sexta-feira, 19 de maio de 2017

Aforismos de Criminal Minds 12ª Temporada



12X01 – The Crimsom King

Raiva é minha refeição. Eu me alimento de mim mesmo. E assim, devo morrer de fome.
William Shakespeare

O mal que os homens fazem vive depois deles. O bem, muitas vezes é enterrado com seus ossos.
William Shakespeare

12X02 – Sick Day

Perda e posso. Morte e vida são um. Não há nenhuma sombra onde o sol não brilha.
Hilaire Belloc

O amor começa cuidando dos que estão mais próximos, os que estão em casa.
Madre Teresa

12X03 – Taboo

Prazeres pecaminosos e proibidos são como pão envenenado. Eles podem satisfazer o apetite naquele momento, mas há morte neles no final.
Tyron Edwards

Três coisas não ficam escondidas por muito tempo: O Sol, a Lua e a Verdade.
Buda

12X04 – Keeper

Cuidado com o homem que não fala e com o cachorro que não late.
Provérbio Cheyenne

O que pode haver de maior para as almas humanas que sentir-se juntas para sempre, unidas no silêncio de inimagináveis lembranças?
George Eliot

12X05 – The Anti-Terror Squad

Os maliciosos possuem uma felicidade sombria.
Victor Hugo

Liberdade é o que você faz com aquilo que foi feito a você.
Jean-Paul Sartre

12X06 – Elliott’s Pond

A força de uma família, como a força de um exército, está na lealdade uns aos outros.
Mario Puzo

Enquanto a memória de alguns amigos queridos morar no meu coração, eu vou dizer que a vida é boa.
Helen Keller

12X07 – Mirror Image

Um irmão pode ser o guardião da identidade de alguém, a única pessoa com as chaves para libertar o ego mais fundamental.
Marian Sandmaier

Então disse o pai: Você está sempre comigo, e tudo que eu tenho é seu. Mas era preciso festejar e nos alegrar, porque esse seu irmão estava morto e tornou a viver. Estava perdido e foi encontrado.
Evangelho de Lucas

12X08 – Scarecrow

Deus às vezes nos leva até aguar turbulentas, não para nos afogar, mas para nos purificar.
Autor Desconhecido

Às vezes, coisas boas desmoronam para coisas melhores acontecerem.
Marilyn Monroe

12X09 – Profiling 202

Que loucura é essa de esperar o mal antes de ele acontecer?
Lucius Annaeus Seneca

A vida dos mortos é colocada na memória dos vivos
Marcus Tullius Cicero

12X10 – Seek and Destroy

Agora, vamos criar esse grupo de ladrões, e chamar de gangue de Tom Sawyer. Todos que quiserem entrar nela terão que fazer um juramento e escrever o nome em sangue.
Mark Twain

Uma gangue é onde um covarde vai se esconder.
Mickey Mantle

12X11 – Surface Tension

Devemos lembrar que Satã também tem seus milagres
John Calvin

O tempo move-se em uma direção, a memória em outra.
William Gibson

12X12 – A Good Husband

Um bom marido faz uma boa esposa.
John Florio

Nada é mais triste do que a morte de uma ilusão
Arthur Koestler

12X13 – Spencer

Pois não há homem justo sobre a Terra que faça o bem e nunca peque.
Eclesiastes 7:20

Existem tantas coisas frágeis afinal. Pessoas se despedaçam tão facilmente, assim como sonhos e corações também.
Neil Gaiman

12X14 – Collision Course

A Ilusão de controle faz a impotência parecer mais palatável.
Allie Brosh

Perda de controle sempre foi a fonte do medo. Também é, no entanto, sempre a fonte de mudanças.
James Frey

12X15 – Alpha Male

Homens fortes, que realmente são modelos, não precisam rebaixar mulheres para se sentirem poderosos.
Michelle Obama

