segunda-feira, 17 de março de 2014

Todo Mundo tem o Direito de Ser Feliz - Campanha da Saatchi & Saatchi

Este vídeo é a resposta para a mãe que enviou o email... e para todos nós também. Porque ninguém nasce perfeito, isso é algo que construímos durante a vida. Parabéns a todos os envolvidos nessa jornada, fazem por conquistar o meu carinho e respeito. (Danny Marks) 



A filial italiana da Saatchi & Saatchi aproveitou um e-mail enviado por uma futura mãe para criar a nova campanha da CoorDown, organização nacional de apoio à Síndrome de Down.
"Que tipo de vida o meu filho vai ter?", perguntou a mulher que estava com medo, pois acabara de descobrir que seu filho iria nascer com a doença genética.
O anúncio, feito especialmente para o Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, traz 15 portadores da Síndrome de Down para responder a pergunta da mãe, mostrando as alegrias e os desafios que o filho possivelmente enfrentará no futuro.
O filme adota o conceito "Todo mundo tem o direito de ser feliz", a fim de promover a diversidade e integração na sociedade, especialmente na escola e no trabalho.
Este é o terceiro ano de trabalho da Saatchi com a CoorDown. As duas últimas campanhas ganharam 11 Leões em Cannes para a agência.
Com informações do Adweek.


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sábado, 8 de março de 2014

Encontro às Escuras – Danny Marks


— DEUS!!!
— Oi, está tudo bem por aqui?
— Quê? Porra, velho, quem é você?
— Não me reconhece? Sou eu...DEUS! Você me chamou...
— Não chamei não. Foi a luz que apagou. Que barulheira é essa? Como entrou aqui?
— Não ouviu antes? Sou... DEUS! As trombetas são...efeito sonoro, pra dar dramaticidade.
— Como assim... DEUS!???
— Tipo assim, o criador de todas as coisas. O pai supremo. Aquele que concede graças...
— Criador de todas as coisas... Ah, fala sério, você é um empresário! Saquei, isso é algum golpe publicitário da sua empresa e daqui a pouco a luz acende  e vai ter um monte de gente, as câmeras...
 — Não, ainda não entendeu... Meu... EU! Onde foi que errei ao criar essa espécie?
— Se não é da TV, então é ladrão. É, porque entrar assim na minha casa... meu, se arrombou a minha porta vai ter que pagar!
— Não arrombei a porta... Surgi aqui na sua sala. Eu sou Deus, lembra? Não é do meu feitio ir por ai arrombando portas...
— Velho, de boa, se for o figura que falam por ai, cara, cê é um tremendo de um mau caráter.
— Epa! Olha lá como fala, cadê o respeito?
— Respeito? Você é o principal causador das guerras no mundo. Seguido de perto pelo dinheiro, mas tudo bem, porque o conceito é o mesmo. Tudo o que é cultuado acaba virando motivo de guerra, de imposição e...
— Não, há um engano nisso. Eu tenho sido mal interpretado e...
— Ah, claro. Agora vem com esse papo de político. Os desvios de verbas, as falcatruas por baixo dos panos, sociedades secretas e coisa e tal... foi um erro de interpretação... sei.
— As coisas são mais complicadas do que parecem.  Posso sentar?
— Ah, sim, pode... Quer uma cerveja?
— Não tem vinho? Sabe, é que eu prefiro.
— Eu posso te dar água e você transforma, quer? Tipo assim, aquela vez...
— Não, esse foi o meu filho...
— Tá vendo? Eu sempre disse que esse lance de protecionismo era a sua pior característica. Por que pra ele você deu poderes enormes e pra todo o resto nada?
— O que você queria? Crucificar a todos? Quem iria me adorar?
— Ah, mas é muita hipocrisia, fazer com que um carregue a culpa de todos. Depois tem gente reclamando dos políticos que sacrificam os inocentes para pagar os próprios pecados.  Esse é o seu exemplo...
— Quer saber...? Me traz a cerveja mesmo.
— Não tá muito gelada, acabou a luz, lembra? E é daquela marca...
— Tudo bem! Traz logo essa mesmo. Que se dane.
— Tipo assim, você não poderia fazer um milagre de multiplicação?
— Da cerveja?
— Não, de uns dólares que tenho escondido. A coisa tá feia pro meu lado e... sabe como é...  o lance de família...pra ajudar nos momentos difíceis...
— Mas vocês me abandonaram...
— Não, nada disso! Até onde sei foi você que expulsou a gente de casa. Tava tudo muito bem no paraíso, com sexo, comida, boa vizinhança...  
— Mas eu dei a Terra para vocês...
— E nunca veio nos visitar... Agora não vem não que já é usucapião...
— Tá... tudo bem, não vamos falar do passado...
— Legal, vamos falar do futuro. Quais  números que vão ser sorteados na Mega-Sena acumulada?
— Mas você só pensa em dinheiro?
— Claro que não. Também penso nas coisas que o dinheiro traz. Esse lance de dar a vida é fácil, mas quem sustenta? Aí, toma a cerveja.
— Nossa, é muito ruim mesmo.
— É o que deu pra comprar. Já falei, a coisa tá feia pro meu lado. Se tivesse mais grana...
— Acho que vou acabar com o mundo.
— Por mim tudo bem... pode ser na terça feira? Quero saber o final daquela série...
— O assassino é o Jorge, estava devendo para os mafiosos e armou o plano do sequestro, mas deu tudo errado e...
— Beleza! Acabou de ferrar o único prazer que eu tinha. Vai, acaba com o mundo...  Ao menos não vou ter que pagar as contas no próximo mês.
— Está tudo errado, não deveria acontecer assim.
— Ei, não olha pra mim não, o DEUS! aqui é você.
— E você deveria ser meu profeta. Anunciar ao mundo a minha palavra...
— E por acaso tenho cara de publicitário? Velho, se enganou de apartamento...
— Aqui não é o 2024?
— Claro que não, é o 2014.
— Droga, errei na queda, desculpe. Bem, então vou indo... obrigado pela cerveja.
— Já que tá aqui, quer mais uma?
— Bem... pode ser... Um milagrezinho não faz mal, né?
— Opa!!! Agora sim! Essa é da boa.
— Eu sei, andei pesquisando na internet enquanto falávamos.
— Valeu! Até que você não é tão mal quanto dizem por ai... tem essas coisas das sete pragas e tal, mas quem é perfeito, né?
— EU sou perfeito.
— Oh cara, na boa, não está acostumado a beber, não é mesmo? Vai, chega pra lá. Quer ver alguma coisa na TV? Tem canal de sexo, de esportes... Ah, droga, a luz ainda não voltou...
— Podemos apenas ficar conversando. Trocar umas ideias e tal, tenho todo o tempo do mundo...
— Sem problemas, também não curto muito beber sozinho, e tem umas coisas que eu queria lhe dizer...
— É mesmo? O quê?
— Ah, nada demais... Só umas curiosidades e... sei lá, sugestões para melhorar o mundo...
— Tranquilo... Quer um queijinho? Esse é do bom, acabei de fazer.
— Pai... posso te chamar de pai, não é? Afinal...
— Pode sim. Diga meu filho...
— Acho que esse será o início de uma grande amizade...


