sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sobre a Visão Hipocrática da Atividade Sexual dos Canídeos Lupus em relação ao Darwinismo Fantasmagórico (ou Dança com Lobos).





                Seguindo a visão de Hipócritas Hiludidus o problema do Darwinismo Fantasmagórico, especialmente em relação ao canibalismo virtual apresentado nos tempos atuais, se deve a ação da ilusão invertida de quem caça o caçador, sendo a isca desejável e fraca para tentar a aproximação.

                Observando as comunidades de Canídeos Lupus Fantasmagóricos pode-se verificar que todo o processo se inicia com algum expoente fêmea que podemos chamar de Fêmea Alpha em contraposição ao expoente macho, o Macho Alpha, aquele que supostamente é dono da comunidade, ou que, ao menos, a comanda como um exemplar a ser seguido.

                A Fêmea Alpha transita os seus atributos intimidando tanto os pares machos quanto os fêmeas de forma a apresentar o seu poder e escolher qual será o seu parceiro sexual. Como não precisa ter pressa, testa todos os parceiros, machos e fêmeas, por algum tempo antes de se decidir. Isso causa o segundo nível de competição: Quem vai comer quem depois que alguém for comido em primeiro lugar.

                Estabelecido o modelo básico da comição, cria-se o modelo do “desejável” e verifica-se o que se encontra disponível em relação ao modelo. É nesta fase que acontece a grande depressão coletiva pela descoberta de importantes fatores:
- Se todos fossem Alpha, não haveria ninguém igual a você
- Há muitos exemplares de um tipo de sexo e poucos de outro; logo não haverá pares suficientes e alguns vão ter que se virar com alguém do mesmo sexo.
- O Gameta não tem nada a ver com "Gama, meta", embora também implique em sexo, em ultima análise.

                Normalmente os exemplares femininos são mais numerosos, por terem menos coisas para fazer durante o sexo, podem fazer muito mais vezes, o que gera um positivo natural que acaba criando mais espécies folgadas do mesmo tipo; só alguns trouxas caem na armadilha de acharem que sendo machos vão se dar bem. Quem se dá bem são sempre as fêmeas.

                Percebendo que vão ter que ficar com outras fêmeas por falta de machos no mercado, algumas acabam, ou se antecipando e arrumando logo a sua ou oferecendo coisas que supostamente as outras não ofereceriam e que acreditam que encantariam os machos.

                Fazer tudo de todo jeito e não reclamar nunca do resultado (ao contrário, valorizando exageradamente o pouco que conseguiram) são atitudes aplicadas por profissionais do sexo fêmeas, que desistiram de competir por machos alpha e resolveram ficar com todos os outros ao mesmo tempo, em troca de valores monetários e nenhum compromisso de sustentar os vícios e defeitos deles em um relacionamento prolongado.

                Nesta altura já vemos as divisões de classes por expoentes e seguidores:
- A Fêmea Alpha;
- A Lésbica Alpha;
- A Puta Alpha;
- A Alpha do Caralho.

          A Alpha do Caralho é aquela que busca um caralho para chamar de seu, o que descarta a possibilidade de ficar com outra fêmea, e para garantir que vai ter um caralho para chamar de seu, usa os mesmos atrativos da Puta Alpha, mas só como engodo, pois o seu objetivo é encontrar um relacionamento fixo com um caralho, dominando-o definitivamente.

                Por outro lado o que essa divisão nas Alphas acarreta nos machos?
A mesma divisão ou similar.

                Então temos o Macho Alpha que acaba não comendo ninguém por ficar embriagado com tanta oferta. Mantém a pose, mas morre de medo de perder o posto de ser o mais desejado se realizar o seu próprio desejo. Prefere realizar fantasias alheias em detrimento à concretização da sua criando a auto ilusão de ser feliz assim.

                Temos também o Puto Alpha, que aprende a oferecer o mesmo que as Putas Alphas por reprodução direta comportamental. Se tanta gente oferece tudo o que pode para ter um Macho Alpha deve ser bom, logo buscam conquistar um para si também.

                Com mais Putos Alpha, menos machos disponíveis e maior a tendência das Fêmeas Alpha aumentarem a oferta de serviços para atrair a sua presa. Com tanta oferta de serviços de todos os lados maior a tendência dos machos disponíveis de tentarem experimentar a todos, antes de se deixarem prender por uma qualquer, até que encontram alguma Alpha mais sábia que não oferece nada, na verdade, nega tudo.

                Com essa misteriosa indiferença leva o macho a acreditar que esconde algo maior ainda, e a buscar conquistar o que poderia obter facilmente em outros lugares, só que sentindo-se como um caçador.
A Megera Alpha acaba capturando o seu macho e comendo-o, através desse artifício muito bem engendrado.

                É comum que a Megera Alpha arranque o couro do macho capturado e logo depois passe a buscar outra presa. Alguns ficam tão entrevados no processo que acabam se tornando o Corno Alpha.

                É por esse motivo que temos cada vez mais Alphas do Caralho e Megeras Alpha e cada vez menos Machos para encarar essa Dança com Lobas.

                As exceções à regra desenvolvida exclusivamente para as Comunidades de Canídeos Lupus Fantasmagóricos são poucas e merecem estudos à parte, na tentativa de entender a sua evolução em um padrão saudável, que raramente é copiado por ser minoria,  justificando a antitese de que nem sempre a maioria está certa e toda unanimidade é burra.

                Que se registre esta tese nos anais, e não digam que eu não avisei.