Uma das muitas lições que se aprende na prisão, é que as coisas são o que são, e sempre serão o que serão.
Oscar Wilde

12X16 – Assistance is Futile

Ser contrário a consciência, não é correto ou seguro. Aqui estou. Nada mais posso fazer.
Martin Luther

Esperança é ser capaz de ver que existe luz, apesar de toda a escuridão.
Desmond Tutu

12X17 – In the Dark

A Vida, é claro, nunca tem toda atenção de alguém. A Morte sempre permanece interessante. Nos puxa, nos atrai.
Janet Malcolm

Quão abençoadas são algumas pessoas que na vida não têm medos ou pavores, que dormem à noite como se dormir fosse uma benção que não traz nada além de doces sonhos.
Bram Stoker

12X18 – Hell’s Kitchen

Como posso ser substancial sem dispor de uma sombra? Também devo ter um lado sombrio para ser completo.
Carl G. Jung

Não pode ser visto, não pode ser sentido. Não pode ser ouvido, não pode ser cheirado. Encontra-se atrás das estrelas e sob colinas, e preenche buracos vazios. Vem primeiro e segue depois, acaba com a vida, mata a risada.
J. R. R. Tolkien

12X19 – True North

É progresso se um canibal usar um garfo?
Stanislaw Lec

O futuro é inevitável e preciso, mas pode não acontecer. Deus se esconde nas lacunas.
Jorge Luiz Borges

12X20 – Unforgettable

O passado nunca está onde você pensa que o deixou.
Katherine Anne Porter

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente.
Soren Kierkegaard

12X21 – Green Light

A vida de todo homem termina do mesmo jeito. São apenas os detalhes de como ele viveu e como ele morreu que distingue um homem de outro.
Ernest Hemingway

12X22 – Red Light

A vilania que me ensina irei executar, e será pesada. Mas farei melhor do que a instrução pede.

