O reporter da Coluna D2 entrevista com exclusividade para o Retratos da Mente, o escritor Danny Marks que fala de sua carreira, sobre o Fazer Literário, personagens, Humanismo, Nietzsche, literatura e muito mais.
A entrevista na integra está em http://www.osretratosdamente.blogspot.com.br/p/exclusivo.html
Não perca.
Este vídeo está nas mídias sociais, mas não vi os créditos. Fui buscar essa importante informação porque para todos nascidos antes de 1983 é importante dar os devidos créditos a quem os fez por merecer (Danny Marks)
Autor: Maro Mannes
Locutor Nando Pinheiro
ABAIXO NA INTEGRA...
De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos
anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque
as nossas caminhas de bebê eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de
chumbo, altamente tóxicas, que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas à prova de crianças, ou fechos
nos armários e podíamos brincar com as panelas numa boa.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes, cotoveleiras e
joelheiras, e olha que mertiolate ardia mais do que ácido!
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos de segurança e airbags,
ir no banco da frente era um bônus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não de
garrafa, que na época nem vendia.
Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e outras porcarias mas dificilmente
engordávamos porque estávamos sempre loucos para brincar na rua com os amigos.
Partilhávamos garrafas e copos com dezenas de colegas e nunca morremos disso.
Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande
velocidade pela rua mais íngreme, para só depois nos lembrarmos que esquecemos
de montar algum tipo de freio.
Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia
todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
Estávamos incontactáveis e ninguém se importava
com isso.
Não tínhamos Play Station, X Box, nada de 100
canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, celulares, computadores,
DVD, Chat na Internet.
A Tv pegava no máximo globo, sbt e manchete!
Tínhamos amigos e para vê-los era só ir pra
rua.
Caíamos de muros e de árvores, nos cortávamos,
até partíamos ossos, apertavamos as campainhas dos vizinhos, fugíamos e
tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
Tudo isso sem ninguém processar ninguém!
Íamos a pé para casa dos amigos.
Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não
esperávamos que a mamãe ou o papai nos levassem.
Criávamos jogos com simples paus e bolas.
Se infringíssemos a lei era impensável os
nossos pais nos safarem.
Eles estavam era do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e
desenrascados de sempre.
Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar
com tudo.
És um deles?
Parabéns!
Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras
crianças!!!
Para todos os outros que não têm a idade suficiente, pensei que gostariam de
ler acerca de nós.
Isto, meus amigos, é surpreendentemente
medonho… E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.
A maioria dos estudantes que estão hoje nas
universidades e nasceram em 1986, ou depois, chamam-se “jovens”!
Nunca ouviram “we are the world”.
Para vocês sempre houve uma só Alemanha e um só
Vietnã.
O HIV sempre existiu.
Os CD’s sempre existiram.
O Michael Jackson sempre foi branco.
Para eles o John Travolta sempre foi redondo e
não conseguem imaginar que aquele gordo foi um Deus da dança.
Acreditam que “Missão impossível” e “As
Panteras” são filmes da atualidade.
Não conseguem imaginar a vida sem computadores.
Não acreditam que houve televisão preto e
branco e quem tinha era rico.
Agora vamos ver se estamos ficando velhos:
1.Entendes
o que está escrito acima e sorri?;
2.Precisas
dormir mais depois de uma noitada?;
3.Os
teus amigos estão todos casados?;
4.Se
surpreende ao ver crianças tão a vontade com computadores?;
5.Se
lembra da novela “dancing day”?;
6.Encontra
amigos e falas dos bons e velhos tempos?;
7.Vai
encaminhar este texto para outros amigos porque achas que vão gostar?
Se a resposta é COM
CERTEZA para a maioria dos, SIM, ESTAMOS VELHOS (heheheh)…
Mas tivemos uma
infância maravilhosa.
Autor: Maro Mannes
Locução realizada pelo Ator e Locutor Nando
Pinheiro
Tem esse oceano, no sonho que acontece, não sei, algumas
vezes.
É um oceano de águas límpidas, refletindo o céu. Dá para
ver as nuvens passando lentamente, embaladas pelas ondas que amortecem. O tempo.
O tempo não dá pra ser medido, para onde se olha só tem as águas, as nuvens, o
céu límpido. O sol está sempre lá, em algum lugar, iluminando, aquecendo, não
dá pra ver o sol, não ofusca, não aparece. Mas está lá em algum lugar.
Não tem quase nada nesse oceano, onde se pode perceber, só
uma imensa e distante igualdade. E no meio disso tudo, um corpo.
O corpo está flutuando de costas. Os braços meio que
afundados, as pernas. A água cobre os ouvidos que escutam apenas o som distante.
Fecho os olhos. Ainda sinto a luz. Ainda sinto a leveza que
sustenta como poderosa mão invisível, intocável, penetrante.
E aos poucos vou afundando. Não há medo. Não sei se
respiro. Oceano.
Continuo a descida de costas respirando oceano sem me
preocupar com a luz que se esvai em noite eterna; há um certo frio que agasalha
a pele delimitando o corpo, definindo, definitivo.
E quanto mais afundo, mais percebo a atividade insaciável
que jaz embaixo dessa colcha liquida gelada.
Há movimento a minha volta, cercando, vigiando, contorcendo-se
em um balé fluido. Quase posso sentir um cheiro que atravessa metálico o meu
peito.
