segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Criminal Minds 15ª Temporada (End Series)

 


 
15x01 – Under the Skin

 O homem não é o que ele pensa ser. Ele é o que se esconde.

Andre Malraux

 

 

15x02 – Awakenings

 

Nada acontece até que algo se mova.

Albert Einstein

 

Que sorte que eu tenho de possuir algo que torna tão difícil a despedida.

A. A. Milne

 

 

15x03 – Espectator Slowing

 

A vida não tem obrigação de nos dar o que esperamos.

Margaret Mitchell

 

 

15x04 – Saturday

 

A única razão para perguntarmos sobre o fim de semana de alguém é para podermos contar sobre o nosso.

Chuck Palahniuk

 

 

15x05 – Ghost

 

Agora eu sei o que é um fantasma. Questões pendentes, é isso que é.

Salman Rushdie

 

A única coisa que torna a batalha psicologicamente tolerável é o companheirismo entre os soldados.
Sebastian Junger


 

15x06 – Date Night

 

Psicóticos: diga o que quiser sobre eles, mas eles sempre tomam a iniciativa.

David Foster Wallace

 

 

15x07 – Rusty

 

A história possui um modo de alterar os vilões de forma que não nos vejamos mais neles.

Adam Serwer

 

Devemos estar dispostos a deixar a vida planejada para termos assim a vida que espera por nós.

Joseph Campbell

 


15x08 – Family Tree

 

Eles falam do que bebo, mas não da minha sede.

Provérbio Escocês

 

Nós, Serial Killers, somos seus filhos, somos seus maridos, nós estamos em toda parte e haverá mais crianças suas mortas amanhã.

Ted Bundy

(Theodore Robert Bundy, mais conhecido pela alcunha de "Ted Bundy" foi um notório assassino em série americano que sequestrou, estuprou e matou várias mulheres jovens na década de 1970 ou antes. Wikipédia)


 

15x09 – Face Off

 

Pessoas feridas são perigosas. Elas sabem que conseguem sobreviver.

Josephine Hart


 

15x10 – And in the End…

 

Boa noite. Adeus. Boa sorte. Não chore. É o limite de tudo isso. Todos os meus amigos. No final do mundo. Desejo vê-los novamente. É o final deste tempo. É o final do nosso tempo. Oh, quão pouco sabemos. Temos um caminho tão longo a frente. Quando você dormir hoje à noite você estará em meus sonhos. É um tipo de amor, é tudo escuro. Nada me confortando. A Terra ficou em silêncio e o ar parou. Agora eu sinto você mais do que jamais senti.

Soft Dark Nothing – Lily Kershaw.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Ser Escritor – Danny Marks