William Shakespeare


Distopia Made in Brazil – Danny Marks



          Que os brasileiros possuem uma criatividade sem limites, isso ninguém no mundo dúvida. Que a “malandragem” brasileira é sem precedentes, também não. Isso já foi cantado e difundido por todos os cantos deste pequeno planeta e tem, desde sempre, sido seu maior tesouro e pior veneno, afinal, a diferença é apenas uma questão moral e ética.
          O “colorido” brasileiro quebra a monotonia do “preto no branco” maniqueísta que está impregnado nas diversas culturas pelo mundo e que dificulta olhar soluções alternativas, criativas, para algum problema complexo. E muitas empresas ao redor do mundo perceberam isso, tanto que investem em especialistas brasileiros para achar soluções inéditas e inusitadas.
          Nós temos, provavelmente, os mais criativos geradores de narrativas do mundo todo. Então, por que o mercado literário nacional não decola? Talvez porque o brasileiro pense no curtíssimo prazo, no imediato, ao contrário de outros povos que tem uma visão mais ampla e necessária de continuidade.
          Veja, por exemplo, a construção de uma narrativa complexa que supera facilmente qualquer grande obra de Hollywood em termos de enredo (e podem até mesmo juntar vários em um) que não seria tão inteligente, criativa e inusitada: A Distopia Brasileira.
          Imagine uma distopia baseada em grupos políticos interessados em lucrar muito e rapidamente em um esquema que levaria anos para ser descoberto, se fosse. Ok, isso seria um péssimo plot se fosse montado do início. Seria necessária uma desconstrução a partir de um evento que chocaria o público logo de início e prenderia sua atenção chamando-o para a trama. Como fazer isso? Uma técnica simples deve bastar. Um escândalo político é descoberto e levado à público pela instituição responsável por investigar esses esquemas ilícitos.Nada melhor que a promessa de uma grande reviravolta para fazer o público se interessar logo de início.
          Tem que começar com uma bomba política, abalando reputações de pessoas que estão no poder e que possuem uma certa credibilidade entre os seus partidários. Ok, isso não é o suficiente para compor uma boa história, afinal seria apenas mais um “bem contra o mal” e no final todos esperariam que o bem triunfasse e pronto. O que falta? Se estamos falando em distopias, é preciso que haja uma conspiração. Conforme vão sendo levantados os fatos relevantes do escândalo, mais e mais pessoas vão sendo envolvidas.
          Que tal se colocarmos alguns elementos socioeconômicos? As reputações abaladas são de pessoas que representariam, ou deveriam, a parcela mais pobre da população que consiste em um grande eleitorado, já que estamos falando de um país em desenvolvimento. A parte econômica se daria pela inserção de empresas criadas dentro do esquema, que se tornariam gigantescas com lucros obtidos através de negócios escusos e propinas com o financiamento e aval dos membros do governo. E isso seria descoberto e levado à opinião pública gerando uma grande revolta entra e população. Ainda não está convincente? Então vamos acrescentar mais elementos.
          Para garantir que conseguiria os privilégios desejados, esses “empresários do mal” teriam financiado campanhas políticas de todos os partidos. Assim, não importando quem entrasse, estariam nas suas mãos. Que tal se houvesse um esquema entre as empresas “colaboradoras” do esquema, para que dividissem entre si as obras financiadas pelo governo, superfaturadas para incluir mesadas (sim, propinas mensais garantidas por anos) para os que aprovassem e outras para que não fossem denunciadas. Inverossímil? Bem, estamos falando de um esquema que vai crescendo durante anos e se infiltrando cada vez mais fundo. Que será desvelado em flashbacks investigativos e em ações no tempo real.
          Vamos colocar então algo que agite essa trama, está tudo muito embolado, é preciso dinâmica. Que tal grupos opositores, cientes do esquema todo, competindo entre si para serem os que recebem os maiores lucros, e para isso montam esquemas dentro de esquemas para construir um projeto de se manter no governo através de negociatas internas, enquanto para os eleitores se apresentam como opositores ferrenhos?
          Oito anos cada e todos seriam servidos, certo? Errado, estamos falando de pessoas que não tem escrúpulos e são gananciosas, viciadas em ganhar dinheiro fácil. Então começam a planejar um esquema para derrubar os que estão no comando, e ficar ainda mais tempo. Eliminar a concorrência ilícita, e assumir totalmente o controle com o “combate à corrupção”, dos outros. Basta uma traição aqui e ali e muitos sacrifícios pequenos, de membros não tão importantes assim “corrompidos” pelo esquema alheio.
          Mas o contra-ataque também ocorre e as coisas ficam meio neutralizadas, só que uma vez levantado o pano, outros elementos descobrem o esquema lucrativo e começam a ficar ambiciosos também. Então as empresas que ganhavam rios de dinheiro de forma fácil, passam a ser achacadas por todos os lados e resolvem revidar. Basta que comecem a revelar em delações premiadas os esquemas e assim, pouco a pouco, vão derrubando o esquema todo, enquanto conseguem vantagens legais pela delação e ainda conseguem segurar boa parte dos lucros que obtiveram ao longo do tempo (e aqui retornamos ao início com a operação já citada). Afinal, não é preciso entregar tudo e os próprios delatados teriam interesse em se manter calados, seja por vantagens adquiridas e posteriores ou por ameaça.
          Agora é preciso um plot twist, uma reviravolta. Que tal bagunçar ainda mais a coisa com outros elementos? Que tal construir narrativas indignadas, divulgadas pelas mídias, gerando heróis instantâneos (pessoas que fazem um trabalho honesto, e por isso se tornam um exemplo contra a corrupção), e fazem uso daquela área sombria dos procedimentos legais, jogando um lado corrupto contra o outro lado corrupto (afinal, isto é uma distopia, e até heróis tem que ser sombrios) aliciando exércitos através de fatos revelados sob um viés que os apresente para este ou aquele grupo, de forma a se identificarem.
