terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Dona Amelinha




Acorda e ve um monstro, fica com tanto medo que sai correndo, pega uma marreta pra bater nos vizinhos macumbeiros que fizeram aparecer o monstro no espelho.
Tempo bom era quando podia mandar, fazer e desfazer, enlouquecer os que estavam por perto, fazer ela mesma os trabalhos e despachos .
Hoje é demente e briga pra não sair do hospício porque la fora ...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Narrativas Curtas - Danny Marks




“Vende-se: Sapatos de bebe, nunca usados.”
(Hernest Hemingway)

Esse provavelmente é o mais famoso exemplo de narrativa breve já conhecido. São seis palavras que contam uma história, ou várias, de acordo com o leitor.
Não é uma coisa simples de ser feita, e não se espera que todos os autores tenham essa concisão. O que se deseja é que os textos sejam objetivos e simples, fáceis de entender e com uma elaboração que ultrapasse os limites das palavras.
Um livro se inicia pelo título, se estende pela capa, dedicatória, prefácio e finalmente o conteúdo. Eu me lembro de um livro famoso nos idos de ´70. O título era bem sugestivo, A Vida Sexual do Homem de 60 Anos. Era um livro de aproximadamente 150 páginas. Quando se abria o volume, notava-se que as páginas estavam em branco, exceto a ultima que dizia: “Apresse-se! Escreva suas memórias. Eu não consegui.”
Não me pergunte quem é o autor, dei o livro de presente, mas a advertência tem me perseguido pelos últimos vinte anos. Será o tema de um futuro livro, espero escrever antes dos 60 anos, mas ainda estou recolhendo material.
Esses dois exemplos demonstram como um texto pode ser trabalhado, desde o título até o local onde esse texto será inserido, tudo pode ser elemento do texto e ir além dele na construção da história.
Quando eu digo: Finalmente dormiu, descanse em paz. O que estou fazendo é contando uma historia em cinco palavras, cada uma delas modificando o significado das anteriores, acrescentando e direcionando a imaginação, criando um contato com o leitor e sua capacidade de entender o que esta na mente do autor.
Vejamos um exemplo de uma construção de um microconto e como as palavras o modificam conforme vão sendo acrescidas.
Título: Amor Virtual
Texto: Digite Sexo.
O título e o texto se completam e criam uma história que pode ser ampliada ou modificada: Digite sexo e idade. Fantasie, não minta.
A cada acréscimo o sentido se modifica. No primeiro complemento fica frio, muda o sentido do primeiro termo, no segundo retoma um caminho diferente e modifica o título.
Esse poder de alterar toda uma seqüência, está em cada palavra em um texto, cada vírgula, cada ponto. Brincar com esses elementos é construir formas diferentes de dar uma mensagem que pode ser explicita ou obscura, com múltiplos significados, como na frase: Sorria! A câmera está quebrada.
O motivo para o sorriso pode ser o mais variado. A frase pode ser uma piada, ou o dialogo entre dois bandidos, ou ainda a constatação de uma tragédia. Tudo depende do contexto onde a frase vai ser usada. O que fica claro é que há dois interlocutores, o que manda sorrir e o outro que poderá sorrir, ou não, se for o dono da câmera. Se eu inserir apenas uma palavra, “já”, eu condiciono a frase a uma situação mais específica: Sorria! A câmera JÁ está quebrada. Modifiquei a frase que passa a descrever um ato de vandalismo, no mínimo, com a cumplicidade do outro interlocutor.
É preciso prestar atenção a cada palavra que se insere no texto, de forma que elas cumpram o objetivo de tornar indiscutível a situação, criando, porém, o vínculo mágico entre o leitor e o autor de forma que possam conversar e acompanhar a história que será contada. Então, serão testemunhas oculares do encanto da literatura.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cicatrizes

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Como uma febre que se vai
tu fostes adiante,
como parte um marinheiro,
em busca de outros mares,
matando a fome das gaivotas.

Cá, fiquei!
Perdida na tempestade.
Inerte, medrada, enclausurada...
às precisões ínfimas
de uma dor supliciada...

O amor ruiu.
O coração crespusculou.
A lança trespassou a alma.

O Mar? Ah! O mar!

Nem a fúria oceânica,
afoga na areia
- o rastro dos teus passos.

Não há de ser nada, amor!
- O teu rumo será a minha aurora.

Guardarei esse desabafo
para lê-lo apenas nos momentos em que:

a tua memória
for indiferentemente/ permanente,
- como cicatrizes -
na minha pele tão cansada

ou quando
a sombra no meu leito,
estiver serena e casta,
desconectada à quimera;

findando
à alcova silenciosa;
perfumada de rosas.

(Ana Cristina Souto)

CANTO A CESÁRIA ÉVORA

Quadro: Évora - Templo de Diana (Luiza Caetano)


Passam tão lentas as horas
cheias de minutos descalços
como quem chora na Ilha
um morno canto de Sôdade,

Canto negro, doído
voz - liberdade, autêntico!

escuto-te por entre o vento
árido!quente e verde do Cabo

Mornas e Coladeras
tristes, negras dolentes

Passam tão lentas as horas
do canto que nos encanta

Cesária que não és de Évora
nem tua Ilha é verde

Apenas a tua voz
é quente como a SÔDADE

(Luiza Caetano)


CRAVOS DE ABRIL

Quadro: CARLOTA JOAQUINA E D.JOÃO VI NO JARDIM BOTÂNICO (ACERVO DO MUSEU INTERNACIONAL DE PINTURA DO RIO DE JANEIRO - BRASIL (Luiza Caetano)


Foram Cravos!

Foram Cantos!

Foram abraços, e prantos!

Foram tempos de esperança!

Eram Cravos! Eram Cravos!
cor da nossa emoção

Era o sangue palpitante
voz da nossa razão!

Foram Cravos!
Foram sonhos!
Liberdade em cada rua!

Foram abraços risonhos

que se esqueceram de ser...

Mas,
a luta... meu irmão!
Continua!

Com os cravos ou sem eles
dentro do nosso coração.

(Luiza Caetano)

SOLIDÃO ACOMPANHADA - Luiza Caetano

Quadro: Alfama - Festas Populares de Lisboa (Luiza Caetano)

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Não importa
o nome,
nem o momento.

Para amar
apenas
o sentimento.