Bibliografia:

Tratado Geral sobre a Sexualidade Fantasmagórica das Comunidades Lupídeas - Hipócritas Hiludidus - 2004
Quem tem Cú tem medo - Arnesto Nosconvidô - 2006
Sexualidades Fantasmagóricas e outros atributos - Danny Marks - 2009

O Pé de Vento - Rogério Camargo


Estava o poeta poetando suas poetices quando um pé de vento penetrou seus pensamentos, sua caverna, suas folhas de papel.
O que é isso?!, perguntou, à beira do espanto e da indignação.
É meu! É meu! Pega ele pra mim, poeta. Mas não esmaga, cuidado.
Ele quem, diacho? Só vi passar por mim um pequeno vendaval.
Mas é dele mesmo que estou falando. Pega pra mim meu pé de vento.
Raios!, resmungou o resmungão de si para si mesmo. E levantou o corpanzil que uma capacidade de estar presente às coisas fazia parecer ainda maior.
Mas eu nem vi direito para onde foi aquele estrupício!
Ah, não diz assim! Tão bonitinho que ele é!
Bonit...?! Tá bem, há gosto pra tudo. E agora, onde está aquele... tão bonitinho?
Ai, mas que má vontade, poeta! Deixa que eu mesma procuro, então.
Não, não, pára aí. Não vai desarrumar minhas coisas. Tá vendo isso aqui,? Pisa com cuidado, é uma ode. Não vai derrubvar aquilo ali também, é um epigrama. Não te encosta naquilo que... Olha só, já encostou!
Que manchas são estas?
São madrigais. Agora vais ter que esperas noite de lua cheia pra lavar.
Por que?
Senão eles choram. Aí, derretem toda a tua blusa.
Que coisa!
Tô dizendo. É complicado aqui dentro. E tu ainda me soltas este canalhinha aqui!
Eu não soltei, foi ele que se soltou!
Não entendo muito bem qual é a diferença, mas vá lá que seja. Vamos até os fundos, mas olha bem onde pões os pés, por favor.
Não precisava me repetir. Madrigais de lua cheia já são suficientes pra mim.
Ele rosnou alguma coisa que ela não ouviu e continuou entrando caverna adentro, pensamento adentro, folha de papel adentro.
Passou por aqui, ó.
Como sabes?
Os sonetos estão todos retorcidos, não foi assim que deixei.
Não podiam se retorcer sozinhos?
Um pé de vento talvez se solte sozinho, mas um soneto não se retorce sem que algum desastrado passe por ele.
Não concedes mesmo ao pobrezinho, né?
Conceder? Eu estava trabalhando, menina!
Eu sei disso, ora. Claro que eu sei disso. Queres que eu me sinta culpada?
Não. Quero que me ajudes a achar o... tão bonitinho. Andaram ainda vários minutos por aquele labirinto até que num canto um redemoinho de papéis dava conta de que o pé de vento estava presente.
Olha só o estrago! Chama aquele diabrete, vamos ver se ele te atende.
Claro que atende. Ele é da mamãe, não é, filhinho? Vem cá, vem.
A papelada caiu ao chão, mansamente, e o cabelo da moça começou a espalhar-se pelos ombros, pelo ar, pela vida, denunciando que ao colo já lhe subira o “filhinho”.
Que alívio, hein, “mamãe”?
Pára de implicar! Olha que eu solto o queridinho de novo, hein?
Ué, mas não é ele quem se solta?
Pra vir aqui foi ele que se soltou.
Eu sou mesmo bastante cheio de atrativos – continuou brincando o poeta.
Bobão. Quer que eu dê uma arrumada em tudo isso aqui?
Não, deixa comigo. Vocês dois jamais descobririam a ordem que eu quero dar às coisas.
Mas eu posso deixar ele lá fora e...
O poeta foi de uma ternura descabida quando deu um beijo na testa dela e disse simplesmente não.


(Rogério Camargo)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mensagem de Boas Festas



Minha Mensagem para todos aqueles que acompanham este cantinho do coração.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Elevador - Danny Marks



          As portas abriram e ela precipitou-se para dentro, lágrimas amargas a queimar-lhe os olhos. Pela segunda vez entrava em um elevador, desde que ficara claustrofóbica em uma brincadeira ruim, na infância. Com o temor infantil progredindo para o pânico adulto, resolvera procurar ajuda profissional.
          Dois anos de terapia e um romance com seu psicólogo haviam feito milagres e caminhava para a cura. Ainda subia os dois lances de escada que a conduziam aos seus encontros no divã, até que ele comunicou sua mudança para o nono andar e que indicaria outro profissional para atendê-la. Não queria que ela sofresse, disse, e ela aceitou. Sempre aceitava tudo o que ele mandasse, sempre querendo agradá-lo. Dois meses de desencontros a obrigaram a enfrentar o cubículo macabro.
Algumas horas de sistemática preparação de corpo e alma e suportou a subida pelos nove andares, olhos fechados e coração pulsando entre o medo e a alegria de superar-se e comunicar-lhe a novidade do seu progresso, queria que a visse renovada.
          Ninguém na recepção, porta do consultório fechada, não trancada.
          Uma brecha pequena e um olhar furtivo, o sorriso definhando no rosto ao ver e ouvir os sons que denunciavam previamente o tratamento que era dado no divã. A visão de corpos nus entrelaçados e o riso medonho em sua mente.
          Ali no “seu divã” viu o monstro ressurgir e abraça-la em suas paredes fechadas, o mundo girou e escureceu à sua volta. Correu entrando na primeira porta que se abria e o elevador tragou-a em sua descida automática.
          Quando se apercebeu onde estava as luzes apagaram e o elevador parou. Um simples fiapo de luz iluminando o seu medo vindo de alguma brecha acima, queria morrer, mas já estava enterrada.
          — Não se preocupe, deve ter sido uma falha nos geradores, mas logo arrumam e vai ficar tudo bem.
          Ficou paralisada, muda pelo medo, trancada no escuro solitário com um estranho e com imagens a suceder-se na mente. Chorou soluçando, desabando completamente como as paredes de sua fortaleza.
          — Por favor, não chore. Vai manchar o seu lindo vestido. — disse-lhe a voz.
          Sentiu o toque suave de um lenço em suas mãos, dedos fortes e ásperos o sustentavam em oferta, pegou-o rapidamente, limpando o rosto sem saber o que mais fazer.
          — Eu queria tanto... Estava disposto a obrigá-lo a dar-me o seu nome e endereço e depois... castigá-lo por trair você. Tinha que a ver ainda que ao longe, mas o destino a trouxe assim, tão linda, e me permitiu poder falar-lhe sem medo uma última vez. Não, não fique com medo... não vou lhe fazer mal algum.
          Ela sentiu o hálito suave, o carinho nas palavras e soube que ele a amava. Estranhamente sentiu-se segura com a insegurança dele, se identificando com aquele ser de quem só podia ouvir a voz emocionada.
          — Quando abrirem as portas desaparecerei de sua vida. Nada posso lhe oferecer, sou pobre, feio, mas... Eu amo você. Desde que a vi no consultório dele, não consigo pensar em outra coisa, só em vê-la, sentir o seu riso.
          Ela sentiu o apelo desesperado na voz dele fundir-se às suas próprias necessidades. Todos os seus sentidos e sentimentos em um turbilhão em meio à escuridão e num impulso sua boca procurou a dele nas sombras. Desejo reprimido, desespero, caos de sentidos e memórias fundindo corpos em êxtase frenético com a urgência de condenados. Luz, movimento, realidade superando fantasias. Roupas arrumadas às pressas quando a luz voltou, olhar furtivo para o dono daquela alma incomum.
Uma arma guardada às pressas, portas que se abrem e uma fuga prometida. Ela ainda levou alguns segundos para se recompor e sair atrás dele gritando:
— Vilma! Meu nome... é Vilma.

