
Sessenta
anos. Pelo menos posso dizer que não posso dizer como Drummond, que abriu um
poema assim: “Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer proposto”. Ah,
não. Eu já tenho vários problemas resolvidos. Só me faltam respostas para a
origem da vida e o tamanho do universo, como diria aquele cientista bobalhão.
Só me falta a aplicação total, absoluta da única coisa que peço para mim: Que
eu tenha calma e discernimento para lidar comigo mesmo. Com isso tenho tudo.
Porque não interessa o que me façam – as pessoas, as coisas ou o mundo. O que
interessa é o que eu faço com o que me fazem. O que interessa é a minha reação
e não ficar discutindo com o estímulo. O inferno são os outros? Não. O inferno
é o que fazemos com o inferno que os outros são. Os outros: as coisas, as
pessoas, o mundo e, muitas vezes, até nós próprios, como agentes
desencadeadores. Porque existe o estímulo externo e o estímulo interno...
Sessenta
anos e vários problemas resolvidos. Não, com certeza, o principal deles, que é
não ter calma nem discernimento absolutos ao lidar comigo mesmo. Me descentro e
descentrado me perco. Tudo bem que é possível voltar com cada vez mais
facilidade. É possível reconhecer a queda e levantar com crescentes rapidez e
segurança. Isto se chama parar em pé. Poder contar consigo mesmo. Ser forte
diante da fraqueza. Como é pra frente que se anda, não adianta nada o problema
resolvido diante do que ainda não tem solução prevista. Aliás, “solução
prevista” é pura fantasia. Só se pode “prever” diante do que se tem no momento
e quando o que se tem no momento é insuficiente, a “previsão” só pode ser um
engano. Admitir que somos uma fábrica de enganos e ir em frente, pois. Um passo
de cada vez. Um dia de cada vez. Tenha ele 24 horas ou 60 anos...
Um comentário:
Como diria Alceu Amoroso Lima,
eu acho, “Há tres tipos de sexo: o masculino,
o feminino e o sexagenário”.
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