Andava cega
pelos caminhos de vento
dormindo
com as gaivotas sem ninho.

À noite
ouvia as cigarras
sem saber que era a tua voz.

Aprendi
a inclemência do amor
escolhi um rio de pedras

sangrei o silencio na dor
da solidão que é
não estarmos sós.

(Luiza Caetano)

RASTO DE ESTRELAS

Quadro: Frida Kahlo (Luiza Caetano)

Assisto ao dobrar dos dias
dentro de cada madrugada,

Sinto a neve
sulcada em meus cabelos,
sorvo a chuva mágoa dos meus olhos
onde os lírios e a esperança
se rasgam em rugas cansadas
de gestos e de nadas.

Invento o dia que não chega
na pura ressonância
do esquecimento.

Órfã do teu sorriso
feito de promessas e de horizontes,
me deixo inesperadamente
apaixonar pelo rasto luminoso
das estrelas.


(Luiza Caetano)


PINTURA QUASE ABSTRACTA

Quadro: Neruda (Luiza Caetano)

Pinto-te
amor
da cor da esperança
que te embala o olhar.

Decoro-te
na minha cama
em
vibrações e solfejos
musicados de vento,

Nela adormeço
a intensidade da fruta
e dos animais em fuga.

Pinto Lírios
nos gemidos da tua voz,
gestos e giestas
rasgando a carne da tela
impiedosamente branca.


Folha a folha
apago os dias
do calendário do tempo.

Invento
uma qualquer eternidade
adormecendo na tua boca
a fome e o pão,
a saudade e o grito

mordidamente
suicidados
em minha garganta.

(Luiza Caetano)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Objetos de Desejo




Tenho que me distanciar. Um pouco mais longe, para ver melhor.
A distância elimina as imperfeições, as coisa ficam melhores, mais agradáveis a todo tipo de olhar.
Nada é o que parece ser, o tempo desmascara, permite conhecer detalhes e imperfeições, só a distância pode fazer com que se retome a beleza perdida.
Me afasto! Me privo do contato direto por opção e por necessidade.
Quanto tempo deve durar o gozo?
Sempre me parece, depois, menor que o tesão que o provocou. E no entanto, durante, se assemelha à eternidade.
Eu cuspiria na eternidade, se não fosse me afogar na minha própria saliva. Gosto amargo de sangue.
Distante olho cada momento como se fosse apenas mais um, não há prazer nisso, só necessidade de seguir adiante, não sei para onde.
Amanhecer, um dia, talvez.
Hoje vejo, perdido no passado, um tempo bom, superado, ultrapassado.
Mentira! Olho de perto e vejo, nada é perfeito! Acúmulo de sensações desvairadas que faço questão de guardar na memória apenas o delírio embriagante de um instante eterno de prazer. E o que resta? Enormes vazios entre um delírio e outro, entorpecido.
A noite é negra, nela ironicamente vivo os meus dias. Até que um dia possa descansar em paz e recordar, nos momentos finais, um tempo que para mim, afinal, terá sido bom.
Por pior que tenha sido para minhas vítimas

Lapidando Textos:


-->
Todo autor sabe que parte do seu inconsciente se projeta na sua obra, mesclando-se ao produto criado, tornando-o único.
Um texto tem por objetivo levar uma mensagem ao leitor. O conteúdo dessa mensagem varia de acordo com a vontade e o momento de quem a produz e se completa naquele que lê.
Essa característica permite a identificação com o autor, cria uma ressonância entre as partes envolvidas e produz a mágica da leitura. Quanto melhor for a mensagem, melhor será a sintonia e mais apreciado será o texto, atingindo o fim para o qual foi produzido.
Porém na escrita, como em outras formas de arte, o inconsciente se manifesta mesmo contra a vontade do autor e pode colocar conteúdos que não fazem parte da mensagem ou até, em alguns casos, suprimir o que deveria estar lá.
Essa falha nem sempre é visualizada pelo autor, pode escapar de várias revisões e criar um ruído na mensagem original prejudicando a sintonia.
Para evitar isso, existem algumas técnicas simples de ser adotadas. Em primeiro lugar, para evitar que a inspiração se perca, deve-se colocar tudo o que vem a mente no papel (ou na tela do editor de textos) sem maiores preocupações, deixando fluir as imagens da forma como elas vem à mente e na seqüência que aparecerem.
Depois de concluída essa fase que eu chamo de Bloco Granítico, passa-se a produção efetiva, que nada mais é do que esculpir a imagem que se tem, nesse bloco inacessível a qualquer outro além daquele que o criou.
Deve-se dar os contornos, criar os traços básicos, o que no texto significa colocar em ordem as seqüências das cenas de forma coerente e que não comprometam o objetivo.
Agora o trabalho parece estar pronto. Já se pode ver a mensagem que desejamos transmitir e é muito comum que o autor visualize sua obra prima nesse esboço.
A mensagem, porém, precisa estar visível a todos, então faz-se necessário o acabamento.
Com cuidado, deve-se ler cada palavra e ver a sua localização na frase de forma a verificar a sonoridade que ela produz. Um texto bem elaborado deve ser uma música para os ouvidos, ter harmonia e ritmo. Um bom artifício é ler em voz alta o que está escrito, ouvir o efeito que se produz. Mesmo em uma leitura silenciosa o leitor ouvirá a sua voz interna, que difere da voz do autor.
Ler em voz alta produz um efeito semelhante ao de outra pessoa lendo. Se houver repetições de som ou dificuldade na leitura a harmonia do texto precisa ser trabalhada.
Outra ponto importante é a repetição de palavras.
É necessário dizer ao leitor quem está falando ou a quem o personagem se dirige em um dialogo, porem deve-se fazê-lo de forma subjetiva, evitando-se os mesmos termos em um espaço pequeno. A repetição cria a sensação de que já leu aquele trecho e a tendência natural é não prestar muita atenção, provocando uma ruptura no fluxo de leitura.
A sequência de apresentação dos argumentos também é importante, deve haver uma descoberta constante, um acréscimo de informações de forma coerente.Por exemplo:
“Amaro Morreu!” No encontro comemorativo será feita leitura do texto, aproveitando que os convidados estarão presentes para prestar suas homenagens ao Julio Antunes, o autor deste famoso livro.
Uma seqüência melhor seria: Haverá um encontro em homenagem ao escritor Julio Antunes com a leitura de um texto do livro “Amaro Morreu!”, para os convidados.
Observe que várias palavras foram suprimidas e a mensagem foi reordenada tornando-se clara.
Um fato a ser destacado é a redundância subjetiva, muitas vezes não percebida claramente. Se o evento é em homenagem a alguém, pressupõe-se homenagens, não sendo necessário reforçar no texto.
É comum que os escritores busquem formas poéticas em seus textos, como:
As lágrimas escorreram dos olhos; O sol surgiu iluminando tudo; Bateu violentamente o punho sobre a mesa; Abriu os olhos e viu o que acontecia.
Lágrimas só podem escorrer dos olhos, o sol sempre ilumina, é impossível bater gentilmente e só com os olhos abertos é que se pode ver.
Ou seja, pode parecer poético, mas é de extremo mau gosto e desnecessário, enfraquecendo a frase.
Outra forma que corrompe o objetivo, sobrepondo camadas desnecessárias, são os adjetivos que em excesso tornam-se um problema:
A rosa de pétalas macias, perfumada com o mais doce odor dos campos, com sua cor vermelha, sensual, era o símbolo perfeitamente talhado desse amor.
Poderia ser dito apenas: A rosa vermelha era o símbolo desse amor. Tudo o mais já implícito na frase, se torna cansativo ao ser lido.
O leitor é carente de novidades, de acréscimos ao seu conhecimento, esse é o motivo de ler a mensagem, e quando há muitas voltas para atingir esse objetivo perde o interesse.
O autor cria para os outros, sua obra tem que se completar naquele que vai ler, e para isso precisa limpar os excessos e criar o efeito desejado. Se esse não for o objetivo, então a obra não é para ser apresentada ao público, devendo ficar restrita a mente de quem a criou, preservada em sua intimidade.
Quando apresentada, a obra deixa de pertencer unicamente ao autor, passando a fazer parte da vida de quem a vê e a interpreta, se for bem elaborada, permanecerá integra; senão, será vista de formas diferentes com efeitos imprevisíveis.
A busca da mensagem perfeita e incorruptível é o objetivo de todo artista e estes são apenas alguns passos nessa jornada sem fim, mas nunca é tarde para se iniciar algo que nos fará melhores.