Ele parou e voltou a olhar para ela, deslumbrante em seu vestido amarrotado. Ela o alcançou e capturou-o novamente em seus braços, as bocas coladas sem importar quem olhava a cena. Nunca mais precisaram de psicólogos, apenas elevadores.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Vitimas Algozes - Danny Marks


Lá está de novo. Coloco o saco de lixo de volta no vizinho e vou trabalhar, é assim todos os dias. O cachorro do vizinho não deve gostar de ver a merda que produz.
À noite os cães vadios espalham mais adereços na minha calçada, atraídos pelo cheiro. Ao lado tudo limpo.Tenho que persistir na lição, talvez...
Em classe resolvo tentar dar um ânimo, uso uma música conhecida e peço que falem a respeito do que a letra diz, do que podem trazer para o seu dia.
Em casa não funcionou, “troque seu cachorro por uma criança pobre”, ao lado só há amante dos animais.
O aluno no fundo troca algumas palavras com a namorada, a boca no ouvido que ri.
14 anos e grávida, olho por cima dos óculos sem levantar a cabeça, não se pode fazer muita coisa. Difícil levantar a cabeça. Antigamente o problema com balas perdidas era apenas quando elas ficavam coladas nas roupas e estragavam os dentes, hoje a realidade é mais dura que bala puxa-puxa. Essa nem existe mais, fico lembrando os nomes que davam: machadinha, caramelo escolar, vermelhinha...
A jovem mãe sai da sala, nessa altura da gravidez é comum correrem para o banheiro para tantas coisas. Ele se debruça sobre o papel, esfregando o rosto.
Fecho os olhos. Quantos antes não fecharam os olhos para que isso estivesse acontecendo. Há forças incontroláveis em andamento.
Todos começam a sair antes mesmo de terminar a aula, os celulares dão o sinal. Deixam as folhas sobre a mesa e vão. A menina-mãe nem volta, o garoto leva o material, a folha fica sobre a carteira, esquecida, sem importância.
Espero todos saírem e vou recolhê-la.
Sinto na superfície algo diferente, cheiro o pó das letras, não há duvidas. Sento-me desanimado. Olhando para a frente como no tempo em que eu era um deles, quando estava do lado de cá, tentando entender o incompreensível.
Enfurecido, saco a minha arma vermelha e vou sublinhando os erros e aplico um enorme zero no alto da página antes mesmo de terminar de ler.
Então noto algo no verso. Grafado e sublinhado.
Legião é de Legionário, soldado. Urbana é de cidade, favela, refúgio. Soldados encarnam a vida até que a morte chegue. Lutar até morrer
Algumas frases saltam aos meus olhos
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
De escolha própria, escolheu a solidão
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.
Não entendia como a vida funcionava
Ficou cansado de tentar achar resposta
Vocês vão ver, eu vou pegar vocês
Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança isso eu não faço não
Se a via-crucis virou circo, estou aqui
Deu cinco tiros no bandido traidor
Fiquei olhando as frases sublinhadas, a resposta no final da página:
Você perdeu a sua vida meu irmão...
Me senti exaurido, inútil como um saco de excrementos devolvido a porta ao lado.
Vejo o embrulho sob a carteira, estend a mão e sinto o aço frio em contato com a pele febril.
Recolho minhas coisas e vou para casa, as palavras martelando na cabeça...
Você perdeu a sua vida meu irmão, essas palavras vão ficar no coração, eu vou sofrer as conseqüências como um cão.
Encaixo uma garrafa pet no cano da arma e salto o muro. A literatura ensina muitas coisas. O meu sorriso é maior que o do cão.
Um caiu sem suspiro, o outro arregalou os olhos e derrubou algumas garrafas.
Arrasto para dentro do banheiro, tiro as minhas roupas e as dele, uso a serra elétrica que nunca me devolveu.
Deixo todos os objetos de valor em vários lixos, os carrinheiros vão fazer a festa. Sacos pretos com excrementos em outros tantos lugares, a noite foi longa, cansativa, cem rumos, sem pistas.
Chego cedo na escola, sem dormir, devolvo a arma limpa no mesmo lugar e deixo a folha sobre a cadeira com dois pequenos acréscimos.
O numero 1 na frente do zero e mais uma frase sublinhada fortemente.
E na escola até o professor com ele aprendeu
Quando eles entram eu saio, há coisas que não se deve ensinar.
Nem aprender.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pato Com Laranja - Mary Pontes