          Qual o conselho que você dá para os escritores iniciantes? Invariavelmente me fazem essa pergunta nas palestras que participo e a minha resposta é invariavelmente a mesma: Desista. Se você conseguir então pode ter uma vida tranquila, do contrário, bem-vindo ao time dos que vão sofrer para o divertimento de César.
          Atualmente qualquer pessoa pode publicar um livro, ou vários. Existe uma indústria inteira dedicada aos novos escritores. Sim, é uma indústria lucrativa para quem trabalha no entorno da produção literária. Um autor independente paga para fazerem a revisão, diagramação, capa, divulgação, book trailer, eventos de lançamento, eventos de autógrafos, sorteio de livros, ilustrações, críticos, agentes literários (que talvez consigam uma chance de publicação em uma grande editora). Há os que pagam para uma editora fazer tudo isso e ficam com uma pequena parte do possível lucro e uma boa parte das despesas (as editoras por demanda).
          Há plataformas que você pode até publicar gratuitamente, ou quase, porque o trabalho de vender, divulgar, diagramar, fazer capa, ilustração, etc é todo seu e se conseguir vender bem, recebe parte do lucro. Mas pode se arriscar a enviar originais para alguma editora e responder perguntas do tipo: Quantos dos seus amigos acredita que comprariam o seu livro? Qual o nível de influência digital que você possui? Qual a sua previsão de vendas para um primeiro disparo?
          Há algo errado nisso? Sim, há. Amigos não são “público”, não os torne isso ou vai ficar sem os dois mais rápido que imagina. Amigos podem comprar seus livros e até gostarem de suas histórias, mas não baseie sua carreira na quantidade de amigos dispostos a “dar uma força” ou ela vai terminar de forma mais rápida e frustrante que imagina. Qualquer pessoa razoavelmente consciente de como funciona o mercado literário sabe que um livro não se vende sozinho, por melhor que seja a história. O autor precisa ser, no mínimo, famoso antes de tentar a fama na literatura. Se não for famoso, considere gastar um bom dinheiro em marketing pessoal e do seu livro para ter alguma chance, ou espere um golpe de sorte que pode levar anos, ou nunca chegar.
          Considere também fazer muitos cursos de aperfeiçoamento, melhorar cada vez mais a escrita, aprofundar seus conhecimentos de roteiros, nichos de mercado, estilos literários, tendências de público, pesquisas gerais e ferramentas de trabalho tecnológicas (sim, existem várias disponíveis e necessárias para cada uma das etapas que vai ter que enfrentar). Depois de pronto o livro vem a parte trabalhosa de se divulgar e divulgar a sua obra. E se fizer sucesso (parabéns!) prepare-se para ser cobrado do próximo livro em menos de um ano. Ou seja, não terá tempo para fazer a divulgação do livro recém-lançado e o próximo livro ao mesmo tempo. E se demorar demais para lançar o segundo, já terá perdido o impulso do primeiro, é nesse ponto que entram os agentes da indústria do livro para ajuda-lo (e lucrar) com seu trabalho.
          Isso ocorre basicamente em qualquer país do mundo, mas há países como o Brasil em que as coisas são piores. Aqui livro não é gênero de primeira necessidade, não é considerado como diversão, a menos que possa ser discutido abertamente com os amigos que também leram e gostaram. Ou seja, se não conquistar uma galera legal logo de cara, suas chances de sucesso decrescem absurdamente. As pessoas vão achar muito caro um livro de um autor brasileiro desconhecido que custa em torno de R$ 50,00 (a média das produções independentes), pagarão mais caro para ter um livro importado de um autor famoso, ou irão preferir gastar mais em uma noitada regada a cerveja (uma pizza chega a esse valor facilmente, já pensou nisso?).
          Tem a questão da distribuição, se o seu livro não ficar acessível, não será comprado. O frete custa caro, um livro usado de um autor estrangeiro custa em média R$ 20,00, o frete custa em torno de R$ 10,00. Ou seja, um livro usado de um autor estrangeiro que alguns amigos comentam custa mais barato do que um livro novo de um autor nacional que ninguém conhece, e jamais vão conhecer porque ninguém deu uma oportunidade. Mas é claro que há os eBooks que além de serem ecológicos permitem uma ampliação do mercado e dos leitores, certo?
          Errado. Já parou para ver o preço dos leitores de eBook? As plataformas dedicadas de sua “biblioteca” que não podem ser lidas em outros espaços de uma forma confortável? Já se imaginou indo a praia ou em algum lugar público levando um eReader? Que tal ler no notebook ou tablet? Celular? Provavelmente vai ficar mais preocupado em ser assaltado do que com a história, fora o desconforto de um aparelho não direcionado para uma leitura prazerosa. Livros físicos ainda são a melhor opção nesses casos portanto voltamos ao mesmo ponto. Sem divulgação, sem vendas. Sem escala, preços que são “caros” se comparados a outros tipos de divertimento que dão menos trabalho. Um cinema conta uma história de 200 páginas em duas horas e custa quase o mesmo preço e muita gente vai ver. Claro que não é a história completa, mas se pode assistir o resumo, para que imaginar todo o roteiro?
          Percebe que não é tão maluca a minha resposta lá do início? Ser Escritor não é uma profissão conceituada, tanto que atualmente qualquer um pode se considerar escritor e alimentar essa indústria com seus sonhos e esperanças. E não vejo problema algum nisso. As pessoas precisam trabalhar e é bom que alguém possa ganhar dinheiro com livros no Brasil, ainda que não sejam os autores, ainda que seja às custas deles. Mas que seja dito a verdade e que saibam onde estão se metendo para não ficarem frustrados e acreditarem que estão fazendo algo de errado. Não estão, apenas não há nenhum interesse em tornar alguém um ilustre artista sem que tenha percorrido todo o calvário de armadilhas, desesperos, os sete círculos do inferno de Dante.
          Se conseguir desistir, faça agora e vai perceber que foi um ótimo negócio abandonar essa besteira. Mas se não conseguir, então não tem jeito. Torne-se o seu principal leitor, escreva para o seu prazer e satisfaça-se com isso. Invista no seu trabalho como se fosse um hobby caro do qual extrai tudo o que precisa, mesmo que sejam alguns elogios de pessoas próximas. Perceba que a sua vida é uma história e que ela contém inúmeras narrativas interessantes que gostaria de deixar registradas em algum lugar para que possa olhar para elas de vez em quando e se emocionar. Publique seu livro com a qualidade que gostaria de ver em todos os livros que compra, porque aqueles que lhe derem esse voto de confiança merecem respeito e simpatia.
          E quando ver alguém tentando fazer o mesmo, ajude-o. Compre o livro dele, divulgue o trabalho, converse a respeito e ouça o que ele tem a dizer. Pode se surpreender ao ter prazer nisso, saber que por mais solitária que seja a escrita, não está realmente sozinho. Está cercado de personagens de todos os tipos, de pessoas que merecem ouvir ou ler uma boa história. Vai perceber que todo esforço vale a pena, se a alma não for pequena, como disse um escritor que ninguém conheceria se não tivesse se aventurado nesse caminho. Que teve que penar muito para ter seus textos lidos e ser reconhecido, mas hoje todos sabem que existiu e se tornou importante para muitos.
          E se quiser saber da minha obra e ajudar a divulgar, então passe no meu site e veja quantas histórias podemos partilhar. Terei o maior prazer em conversar com você em www.dannymarks.com.br. Obrigado por sua atenção, nos vemos na próxima história.