(Danny Marks)
Figura: O Beijo - Rodhin

Dona Amelinha

Acorda e ve um monstro, fica com tanto medo que sai correndo, pega uma marreta pra bater nos vizinhos macumbeiros que fizeram aparecer o monstro no espelho.
Tempo bom era quando podia mandar, fazer e desfazer, enlouquecer os que estavam por perto, fazer ela mesma os trabalhos e despachos .
Hoje é demente e briga pra não sair do hospício porque la fora ...

(Maria Flávia Hares Fongaro)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Refém da Doce Liberdade


Visto o branco da folha e escrevo com o corpo
O corpo que amo comete sacrilégios
Sou aquela que escreve e te oferta privilégios
Louvores
Meu Senhor
Mesmo povoada cidade vazia pede preces!
Meu amor é oração.
Meu corpo é danação.
Sob teu doce domínio.

Mil demônios
Mil anjos
Não houve salvação.
Flutuei branca-lua e tive essa visão na vigília.
Prenhez que gera a noite,
Sou Lua que ofusca
Na noite que ele me visita.
Às vezes escândalo, eclipse
Soturno
Saturno
Anéis
Tua fala torna a minha voz trêmula,
Corpo-oferenda-escritura
Nome se esgota na tecedura
Envolve-me mais que a pele ao seu pêssego
E assim vibro inteira
De cega pela luminosidade tateio
Sem pressa
Refém da doce liberdade

(Ana Amorim)

Atravessa-me


Fantasia perdida no meu sonho atravessa minhas paredes, pele e poros
Palavras
Sou perdida
Vadia
Cria
Pede mais que lhe dou além
Além da vida e da morte
No momento que ambas se encontram, se eclipsam e confundem
Desveste minha roupa, minha pele
Bebe meu sangue
Que importa morrer de viver.

(Ana Amorim)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Iniciação

Iniciação

Giz de cera - papel canson

25x25

Antes de qualquer coisa quero agradecer ao Danny o convite para postar em seu blog e falando da minha experiência em Arte-Terapia, me dando a oportunidade de contar um pouco sobre o que eu acredito.

Ha 16 anos num processo de revisão de vida e conseqüentemente, de carreira, resolvi que seria importante acoplar à prática médica a arte.

Desde pequena me interesso pelas artes plásticas e música, mas nunca havia pensado que poderia transpor a minha experiência pessoal com a arte na terapia das pessoas.

A prática da dermatologia no dia a dia pode ser muito maçante, a grande parte das queixas estéticas tinham mais relação com as insatisfações pessoais do que com uma mancha, ou uma ruga. Eu estava cansada de ouvir: - "Dra ou a sra tira esta mancha do meu nariz ou eu me mato", ou ainda, - “A sra não conta o creme que usa".

Tomei coragem e comecei um curso de arte-terapia gestáltica e após um ano voltei novamente para a residência médica a fim de me instrumentar melhor para poder atuar como terapeuta.

Eu era dermatologista ha sete anos e para minha família e amigos foi um choque largar uma carreira sólida e começar do zero, mas fui em frente. Não poderia ter feito coisa melhor.

Hoje em dia trabalho com usuários de serviços públicos de saúde mental, portadores de transtornos mentais severos em programas alternativos à internação psiquiátrica (CAPS e Hospital Dia).

É um pouco desta vivência que vou contar aqui pra vocês.
Os trabalhos apresentados são de minha autoria e refletem as minhas idéias.

O salto criativo


O salto criativo

Óleo sobre tela

30x40

O que nos impele a ir em frente?
A qualidade da ruptura inserida no ato de criar.
O imput que inicia o processo é multifatorial, composto por forças internas que convergem, seu efeito vai se perpetuando pelas obras até que se manifeste em toda a sua potência, diminua e se esvazie para dar espaço ao próximo, reciclando a energia em novas obras, como ondas.

Mar - Flávia Fongaro


(Mar) Técnica mista – aguada sobre papel canson
A4

Através da experiência artística é possível dar estes saltos, e é isso que busco no ateliê terapêutico.

Minha experiência tem me ensinado muito, principalmente que o mais importante é abrir as portas da sala e dar condições que o fazer artístico aconteça.