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Ele forçou a porta, um pouco, que acabou cedendo sem fazer ruído. Caminhou no escuro tomando cuidado para não esbarrar em nada.
                Ela estava sentada na copa, um pato assado iluminado por luz de velas, uma taça de vinho ainda cheia, a música suave preenchendo os vazios.
                O vestido vermelho, decotado, deixava ver o corpo ainda sensual, apesar de não encobrir algumas marcas da idade. As unhas pintadas de vermelho combinando com o baton, a maquiagem leve, feita com cuidado.
                O rosto tinha uma expressão de paz, um leve sorriso de lábios fechados como os olhos. Devia estar pensando nos bons momentos.
                Ele sentiu desejo por ela, não havia notado antes o quanto era bonita.
                Aproximou-se lentamente e puxou uma cadeira sentando-se, colocou a arma sobre a mesa para que ela visse quando abrisse os olhos.
                Ela os abriu lentamente, um pequeno susto inicial, nenhuma outra reação. Teria bebido tanto assim? Não, a garrafa ainda estava cheia.
                — Fique tranqüila, vai terminar tudo bem, eu...
                — Pegue o que quiser e vá, não importa mais.
                — Você não entende. Eu faria isso, antes. Mas ao ver você assim...
                Ela franziu a testa, pensativa por um breve instante, então compreendeu.
                — Tudo bem. Acho que não tem importância agora, é até um tanto irônico, mas...
                Levantou-se e soltou as alças que prendiam o vestido ao seu corpo, deixando que deslizasse até o chão.  Deu um passo vestida apenas com a calcinha de rendas e com a sandália de salto alto, afastando-se  da mesa. Dando as costas para ele e para a arma.
                Ele se aproximou e a enlaçou pela cintura.
                — Ele não vem hoje, não é? O que estava comemorando?
                — Meu aniversário.  Vai fazer muitas perguntas?
                Ele a deitou no carpete grosso, despiu rapidamente as roupas, demorando um pouco na máscara, mas resolveu retira-la também.
                Fizeram amor por várias horas, suave a princípio, mas logo depois com um desejo incontrolável que explodia e renascia constantemente, até que acabaram por adormecer.
                Ele acordou primeiro, o dia já quase raiando. Assustou-se.
                Vestiu rapidamente as roupas. Não queria ser visto ao sair.
                Cobriu delicadamente o corpo adormecido dela com o vestido vermelho, pegou a taça de vinho sobre a mesa e ergueu um brinde:
                — Feliz aniversário, seja qual for o seu nome.
                Tomou o vinho e saiu sem levar nada.
                Ela sentiu a solidão de novo e acordou. Olhou em volta e pensou que tinha sido um sonho até ver o copo vazio sobre a mesa e a arma ao lado do pato.
                Vestiu-se e segurou a arma.  A porta da frente se abriu...
                — Querida, desculpe, não deu para te ligar ontem. Tivemos uma reunião na empresa, e varamos a noite resolvendo algumas questões. Você vai sair? Está toda arrumada. O que é isso sobre a mesa?
                Ela respondeu sem se voltar.
                — Pato com Laranja, para comemorar o meu aniversário.
                — Seu...Ah, amor, desculpe eu...
                Ela se voltou para ele segurando firmemente a arma
                — Não se preocupe, eu recebi o meu presente...

sábado, 17 de outubro de 2009

Campanha de Proteção aos Direitos Autorais

Nada contra que as pessoas copiem e utilizem os trabalhos de autores, mas não custa nada dar os créditos a quem os produziu de fato, afinal, respeitar o trabalho do outro faz parte do prazer de poder usufruir desse benefício. Se você concorda com essa idéia, participe desta campanha.

Obrigado,

Danny Marks

Utilize estas imagens em seus blogs, perfis, etc



segunda-feira, 5 de outubro de 2009


Qual o artista que não gostaria de ver a sua obra em uma Galeria? Provavelmente esse é o sonho de todo artista. Mas, e se a Galeria em questão for Sobrenatural?
Aqueles que tem uma idade semelhante a minha devem se lembrar da fantástica série The Twilight Zone que no Brasil foi lançada com o título de “Além da Imaginação”, e outras séries que se inspiraram no mesmo modelo revolucionário.
Eu sou fã incondicional da série, passava madrugadas assistindo os episódios que sempre traziam um conteúdo interessante e diversificado, não o terror puro e simples, algo com a único objetivo de causar susto ou medo, em cada história havia um fundo para reflexão, um olhar mais crítico sobre a vida e as escolhas que se faz. Uma visão verdadeiramente sobrenatural.
50 anos após, Silvio Alexandre e a editora Terracota resolvem homenagear esse trabalho com um livro de contos e convocam os melhores autores nacionais para apresentarem seus textos.
E, sem falsa modéstia, me sinto orgulhoso de poder integrar essa galeria. Sim, meu conto LIMITES foi um dos escolhidos para esta galeria em especial, o que me deixa realmente muito feliz. De fã passei a autor também, e não há nada mais gratificante do que ter a honra de ver o nome ladeado pelos grandes mestres da literatura fantástica nacional.
Nada mal para um menino que demorava a pegar no sono, refletindo sobre as histórias emocionantes de vida e além-vida que assistia nas madrugadas. Uma prova a mais de que o destino existe, mas ele é traçado pelas escolhas que fazemos ao longo de nossa vida e que há um poder oculto nas sombras, esperando para agir tão logo as decisões tenham sido tomadas.
Agora mais uma oportunidade será dada para que as pessoas encontrem-se pessoalmente com esse poder oculto, essa verdade subliminar que nos sorri por entre as sombras e nos observa atentamente em cada ato.
No dia 31 de outubro de 2009, das 15 às 18h30, na Livraria Martins Fontes, na Av. Paulista, 509 - São Paulo será lançada a antologia GALERIA DO SOBRENATURAL – JORNADAS ALÉM DA IMAGINAÇÃO, organizada por Silvio Alexandre. Haverá uma tarde de autógrafos com direito a coquetel e a exibição do primeiro epísódio de Além da Imaginação (1959), de Rod Serling, numa justa homenagem aos 50 anos da série, e também uma palestra sobre a série e sua importância com a jornalista e pesquisadora Fernanda Furquim.
Quer mais? Leia o livro e faça as suas escolhas, e acredite, Você está sendo observado.
http://www.terracotaeditora.com.br/index_editora.html


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Homem e o Muro - Danny Marks


