade de degustação, que pode alavancar a venda do digital (por ser mais barato, e por favor, TEM que ser MUITO mais barato) ou até a do físico, afinal com o preço dos livros é sempre bom poder dar uma olhadinha para ver se é realmente interessante antes de pagar por ele. Então deveria haver estratégias de incentivo a essa degustação, estarem disponíveis INCLUSIVE na livraria física, não apenas nos sites especializados que colocam uma enxurrada de livros de todos os tipos, com filtros que mais embaralham que ajudam. E se há procura por um determinado livro, então ele deve ser disponibilizado o mais rápido possível para o leitor na opção que achar melhor.
          Recentemente me perguntaram qual seria a minha estratégia para fazer uma tarde de autógrafos de um eBook. Achei pertinente a pergunta e a resposta é bem simples, aliás, dou um exemplo de estratégia de mercado. Recentemente comprei um pacote de programas de uma empresa famosa mundialmente. Veio a embalagem e um código que me deu acesso a um site na internet onde pude instalar os programas e usa-los e, veja que interessante, me ofereceram vantagens e ofertas para ampliar ainda mais a experiência, caso estivesse interessado. Então a resposta é simples, em uma tarde de autógrafos de eBooks, poderiam ser autografadas as embalagens com a capa do livro e dentro o código exclusivo para acesso ao conteúdo digital em diversas plataformas, além de poder incluir alguns benefícios exclusivos para quem comprasse naquele evento específico. Teriam algo físico para marcar, guardar e até dar de presente, e não alteraria o valor do produto digital. Poderia haver leituras de trechos do livro junto com o público que poderia acompanhar em seus aparelhos particulares. E por aí vai, as estratégias são ilimitadas quando há criatividade e interesse e, como sempre digo, criatividade é o meu negócio, sou um autor afinal de contas.
          Por fim é preciso combinar com os russos, digo, leitores. Sem isso não há mercado. Como fazer com que o público queira ler mais autores nacionais de qualidade (sim, é preciso que seja oferecido algo bom, do contrário toda a estratégia vira o contrário do que deveria, mas isso já supondo que foram feitos os trabalhos descritos anteriormente aqui mesmo)? Ora, é igual novela, que faz sucesso porque todo mundo comenta. Mesmo quem diz que não gosta, sempre dá uma espiadinha nem que seja para poder entrar naquela conversa em ponto de ônibus, no trabalho, na roda de amigos, nas redes sociais, etc. De que adianta saber de uma coisa fantástica que não se pode comentar com ninguém? Trocar experiências e impressões? A primeira lei de Marketing é sempre a de que um produto só existe se alguém falar sobre ele. Então como fazer isso?
          Caso não tenha percebido, apresentei algumas estratégias nesse sentido ali acima no texto, retorne e leia com mais atenção. Mas não são as únicas, é possível estimular um mercado criando demanda a partir de soluções simples. O mercado da moda cria desfiles, diversas lojas contratam modelos para usarem as roupas que estão acessíveis nas arandelas e as exibem para o público criando o desejo de ficarem parecidos com as belezas que se apresentam. Na literatura deveria haver o mesmo. Bibliotecas deveriam, com o apoio das livrarias e editoras, fazer saraus de leitura de diversos autores contemporâneos. Escolas deveriam promover encontros do tipo, abertos ao público em geral e estimular os alunos a participarem (além de poderem atrair público para os seus cursos).        É preciso desconstruir a coisa de que ler é uma atividade solitária, para poucos e estranhos seres. Sexo é uma atividade intima e, no entanto, todos falam de sexo, todos se interessam por sexo, todos têm seus gostos e preferências e, não, não estou incentivando o sexo em público e coletivo, é apenas um exemplo de que há atividades que são intimas, mas que produzem experiências que podem ser compartilhadas de forma saudável e enriquecedora dentro de grupos com os mesmos interesses, e até abrir possibilidades maiores de experimentação.
          Claro que todas as estratégias apresentadas aqui necessitam de maior elaboração para serem aplicadas, são genéricas por necessidade de espaço e porque também sou um administrador, quem estiver interessado em um estudo mais aprofundado, basta me procurar que negociamos um valor razoável e interessante para ambos. Também sou escritor, professor de técnicas discursivas e leitor, então todas as estratégias para melhorar o mercado me interessam de diversas formas. Além disso acredito que, ou se perde tempo dizendo como as coisas estão ruins, ou se ganha tempo resolvendo a situação.