          Mas espere, isso vai acabar derrubando o país em uma crise sem precedentes, seja política, seja econômica, seja social. Desencadear uma guerra civil gerando uma ditadura, o que seria ruim para todos. Então o que é preciso é deixar muitas lacunas, de forma a manter a tensão, mas também fazer com que as pessoas fiquem em dúvida sobre o que está acontecendo. Isso permitiria que os esquemas continuassem agindo em ambos os lados ocultos, ao mesmo tempo que “medidas saneadoras” estivessem ocorrendo. Algo como um truque de mágica. Olhe para uma das mãos enquanto a mágica acontece na outra. Narrativas convincentes com meias verdades seriam divulgadas abertamente pela própria imprensa ou por algum dos envolvidos em cadeia midiática nacional.
          É preciso lembrar que uma distopia tem que criar aquele clima de desesperança generalizada, de que as coisas são assim e não podem mudar. Para isso é preciso que a corrupção seja apresentada de forma tão generalizada que não há qualquer possibilidade de uma solução, pacífica ou não, porque só haveria uma substituição do Status Quo por outro semelhante, ou pior. Resta aos personagens escolher um lado e esperar que seja o menos pior. Lutar para conseguir uma vaga no esquema. Garantir que as coisas não mudem para algo muito mais estranho e ruim. Melhor ficar com os demônios conhecidos.
          Não, isso seria ridiculamente maniqueista e comum; cadê a criatividade? O melhor é fazer com que as Empresas, aquelas mesmas que se beneficiaram de todo o esquema e que entregaram os corruptos que aliciaram para se livrar deles, também comandem as massas de forma a que se crie um sentimento de que é possível se livrar dos bandidos (os políticos) e gerar uma nova moral (das empresas). Assim, basta interromper por algum tempo os esquemas de corrupção e o país volta a crescer normalmente (o que estava sendo impedido pelo próprio esquema) devido (e essa será a narrativa apresentada) aos heróis que criaram uma nova forma de governo, reformaram as leis e fizeram um esquema mais justo onde todos (menos os interessados) paguem um pouco pelo bem-estar comum. E a população, vendo políticos poderosos presos, com bens confiscados, repudiados publicamente, sentem-se com a alma lavada e voltam a fazer o que sempre fizeram, trabalhar cegamente.
          Claro que com o tempo todo o esquema anterior será esquecido, os presos podem ser beneficiados por algum outro acordo não divulgado e logo retornam aos seus lucros escondidos. As Empresas que ficaram bilionárias com os esquemas entregam parte dos lucros ilícitos, pagam multas vultosas aos olhos do público (mera parcela do que lucraram), pedem desculpas, e voltam a empregar pessoas porque afinal, não podemos parar a nação que já dá mostras de crescimento. E uma nova geração de corruptos, em um novo modelo, pode ser aos poucos fomentado deixando para os futuros livros de história as outras tramas.
          Mas, pode ser que o sucesso da primeira fase seja tão grandioso que seja necessário ter uma segunda temporada. Que tal se o próprio poder judiciário estiver infiltrado por corruptos que ocupem cargos significativos e que sejam obrigados a proteger com manobras legais descaradas e imorais os corruptos presos aos quais estão vinculados. Provocariam com isso uma guerra dentro das instituições, abalando as estruturas, colocando a população estarrecida em um êxtase imóvel, assistindo ao show de horrores que se tornaria o cenário político que determinaria o seu futuro, sem saber o que fazer, apático. Quantas reviravoltas seriam possíveis à partir daí? Juízes investigados? Ministros indiciados? Aviões que caem misteriosamente com importantes figuras de destaque nessa guerra? Acidentes vasculares imprevistos apesar dos anteriores quadros médicos perfeitos? Inúmeras possibilidades de descer ainda mais o nível e aumentar ainda mais a tensão da narrativa. Que tal um plot twist do tipo “O poder econômico global, vendo que o modelo brasileiro poderia ser copiado por políticos de outros países já envolvidos em corrupção, sentindo-se ameaçados, resolvem interferir na guerra a favor dos que querem derrubar o esquema e moralizar as coisas”? É preciso lembrar que é uma distopia, os interesses comandam, não os sentimentos, e o Brasil não é um país deslocado do mundo. As empresas que detém o controle dos políticos corruptos em outros países, poderiam se sentir ameaçadas se o esquema brasileiro se invertesse e seriam forçadas a agir com todo o poder que possuem. A Terceira Guerra Mundial não seria necessariamente com armas, embora possa haver conflitos armados localizados, mas seria no campo de batalha econômico, e o Brasil seria um dos pivôs dela.
          O sentimento de que a humanidade possa descer tão baixo, que não haja realmente heróis altruístas, que grupos de interesse possam se juntar com os supostos adversários para lucrar ainda mais com uma suposta guerra entre si, matando milhões no processo sem jamais serem incriminados de fato pelos seus atos, não é algo que o público vai esperar em uma narrativa, mas trata-se de uma distopia, é feita para apresentar o pior do pior possível. Pior que uma corrupção generalizada, é o sentimento de que, nem mesmo nós faríamos melhor, se houvesse oportunidade. Isso seria olhar para os nossos erros e ter que os admitir, exigindo uma atitude madura de superação.
          Por isso que não temos autores brasileiros fazendo narrativas de sucesso. Ninguém acreditaria que essas coisas poderiam ser reais e estar acontecendo em algum lugar do mundo. Nossas fantasias mais inacreditáveis, são justamente isso, inacreditáveis. Mas, somos os melhores em descobrir formas inusitadas de fazer as coisas, para o bem ou para o mal, maniqueisticamente falando. E talvez seja apenas isso que nos salve, afinal.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Dias Azuis - Danny Marks