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Segundo uma antiga lenda que agora vou contar, existiu em algum lugar, uma cidade cercada por um muro altíssimo que não poderia ser escalado e nem derrubado. Ninguém sabia quem havia construído o muro ou qual o motivo dele estar lá, mas como conviviam com ele desde que nasciam ninguém se importava.
Ou melhor, quase ninguém, porque entre eles nasceu um dia O Incorformado.
O Inconformado era uma pessoa comum, passou sua infância e sua juventude convivendo com o muro, sorria e brincava, trabalhava e pagava suas contas, sofria por amor e tinha lá seus gostos e opiniões como todos. Mas havia uma coisa que o tornava diferente: Não aceitava o Muro que o limitava.
Tudo ia bem, até que um dia o Inconformado decidiu dar um basta na situação: Iria vencer o Muro.
Armou-se de todas as ferramentas necessárias para vencer a barreira e lá foi ele com toda a coragem de que dispunha.
Primeiro tentou escalar o muro, mas provou apenas que isso era mais difícil do que parecia. Resolveu golpea-lo e abrir um buraco nele, mas o muro parecia ser feito de diamante de tão duro. Pouco a pouco suas tentativas foram se frustrando.
Como não podia deixar de ser o boato correu pela cidade e todos foram ver o “Louco do Muro” que dizia iria atravessa-lo custasse o que custasse.
E a multidão delirava a cada fracasso do Inconformado. Alguns o incentivavam a continuar até a morte, e que esta sobreviesse rápido. Outros sorriam balançando a cabeça diante de tamanha estupidez. Moleques mais perversos lhe atiravam pedras e insultos. Mas o Inconformado não desistia.
Não podia mais suportar a ideia de ter que conviver com o muro.
Pouco a pouco as pessoas da cidade foram perdendo o interesse e voltando às suas vidas normais, cercadas pelo Muro.
O Inconformado ficando cada vez mais triste e sozinho.
Um dia percebeu que restava apenas um estranho ao lado dele.
Não o conhecia, o que era impossível. Sendo o Muro intransponível como poderia aquele ter vindo de outro lugar que não a cidade onde todos se conheciam?
— Interessante como quando estamos tão próximos de um problema não conseguimos ver a solução — disse o Estranho.
— De onde é você?
O Estranho apenas sorriu e foi andando para longe do muro e o Inconformado o seguiu, curioso.
— Barreiras foram criadas para nos proteger enquanto não estamos aptos para vencê-las — disse o outro sem ver se o Inconformado o acompanhava — mas elas podem se tornar uma prisão quando nos conformamos em ficar presos dentro delas. As mesmas paredes que o guardam, também podem prende-lo. A menos que você as compreenda e as use corretamente.
— E como farei isso?
— Observe...
Tinham se afastado suficientemente do muro para vê-lo quase por completo e o Inconformado, pela primeira vez, notou que havia uma irregularidade. Uma parte do muro parecia se diferenciar do resto, a poucos passos do local onde havia protagonizado suas frustradas tentativas de escapar.
— Seu instinto o conduziu até um caminho possível, confie nele, mas apenas a sua razão pode compreender um problema e soluciona-lo, confie nela também. Usando os dois vai aprender sobre o funcionamento do problema e aprender como usar os caminhos que descobrir.
De volta ao Muro o Inconformado empurrou a parte que se diferenciava ao longe e esta gentilmente cedeu mostrando uma porta por onde se via uma linda planície. Ele estava livre.
— Sempre soube que havia uma saída! Ah, quantos me chamaram de louco, mas aqui está. Vou esfregar essa porta na cara deles....
— E a perderá para sempre. O que ganha ao mostrar a porta para pessoas que não estão preparadas para atravessa-la? Por que tirar a segurança daqueles que possuem apenas isso, sem nada dar em troca? Quando estiverem preparados para ir além, encontrarão a saída para longe de sua antiga proteção e poderão trilhar a próxima etapa. Somente então deverão fazê-lo. É assim que se tornam mais fortes, vencendo os limites quando estão preparados. Usando seus limites para ficarem confortavelmente seguros enquanto se preparam para os desafios que virão.
— Quem é você? De onde Veio?
— Vim de um lugar onde havia limites que superei. Não resisti em oferecer ajuda a um irmão de caminhada. Podemos andar por um tempo juntos mas logo nossos caminhos se afastarão e cada qual irá buscar o novo limite e tentar supera-lo, Talvez nos encontremos de vez em quando, mas quando o fizermos poderemos nos reconhecer, trocar informações e confiar um no outro.
E dizendo isso o estranho atravessou a porta e foi embora.
O Inconformado soube então que tinha que tomar uma decisão difícil. Fechar a porta e permanecer em território conhecido e seguro? Ir além e arriscar-se ao desconhecido enfrentando o próximo obstáculo? Ficar e tentar ajudar os outros a superar os seus próprios limites e tornar-se um guia na busca pela porta? Em cada decisão um rumo diferente, um desafio a ser enfrentado, um novo Muro.
Compreendeu finalmente que os Muros eram construídos dentro de cada um e que serviam sempre para proteger ou aprisionar, conforme fossem usados.
Com um sorriso tomou a sua decisão. Sentia-se livre para ser feliz e encontrar com alegria o próximo obstáculo que lhe indicaria uma nova fase de crescimento.

E assim o fez...

TUAS QUEDAS - Lariel Frota


Eras tão pequenino
Andavas
Indecisos passos
Tropeçavas
Caias.
As  vezes choravas,
Um abraço,
um afago,
Superavas a dor, e eu dizia:
-"Vai firme"!
Hoje crescido
Caminhas resoluto
Indecisa agora, sou eu
Temendo pelos seus passos.
Entendas que sofro
Já não posso
Aliviar tuas dores distantes.
Pequenino, tentavas
Vacilante, andavas,
Caias teus tombos
Tua pele rosada, ralavas
Em ti parecia
Que a dor não doia.
Hoje perplexa
Pela velocidade do tempo
Confesso
Teu andar,tua procura
Teu caminhar valente,
Me assustam
Pois me mostram a verdade
Sempre foi só teu e não meu
O teu caminhar!!!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

PENSAR - Lariel Frota


Entre o silêncio e o grito,
Há um sufoco, um agito,
Um ser enterrado e aflito,
Procurando o próprio ar.
Entre o grito e o silêncio,
Há uma paz, um consenso,
Uma certeza: se penso,
E posso soltar o meu grito,
Então ainda sou parte da vida
Com a alma insana e atrevida
Que não desiste de sonhar!!!!

PRISIONEIRAS DO TEMPO - Lariel Frota




Presas no tempo, em frangalhos,
Vivem: a menina que ainda espera,
A mulher com sonhos incompletos
E a que já tem cabelos grisalhos,
Que a fazem parecer esperta.
Fala pra menina curiosa: -"O saber liberta".
Vendo que não é ouvida, irritada grita:
-"Mas só a sabedoria santifica".
Grita em vão, a menina está presa,
no seu mundo estranho feito de letras,
Onde beija flores e urubus de tetas,
Simbolos estranhos, lhe fazem caretas.
Quanto mais a velha insiste e grita,
Mais a menina presa se agita,
Se enrosca em verbos e adjetivos,
Tropeça no hífen, cai no substantivo,
Tromba com o pleonasmo e as metáforas,
Se perde no abismo entre linhas,
Derruba aspas, vírgula, ponto de interrogação.
Toda arranhada e com marcas roxas
Sem conseguir ouvir o conselho, responde em gestos:
-"Outra linha, parágrafo, travessão!"