Muitas pessoas perguntam se vou examiná-las ou descobrir seus segredos pelo que expressam nas suas obras.

Eu as asseguro que não e explico que trabalho com a facilitação do processo expressivo e sua realização. A leitura que é feita é puramente formal, isto é, devolve-se para o indivíduo o que ele expressou na forma. Como ocupou os espaços, onde ha mais luz ou peso, a qualidade dos traços e etc.

O conteúdo só é discutido com o sujeito se ele o permite e a partir de suas próprias considerações.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Resenhas de Réquiem para o Natal



Divulgando as Resenhas que fiz para Réquiem para o Natal. Uma visão do que vão encontrar no livro.

O Apartamento 666 – Celso Júnior

Quando a religião se une ao desespero de uma mente doente, o inferno se faz presente.


Carta Atrasada - Felipe Castilho

As vezes, no Natal, um velhinho vestido de vermelho pode realizar mais um pedido que o faz se sentir muito melhor. Dar um presente pode ser, paradoxalmente, receber um presente!


Minino Mau – Marcelo Pirani

Crianças não sabem o que fazem, pelo menos até descobrirem o resultado do que fizeram, então pode ser tarde demais para voltar atrás.


O Sacrifício de Natal – Sóira Celestino

Todos temos desejos secretos. Sonhos, diriam alguns, pesadelos diriam outros, e sempre há a possibilidade deles se realizarem...


O Último Natal - Marcos Carvalho

Algumas pessoas buscam muito mais do que a paz no Natal, elas buscam o calor que essa data pode proporcionar. Algumas buscam um calor infernal...


Cai o Véu – Juliana Vermelho Martins

Em uma noite em que tudo deveria estar em ordem, o espírito de natal invade a casa, e as coisas nunca mais serão as mesmas.


Labirinto Branco – Chico Anes

Tradições, elas procuram nos mostrar o caminho para longe do perigo, são como um fio desenrolado em um labirinto. Melhor não abandonar as tradições, pode ser o último erro de sua vida.


A Ceia Inesperada – Claudia Finamore

A família reunida, os novos tempos e as lembranças de outros natais. Meia Noite é hora de fazer um pedido ao Papai Noel, mas se ele não existe, não é? Então quem vai atender o pedido?


O Bom Velhinho e suas Tradições – Franklin César Flores

Algumas tradições são bem antigas, de um tempo que as coisas eram diferentes. Mas isso não impede que as pessoas continuem a segui-las ano após ano, com seus segredos especiais.


Em Família – Danny Marks

Na época de natal é preciso passar por cima de todas as desavenças, todos os erros e enganos e perdoar o passado para que se possa ter verdadeiramente uma ceia em família.


Doce Presente – Andréa Cisne

Natal doce festa para aqueles que desejam uma vida feliz, ainda que seja uma vida eterna.


Uma Bola de Vidro Natalina para não refletir – Bianca Fiorentino

Um sentimento de solidão invade as pessoas em certas épocas, uma vontade imensa de estar com os seus, sua família. Não importa que tipo de família se tenha.


Surpresa de Natal – Patrícia Martinuzzo

Uma caixa, um simples embrulho enfeitado pode conter qualquer tipo de surpresa. Algumas pessoas simplesmente odeiam ser surpreendidas.


Santa Ceia – Ricardo Delfin

Natal é uma época de doar-se. O melhor de si para os que amamos. O ponto alto é sempre a entrega de presentes e a Santa Ceia onde o espírito natalino se faz presente em carne e sangue.


O Natal de Plínio – Leonardo Grasel

Um saco de veludo às costas na noite de natal, o vermelho sangue a tingir as casas onde os presentes eram deixados. Até que Plínio decide que já era hora de se fazer presente e tornar o natal muito mais interessante.


Um Papai Noel – Alana Félix

Existem pessoas que não acreditam em Papai Noel, não prezam o espírito natalino, e isso não faz nenhum bem a elas, nem aos que a cercam. Mas o bom velhinho não esquece...


Espírito de Natal – Maiara Siqueira de Souza

Qual criança não sonhou em tirar uma foto de Papai Noel entregando os presentes na noite de natal. Às vezes os sonhos se tornam verdadeiros pesadelos...


Anno Domini – Dominic

O pinheiro, a reunião das pessoas, o porco sobre a mesa, o vento frio e cortante, a dor...

O que te faz vivo no Natal? O que te faz sentir a felicidade?


Pa-pai Noel – Alexandre Matheus Bliska

Ano após, ano, uma esperança que vai se estendendo, se esfarrapando, se desgastando até o duro choque de uma realidade fria e dura como o aço cortante


A Magia do Natal – Cavanhasogarotoantigo

Todas as criaturas sentem fome, algumas se alimentam na curiosidade alheia...


A Árvore dos Malditos – Ronaldo Luiz Souza

Escondido em algum lugar, uma cerimônia festeja o nascimento de mais um demônio. Onde há luz, sempre haverá sombras a serem projetadas.


Violentando Dorothy – Silvio Oliveira

Toda família tem seus problemas, e é no seio da família que eles acabam sendo resolvidos.


O Natal de Cindy – Marcos T. Nogueira

A curiosidade infantil é grande, pode levar à desobediência da ordem clara e direta dos pais e expor os pequeninos à surpresas que jamais esquecerão.


Neve Rubra – Rúbia Cunha

Alice não queria dormir, ela sabia o que poderia acontecer se dormisse, mas os pais a obrigaram a isso. Eles a obrigaram...


Presente de Natal – Bettina Stingelin

Laços vermelhos bem apertados a envolver os presentes em volta da árvore, mas não apenas eles...


Natal Insone – Gil Piva

Noites sem dormir, um ultimo trago, e a companhia dos amigos para a ceia final...


Sangue e Neve – O. A. Secatto

Todo ano ele volta, entrando pelas chaminés e nas casas onde é convidado. Ele vai voltar novamente para buscar o que lhe pertence...


Ressurreição – Leandro Moura

Muitos festejam no natal, nem sempre os motivos são os mesmos. A luz comemora o seu nascimento e as trevas a sua morte.


Curiosidade Natalina – Lucas de Oliveira

A certeza é uma coisa boa, permite avançar em quase todos os lugares, exceto na dúvida. Esse nevoento território da dúvida abriga criaturas que a curiosidade não deveria revelar.