          Gostou? Detestou? Não se cale, compartilhe o texto com todos os seus conhecidos e amigos, reflitam em conjunto sobre o que foi apresentado e me incluam no debate, se possível; tenho o maior interesse em ouvir o que tenham a dizer a respeito. Afinal, crítica é algo bom, mesmo sendo desagradável de se ler, porque nos ajuda a entender como os leitores estão recebendo o que produzimos e podemos melhorar o que está ruim e aprimorar ainda mais o que está bom. E, me perdoem os que pretendem ser autores, se não concordam com o que foi dito neste último parágrafo, talvez seja melhor investir em outra profissão. Dizem que a de político está em alta, e não precisa nem dar bola para o eleitorado o tempo inteiro, só contratar bons marqueteiros na hora da campanha. Como não tenho estofo para política, então vou continuar como escritor mesmo, e que venham os comentários. Estou aguardando você.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Uma Sombra Passou por Aqui – Danny Marks


          Eu sou fã de Ray Bradbury desde que li O Homem Tatuado na infância, uma edição pocket emprestada da biblioteca volante. Devolvi o livro, mas não as histórias que continuaram comigo até hoje. Li outros livros dele, com histórias até mais sombrias e fascinantes. Acho que meu demônio pessoal gosta desses contos sombrios.
           A questão é que, em muitos momentos, histórias antigas parecem sair dos livros e ganhar a realidade, fantasmas e monstros se tornam mais reais e assustadores que as imaginações, ou a generosidade dos autores, permitiram que fossem descritas. E o mundo se torna sombrio, frio e implacável.
          Tenho escrito muito sobre literatura, sobre política, sobre o mercado de nichos literários brasileiro e suas crises. Nas redes sociais recentemente comentei sobre minha decepção com mais um filme adaptado dos quadrinhos, a Mulher Maravilha, que me pareceu uma visão machista de como seria uma “mulher forte”, com estereótipos em vários níveis.
          É possível para um homem entender o Feminino. Um homem, Freud, foi quem cunhou o termo e o descreveu inicialmente em sua conferência XXIII. Escrevi sobre o termo destacando-o na obra poética de Carlos Drummond de Andrade, outro homem. Então, posso afirmar com toda convicção de que é possível para um homem entender um personagem complexo como a Mulher Maravilha, princesa das Amazonas, na ilha fictícia de Themyscira, a “Ilha Paraíso”. Por que isso não foi feito?
          Ok, não vou entrar no mérito de adaptar um personagem antigo e complexo de uma mídia HQ para outra, a tela do cinema, ainda mais quando há inúmeras controvérsias a respeito das características do personagem, mas uma coisa não pode ser deixada de lado em nenhum tipo de história, independente da mídia onde se apresenta: a coerência. Se vamos falar de uma princesa guerreira, de um lugar onde foi a única criança em séculos, governado por mulheres guerreiras, o mínimo que se pode ter como base argumentativa é um profundo conhecimento do que é o Feminino, suas fraquezas e forças. E isso foi realmente desconsiderado, na minha opinião.
          Mas, antes de me considerar definitivamente um homem velho e chato que escreve histórias e tem uma visão pessoal crítica sobre todas as coisas, tenho que dizer que, dentro do cenário global, há uma boa justificativa para coisas ruins, ou não tão boas quanto o esperado, como o filme, o mercado literário e até mesmo (por que não dizer) a política.
          O que essas coisas todas têm em comum? Ora, me perdoe se não entendeu ainda, mas tratam-se de construções da mente humana. A política é, por definição, a arte de conviver em grupos (humanos) e nasceu da necessidade de criar regras de mediação para evitar que os indivíduos se exterminassem em guerras (outra criação humana) sem fim. O mercado literário é a forma criada para propagar com rapidez e eficiência as histórias desenvolvidas a partir da realidade e ampliadas por conceitos morais e filosóficos pela lente da imaginação. As adaptações das mídias só permitem que mais pessoas tenham acesso aos conteúdos criados para orientar e divertir as pessoas.
          Portanto, por serem criações humanas, possuem toda a grandiosidade bipolar que a mente humana pode alcançar através das suas construções. Tanto o luminoso raiar da esperança e da bondade, quanto o sombrio exaltar da guerra e da crueldade. Humanos podem criar em suas mentes e realidades, tanto deuses sábios e generosos, quanto demônios inteligentes e cruéis. E isso tem o seu lugar no mundo porque são visões interpretativas da vida, que não é sábia nem generosa, ou cruel e ardilosa. A vida é apenas um fato complexo que se extingue para o indivíduo quando sua trajetória termina, mas não para os que assistem a esse fim e o temem acima de tudo.
          Recentemente vi uma crítica ao meu livro O Jogo, de que era para nerds, que era para pessoas “cabeça” e coisas do tipo. Me surpreendeu essa visão, talvez provocada pela minha própria exposição do trabalho, onde falo das elaboradas técnicas utilizadas para permitir uma experiência sem par no leitor que pode ler em diversas camadas os conteúdos que estão lá, mas se fecham realmente nos conhecimentos e vivências do leitor. Não há uma “leitura” final do livro, a história se adapta ao leitor e busca satisfaze-lo (ou seria uma péssima história) dentro do que ele almeja encontrar. Portanto, não há como errar na interpretação, ela é totalmente pessoal e válida. As técnicas elaboradas são justamente usadas para tornar a leitura fácil, divertida e eficiente.