domingo, 22 de setembro de 2019

Microconto - Danny Marks

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Era uma vez uma religião!
Li isso em um café.
Quem nunca teve uma ressaca?

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Água Aromatizada – Danny Marks


Existem histórias que acabam não sendo contadas, não por sua importância, mas por outros fatores que nem sempre dominamos. Esta história envolve literatura, ficção e vida real, sem barreiras separando-as. Aconteceu no domingo, 18/08/2019, em Paranapiacaba/SP onde ocorriam dois eventos simultâneos. O Festival do Cambuci, com diversas iguarias feitas a partir desta fruta e o VI Steamcon Paranapiacaba, um evento steampunk. Para quem não conhece o Steampunk é uma variação literária originada do Movimento Cyberpunk que renovou a Ficção Científica em bases diferentes, demonstrando que nem sempre a tecnologia traz em seu bojo as sementes de uma sociedade melhor; por ser uma ferramenta necessita de pessoas melhores para que os seus resultados sejam proveitosos para todos. Com essa premissa básica surgiram inúmeros subgêneros da Literatura Cyberpunk (que se tornou um gênero literário em si, com variantes próprias), entre eles o retrofuturismo vitoriano, também conhecido como Steampunk.
Paranapiacaba tem sua história vinculada às ferrovias, cujas locomotivas antigas usavam a energia do vapor para se deslocar. Junto a sua bem preservada estrutura de uma cidade interiorana com casas em modelos que lembram as antigas construções (algumas são desse período mesmo, restauradas e preservadas) e o clima montanhoso e cheio de cenários e histórias fortes, tornou-se um ponto ideal para as pessoas que criam personagens baseados no modelo ficcional do Steampunk, com acessórios, armas e roupas que lembram a época vitoriana em especial ou variações que remetem ao tema e seguem um possível avanço tecnológico alternativo. Steamplay é mais do que criar um personagem, é criar uma história para o seu personagem e incorpora-lo durante os eventos, reconstruindo a literatura em bases concretas, mesclando-a com a realidade de forma harmônica para além da imaginação.
Ok, este é o cenário básico da minha história real, mas serve apenas para pano de fundo da cena em si. No dia citado compareci como autor e apreciador de eventos literários. Sempre é bom conhecer mais pessoas e situações, sem falar em cenários que posso usar em algumas das minhas narrativas. Mas, como sempre digo, mais importante do que os cenários são as pessoas. É nesse ponto que entra a minha mais recente amiga Rosana Martim. Eu havia andado pela cidade sob um sol forte, usando roupas não tão adequadas a um clima desses, ainda mais que nunca se sabe quando vai fazer um frio congelante ou um calor escaldante, às vezes as temperaturas sobem ou descem de forma assustadoramente sobrenatural por lá, fica o aviso.
Cansado depois de um dia com diversos eventos e atrações, depois de ter visitado diversos lugares e ficado com a certeza de que não conseguiria ver tudo o que gostaria, não importando quantas vezes retornasse (que dirá em um único dia), passei em frente a uma das casas que também abriga um comércio. Convidado por um amigo que foi comigo na excursão para o evento, me sentei para terminar de tomar o sorvete de morango com leite condensado e cobertura de limão (parece absurda a combinação, mas estava excelente). Sedento pelo sol, pelo sorvete e por ter desidratado em bicas durante o dia, resolvi comprar uma água no café que há dentro da casa. Perguntei a dona Rosana se tinha água e ela me disse que não tinha nenhuma para vender, mas me ofereceu uma água aromatizada com ervas de sua fabricação.
Eu queria água gelada, ela percebeu isso, a aromatizada era ao natural, então me perguntou se servia uma “torneiral estupidamente gelada”. Eu brinquei que só aceitaria se fosse assim, já que não poderia comprar a água iria ser exigente. Ela riu e pegou no freezer um copo de água que estava quase congelando. Reparei que era um copo plástico comum, desses que se usam para beber, não era um empreendimento de fazer gelo ou algo do tipo. Aceitei a generosa oferta percebendo que se destinava a dona do estabelecimento que ao ver a minha frustração em não ter uma água fresca para matar a sede, resolveu me ceder sua própria.
Bebi com satisfação e agradecimento, aceitei depois mais um copo de água aromatizada. Naquele momento me lembrei do romance Um Estranho em Uma Terra Estranha do Robert Heinlein que trata sobre um humano criado por marcianos e que considera como uma oferenda de irmandade, um copo de água. Para quem conhece a história fazer paralelos é muito simples, para quem não conhece, fica a recomendação de uma excelente novela de FC. Assim que percebi que havia recebido uma graça dessa graciosa pessoa que é Rosana, me senti compelido a lhe dar algo tão simbólico e dadivoso quanto. Peguei o meu boton de Sobreviventes, com a triqueta enlaçada (símbolo celta da trindade divina, do infinito, das boas energias universais de prosperidade e fartura que também representa o meu livro SOBREVIVENTES) e presenteei a minha “irmã de água”. Meu celular estava com a bateria quase no fim e achei até que já havia “morrido”, me despedi da senhora e fui até a feira comprar um licor de cambucí em uma caveira de vidro (queria levar algo de lembrança, com muitas ideias delirantes na cabeça).
Então em um impulso resolvi verificar o meu cel e vi que restava uma faixa vermelha de bateria, mas ainda não havia “morrido”. Voltei até a casa da Rosana e pedi para tirar uma foto com ela, se conseguisse. Um rapaz que havia estado lá tomando um café e estava de saída, e que acompanhara todo o caso, se ofereceu para bater as fotos antes de ir. Agradeci esse gesto de bondade também. Como falei para dona Rosana, uma gentileza se paga com gentileza e isso torna o mundo melhor para todos. Estava provado o fato naquele momento. Tiramos as fotos, peguei o cartão dela para enviar a foto e prometi divulgar a sua loja. Mais do que isso escolhi divulgar a generosidade de Rosana do espaço colaborativo de artesões Mutyrô (mutirão em tupi-guarani) em Paranapiacaba.
Conversamos sobre o meu livro e ela sempre generosa escutou com atenção. Ainda a vi depois pouco antes de voltar ao ponto de encontro para o retorno e dei um aceno de mão que ela me retribuiu. Fiquei com a marca desse mágico encontro em uma cidade mágica, em meio a um evento cheio de magia e literatura, agraciado por uma água fresca, pela generosidade e pelas ervas aromáticas. Existem histórias que jamais vão ser contadas, muitas vezes por que nos perdemos em meio a tantas questões menores, mas esta faço questão de deixar registrada, principalmente porque são esses pequenos gestos que renovam a minha fé no Ser Humano e na Literatura que sempre se preocupa em nos apontar os caminhos bons e ruins para que possamos fazer nossas escolhas conscientes da responsabilidade que adquirimos com nossos atos.
          Não sei se ainda volto em Paranapiacaba, o futuro não nos pertence, embora sempre estejamos tentando nos apossar dele e determina-lo. Não sei o que dona Rosana, minha irmã de água vai achar ao ler esta crônica, mas a história será contada e recomendo a quem for à Paranapiacaba que procure o Mutyrô da dona Rosana. Houve tantas outras histórias interessantes neste dia, mas isso fica para outro momento, esta é a história da Água Aromatizada de Paranapiacaba, e é tudo o que precisa ser.