Goles de Noel – Carlos Santana Silva Júnior, Iraní da Silva Moraes, Jairo Rodrigues da Silva

Tradições, uma ceia com muita carne e grandes goles de Noel


Isto não é um conto de Natal – André L. Pavesi

Noite de Natal, o encontro de dois velhos amigos que tornaram-se distantes pelas escolhas que fizeram. Mas sempre há uma oportunidade de mudar as coisas.


Uma Visita de Natal – Rodrigo da Rocha Jorge

Uma noite de tempestade, e um estranho entra em sua casa. O que há verdadeiramente dentro daquele saco vermelho?


O Encanto de Noel – Cristiane Urbinatti

Estar no colo de Noel é um encanto que toda criança almeja em algum momento de sua vida. Até que esse encantamento se torna real.


Noite Felina – Rafael Jordan

O que se pode dar de presente de natal? Uma vingança, talvez, porque não?


Presente de Morte – Lino França Jr

Não é bom aceitar presentes de desconhecidos, nunca se sabe o que eles carregam em seu interior.


A Face Encoberta do Natal – Jéssica Bessa

Noite, o território onde os sonhos proliferam, as mentes mais imaginativas se libertam e as sombras ganham vida. O lado sombrio da noite é o pesadelo que se alimenta da vida.


A Véspera – Rafael Araújo

Existe uma crueldade no medo que se provoca nos outros, mas o medo pode ser um fator de sobrevivência também.


Teatro de Bonecos – Caroline R. Neves

Teatro de bonecos é um divertimento que as pessoas gostam de ver. Os bonecos parecem ter vida própria e independência. Talvez tenham.


Critóvão – Tales de Azevedo

O pequeno Cristóvão precisava de toda proteção que poderia ter, e sua mãe faria tudo o que pudesse para dar a todos o que mereciam.


O Vaqueiro Destoado – Félix Maranganha

Em algumas festas determinadas pessoas não são convidadas. Mas elas entram mesmo assim, e sempre causam uma certa agitação.


O Messias – Dalva Contar

Musica, bonecos, enfeites, muitas luzes e efeitos especiais para tornar a festa verdadeiramente inesquecível, para os sobreviventes.


Cantiga de Natal – Rafael Quintanilha

Então é natal, e as pessoas revelam o que trazem dentro de si...


Filho do Medo – Cláudio Alecrim

Algumas crianças sabem que encontrarão surpresas nas árvores de natal. Elas não estão apenas lá, presentes de Papai Noel.


Casa do Senhor – Monica Sicuro

Uma Casa precisa de um senhor que usufrua de seus benefícios. A casa dos sonhos de alguns e dos pesadelos de outros.


domingo, 23 de novembro de 2008

AGONIA – Ana Barreto


Deus, é tão tarde!
Quem ouve agora o meu grito de saudade?
Quem lhe falará da minha agonia
Que torturava a cada vez que você partia?
Quem lhe confidenciará os meus medos
Aos ouvidos em segredos
Quem lhe dirá dos meus receios
E dos incontáveis anseios
Que jamais lhe confessei?
Quem lhe dirá dessa espera
Dessa secreta quimera
Das coisas que calada lhe peço
Ao escrever cada verso
Que você jamais vai ver...

ADORANDO O AMOR – Ana Barreto

Meu amor não me dá as respostas
Quando as quero
E de repente me diz tudo
Quando menos eu espero
E em retribuição
Os sentidos lhe darão
O que meus sentimentos
Já lhe deram
A certeza de que o quero
Morando dentro de mim.
Nos desfrutamos, amor
E por pensamentos somos governados
E a raiz deles, sua fonte de calor
É nosso desejo acalantado,
Nosso voraz ensejo
Nossa sede de beijo
Nossa ânsia de carinho
Nossa carência de um ninho
Construído no corpo do outro.
Nos apegamos assim
Ao que o amor dá a você
Ao que o amor dá a mim,
Cumplicidade e felicidade
E essa é a nossa verdade
E somos felizes assim
Esperando
Cultivando
Namorando
Adorando o amor
E o que ele nos dará, enfim.

ACORDO – Ana Barreto




Apenas quando o silêncio se fizer ouvir
Te deixarei entrar.
Em minha casa, em meu quarto, aqui dentro!
Quero sentir teu desejo
Desnuda-me com teu beijo
O mais louco que guardou pra mim!

Apenas quando as flores esconderem seus perfumes
Me permitirei te provar.
Invadindo teu espaço despertando teus sentidos
A tua pele, o teu gemido
O teu grito permitido
Aquele que a tua boca não consegue sufocar!

Apenas quando a minha boca esquecer o teu sabor
Me deixarei ficar
Sem os anseios que tu ousas despertar
Meu coração audaz, acelerado
Meu desejo contumaz, enamorado
Tudo que sou perto de ti!

Apenas quando a Lua não mais brilhar
E o Sol abrir mão do seu calor
Te deixarei partir
E entre desejo e saciedade
Viverei minha saudade
Dormirei com minha dor.

ABENÇOADOS – Ana Barreto


Nada desfará o que temos
Esse encantamento de almas
Que do nada, sem esperar
Se reconhecem metades
E não se permitem separar.
Nada desfará a mágica fome do beijo
Nossos corpos abrasados de desejo
O calor a despeito do frio
A alegria se sobrepondo às dores
A forma como os nossos amores
Preenchem o que antes era vazio.
Declaro que te amo
E não temo o engano
Pois sondei tua alma
E o que vi foi luz
Desejo que me seduz
Entrega que me acalma.
Sou tua e tu és meu
E é no teu amor que me abrigo
E te sentindo aqui
Em mim abraçado
Sei que nada será um perigo.

A DOR QUE DÓI – Ana Barreto


A dor que dói não é aquela contundente
Aquela que me faz carente
De um afago,
De um beijo teu...
A dor que dói é a da faca cortante
Do silêncio repousante
Em que tu
Optaste descansar...
A dor que dói é a dor de te ver refeito
Enquanto eu vejo meu mundo desfeito
Eternamente
A te esperar...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Desconstrução - Márcia Buhrer


Esta tela eu comecei no auge de uma desconstrução, de uma crise geral em toda minha vida,no esboço não haviam as páginas sendo viradas, mas a medida que fui pintando fui me reconstruindo e daí elas surgiram. A cor fria (verde)como fundo, e um leve tom quente(amarelo) da camisa também tem o significado de sobrevivência (este verde é feito a partir de preto, amarelo e branco).