          Quando a força da gravidade alcança todas as células do seu corpo com a percepção de que estão ali, juntas em cada milímetro cubico, e erguer-se se torna algo que exige esforço, você percebe que é um Dia Azul.
          A fumaça das folhas que o acalmavam, fusionadas no vapor ou na chama, não alcançam o mesmo intento de antes. Não se afogue em sal, mas deixe que saia, na manhã cinzenta ou na tarde ensolarada. Deixe que saia porque muitas vezes o dia fica azul.
          Ah, que doces lembranças que retornam com intensidade. Que pensamentos que gostaria de ter levado ao passado, para o momento certo que provocaria a atitude que o tornaria mais. O que mais? Não há como saber agora que outros conhecimentos se sobrepuseram e o fizeram entender que há dias que são azuis.
          Há dias coloridos, rosa, amarelo, vermelho. Dias negros, cinza, também fazem parte do calendário, o planeta girando sobre suas rodas imaginárias, dançando em torno do astro que arde em sua solitária condução. Dias frios, outros quentes, outros se tornam noite sem que se perceba por quem. Há aqueles de energia ultravioleta, no infravermelho do seu olhar em busca do calor, no amor ao frio, cianótico para uns, dourado para outros.
          Há tons nas cores, como há sabores nas línguas que se tocam. Gradações que se percebem ou se dispersam nos sentidos, afinados ou compostos de outras melodias que não se percebe. Toque aquele acorde febril e veja como vibra a atmosfera que nos envolve, e ainda assim, não seremos dois iguais na multidão, quando muito um par a evoluir na dança dos dias azuis.
          Todas as melodias terminam, os acordes descansam entre um show e outro, improvisos nos acompanham e estabelecem o seu próprio ritmo. O insuportável silêncio nos invade com um grito de bis do respeitável público, de ingressos na mão, esperando ansioso pela solução que virá. Cai o pano, as luzes acendem, hora de ir. Não vá para a luz! Não deixe que se vá, prenda com correntes fortes e mate-se sem reverberações.
          Não, há dias que precisam ser azuis para poder nos lembrar que há muitas cores necessárias na paleta do Criador, mas nenhuma se repete além do seu breve momento de brilho ofuscante, lusco fusco de intimo saber.
          Então você consegue pegar o ritmo novamente, e descobre o seu momento, e está tudo bem. Porque há tanto na harmonia desse universo que até mesmo o mais azul dos dias, só serve para lhe dizer o quão grandioso é. E o seu sorriso não é mais azul, e o vapor ou a fumaça das folhas de outono já não precisam mais acalmar o peso das suas células orbitando um coração. Há toda uma composição urgente na calma dos seus gestos e o solo se torna um voo de liberdade que toca as almas distantes com seus acordes de reconhecimento.