PS:
Corrigi os nomes com base no gentil email que recebi de Rosana MARTINS, do espaço colaborativo para artesões MUTYRÔ.  Essas informações eram provenientes de um cartão de visitas que não estava muito legível e por isso o erro, mas aqui está parte da resposta da minha amiga por email e o motivo das alterações.

"Muito obrigada pelas fotos e pelas referências a meu gesto tão... simples: um copo de água!
 Mas acho, como você, que é isso mesmo... os pequenos gestos talvez sejam os realmente grandes, aqueles capazes de mudar o mundo.
 Meu nome é Rosana Martin. O nome desse espaço em que você tomou água é Mutyrô ("Mutirão", em tupi-guarani). Somos artesãos reunidos nesse espaço colaborativo.
 O Funicularte não é meu... somos artesãos, na área de cerâmica, que trabalham em Paranapiacaba. 
 Obrigada mais uma vez por tudo. " Rosana Martin

Eu é que agradeço, sempre, os gestos de generosidade que são distribuídos tão graciosamente. Com certeza vão mudar o mundo.

sábado, 18 de maio de 2019

Aforismos de Criminal Minds 14ª Temporada

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14ª Temporada

14x01 – 300

A única coisa nova no mundo é a história que você não sabe.
Harry Truman

A Família. Aquele querido polvo cujos tentáculos não conseguimos escapar, nem no fundo do coração desejamos escapar.
Dodie Smith