(Márcia Buhrer)

Copo Roubado à Fonte - Danny Marks


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Estavam os familiares reunidos para leitura do testamento do famoso inventor Crisóstomo Anferes, doze horas após o concorrido funeral.
Única nota destoante era a presença do fiel assistente que o acompanhara desde os tempos ruins de mero laboratorista até depois de ter seu talento reconhecido mundialmente.
O advogado leu pacientemente as clausulas do testamento que distribuía os bens do falecido entre os presentes e recolheu as lamúrias gananciosas dos abutres fantasiados de gala.
Apenas o assistente Fernando Carlos parecia satisfeito com o seu legado: Um laboratório conservado dos tempos ruins, mais por sentimentalismo que por utilidade, e uma pequena soma em dinheiro a titulo de indenização para cada ano trabalhado ao lado do multimilionário que o falecido se tornara. Uma gota sequer notada no oceano de riquezas.
O advogado aproximou-se de Fernando antes que este abandonasse a sala e perguntou-lhe intrigado com tamanha dignidade.
_ Ficou satisfeito com sua parte?
_ Crisóstomo era meu amigo e nunca me deixou faltar nada que necessitasse. Foi um péssimo cientista até o final, mas um gênio nos negócios. Aprendi muito com ele e, afinal, o que foi um copo roubado à fonte? Sim, estou satisfeito com a minha parte e já sei o que fazer daqui para frente.
Um brilho de entendimento surgiu no olhar do advogado.
_ Senhor, acaso precisaria dos serviços de um honesto advogado?
_ Claro meu amigo, um dia também precisarei de um testamenteiro. Porque não começar logo?
Rindo os dois fecharam as portas às hienas que nem perceberam que sua fonte secara.

Memórias, Putas e Palavra Tristes - Danny Marks



Pois se não foi do alto de uma manhã, natimorta, como são todas as dos que se atrevem a corromper o vício da saúde com noites de prazer fugaz, que me descobri sábio.
Já em tenra idade fiz de um plágio um estilo de vida, ao adotar como filosofia uma frase: “Os sábios herdarão a terra, pois quem espera, em Sabedoria sempre alcança”.
Sequer sabia o que faria com o mundo quando o herdasse, mesma forma desconhecia serventia da casa que somente adultos freqüentavam nessa espera, e cujo nome sussurravam com ar travesso: Sabedoria.
Acreditava, então, de pronto responder tais questões, quando sobreviesse idade de em Sabedoria estar, e me resignei a esperar.
Ensaiava constantemente para ser um dos sábios, enquanto idade para tal eu não possuía.
Nos folhetins baratos e em tomos empoeirados de livrarias publicas construía alcovas para meus olhos e para palavras, das quais me enamorara.
Tomava nota desses encontros lascivos no roto caderno carregado qual tesouro artístico, raramente exposto.
Usava minhas amadas em formas diversas, feito peças de brinquedo da criança imberbe, julgando com elas fazer belas construções.
Anos se passaram, sem que a espera me permitisse alcançar o intento parvo a que me dedicava de alma e, quando em vez, de corpo presente.
Foi sem aparato especial ou fanfarra que identifiquei o sortilégio de alcançar pensamento original, nunca antes feito adequadamente, emaranhado que estava nos pensamentos de outrem. E finalmente soube, que era um tolo.
Por me saber tolo em todos os momentos anteriores, me tornei um Sábio.
Em Sabedoria pude entender que minhas belas amadas não passavam de putas tristes. Dançavam diante de meus olhos me servindo da mesma forma que logo estavam servindo a outrem desconhecido.
Éramos, enfim, tolos enganados por essas palavras tristes, putas que eram, a jurar nos pertencerem, quando na verdade as possuíamos apenas por breves instantes de lucidez.
Mas alcançada a sabedoria não há retorno que nos satisfaça. Foi o que as salvou de minha ira imediata e rotunda.
Que se sucederia se houvesse eu descoberto, quando tolo perseguia a dita sabedoria, que viria com a idade? Logo se responde, pois que tolos jamais descobrem traição que possa haver.
Hoje as amo como merecem, como Putas Palavras Tristes de quem, nem eu, nem ninguém, jamais será dono. Essas dóceis servas é que são donas da sabedoria, que desde sempre lhes pertenceu, no mundo que as abriga e embala, e no qual somos apenas convidados, a usufruir seu encanto.
Confesso sem remorso de tempos idos que, hoje sim, sei amá-las muito mais, como merecem.
Minhas dóceis amantes, minhas Putas Palavras Tristes.

Dores de Amor - Jenário de Fátima


Dores de amor é mal que não se evita,
Que não se corta, mal que não se doma.
Quando acontece, rouba, furta, toma
Toda alegria que num peito habita.

A partir dele tudo se conflita.
Tudo embolora, tudo perde o aroma.
Um mal que chega e ao primeiro sintoma
Um caos se desmorona n´alma aflita

Somente o tempo a este mal dá cura,
Mas entrementes, cola em nossos traços,
Profundas rugas, marcas da tortura,

De quando a dor delimitava espaços,
E quando sai deixa a triste figura,
De muitos sonhos feitos aos pedaços.

©Jenário de Fatima

Amores Virtuais - Jenário de Fátima


Não brinque com amores virtuais
Eles são como todos os amores,
Provocam as mesmas mágoas, mesmas dores
Daqueles que chamamos de normais.

Estes porém machucam ainda mais,
Pois nunca se dividem os cobertores,
Dos beijos não se provam os sabores,
Nem vão-se pelos ímpetos carnais.

Mesmo assim, quando este amor se acaba
Os dias perdem o brilho, a alegria,
Parece que ao redor tudo desaba.

E a solidão ao cúmulo se revela;
Chorar-se um frágil amor que só se havia,
Na fina transparência de uma tela.