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Roda Gigante


Provavelmente vão dizer que foi a pipoca que causou isso, ou alguma coisa que substituía o sal. Talvez algum teste dos traficantes com essas coisas de ultima geração.
Como explicar o monstro marinho devorando pessoas na enorme piscina que finalizava a volta de terror na montanha russa?
Engraçado foi o palhaço da barraca de tiro ao alvo. Sacou uma escopeta e começou a atirar nos que fugiam. Provavelmente todo palhaço anda com uma arma enrustida embaixo daquele colarinho, folgado.
Podem dizer que foi acidente os motoristas terem invadido as dependências jogando os carros contra a multidão que se acotovelava para desviar; outros faziam manobras suicidas em colisões fantásticas, mas ai é forçar demais a barra.
O certo é que ninguém tentará dizer a verdade, muito difícil de acreditar.
Não consigo me convencer de que não foi uma alucinação coletiva quando a Roda Gigante começou a flutuar e disparou em direção às estrelas.
Pela risada deles, deviam estar se divertindo muito com a coisa toda, ainda tremo em pensar que vão voltar. Ah se vão.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Revolta dos Dias - Joelma Helena


http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=2495871859446236827

Um dia não nasceu. Ele se recusava a retornar com os mesmos raios de sempre, e se queixou para deus. Queria nascer azul. E deus confabulou com ele. Que observasse as regras de refraçao da luz. Que afinal regras eram regras. Mas este dia não nasceu.
Nasceu outro, tão alaranjado como tantos outros, um dia como todos os demais.
Mas quando muitos dias juntos, fizeram greve, e se rebelaram, uns desejando mais ser verdes que azuis, aliás...Deus se viu a ponto de não ter mais dias para despontar no horizonte, e se desesperou, transformando, num ímpeto, a natureza em cinza, com mil desculpas para esconder o fato óbvio: Porque agora os dias se escondiam e não queriam mais se mostrar na face do planeta terra.
Um ambiente desolado, abandonado por deus, que sentia injustiçado em ser acusado agora pela falha dos dias, que afinal, nunca perderam o poder de nascer alaranjados, mas simplesmente desistiram, na insana ânsia de serem azuis ou verdes, agora.
Desesperado pela culpa, deus tentou o suicídio, e os dias se compadeceram dele, e voltaram a nascer como antes, alaranjados.
Mas tinham sabor de uva.

(Sem Título) - Grazzy

Grazzy Yatña

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=14572048851528608183

Nada ficaria por fazer.
Dissemos algo bem distante da preguiça, a vida toda, não lembro bem o quê pois o ninho era silêncio agitado, desembalando mundo e chacoalhando do acaso.
A intensidade da clausura mais linda nos trouxe o entendimento da fome sem conclusão de dor.
Ainda vejo as ruas como enquartelamentos dos vestiários, salvo alguns ataques de terrorismo poético mas pobremente sem encaixe de significado amarrados fatidicamente pela esperança. Ainda bem que tem você nu, desafiando todos os discursos e bem inserido nos gols.
Sempre gostei da nossa cidade, cidade que é zona de apaixonamento.Cogita-se liberdade só quem não a suporta em si.
As crônicas mais aceleradas, debochando do tempo-espaço entre um gole e outro, nos cabe perfeitamente: passado, presente e futuro é só um pouco de ridículo na fumacinha do meu cigarro nos sacando.
Existe o Sublime, após e mesmo antes da beleza. Belo é balbuciar. Sublime é o trovão
com relâmpago. Ainda mais se cai perto, ou se cai longe, iluminando montanha como se fosse fantasma enorme e visionário.
São três os estados da matéria: a ironia, a indiferença, a amorosidade. Com você, sempre tive isso de baixar a guarda e permitir o amor.
Quando a guarda está levantada,cansa mesmo, é a ironia, mas ela defende da indiferença, que dá um enorme sono de viver.
Claro que não é tão simples. Mas pra te dizer do amor, pai.
O que resta da experiência do sublime é uma espécie de categoria da memória, que podemos chamar de "O retorno".

Pato Assado com Batatas - Mary Reis

Vó Mary Reis (http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=mp&uid=5852312103384225939)
.

Sábado pela manhã, já acordo pensando nos amigos que convidei para jantar e prometi pato assado, pois estão cansados de churrasco e muqueca.
Minha secretária, (e minha fiel escudeira), toca o interfone. Corro para abrir.
Ela ficou de trazer o pato fresquinho, pois o vizinho do primo do irmão do namorado dela cria patos, mata e limpa na hora.

"Joana, você ficou de conseguir o pato, mas ele está vivo!!"
"Dona Mary, o seu Tulio só está vendendo assim agora, ele diz que faz muita sujeira para entregar o pato morto."

"Pato morto...que expressão horrível, Joana!!"
"E não é???"
Começo a ficar nervosa. "Então tá, mata o bicho!!"

O pato salta das mãos dela e corre pela cozinha. Vira o lixinho, derruba a fruteira de chão, imita um vôo e pula na mesa...

"Socorro Joana, pega este bicho!!!!"

O pato salta da mesa e corre mais doidinho ainda pela cozinha...passa no meio das minhas pernas e se enfia em baixo do armário!! (Ohh..sacôôô).

"Pega a vassoura, Joana, pra gente tirar ele de lá." (Lá vem ela com a vassoura)
"Agora cutuca nele, mas não bate com força pra não machucar!"
"Não machucar??? Mas a gente não vai matar o pato D. Mary???"
"Vamos, mas não precisa torturar antes, né??????"

O pato cansado, sai de baixo do armário, corre a esmo e vem em minha direção. Eu o pego no colo.
Passo a mão em suas penas macias, sinto seu coraçãozinho disparado, o pescoço está inquieto para um lado e outro...faço carinho e ele vai acalmando.

"Joana, chama o beto para fazer um cercadinho para o pato." Decretei, sem pensar duas vezes!
"E o jantar D.Mary??"
"Retornemos ao róseo e suculento camarão!" (Eu e o pato ríamos por dentro)
"E quem não quiser muqueca, que coma sanduíches!"

Carta para a amiga distante...