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Imagens Acústicas e Metáforas - Danny Marks



               A menina, tomada pelos sentidos e sentimentos na música, repete e inventa gestos que viu fora e dentro de si, dirigindo os tons e os ritmos dos sons. A arte inspirada que se exala no processo de ser.
                Se precisasse de uma metáfora para descrever as Imagens Acústicas, este vídeo seria a melhor que conseguiria, porque a língua nasce da espontaneidade do falante ao tentar traduzir em sons inteligíveis os sentidos e sentimentos que estão dentro e precisam ser exteriorizados na fala, estabelecer a comunicação.
                Os padrões de oralidade, as retextualizações que fazemos para traduzir a fala em texto são instrumentos que manipulamos na tentativa de capturar um instante e torna-lo eterno apesar de sua efêmera e volátil natureza.
                Letras são simplesmente códigos que desenvolvemos e alinhamos para representar sons, não são os objetos capturados, apenas metáforas destes objetos.
                E o que são metáforas então? Palavras ou expressões que possuem no seu bojo sentidos figurados, múltiplos, daquilo que queremos transmitir e que as formas convencionais não alcançam. São como o inconsciente das palavras que absorvemos ou não, por afinidade, por conhecimento prévio, por relações de sentido que são anteriores. Mas também são reforçadas pela forma sonora da reprodução, pelos tons e pelos silêncios que produzem.
                Freud dizia que tudo o que ele falava o poeta já havia dito antes. Porque a poesia é a arte que mais tenta aproximar o que é indizível, invisível, intangível, da realidade perceptiva dos sentidos através das imagens acústicas que transcendem  o objeto descrito.
                Nascem dele, como que brotando da fonte e tornam-se rio com vida própria que  corre solto e livre para o mar que une a todos.
                Como falar de sentimentos quando não conseguimos explicar como surgem, por que existem, para onde vão, que são tão íntimos e sem duplicidade e no entanto nos dão a percepção de estarmos vivos mais do que qualquer autoconsciência  que possamos desenvolver?
                As imagens acústicas são a poesia implícita nas artes, a música que ouvimos ao ver uma tela, as imagens que vemos ao ler ou ouvir um poema, a fotografia arrancada da memória que nos surpreende no sentir da música.
                Um  exemplo é a musica Solidões , de Osvaldo Montenegro.  Como assim “solidões”?  Uma antítese conceitual? Se solidão é o sentimento de vazio, isolado, que causa sofrimento emocional.; diferente de solitário que representa, muitas vezes, uma escolha pessoal de afastar-se das pessoas para obter uma paz e tranquilidade; como pode ser plural?
                Essas diferenças sutis que existe em um sentir é que o poeta tenta capturar com metáforas e imagens acústicas.
               