©Jenário de Fátima

Plágio X Inspiração - Danny Marks


Recentemente o meu amigo, o poeta Jenário de Fátima, que eu tenho o prazer de publicar neste blog, sofreu o triste episódio de ver, novamente, os seus textos plagiados.
Isso me fez retomar a um tema antigo, que autores e amigos muitas vezes me perguntam: Como se defender do Plágio? O que fazer para acabar com essa prática mesquinha?
Existem alguns mecanismos que podem auxiliar a combater o plágio, como, por exemplo, registrar os textos e idéias na Fundação Biblioteca Nacional ( http://www.bn.br/portal/ ) o que garante o direito de processar o plagiador nos conformes da lei.
Claro que fica difícil registrar cada um dos textos que se produz, por isso é comum os autores enviarem para si mesmos cópias dos textos, pelo correio. Basta colocar no envelope uma referência ao conteúdo e mantê-lo fechado, O lacre do correio e a data de postagem são aceitos no tribunal, onde será aberto o envelope, como prova contra o plágio. Assim, reunidos em um volume razoável pode-se formalizar com calma o registro.
Mas o que eu quero falar aqui é sobre o motivo do plágio.
Ao meu ver, o plagiador é alguém que não consegue ser nem um leitor, ou teria o prazer em dizer a todos quais os autores que está lendo e porque. O leitor sente prazer no que lê e quer compartilhar esse prazer com os outros, levar a mensagem do autor a todos os cantos, sendo o arauto desse seu ídolo. E de tanto levar mensagens de sabedoria, acaba absorvendo parte dessa, podendo tornar-se um escritor também. É fato que alguns nascem com um dom inacreditável para escrever, mas é fato que todos podem aprender a se expressar melhor com o estudo e a dedicação necessária.
No princípio, todos somos plagiadores, como a criança que não sabendo ler inventa roteiros para as figuras que vê nas histórias em quadrinhos, ou o estudante que amalgama os seus conhecimentos aos dos mestres do presente e do passado para produzir o seu próprio contexto.
Eu já escrevi textos sobre plágio, como “Memórias, Putas e Palavras Tristes” que escrevi imbuído no espírito do meu adorado escritor Gabriel Garcia Marques, logo após ter lido o divertidíssimo, “Memórias de minhas putas tristes”. O meu título e o estilo do conto é inspirado no livro, embora com um sentido diferente mais vinculado ao conto. Em “Copo roubado à fonte” eu falo de um plágio direto, um verdadeiro roubo de idéias e como a sabedoria da “fonte” soube usufruir desse pequeno delito sem se deixar envenenar.
Exageros ficcionais à parte, acredito que o plágio é capaz de envenenar, se for usado com malícia. Há o plágio inocente, um simples esquecimento de colocar os créditos do autor, ou da inspiração no outro por se sentir-se incapaz de fazer por si só ou porque se amou demais uma idéia que ela passou a nos direcionar por um breve momento.
Mas a fonte não seca se for roubada em um copo, e deve evitar envenenar-se por esse roubo, ao contrário, pode sentir orgulho de poder proporcionar uma parte de si ao mundo, ainda que não da forma como deveria.
Quantos heróis anônimos fazem o bem sem se preocupar em ter o reconhecimento? O mundo torna-se melhor porque eles continuam sendo a fonte benfazeja.
Claro que todos gostamos de ter o justo reconhecimento ao que somos e produzimos, e ele sempre acaba vindo inevitavelmente pois aquele que transborda em criatividade será visto e reconhecido, reduzindo-se o problema ao quando.
Então como evitar o plágio, como evitar que ele envenene a fonte? Como evitar que o reconhecimento justo e correto venha no seu devido tempo?
Divulgando, ensinando a fazer, mostrando o caminho a qualquer um que possa e queira chegar lá pelas próprias pernas e com o próprio esforço.
Eu tenho textos aqui e em vários lugares, públicos, abertos a críticas e ao plágio, porque acredito nas idéias que coloco em palavras, acredito em fazer melhor a cada dia, com a ajuda dos que me apóiam e dos que me criticam, porque os amigos nos ajudam a superar as dificuldades e os adversários nos ajudam a ver onde estamos precisando melhorar.
Um autor tem que estar aberto ao mundo, seja para elogios, seja para critica, seja para ser copiado, com autorização ou não, porque é para o mundo que ele cria, e é no mundo que ele se completa, em cada leitor, em cada pessoa que aprende com ele a se expressar.
Eu espero que os meus leitores se inspirem nos meus textos, seja para produzirem os seus ou apenas para olharem o mundo de forma diferente. Alegra-me os que respeitam os créditos autorais porque demonstram estarem no caminho certo para se tornarem pessoas melhores. Entristece-me os que usam o plágio, porque estes ainda terão muito o que crescer para deixarem de ser crianças tão tristes e vazias.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Réquiem para o Natal



Sinopse:

Natal. Época de paz, amor e fraternidade. Mas não para você. Esqueça-se de tudo que seus pais lhe contaram quando criança e prepare-se para conhecer o lado negro do Natal em 44 histórias sobrenaturais, de suspense e terror. Nada de amor e fraternidade. A única paz que encontrará aqui é a paz eterna. Atreva-se a abrir este presente.

Neste livro Danny Marks apresenta seu conto "Em Família", o seu natal nunca mais será o mesmo depois disso

O lançamento está marcado para 07/12/2008, às 17 horas no espaço WN - http://www.espacown.com.br/

Anno Domini


Uma antologia da Andross Editora, organizada pelos escritores Claudio Brites e Helena Gomes. A obra reune tanto contos ambientados na realidade histórica quanto aqueles passados em universos mágicos inventados pelos próprios autores.

Danny Marks participa com o conto O Príncipe, um conto sobre os jogos de poder e as armas da sobrevivência em um mundo onde os papeis são definidos, mas não definitivos.


para adquirir: dannymarks63@gmail.com

Caminhos do Medo


CAMINHOS DO MEDO – CONTOS SOBRENATURAIS, DE TERROR E DE SUSPENSE
Organizada pelo editor de livros, escritor e roteirista de HQ Edson Rossatto, CAMINHOS DO MEDO reuniu autores de diversas partes do Brasil e seus contos sobrenaturais, de suspense e de terror.

Danny Marks participa desta antologia com “Apenas Árvore”, uma lenda urbana sobre da fictícia cidade de Alamos Valley e sua floresta viva.

Para adquirir este livro: dannymarks63@gmail.com

Paranóia! - Danny Marks




Eles estão por toda parte, em todos os lugares e coisas para onde eu olho. Sempre estiveram.

Eu é que não os via. Até que ele me mostrou.