Autor: Noite Passageira 

(http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=2524533495347018447)

"Olha meu bem,
Ontem quando ainda estava por vir,
Fiquei imaginando um jeito de lhe dizer,
Uma palavra qualquer,
Que ficasse marcada em sua lembrança,
Meu jeito diferente de ser...
Decorreu que não pude lhe esperar,
Tive que sair com urgência,
Sem ter como lhe avisar,
Fui dialogar com o mundo,
Lá no fim do mundo,
Num ponto perdido qualquer,
De um lugar que não existia...
Quando retornei encontrei a varanda vazia,
Silenciosa e sombria,
A vela sorrindo derretendo sonhos de criança,
E um bilhete perfumado com a sua letra,
Que dizia:
Voltarei outro dia,
Ao entardecer dos olhares,
Para sorrirmos saudades,
Dos momentos que estão por vir...
PS:me encontre na beira do lago negro...
Sorri...
alguns anos se passaram...
O lago negro secou,
A varanda envelheceu,
E no clarão da vela ainda via seu rosto
Angelical a me dizer:
Ainda estou por vir..."

Galeria de Arte Literária


Esta é uma nova coluna onde pretendo apresentar alguns dos textos que são criados para os concursos literários das comunidades do orkut que participo:
- PQP
- É Proibido Proibir

É uma resposta simples e artística àqueles que acreditam que o orkut é uma bobagem, que nada de bom pode ser feito em uma comunidade de relacionamentos. 
Aqui será apresentada apenas uma amostra do muito que surge diariamente em comunidades realmente dedicadas a relacionamentos saudáveis e edificantes.
Apresento a todos os meus leitores, os artistas do Orkut


A Grande Piada - Danny Marks

 
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Retorno a 20 km, dizia a placa.

Ele apenas sorriu e foi em frente. Lembrou do tempos de sua infância, das brincadeiras com os amigos, das brigas com os adversários. Às vezes uns se confundiam com os outros.

Havia tanta coisa pela frente e tanto tempo para fazer tudo. Sentiu saudades das idéias e dos sonhos que tivera, uns poucos realizados, nem todos como gostaria.

Tivera momentos felizes, mas eram difíceis de se lembrar, muitas vezes. Era mais fácil lembrar dos momentos ruins, das dificuldades, dos erros. Se descobrisse quem tinha inventado a memória desse jeito torpe, iria dar-lhe um soco na cara.

E se for eu? Pensou sombriamente. Lembrou de um filme em que o personagem dava uma surra em si mesmo e não conteve a risada.

Poderia tentar, por quê não? Dizem que somos os nossos maiores inimigos, então seria justo fazer isso.

Retorno a 15 km.

Quando encontrara a sua primeira paixão a vida tinha ganho um colorido diferente, por algum tempo. Investira nesse caminho como um desesperado e superara dificuldades que antes o teriam parado facilmente. Que loucura, pensou, talvez tivesse dado certo se tivesse sido diferente, ou talvez tivesse sido apenas diferente. Fez uma anotação mental para socar também o inventor do livre arbítrio, melhor seria ter a sua vida sinalizada por placas.

Cuidado, curva acentuada a direita; Siga em frente; Lombada, reduza a velocidade; Cruzamento de Vias.

Na vida tudo é passageiro, exceto o motorista e o cobrador. Isso também estava errado. O motorista cobrava a si mesmo e como passageiro não dirigia nada, apenas seguia em frente sem um rumo certo, desviando aqui, esbarrando em coisas que surgiam, decaindo.

Retorno a 5 Km

Foi uma longa viagem, cheia de altos e baixos. Lembrava mais dos baixos porque tinha que ir mais devagar, tinha que tomar mais cuidado. Os altos serviam para aumentar a velocidade na descida e reduzir na subida. Os únicos engenheiros que gostava eram os do Hawaii, pelo menos eles tinham planos. Riu novamente da própria piada.

Até que não estava sendo tão ruim quanto imaginara que fosse, seria uma esperança de final? Seria uma aceitação de todas as coisas? Quem se importa com isso.

Lembrava de frases soltas, chavões filosóficos, sabedoria popular. Como se o povo fosse sábio; Nem escolher governantes sabiam. Sobreviviam a cada catástrofe criada porque não tinha jeito, e criavam novos problemas. Talvez fosse culpa do destino, as coisas tivessem que acontecer assim mesmo e não adiantava desviar do caminho.

Destino, mais um que gostaria de socar bem socado. A lista estava crescendo rapidamente. Conquistara mais inimigos do que poderia imaginar, mas estes pareciam acompanhá-lo por mais tempo do que os amigos; inimigos fieis. Outra grande piada.

Poderia ter se tornado humorista se tivesse descoberto essa veia artística antes, quando ainda havia tempo para...O quê mesmo?  Se encontrasse Deus iria...Ah, deixa pra lá, já estava ficando repetitivo.

Retorno - Siga em Frente

Contradição, que coisa esquisita para se perceber a essa altura. Retornar é seguir em frente, da mesma forma. Deveriam mandar as pessoas retornarem de costas, voltar no tempo e no espaço, regredir a um estado de...O que mesmo?

Se voltasse de costas teria que passar por tudo de novo, não teria entendido nada, não teria feito nada, não teria vivido nada. Tudo ou Nada. Deu mais uma risada. Seguiria em frente. Essa, afinal, era a grande piada.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Universo Subterrâneo - Promoção de Lançamento

Danny Marks, o "Bruxo", traz o Universo Subterrâneo para a superfície!


Não perca este grande lançamento de Literatura Fantástica.
Um livro que você não pode deixar de conhecer.

Universo Subterrâneo

Apresentação:
A ciência confirma: Há muito mais na realidade do que os olhos podem perceber. Linguagem subliminar,
significados ocultos, interpretações e deduções manipuladas pelos conceitos, preconceitos e até mesmo
por intencionalidades obscuras. Sob essa ilusão que é perceptível ao olhar, há um Universo encoberto,
vidas e realidades que escapam a compreensão superficial que se possa ter, escondidos por uma máscara
de normalidade, sociedade, civilização.
Esta verdade somente é percebida pelos que nela mergulham através das opções que a vida oferece
revelando a cada passo os sonhos e pesadelos que habitam os Subterrâneos que sustentam a realidade,
desconstruindo suas vidas e a si mesmos e buscando através desse conhecimento recriar um lugar onde
possam ser felizes de fato, contra tudo e contra todos, se preciso for.
Universo Subterrâneo revela a diversidade da vida, através de 32 histórias independentes, sutilmente
conectadas pela realidade, algumas com toques sobrenaturais dados pelas sombras e pelo jogo de luzes
que tanto revelam quanto encobrem os significados, outras com elementos de universos paralelos, humor,
mistério e romance.
Esta é a passagem para um lugar onde os valores são questionados e os limites testados; sobreviver é o
primeiro passo para viver neste mundo, mas para atingir o objetivo é necessário conhecer a si mesmo e a
verdade que existe por trás de todas as coisas.
Depois deste livro, sua vida nunca mais será a mesma.