14x02 – Starter Home

A memória é uma mulher maluca que coleciona trapos coloridos e desperdiça comida.
Austin Omalley

Sem família, sozinho no mundo, o homem estremece no frio.
Andre Maurois

14x03 – Rule 34

O fascínio da fama é tão grande, que queremos associar tudo a ela, até mesmo a morte.
Blaise Pascal

As crianças nunca foram boas em escutar os mais velhos, mas não falham em imita-los.
James Baldwin

14x04 – Innocence

Vivemos num mundo de fantasia, um mundo de ilusão. A grande missão da vida é encontrar a realidade.
Iris Mudoch

Quando as feridas são curadas com amor, as cicatrizes são lindas.
David Bowles

14x05 – The Tall Man

A pergunta mais importante que se pode fazer a si mesmo: Em qual mito estou vivendo?
Carl Jung

Há tempos em nossas vidas quando temos que perceber que nosso passado é exatamente isso e não podemos muda-lo, mas podemos mudar a história que contamos a nós mesmos. E fazendo isso, podemos mudar o futuro.
Eleanor Brown

14x06 – Luke

Sou um lutador. Acredito na lei do olho por olho.
Muhammad Ali

14x07 – Twenty Seven

.......

14x08 – Ashley

Quando você tem uma criança, o mundo tem um refém.
Ernest Hemingway

A vontade de ter um lar vive em todos nós, o lugar seguro que podemos ir como somos sem ser questionados.
Dra Maya Angelou

14x09 – Broken Wing

Se não conhece alguém que teve problema com algum vício, você conhecerá.
Dana Boente.

O elo que liga sua verdadeira família, não é de sangue, mas o respeito e alegria na vida um do outro.
Richard Bach

14x10 – Flesh and Blood

O que é passado é prólogo.
William Shakespeare

A história nunca se repete, mas frequentemente rima.
Mark Twain

14x11 – Night Lights

Vingança, o pedacinho mais doce à boca já cozido no inferno.
Sir Walter Scott

Todos vão morrer, todos nós. Que circo. Só isso deveria fazer amarmos uns aos outros, mas não faz. Somos aterrorizados e achatados por trivialidades. Somos devorados por nada.
Charles Bukowski

14x12 – Hamelin

Há sempre um momento na infância em que a porta abre e deixa o futuro entrar.
Graham Greene

Não é o que eles falam sobre você, é o que eles sussurram.
Errol Flynn


14x13 – Chameleon

As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer.
Stephen King


14x14 – Sick and Evil

O medo me fez cruel
Emily Brontë

Como alguém não sente medo, me pergunto? Como você dispara um tiro através de seu coração, corta sua cabeça, pega pela sua garganta?
Joseph Conrad


14x15 – Truth or Dare

Todos temos um monstro dentro de nós. O que difere é o grau, não o tipo.
Douglas Preston

Tudo o que você precisa, é amor.
John Lennon

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Booktrailler SOBREVIVENTES




Adversários mortais serão obrigados a formar alianças se quiserem ter alguma chance de vencer inimigos ainda mais poderosos e organizados. Terão que aprender a manipular as forças destrutivas, econômicas, tecnológicas, naturais, sociais, qualquer coisa que lhes permita sobreviver e vencer a guerra mais sangrenta e imoral que já existiu, sem fronteiras, sem quartel, sem heróis. Cada grupo acredita ter o conhecimento necessário para resolver a grande crise que se apresenta, definindo quais serão os rumos melhores para os sobreviventes. Depois deste romance, o futuro e a humanidade jamais serão vistos da mesma forma. E essa história começa AGORA.

Uma produção SPC Assessoria em parceria com Danny Marks

sábado, 8 de setembro de 2018

Doutor Soum Homem e a Conspiração Reptiliana – Danny Marks

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(Esta é uma obra de ficção, um exercício imaginativo, e tem o interesse exclusivo de ser divertido. Nenhuma das informações aqui apresentadas representa um fato real ou se refere a pessoas reais e suas reais intenções. O ministério da saúde mental adverte, não leia bobagens deste tipo, mesmo que vindas de sites estrangeiros).