Mais um cliente para a clínica, coitado, uma vida destroçada, perdeu os laços familiares, perdeu o emprego, perdeu a dignidade, quase perdeu a vida em uma tentativa mal sucedida de suicídio. Quantos eu havia visto assim antes dele?

Tive que conversar com ele, analisar a necessidade de medicação. Um suicida mal sucedido sempre tenta de novo e de novo até que consegue, apenas espera a melhor oportunidade que pode ser a qualquer momento, basta que veja o sinal.

― Não vou me matar, doutor, não preciso mais. Já estou morto.

― Entendo! Se está morto e falando comigo, significa que está em uma nova vida, além da morte então. Pode iniciar uma nova jornada e alcançar os seus objetivos, não é mesmo?

― Que merda, já disse que estou morto, agora é deixar o corpo ir apodrecendo aos poucos e quando os ossos virarem pó, deixar a consciência se esvair de vez. Não percebe que tudo o que sou é apenas uma ficção? Eu não existo, você não existe, nada do que você chama realidade existe. É tudo uma idéia que se perde.

― O que o faz pensar assim? O que aconteceu para que visse o mundo dessa forma? Pode me dizer?

Ele estava tranqüilo, mesmo sem medicamentos, apenas deitado na cama olhando para algum ponto infinito no teto, não me olhava no rosto, como se eu não importasse de fato.

― Eu apenas vi, tive uma revelação!

Droga, mais um viciado que havia visto Deus em uma bad trip e acabara desacreditando do universo. Era o centésimo só neste mês.

― Uma Revelação? E como foi isso?

― Como acender uma lâmpada em um lugar completamente escuro. Em um instante você imagina tudo o que está ali a sua frente, sente como se soubesse cada uma das coisas que estão em volta e, de repente, você passa a ver de fato. O sentido por trás das coisas.

― Interessante, e qual seria esse sentido? Talvez eu possa entender mesmo sem ter visto a luz...




Ele virou-se para mim e sorriu de uma forma como eu jamais havia visto alguém fazer. Se o Diabo sorrisse deveria ser daquele jeito, malicioso, erótico, sarcástico, nojentamente depravado, invasivo e imoral, de uma sensualidade lasciva e mesquinha.

― Você quer? Precisa querer de verdade, é assim que a coisa acontece. Está tudo dentro da sua cabeça apenas. Da idéia da sua cabeça. O que busca é o que encontra.

Mesmo contra as regras, decidi que precisava fazer alguma coisa, uma reação de defesa contra aquele sorriso que me despira e me possuíra a alma de forma tão ilícita.

― E quem me diz que não é isso que aconteceu contigo? Que não é da sua cabeça essa idéia de Revelação? Você queria ter uma revelação e ela se fez para você, não?

Ele sentou-se e me encarou com aquele sorriso.

― Sim, eu queria isso. Busquei Deus em templos e nas esquinas mais escuras que encontrei, no alto das montanhas e no banheiro, e em cada lugar que eu ia, eles estavam lá!

― Eles? Quem seriam eles?

― Os sinais! Os sinais de que Deus nunca existiu, nada existe, é tudo apenas uma grande mentira inventada por alguém. Já viu quantas mentiras são ditas no SEU mundo? Olhe bem de perto e vai ver uma mentira sórdida em cada canto. Não existe amor, não existe desejo, não existe Luz, é tudo fruto da imaginação. Cada formato, cada pessoa, cada situação, só existe durante o tempo em que a idéia perdura, pelo interesse de...

Calou-se, havia intensidade no que dizia, mas não fúria. Uma intensidade que existe quando se fala uma verdade profunda e desesperadora, acompanhada da resignação revoltada de não se poder mudar os fatos incontestáveis da vida. Eu precisava mais...

― De quem? O interesse de quem?

― Eu não sei. Não importa.

― Deus? Seria esse, então, o Deus que você procurava? O idealizador de toda a mentira?

Ele riu, gargalhou profundamente, histericamente. Se jogou na cama em convulsões de riso. Eu precisava sair dali, mas algo me detinha. Algo me acorrentava. As paredes brancas, os lençóis amarrotados, o sapato virado no canto do quarto.

― Eu não preciso acreditar em Deus, eu o conheço! Vi os sinais e sei o que Ele vai fazer daqui a pouco. Vai me matar. Era essa a idéia desde o princípio.

Jung, o homem citava o descobridor dos arquétipos, se colocava em uma posição de SER um arquétipo. A coisa estava fora de controle, eu tinha que fugir dali.

― Eu creio que a idéia de que todos vão morrer um dia é algo que nos assombra tão logo nos percebemos vivos. Então não há porque antecipar algo que irá acontecer inevitavelmente. Por outro lado não é preciso haver sofrimento, pode ter uma vida boa até que...

― O que? Até que descubra que tudo não passa de uma farsa? A mulher grávida que carrega o filho que não é do marido, o sexo que substitui o amor, o emprego que paga as contas que você não teria se não quisesse ter o que não precisa para mostrar aos outros o que você não é? Não percebe que é tudo uma farsa? Personagens que alguém criou para entreter os outros. Alguém está te olhando, Doutor. Alguém está acompanhando cada passo seu. Seus pensamentos e suas palavras, a todo instante. Você não passa de uma alucinação da cabeça de alguém para que outros te vejam. Nada disto aqui existia antes, alguns minutos atrás e nem eu, nem você, existíamos, e daqui a pouco eu não vou mais existir. Já nasci morto, e só estou vivo porque aquele que está olhando ainda não percebeu isso. Mas já estava determinado que eu estaria morto. Desde o começo.

Eu me virei. Definitivamente precisava ir embora dali antes que...O que? Antes que eu passasse a acreditar? Abri a porta e me voltei para ele.

Os vermes já o devoravam em plena cama, pequenos vermes como larvas de varejeira a comer a carne podre. Um piscar de olhos e ele não estava mais ali. Desaparecera como se nunca tivesse estado. O quarto vazio, limpo, estéril em todos os sentidos. A brancura da inexistência da idéia.

Quando saí para o corredor eu vi a luz brilhante invadindo a minha alma.

Olhei a minha volta e lá estavam eles, todos eles. Todas as coisas que sempre estiveram ali e que daqui a alguns minutos não vão estar mais.

Minha vida se resumia a existir enquanto havia alguém, que eu não sabia quem, estivesse olhando para mim. Me acompanhando em cada passo e pensamento.

Até que a página fosse virada.

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