          Agora você pode se ver novamente, em seus novos olhos azuis, como as estrelas em uma noite sem fim, onde sempre poderá plantar as suas esperanças a piscar em vários tons, sabores e cores. Porque se todos gostassem apenas do verde, o que seria dos Dias Azuis?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Pequena História de Uma Figura - Danny Marks




Havia um mar...
No mar pequenas ondas iam e vinham.
Era noite...
Havia um céu salpicado de estrelas e pensamentos.
Havia uma praia...
Na areia pequenos rabiscos desenhados, sem sentido.
Ele apareceu com seu passo de quem já teve pressa, mas aprendeu a esperar, olhou os rabiscos sem sentido.
Dando uma longa risada em direção às estrelas, sentou-se na areia e passou a unir os rabiscos sem sentido e traçou uma figura que, de algum modo, era a sua imagem e semelhança.
Ele deu permissão à figura para viver no mundo que criara para ela.
Mas a figura era apenas um esboço.
E como esboço precisava ser aperfeiçoada.
Ele concedeu-lhe o poder de criar novos traços, figuras ou esboços que a ajudassem a se retocar e foi embora percorrer outros caminhos.
A figura começou a julgar-se poderosa, pois podia fazer tudo o que quisesse, e quanto mais a lembrança dele se afastava mais ela duvidava de sua existência.
A figura buscou aprender sobre o seu mundo e, aprendendo, começou a querer dominar tudo, mudar o que sabia e o que não sabia, criar novos traços sem sentido, como os que um dia ela tinha sido.
Apagou, rasurou, rabiscou tudo o que achava sem utilidade momentânea, fez coisas pelo simples prazer de poder fazer, sentia uma necessidade de ser maior, muito maior do que a lembrança que ainda restava dele, queria o poder para ser livre, sem perceber que somente a sua incompreensão a prendia no chão.
O mesmo chão que a tinha sustentado voltou-se contra sua arrogância, a mesma força que tinha sido dada para criar, criou as ferramentas da destruição, e rabisco após rabisco, esboço após esboço, todos foram desaparecendo, apagando-se como a tinta que fica velha
E a Figura ficou só, sem rabiscos ou esboços com quem pudesse falar.
Sozinha pôs-se a chorar...não entendia...não queria entender...
Suas lágrimas rolaram pelo seu corpo rabiscado e foram juntar-se as ondas que iam e vinham na praia.
Amanheceu...Havia um mar...
E no mar pequenas ondas iam e vinham na areia da praia.
Havia um céu...E no céu um sol quente...
Havia uma praia...e na areia nenhuma figura, nem mesmo esboços...
Apenas alguns rabiscos sem sentido.
Ele voltou, olhou os rabiscos e sorriu, havia tempo...
E enquanto olhava, lembrou-se de um lugar distante, um tempo em que havia aprendido sobre as linhas tortas...e como torna-las belas e perfeitas...
Sentou no chão e sem pressa, passou a juntar os rabiscos criando um desenho, e o desenho de alguma forma era a sua imagem e semelhança...

Um dia haveria mais alguém naquela praia...ele sabia disso...

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