— Olá amigos do Coluna D2, o único lugar onde a boca é livre. Diante dos fatos recentes na política nacional, surgiram inúmeras teorias de conspiração e a Coluna de Dois não podia ficar de fora desse importante evento. Então chamamos um especialista nessa área para garantir um padrão mínimo de qualidade nos relatos, e descobrimos coisas interessantes. Dr Soum Homem, então dizendo que não foi um atentado, que a faca não era de verdade e que não havia sangue em lugar nenhum, o que o senhor tem a dizer sobre isso?
— Obrigado à Coluna D2 pela oportunidade de demonstrar minhas habilidades como Antropófago Social, Sexoanalógico e Analista Conspiratório. Essa versão apresentada é fraca porque há uma equipe médica publica que fez a cirurgia e ficaria difícil esconder os fatos no longo prazo. Mas é possível melhorar esse relato acrescentando alguns detalhes, por exemplo: A facada foi de mentira, tudo simulação, mas HOUVE uma facada POSTERIOR, dada por um especialista em esfaqueamento, dentro do carro em que a vítima estava sendo transportada, de forma a prevenir que a vida do candidato não estivesse realmente ameaçada.
— E por que isso seria feito, Doutor?
— Ora, os motivos são óbvios. Quando o candidato atingiu o teto das intenções de voto nas pesquisas, com um índice de rejeição que chega a quase 50%, o que obviamente o faria perder o segundo turno, que todos sabem que haverá, contra qualquer candidato opositor. Foi necessário criar uma sintonia com a população através de um engajamento emocional. O brasileiro é um povo passional, se solidariza com vítimas desde que não tenha que ter que cuidar delas. Haja vista os crimes políticos recentes e o acidente com aquele time de futebol. As pessoas querem ajudar, e isso pode ser usado em um complô conspiratório facilmente.
— Então o senhor acredita que o candidato estava conivente com o fato.
— Absolutamente! Como bom brasileiro o candidato não gosta de se envolver diretamente, ele prefere fazer discursos para que outros façam alguma coisa, se colocar em risco é algo que não condiz com a conduta prévia. Haja vista que apesar de apoiar o uso de armas para as pessoas se defenderem, quando foi assaltado, estando armado, preferiu entregar a arma a arriscar a vida, o que está corretíssimo.
— Então o doutor concorda com a tese de que o atentado foi real e promovido por opositores políticos...
— Essa tese é melhor que a do falso atentado. Ele realmente teria acontecido e planejado por uma oposição incompetente e desesperada, que ignorando todos os especialistas de que qualquer um poderia vencer o candidato em um segundo turno, em uma crise de ansiedade, teria cometido o erro de ajudar o partido do opositor assassinando o candidato e tornando-o um mártir. Mas isso é ridículo, porque todos sabem que os políticos brasileiros podem ser tudo, menos idiotas, poderiam fornecer apoio por baixo dos panos e depois de eleito cobrar favores, como vem sendo feito há décadas.
— Estou confuso, doutor Soum. Então qual seria a motivação, houve ou não um atentado?
— É claro que houve! Isso é incontestável. Eu gosto mais da teoria que diz que foi planejado a despeito do candidato, sem a sua ciência, pelo próprio partido. Assim, se livrariam de um candidato fraco e elevariam o vice a uma posição privilegiada, angariando os votos anteriores e a simpatia da população, o que seria fácil para um general comandar com alguma habilidade. Note que estrategicamente, isso é mais coerente, de uma tacada ganhariam uma projeção nacional que não teriam com o reduzido tempo de campanha, eliminariam a estratégia dos adversários de atacar o candidato pelos seus discursos, e ainda teriam a simpatia de parte da população. Um verdadeiro judô Sun Tzu, conhece o teu adversário e a si mesmo e vai controlar o terrítório. O que deu errado, nesse caso, foi o pretenso assassino ser incompetente e não ter feito o serviço direito.
