Há uma capa de ilusão que encobre a verdade, o que é visto e percebido é apenas uma interpretação do que realmente existe.
Esse mundo subliminar existe à vista de todos, porém permanece encoberto pela máscara da normalidade, da sociedade, da civilização.
Esta verdade somente é percebida pelos que nela mergulham através das opções que a vida oferece revelando a cada passo os sonhos e pesadelos que habitam os subterrâneos que sustentam a realidade, desconstruindo suas vidas e a si mesmos e buscando através desse conhecimento recriar um lugar onde possam ser felizes de fato, contra tudo e contra todos, se preciso for.
Aqui será revelada a diversidade da vida, através de 32 histórias independentes, sutilmente conectadas pela realidade, algumas com toques sobrenaturais dados pelas sombras e pelo jogo de luzes que tanto revelam quanto encobrem os significados, outras com elementos de universos paralelos, humor, mistério e romance.
Esta é a passagem para um lugar onde os valores são questionados e os limites testados; sobreviver é o primeiro passo para viver neste mundo, mas para atingir o objetivo é necessário conhecer a si mesmo e a verdade que existe por trás de todas as coisas, escondida no Universo Subterrâneo.
Rio de Janeiro: Ed Multifoco – Selo Anthology, 2009
Editora do portal E-Blogue.com, co-editora da versão brasileira do site inglês 3:AM Magazine, colaboradora da revista independente Café Espacial e organizadora da antologia de contos policiais Assassinos S/A, a ser lançada em junho, também pela editora Multifoco.
Benjamin, um pacato cidadão, esquecido pelo mundo e por si mesmo, recebe uma carta que irá mexer com toda a sua estrutura (?) de vida. Alguém, de quem não se lembra, lhe manda missivas (sim, é um termo tão arcaico quanto cartas em tempos de Internet) e o coloca a par de uma intriga que pode abalar o Brasil e o mundo (de Benjamin)
Eis a grande sacada de “Uma Carta por Benjamin”, fazer com que as pessoas pensem de uma forma leve, bem humorada, com pitadas de sutil ironia até, mas capaz de fazer com que qualquer leitor se identifique imediatamente, em maior ou menor grau, com o personagem Benjamin e seu “mundo” fechado em um pequeno apartamento.
Eu não conseguiria imaginar alguém mais capaz de fazer uma crítica social tão dura e ao mesmo tempo tão simples e objetiva, do que Jana Lauxen. Sua linguagem popular e sua inteligência fazem com que o leitor se sinta à vontade, como se estivesse conversando na mesa de um barzinho, ou no aconchego de seu lar, sobre coisas que acontecem dia a dia, absorvendo o conhecimento, interpretando-o e reavaliando a sua própria postura perante a vida e as pessoas, acompanhando os passos do personagem em sua jornada de volta ao mundo que abandonou por vontade própria, mas sem perceber os seus efeitos.
É assim que nos sentimos ao ler Uma Carta por Benjamin, surpreendidos pelo inusitado de receber uma carta, ou um livro se preferirem, em um tempo em que a comunicação eletrônica substitui o contato humano e a prodigalidade de mensagens belíssimas e vazias de conteúdo real proporciona a ilusão de que não estamos sós em nossa solidão.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma (Francisco Buarque de Holanda), é o que Benjamin passa a perceber através das misteriosas cartas que buscam salvar pessoas de um plano diabólico.
Ter o livro em mãos, virar suas folhas ansiosamente é como se recebêssemos uma carta, dirigida a nós por alguém que nunca vimos antes, mas que se preocupa com a vida, com a nossa vida, com o que permitimos que façam conosco e com o que fazemos contra nós mesmos.
Benjamin se defronta com algo mais que uma conspiração contra pessoas desconhecidas, se depara com uma conspiração contra si mesmo, escondidas nas entrelinhas de um mundo que finge conhecer, e terá que tomar uma atitude quanto a isso, assim como o leitor que arriscar olhar o que está dentro desse envelope chamado Uma Carta por Benjamin.
Quero deixar claro que minha amizade pela Jana Lauxen, não permite que eu seja menos rigoroso na avaliação do seu trabalho como escritora. A outros me permito ser generoso, mas aos amigos tenho que ser firme nas críticas para que os elogios, quando merecidos, sejam melhor apreciados. É um acordo que eu tenho com os meus amigos e amigas, e é por isso que eu tenho a felicidade de recomendar sem reservas a leitura de mais esse trabalho dessa grande escritora, para que todos os meus amigos e amigas tenham o mesmo prazer que eu tive ao ler Benjamin. Desejar sucesso para Jana Luxen seria uma redundância, se não estivéssemos em um pais onde poucos lêem e menos entendem, mas acredito que se lhe derem a oportunidade que merece, ela fará o resto com o mesmo talento com que lida com todas as coisas que se propõe. EU estou de Parabéns, por conhecer a Jana, e você?
Contos: 1 - Draculea - Ademir Pascale 2 - O Missionário - Estevan Lutz 3 - O Relato do Capitão BlackBurn - César Almeida 4 - Marcas Eternas - Luciana Fátima 5 - O Guardião - J.P. Balbino 6 - Emplumado - Duda Falcão 7 - O Filho da Escuridão - Almir Pascale 8 - Comida de Vampiro - Pedro Vicentini (Tagobar) 9 - Noites de Trevas - Elenir Alves 10 - Aprender Para Dominar - Simone O. Marques 11 - Trágica História - Ricardo Delfin 12 - Os Segredos do Pergaminho - Bruno Resende 13 - Sabor de Absinto - Dione Mara Souto da Rosa 14 - Beijo de Sangue - Alexsandre Moro (MMEA) 15 - Filosofia Vlad - Adriano Siqueira 16 - O Velho Vampiro - M.D. Amado 17 - Fantasmas Vivos - Danny Marks 18 - Andarilhos Noturnos - Felipo Bellini 19 - O Rito do Caminho - Angela NadjaBerg Ceschim Oiticica 20 - Rinaldo - Christian David 21 - O Mal Busca a Verdade - Jean Felipe Felsky 22 - A Descoberta de um Segredo - Raphael Albuquerque Cavalcanti (Raphael O Lord) 23 - Nas Profundesas do Coração - Daniele Helena Bonfim 24 - Imagem - Henrique Cananosque (Vampiro Triste) 25 - Marcela - Evandro Guerra 26 - Tormento - Mario Carneiro Jr. 27 - Escrituras - Ana Dominik
Racionalmente, sentiu-se culpado, deu
adeus à ilusão
que o havia conduzido até ali.
A Praça - Danny Marks
A inauguração foi um sucesso, veio até o
prefeito com a banda da cidade.
O "Zé da Padaria" pagou a
reforma de olho no desconto dos impostos.
Virou ponto de tráfico, mataram o Zé no
assalto, o nome estava na placa, o endereço da padaria, também.
Nunca Mais Outra Vez - Danny Marks
Jurou que jamais cometeria os mesmos
erros outra vez.
Cumpriu a palavra. Foi enterrado ontem.
O Touro - DannyMarks
Sempre foi forte, bravo. Enfrentava tudo
e todos que se metessem pela frente.
Maldita cor vermelha, se ela não usasse
jamais teria se aproximado.
Conserva os chifres até hoje, mas passou
a ser chamado de boi.
O Pequeno e o Grande - Danny Marks
O pequeno veio depois. O outro sempre
fora muito maior e melhor em tudo. Quando veio a crise, o Grande caiu, só o
pequeno sobreviveu. Tratou de arrumar outro para fazer sombra novamente, a água
precisava ficar fresca.