Será a morte? O nascimento? Não, nada tão simples assim.
Não um dissolver-se no absoluto, não um confronto que obriga a desprender-se do
que não é mais você. Nada tão simples. E ainda breve, cristalino, como uma
certeza que está antes e além da construção do pensamento. Não é paz, não tem
nome.
A sombra mais perfeita é a que sobrevive a escuridão, nasce
na ausência da luz e se movimenta no espaço entre os fótons, brincando de não
ser vista, como se não existisse. Matéria. Escura. Energia.
Anterior a tudo e depois de tudo. Engolfando criaturas que voam
no ambiente espesso que respiram sem asas. Alguns criam suas próprias luzes,
não porque temem a escuridão, apenas para se divertirem, para iluminarem suas
vítimas que devoram com dentes longos, aguçados, sem culpa à mesa.
Em algum lugar deve haver um solo brotando sulfúreas nódoas
de silicatos e metálicos grãos que servem de base para uma complexa cadeia de
eventos. Só então me sinto preso.
A liberdade não é a ausência de laços que o segurem, mas a
capacidade de ignorar esses laços, transforma-los em algo que sustenta mais do
que prende; que impulsiona mais que paralisa. A liberdade é uma mentira que
aceita-se com gratidão e que se luta para manter enquanto não se percebe.
E quando se percebe, acorda. O sonho se esvai. E só retorna
quando as coisas ficam difíceis demais. Loucas demais. Violentas demais. Reais
demais para se suportar todas as coisas que se escondem nas almas e nas mentes.
Então o oceano fica recorrente. E a cada noite ele chama
para depositar os ossos no leito profundo do berço da vida que poderia ter sido
tão linda e perfeita, e acabou apenas vida. Até o próximo despertar.
Você está bem? Você está bem? Fica estranho fazer essa
pergunta para você. É uma pergunta que se faz quando se sabe que o outro não
está bem, na verdade. As pessoas costumam perguntar isso na esperança de que o
outro minta e diga que sim, está tudo bem. Mesmo quando não está. Normalmente
não se quer saber dos problemas do outro, apenas se está tentando manter uma
conexão, algum link onde possamos enviar os nossos problemas, as nossas
dúvidas, nosso prazer, nossa dor, qualquer coisa, para algum lugar e imaginar
que está sendo recebido aumentando o alcance do que é apenas nosso. Mas, as
vezes isso não funciona, cai-se em um buraco que vai sugando a atenção,
exigindo cada vez mais da conexão e entupindo as pretensões até que é
necessário derrubar a rede inteira, explodir alguma bomba que quebre
definitivamente o vínculo. Por algum tempo. Depois é só pedir desculpa, e
inventar algum motivo para o ocorrido, e tentar tudo de novo. Você está bem?
Há um problema no mundo e poucas pessoas percebem isso.
Bilhões de pessoas tem problemas no mundo. Dez por cento dessas pessoas
comandam o mundo e gerenciam seus problemas como se fossem recursos. Um por
cento dessas pessoas sabe realmente o que estão fazendo e orquestram todo o
resto. E nenhuma dessas pessoas sabe qual o problema de verdade, não percebem
nada além do que eles mesmos criaram, ou se envolveram, ou projetaram, ou
partilharam com...
Poder. No fundo tudo se resume a isso agora, posso ver.
No início todos queriam comida para sobreviver, ter filhos para ter prazer e
sobreviver no tempo, de alguma forma. Depois queriam dinheiro para poder ter comida
e conseguir todo o resto. Depois passaram a usar a comida, o sexo, o dinheiro,
os filhos, o tempo, para ter cada vez mais poder. Poder sobre a comida do
outro, o sexo do outro, o dinheiro do outro, os filhos do outro, o tempo do
outro, a vida do outro. Porque uma vida apenas não é suficiente para usar o
poder que se pode ter quando se busca cada vez mais poder. E arrancar o poder
dos outros dá mais poder de estuprar a alma coletiva, a sua, para não ter que
encontrar algum sentido nisso tudo.
É preciso manter a mentira da felicidade, possuir a
felicidade por alguns segundos, alcançar a felicidade que está em algum lugar,
ver a felicidade, usar a felicidade, comprar a felicidade, vender a felicidade,
sentir a felicidade correndo nas veias congestionadas do vício. Só a felicidade
adia a morte.
A morte cobra um sentido, a morte esclarece que não há
sentido, apresenta o vazio, o desconhecido, o absoluto e inegável nada que destrói
qualquer dúvida, qualquer esperança, qualquer deus que possa usar como totem do
seu poder. A morte invencível que retira a sua máscara e lhe diz que valor tem.
Nenhum. Só os seus atos sobrevivem.
Você não é nada sem sua contribuição para o fazer. E o
que você faz é apenas manter alguma coisa que não lhe pertence, que lhe foi
imposta e você aceitou como sua, que não entende mas finge amar, para fazer
algum sentido estar vivo, fazendo, até que seja substituído por um declínio. E
tudo caminha para a morte, tentando demorar o mais que puder antes que alcance o
seu objetivo.
Há um incomodo em você agora. Posso sentir. Você ainda
não percebeu, mas logo vai fazer sentido, e vai querer correr, vai querer
fugir, desaparecer, desligar. Logo você vai tentar romper a conexão. Talvez até
consiga. Depois vai voltar.