— Nossa, então o senhor acredita que o próprio partido queria dar fim ao candidato para vencer a eleição com o vice? Isso é que é teoria da conspiração!! Nunca imaginaria a possibilidade de um vice querer derrubar a pessoa que apoiava para tomar o seu lugar. O doutor tem certeza disso? Não é surreal demais?
— Eu falei que gosto dessa tese, mas é claro que isso é um absurdo. Seria necessário encontrar alguém que estivesse disposto a cometer o ato, alguém com características de um lobo solitário, garimpado nas redes sociais, que seria induzido por uma metodologia terrorista a cometer um ato criminoso por ideologia política. Seria necessário que houvesse um planejamento prévio, como um plano B para o caso da estratégia de campanha fracassar e envolveria uma grande capacidade de planejamento.
— Mas os fatos demonstram que o pretenso assassino estava planejando isso há tempos. Chegou a frequentar a academia de tiro que os filhos do candidato usavam, viajou por vários lugares do país.
— Sim, e tem quatro advogados mesmo não tendo renda suficiente e estar desempregado. Mas isso é só uma coincidência. Como disse antes, brasileiros gostam de ajudar, provavelmente alguém tentou ajudar o coitado e achou que seria interessante o homem procurar emprego em outros lugares, quem sabe até fazer um curso de segurança, daí a academia de tiro. Mas o cara não conseguia segurar uma arma, e a prova disso é que acabou usando uma faca, quando um tiro a queima roupa seria mais eficiente. Os advogados foram contratados pelos verdadeiros conspiradores para encobrir os fatos.
— E isso não depõe a favor dessa teoria de que o próprio partido idealizou o ataque? Algo que o próprio candidato já tentou fazer anteriormente ao simular um atentado a bomba que deu errado...
— Exato! Esse é o ponto. O brasileiro não tem a tecnologia de conspiração para fazer algo do tipo funcionar corretamente, nunca conseguiram antes, daria tudo errado, deixaria muitos buracos que uma investigação eficiente denunciaria facilmente...
— Mas então, me desculpe perguntar, qual é a sua teoria?
— Ora, mas é obvio, meu caro repórter D2. Trata-se de mais um complô dos reptilianos que estão mancomunados com a URSAL para derrubar a democracia brasileira e torna-la um paraíso para os lagartos jogando a culpa sobre outras instituições. Há anos eles vêm trabalhando com a politica brasileira para transformar a Amazônia em um deserto, devastar as lavouras, acabar com a população geral.
— Como assim, doutor Soum Homem?
— Lagartos adoram desertos, necessitam do sol para aquecer o sangue. Tornar o país em um deserto seria favorável a existência deles, o resto do mundo perderia o interesse. Que outra teoria reúne os fatos de forma coerente? Veja a crise hídrica recente, a liberação de defensivos agrícolas que irá devastar as colheitas e impedir que a maioria dos países comprem produtos brasileiros, gerando ainda mais recessão que alimentará uma revolução civil e criminalidade. Com os humanos armados e revoltados, todos vão se matar ou fugir para outros países. Então o deserto brasileiro será totalmente controlado pelos lagartos que poderão dominar o mundo. A corrupção generalizada que está afundando o país, as decisões judiciais impossíveis de explicar, tudo obra de reptilianos infiltrados nos poderes. Abram o olho, nós já fomos invadidos e os reptilianos substituíram pessoas públicas para acirrar ainda mais os ânimos. Eles estão usando outras entidades particulares para ampliar ainda mais os efeitos, mas o objetivo é tornar o Brasil um grande e vasto deserto aquecido de ponta a ponta. O início do aquecimento global que daria o poder completo aos reptilianos. Esse atentado é apenas mais um passo ousado nessa direção. E tenho dito!
— Meu... Com essa pérola conspiratória encerramos esta entrevista com o iminente Doutor Soum Homem, que nos apresentou suas teorias. Acredite se quiser.... Cortou? Ok, mais uma vez obrigado doutor, mas posso fazer uma pergunta particular?
— Claro, se isso não for ao ar, não vejo problemas.
— Diga-me, doutor. O senhor é um reptiliano?
— Ora...

