quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Roda Gigante


Provavelmente vão dizer que foi a pipoca que causou isso, ou alguma coisa que substituía o sal. Talvez algum teste dos traficantes com essas coisas de ultima geração.
Como explicar o monstro marinho devorando pessoas na enorme piscina que finalizava a volta de terror na montanha russa?
Engraçado foi o palhaço da barraca de tiro ao alvo. Sacou uma escopeta e começou a atirar nos que fugiam. Provavelmente todo palhaço anda com uma arma enrustida embaixo daquele colarinho, folgado.
Podem dizer que foi acidente os motoristas terem invadido as dependências jogando os carros contra a multidão que se acotovelava para desviar; outros faziam manobras suicidas em colisões fantásticas, mas ai é forçar demais a barra.
O certo é que ninguém tentará dizer a verdade, muito difícil de acreditar.
Não consigo me convencer de que não foi uma alucinação coletiva quando a Roda Gigante começou a flutuar e disparou em direção às estrelas.
Pela risada deles, deviam estar se divertindo muito com a coisa toda, ainda tremo em pensar que vão voltar. Ah se vão.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Revolta dos Dias - Joelma Helena


http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=2495871859446236827

Um dia não nasceu. Ele se recusava a retornar com os mesmos raios de sempre, e se queixou para deus. Queria nascer azul. E deus confabulou com ele. Que observasse as regras de refraçao da luz. Que afinal regras eram regras. Mas este dia não nasceu.
Nasceu outro, tão alaranjado como tantos outros, um dia como todos os demais.
Mas quando muitos dias juntos, fizeram greve, e se rebelaram, uns desejando mais ser verdes que azuis, aliás...Deus se viu a ponto de não ter mais dias para despontar no horizonte, e se desesperou, transformando, num ímpeto, a natureza em cinza, com mil desculpas para esconder o fato óbvio: Porque agora os dias se escondiam e não queriam mais se mostrar na face do planeta terra.
Um ambiente desolado, abandonado por deus, que sentia injustiçado em ser acusado agora pela falha dos dias, que afinal, nunca perderam o poder de nascer alaranjados, mas simplesmente desistiram, na insana ânsia de serem azuis ou verdes, agora.
Desesperado pela culpa, deus tentou o suicídio, e os dias se compadeceram dele, e voltaram a nascer como antes, alaranjados.
Mas tinham sabor de uva.

(Sem Título) - Grazzy

Grazzy Yatña

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=14572048851528608183

Nada ficaria por fazer.
Dissemos algo bem distante da preguiça, a vida toda, não lembro bem o quê pois o ninho era silêncio agitado, desembalando mundo e chacoalhando do acaso.
A intensidade da clausura mais linda nos trouxe o entendimento da fome sem conclusão de dor.
Ainda vejo as ruas como enquartelamentos dos vestiários, salvo alguns ataques de terrorismo poético mas pobremente sem encaixe de significado amarrados fatidicamente pela esperança. Ainda bem que tem você nu, desafiando todos os discursos e bem inserido nos gols.
Sempre gostei da nossa cidade, cidade que é zona de apaixonamento.Cogita-se liberdade só quem não a suporta em si.
As crônicas mais aceleradas, debochando do tempo-espaço entre um gole e outro, nos cabe perfeitamente: passado, presente e futuro é só um pouco de ridículo na fumacinha do meu cigarro nos sacando.
Existe o Sublime, após e mesmo antes da beleza. Belo é balbuciar. Sublime é o trovão
com relâmpago. Ainda mais se cai perto, ou se cai longe, iluminando montanha como se fosse fantasma enorme e visionário.
São três os estados da matéria: a ironia, a indiferença, a amorosidade. Com você, sempre tive isso de baixar a guarda e permitir o amor.
Quando a guarda está levantada,cansa mesmo, é a ironia, mas ela defende da indiferença, que dá um enorme sono de viver.
Claro que não é tão simples. Mas pra te dizer do amor, pai.
O que resta da experiência do sublime é uma espécie de categoria da memória, que podemos chamar de "O retorno".

Pato Assado com Batatas - Mary Reis

Vó Mary Reis (http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=mp&uid=5852312103384225939)
.

Sábado pela manhã, já acordo pensando nos amigos que convidei para jantar e prometi pato assado, pois estão cansados de churrasco e muqueca.
Minha secretária, (e minha fiel escudeira), toca o interfone. Corro para abrir.
Ela ficou de trazer o pato fresquinho, pois o vizinho do primo do irmão do namorado dela cria patos, mata e limpa na hora.

"Joana, você ficou de conseguir o pato, mas ele está vivo!!"
"Dona Mary, o seu Tulio só está vendendo assim agora, ele diz que faz muita sujeira para entregar o pato morto."

"Pato morto...que expressão horrível, Joana!!"
"E não é???"
Começo a ficar nervosa. "Então tá, mata o bicho!!"

O pato salta das mãos dela e corre pela cozinha. Vira o lixinho, derruba a fruteira de chão, imita um vôo e pula na mesa...

"Socorro Joana, pega este bicho!!!!"

O pato salta da mesa e corre mais doidinho ainda pela cozinha...passa no meio das minhas pernas e se enfia em baixo do armário!! (Ohh..sacôôô).

"Pega a vassoura, Joana, pra gente tirar ele de lá." (Lá vem ela com a vassoura)
"Agora cutuca nele, mas não bate com força pra não machucar!"
"Não machucar??? Mas a gente não vai matar o pato D. Mary???"
"Vamos, mas não precisa torturar antes, né??????"

O pato cansado, sai de baixo do armário, corre a esmo e vem em minha direção. Eu o pego no colo.
Passo a mão em suas penas macias, sinto seu coraçãozinho disparado, o pescoço está inquieto para um lado e outro...faço carinho e ele vai acalmando.

"Joana, chama o beto para fazer um cercadinho para o pato." Decretei, sem pensar duas vezes!
"E o jantar D.Mary??"
"Retornemos ao róseo e suculento camarão!" (Eu e o pato ríamos por dentro)
"E quem não quiser muqueca, que coma sanduíches!"

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...