Universo Subterrâneo
MARKS, Danny
Revisão: Frodo Oliveira
Capa e diagramação: Renato Tomaz
160 páginas
Ed Multifoco
Preço de Capa: R$ 28,00
Pedidos:
Editora Multifoco
ou

Dannymarks63@gmail.com


Promoção: Universo Subterrâneo
Adquira o livro diretamente do autor (pelo email: dannymarks63@gmail.com )
e receba seu exemplar autografado, com dedicatória, e mais um USB-Tester - Testador
de Portas USB inteiramente grátis!
* Promoção por tempo limitado! - Basta mencionar "UtilNet" ao fazer a compra.

Apoio Cultural:

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

KAORI: PERFUME DE VAMPIRA

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O primeiro romance de Giulia Moon,
conhecida autora de contos vampíricos!

KAORI: PERFUME DE VAMPIRA

Século XV: Kaori, uma bela garota com o perfume da sedução, trilha caminhos perigosos entre samurais, senhores feudais, prostitutas e criaturas mágicas do folclore japonês. No seu caminho, surge José Calixto, um artista sensível e apaixonado, capaz de tudo para dar vida a uma obra imortal.

Século XXI: na fervilhante Avenida Paulista, coração de São Paulo, Samuel Jouza tem uma profissão peculiar. Ele observa vampiros para um misterioso instituto de pesquisas. Mas o olheiro percebe que a sua profissão é muito mais perigosa do que imaginava, ao salvar um menino das garras dos sanguessugas.

De um lado, a magia das sagas heróicas de samurais, o mistério das antigas lendas do Japão. Do outro, uma aventura ágil e atual, que tem como cenário o Brasil. Dois universos se entrelaçam e se cruzam neste novo romance de vampiros escrita por Giulia Moon.

A AUTORA

1282521-1488-it2Giulia Moon, é paulistana, já foi diretora de arte, ilustradora, diretora de criação e sócia de agência de propaganda. Giulia tem três coletâneas de contos publicadas: Luar de Vampiros (Scortecci, 2003), Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros (Landy, 2004) e A Dama-Morcega (Landy, 2006). Em 2008 lançou com mais seis autores o livro de contos Amor Vampiro (Giz Editorial). Seu primeiro romance, Kaori – Perfume de Vampira, deverá sair em meados de 2009 pela Giz Editorial. Sempre na área de literatura fantástica, edita o fanzine FicZine e é co-editora da Scarium Megazine.

LANÇAMENTO NACIONAL: 03/SETEMBRO/2009

domingo, 23 de agosto de 2009

Charlotte - Danny Marks


Uma cidade pequena, onde os habitantes conhecem as histórias de todos, não é muito hospitaleira para novos moradores, pior para crianças.
Isso Charlotte já sabia. Sua cabeleira ruiva de doze anos emoldurava uma mente ágil e determinada e poucas coisas a assustavam.
Ficou encantada quando os filhos dos vizinhos a convidaram para uma brincadeira lá no final da rua 13. Seria o seu primeiro contato formal com aquele grupo de crianças, alguns já davam demonstrações de hostilidade, mas acreditou que poderia reverter isso com um pouco de boa vontade. O pai sempre lhe dizia: Não desperte a ira dos vizinhos, é preciso saber manter a harmonia...
Ela se arrumou para a brincadeira, já esperava algum tipo de trote ou ritual de iniciação, essas cidades são todas iguais.
Achou engraçado que o teste fosse em uma casa mal assombrada, como diziam as crianças, precisaria provar que tinha coragem de entrar lá e recolher alguma relíquia que fosse mortal ao fantasma que habitava a casa.
— Você vai ver, é uma menina loirinha, muito bonita, mas é malvada. — disse o Jonathas, líder das crianças, com seus primeiros pelos a aparecer na cara e a voz mudando de tom, era mais assustador para Charlotte do que qualquer fantasma.
— Mas o que ela fez? Porque se tornou um fantasma?
Jonathas assumindo um ar de quem conhecia tudo sobre o assunto explicou:
— Ela era uma menina muito mimada, fazia tudo o que tinha vontade, até que um dia foi pega invocando fantasmas com aquela coisa dos copos...
— A Owija... É um oráculo rudimentar — disse Charlotte
— Sim, eu sei — retrucou Jonathas, não queria ficar abaixo da novata — Mas ela era aprendiz de bruxa, tinha feito pacto com o demônio para ficar sempre jovem...
— Ela não era uma criança? Porque se preocupar com a juventude?
— Escuta aqui, você quer ou não saber o que acontece na casa antes de entrar lá?
— Desculpe, pode falar então, mas não adianta querer me colocar medo...
— Isso é porque você ainda não sabe do cão demoníaco — disse a Soraya, que tinha feito um papelão quando fora a sua vez de entrar na casa — É um monstro horrível de seis pernas que sempre antecede a menina fantasma, é o animal de estimação da bruxa.
— Sim e está ao lado dela no quadro que garante que eles nunca vão morrer, esse foi o pacto — disse o garoto sardento atrás de Soraya.
— Então está bem, eu entro lá, pego o quadro e trago aqui fora e queimamos ele, assim o demônio vai embora e não vai mais incomodar ninguém.
Todos se olharam desconfiados da coragem daquela garotinha. Ela riu e se dirigiu a casa. Em outras cidades havia sido mais difícil conquistar a confiança dos locais, seu pai ficaria orgulhoso quando soubesse o que estava fazendo.
Na ultima cidade inventaram que ele era colecionador de borboletas raras, dera certo por algum tempo, mas desta vez seria muito mais fácil.
Parou na porta da casa e olhou para as crianças na rua que tremiam mais do que ela que estava para entrar no covil do monstro, ao longe já dava para ver o delicioso tom vermelho do fim de tarde encobrir a cidade.
Em breve seria uma cidade fantasma, como as outras que visitaram, era uma pena, talvez pudessem se demorar mais tempo desta vez, comer com calma.
Acenou para as crianças sorrindo e entrou na casa, os caninos ligeiramente saltados pela antecipação, mas antes tinha que enfrentar um fantasma.
Como se isso fosse problema para uma vampira como ela.


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