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Natal na barca – conto de Lygia Fagundes Telles

Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.
O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga.
Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra. Nem combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não dizer nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio.
Debrucei-me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.
A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o. rio. Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto, inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água.
— Tão gelada — estranhei, enxugando a mão.
— Mas de manhã é quente.
Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros, extraordinariamente brilhantes. Reparei que suas roupas (pobres roupas puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade.
— De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando.
— Quente?
— Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem por estas bandas?
Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma outra pergunta:
— Mas a senhora mora aqui perto?
— Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje…
A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de cadeira de balanço. Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era sereno.
— Seu filho?
— É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem mas piorou de repente. Uma febre, só febre… Mas Deus não vai me abandonar.
— É o caçula?
Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo mas o olhar tinha a expressão doce.
— É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi grande, o muro não era alto, mas caiu de tal jeito… Tinha pouco mais de quatro anos.
Joguei o cigarro na direção do rio e o toco bateu na grade, voltou e veio rolando aceso pelo chão. Alcancei-o com a ponta do sapato e fiquei a esfregá-lo devagar. Era preciso desviar o assunto para aquele filho que estava ali, doente, embora. Mas vivo.
— E esse? Que idade tem?
— Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não saía nada, mas era muito engraçado… A última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os braços. E voou.
Levantei-me. Eu queria ficar só naquela noite, sem lembranças, sem piedade. Mas os laços (os tais laços humanos) já ameaçavam me envolver. Conseguira evitá-los até aquele instante. E agora não tinha forças para rompê-los.
— Seu marido está à sua espera?
— Meu marido me abandonou.
Sentei-me e tive vontade de rir. Incrível. Fora uma loucura fazer a primeira pergunta porque agora não podia mais parar, ah! aquele sistema dos vasos comunicantes.
— Há muito tempo? Que seu marido…
— Faz uns seis meses. Vivíamos tão bem, mas tão bem. Foi quando ele encontrou por acaso essa antiga namorada, me falou nela fazendo uma brincadeira, a Bila enfeiou, sabe que de nós dois fui eu que acabei ficando mais bonito? Não tocou mais no assunto. Uma manhã ele se levantou como todas as manhãs, tomou café, leu o jornal, brincou com o menino e foi trabalhar. Antes de sair ainda fez assim com a mão, eu estava na cozinha lavando a louça e ele me deu um adeus através da tela de arame da porta, me lembro até que eu quis abrir a porta, não gosto de ver ninguém falar comigo com aquela tela no meio… Mas eu estava com a mão molhada. Recebi a carta de tardinha, ele mandou uma carta. Fui morar com minha mãe numa casa que alugamos perto da minha escolinha. Sou professora.
Olhei as nuvens tumultuadas que corriam na mesma direção do rio. Incrível. Ia contando as sucessivas desgraças com tamanha calma, num tom de quem relata fatos sem ter realmente participado deles. Como se não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos, aquelas mãos enérgicas. Inconsciência? Uma certa irritação me fez andar.
— A senhora é conformada.
— Tenho fé, dona. Deus nunca me abandonou.
— Deus — repeti vagamente.
— A senhora não acredita em Deus?
— Acredito — murmurei. E ao ouvir o som débil da minha afirmativa, sem saber por quê, perturbei-me. Agora entendia. Aí estava o segredo daquela segurança, daquela calma. Era a tal fé que removia montanhas…
Ela mudou a posição da criança, passando-a do ombro direito para o esquerdo. E começou com voz quente de paixão:
— Foi logo depois da morte do meu menino. Acordei uma noite tão desesperada que saí pela rua afora, enfiei um casaco e saí descalça e chorando feito louca, chamando por ele! Sentei num banco do jardim onde toda tarde ele ia brincar. E fiquei pedindo, pedindo com tamanha força, que ele, que gostava tanto de mágica, fizesse essa mágica de me aparecer só mais uma vez, não precisava ficar, se mostrasse só um instante, ao menos mais uma vez, só mais uma! Quando fiquei sem lágrimas, encostei a cabeça no banco e não sei como dormi. Então sonhei e no sonho Deus me apareceu, quer dizer, senti que ele pegava na minha mão com sua mão de luz. E vi o meu menino brincando com o Menino Jesus no jardim do Paraíso. Assim que ele me viu, parou de brincar e veio rindo ao meu encontro e me beijou tanto, tanto… Era tamanha sua alegria que acordei rindo também, com o sol batendo em mim.
Fiquei sem saber o que dizer. Esbocei um gesto e em seguida, apenas para fazer alguma coisa, levantei a ponta do xale que cobria a cabeça da criança. Deixei cair o xale novamente e voltei-me para o rio. O menino estava morto. Entrelacei as mãos para dominar o tremor que me sacudiu. Estava morto. A mãe continuava a niná-lo, apertando-o contra o peito. Mas ele estava morto.
Debrucei-me na grade da barca e respirei penosamente: era como se estivesse mergulhada até o pescoço naquela água. Senti que a mulher se agitou atrás de mim
— Estamos chegando — anunciou.
Apanhei depressa minha pasta. O importante agora era sair, fugir antes que ela descobrisse, correr para longe daquele horror. Diminuindo a marcha, a barca fazia uma larga curva antes de atracar. O bilheteiro apareceu e pôs-se a sacudir o velho que dormia:
– Chegamos!… Ei! chegamos!
Aproximei-me evitando encará-la.
— Acho melhor nos despedirmos aqui — disse atropeladamente, estendendo a mão.
Ela pareceu não notar meu gesto. Levantou-se e fez um movimento como se fosse apanhar a sacola. Ajudei-a, mas ao invés de apanhar a sacola que lhe estendi, antes mesmo que eu pudesse impedi-lo, afastou o xale que cobria a cabeça do filho.
— Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.
— Acordou?!
Ela sorriu:
— Veja…
Inclinei-me. A criança abrira os olhos — aqueles olhos que eu vira cerrados tão definitivamente. E bocejava, esfregando a mãozinha na face corada. Fiquei olhando sem conseguir falar.
— Então, bom Natal! — disse ela, enfiando a sacola no braço.
Sob o manto preto, de pontas cruzadas e atiradas para trás, seu rosto resplandecia. Apertei-lhe a mão vigorosa e acompanhei-a com o olhar até que ela desapareceu na noite.
Conduzido pelo bilheteiro, o velho passou por mim retomando seu afetuoso diálogo com o vizinho invisível. Saí por último da barca. Duas vezes voltei-me ainda para ver o rio. E pude imaginá-lo como seria de manhã cedo: verde e quente. Verde e quente.
(Natal da Barca - Lygia Fagundes Telles in Contos da Meia Noite)
Narrado por Beatriz Segal


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