          Aparentemente não fiz um bom trabalho nisso ou não teria uma crítica do tipo. Ou, mais provavelmente, a pessoa não quis se aventurar porque se sentiu intimidada a ler algo “complexo”. Estranho? Não, absolutamente, pelo contrário, mais comum do que se possa imaginar. Subestimamos nossa capacidade de compreensão e a ajustamos ao que acreditamos ter, não o inverso, que seria mais eficiente e verdadeiro. Reduzir ao mínimo denominador comum é uma prática que, fora do universo da matemática, se torna perigosa.
          O perigo consiste em tentar incluir a todos esquecendo que há um percurso para retornar, ou o que poderia ser enriquecedor e resolver a equação, se torna uma decadência. Imagine se as empresas de tecnologia resolvessem que deveriam fazer as coisas tão mais simples que qualquer pessoa, em qualquer idade pudesse entender. Há dois caminhos possíveis aqui.
          Em um deles, teríamos o decréscimo da tecnologia aos níveis pré-históricos, compreensíveis tanto aos que viveram e usaram essas tecnologias na sua nascente, quanto todos os outros que vieram depois. Outro seria fazer com que as pessoas aprendam ao menos o funcionamento elementar para então descobrirem as possibilidades maiores. Assim vemos idosos dominando smartphones e internet, melhor que muitos jovens, e não as pessoas se reunindo em cavernas ao redor de fogueiras enquanto alguns pintam paredes.
          Calma, não me perdi na minha argumentação. Estou apenas citando exemplos que a embasam para demonstrar que a generalização é boa, se o objetivo dela for encontrar um ponto de partida para algo melhor, ou péssima quando a colocamos como um ponto final, reducionista, que é o que tem se tornado um padrão cada vez mais estabelecido e perigoso.
          Reduzimos o nível do ensino porque nem todos alunos estão acompanhando e é preciso inclui-los. Mas não fazemos com que esses alunos inclusivos possam alcançar o seu melhor potencial, porque é mais fácil para todos se as coisas forem simplificadas. Mais fácil, porém não o melhor. Reduzimos as expectativas para atender a todos, e cada vez temos menos expectativas, porque ninguém quer se aventurar no difícil se basta o fácil. Até que não basta mais.
          Um filme para vender tem que ser bem raso, para atender a todos os públicos e conseguir maior proporção do público. Mas perde público porque as pessoas ficam entediadas e passam a não querer ir assistir filmes tolos com personagens rasos. Mas isso ajudaria um monte de gente! Gritam os defensores da inclusão. Mais pessoas poderiam assistir, entender, escrever e produzir esses filmes. Ok, para isso é que existem as classificações, os segmentos. Uma escada não é feita de um único degrau e até mesmo rampas tem que ter em sua ideia básica a de que haverá um esforço na ascensão e isso deve ser levado em consideração em seu projeto. Do contrário, teríamos que reduzir tudo ao mesmo plano, acessível a todos com facilidade.
          Quando eliminamos pela generalização a possibilidade de começar de algum lugar para chegar acima do estado anterior, extinguimos perigosamente o motor da evolução, o desafio sustentável, aquele que nos permite ser melhores e maiores do que quando iniciamos a jornada. A vida exige um crescimento antes da decadência, que virá com toda certeza, mas que produzirá um efeito benéfico nas próximas gerações. Do contrário seriamos imortais e eternos, porque o que já somos nos bastaria, no entanto, a vida nos ensina que os progressos de uma geração devem necessariamente ser superados pela geração seguinte que se apoia nos progressos anteriores para ir mais além e garantir a sobrevivência da espécie e a evolução, sob pena de decairmos até a extinção.
          Dizer que todos os políticos são iguais, é negar que haja uma possibilidade de progresso, que a corrupção é imbatível e estamos todos fadados a morrer em uma guerra bárbara que se torna inevitável, porque não há políticos capazes de mediar os conflitos. Dizer que o mercado literário tem que atender a todos de uma forma igual é negar ao público algo melhor, apresentar como iguais tanto os autores que se especializam no seu trabalho, com os que apenas sabem juntar palavras e convencer as pessoas de que escrevem.
          Acredito que se Ray Bradbury, entre outros gênios da literatura mundial, tivessem nascido hoje, jamais conseguiriam o sucesso, porque são difíceis demais para entender, não tinham público, e não teriam porque ninguém falaria deles para não ofender os que não conseguiam compreender a profundidade dos seus textos. Reduziríamos os mercados de nichos ao grupo em torno da fogueira, e adaptaríamos as histórias ao grupo, como bardos da idade média.
          Isso até que uma guerra global, provocada por interesses particulares, reduzisse a civilização a um nível geral de entendimento: o de que somos todos animais selvagens com uma capa civilizatória que se baseia na sobrevivência pessoal e apenas nisso. E quando o último homem tombasse, poderíamos retornar ao pó comum com a certeza de que fomos apenas uma sombra que teria passado por aqui sem deixar qualquer rastro ou lastro.

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