A Solidão é uma cidade abandonada
É uma carroça numa estrada que vai dar na Escuridão
É a feiura da Mulher, toda arrumada
Passeando na calçada sem ninguém dar atenção
            Note que a construção da imagem vai do macro para o micro universo. Da cidade para a pessoa, trabalhando com a antítese. Uma cidade pressupõe gente, população. Uma mulher toda arrumada pressupõe a beleza. Um passeio em uma calçada pressupõe o contato com o outro. Mas os pressupostos são derrubados ao demonstrar o vazio anti natural, contrário ao que está implícito no conceito de que o ser humano evoluiu como um ser que precisa de contato com o outro.
A Solidão é como um pássaro ferido
Que voou, mas está perdido, sem saber a direção
É como mão, sem outra mão, para bater palma
Como um Deus que perde a calma, se ninguém pedir perdão
            Neste segundo momento a imagem volta-se para o sentir. A dor da ferida que desorienta. A ausência da contraparte que dá sentido. A raiva da incompreensão que vem de fora e invade o ser. Do natural ao divino, a solidão pode afetar a todos.
A Solidão é como um nome que se esquece
Como um homem que envelhece, sem viver o que sonhou
É como um transito em plena madrugada
É o poeta na calçada que ninguém, nunca, escutou
            Agora o poeta descreve a perda, o vazio, a ausência impalpável. Um nome que poderia resignificar; a desconstrução do sentido de viver, o vazio existencial;  a força inusitada que acaba com o momento de paz que deveria haver, põe fim ao descanso que seria natural; o isolamento imposto.
A Solidão é uma atriz, sem a plateia
É abelha sem colmeia, é barco à vela no sertão
É a promessa do político, sem ética
É a conta aritmética onde o Zero é a solução
A Solidão é uma bola, sem chuteira
É a vizinha fofoqueira, sem vizinhos no portão
A Solidão é o rebolado da mulata
Quando a festa já está chata e ninguém quer mais sambar, não
            Nestes trechos o poeta tenta demonstrar a antinaturalidade avassaladora, que rouba o sentido do viver. Lembra que é preciso o outro para resignificar a nossa existência e nessa interdependência, a ausência do outro em nós gera um vazio lógico, porém insuportável à nossa existência.
A Solidão é quando o Tempo vai embora
Quando a gente perde a hora, e o compasso da canção
A Solidão é quando o filme fica bobo
Quando a gente perde jogo, por que alguém fez 'gol de mão'
                Finalmente o poeta nos coloca diretamente a insatisfação contra a injustiça da solidão que transgride as regras estabelecidas pela própria existência. Se evoluímos como espécie para viver em sociedade, a solidão é algo que precisa ser combatida como um câncer que nos rouba a humanidade e que afeta a todos, enquanto sociedade, embora, pela própria antítese dos sentimentos, seja sofrida de forma individualizada.

            Desta forma queremos demonstrar que as metáforas, enquanto imagens acústicas, servem para estabelecer a comunicação entre as singularidades das identidades individuais provocando o SENTIR antes do compreender, porque os sentimentos antecedem a linguagem, antecedem a comunicação formal da palavra oral ou escrita, nascem da necessidade natural da humanidade de dividir com o outro os seus sentimentos. O que, muitas vezes, se faz através da arte naquilo que podemos chamar de poética do ser.


Solidões - Osvaldo Montenegro
Letra da música disponível em http://letras.mus.br/oswaldo-montenegro/solidoes/ (acesso em 28/02/2014)
Videos Youtube.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Canto Norte à Princesa de Gelo – Danny Marks


          Escute, princesa distante, o som que vem do meu coração ...
e diga-me histórias que me façam dormir.
Acolhe em teu regaço os meus pensamentos e os cobre
com a neve dos teus olhos para acalmar a febre que me queima.
Sorria para mim as tuas mais belas mentiras e mostra a beleza
dos campos congelados dos sonhos que perdi.
Estáticos estarão pela eternidade ilusória das lendas
contadas no entorno das fogueiras do tempo.
Acaricia os meus cabelos com o som dos teus desejos
que, talvez, se tornem meus também
e canta para mim a surda canção dos séculos
que carregas com tanta majestade,
que te atribuiria mil sabedorias e verdades.
Dançamos no fim dos dias e essa lembrança
tem me acompanhado como o balsamo amargo
do que foi criado irrealizável.
Ainda me agarro aos momentos que impossivelmente teremos
no medo de perder o que não possuo
ao te buscar em meus delírios desiludidos.
Não me desejes piedade
a menos que tuas penas me deem asas de liberdade
que só conquistei ao perder tudo de mais precioso
que carregava como lastro
e que jamais me permitiriam alçar do chão as raízes
que me acorrentaram em solo fértil.
Deita-te ao meu lado para que possa sentir novamente
o toque evanescente da tua pele sobre a minha
sugando-me as energias de que não preciso,
para viver um ultimo momento de lucidez e loucura.
E quando o dia voltar e me encontrar desnudo
que possa fingir que as águas que me banham
são o teu suor, o teu corpo desfeito e retornado no vento norte...
E não as lágrimas da tua ausência em mim.


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