sábado, 23 de março de 2013

A Morte de Endy Will Sanders (11a Parte) - Danny Marks




11a Parte


Se tem que fazer mal a alguém, deve ser feito de forma tão severa que sua vingança não precise ser temida.
Niccolo Machiavelli
           

Meu pai sempre me advertira quanto a lidar com pessoas geniais, fascinadas por sua própria inteligência superior acabavam por subestimar que havia muitas outras formas de se conquistar a vitória. Charles Darwin, um antigo cientista da Terra, alertava que não era a inteligência que tornara o homem o senhor do planeta, mas a sua habilidade de se adaptar às adversidades que encontrava. Verdades constantemente ignoradas.
            Por um descuido meu Evelyn revertera a sua situação de refém e assumira o controle utilizando o seu perfume hipnótico que a tornava alguém impossível de deixar de ser amada. O cérebro humano não evoluíra muito, apesar de todos os avanços tecnológicos que produzira, ainda era um alvo fácil de ser conquistado por substâncias químicas engenhosamente elaboradas e Evelyn tivera tempo, recursos e disposição para conseguir o que queria.
            — Will estava certo de que havia um plano para assassina-lo, mas não participei disso, Dannel.  Demétrio jamais o perdoou por ter sido obrigado a aderir à Federação e a ter que abrir mão de seu brinquedinho.
            — Mas ele ficou muito mais rico e poderoso depois disso.
            — Sim, esse foi mais um dos erros de Will. Sabe, meu marido não era tão inteligente quanto se pensava. Ah, sim, era muito genial em muitas coisas, mas na verdade os grandes sucessos dele se deviam ao controle que exercia sobre os verdadeiros gênios. Will era um mercador de cérebros, comprava as mentes que precisava e as obrigava a trabalhar para ele assumindo os créditos para si. Quem se recusasse a isso era massacrado de todas as formas possíveis, ceder trazia privilégios compensatórios sedutores.
            Olhei para a pistola de agulhas que ainda estava no chão, ao alcance, se não estivesse sob efeito do perfume hipnótico de Evelyn.
            Ela seguiu o meu olhar, pegou a pistola e a colocou no suporte ao lado das poltronas. Realmente não era uma mulher de andar armada com algo do tipo. Tinha outras opções melhores.
            Ela pegou o copo e ficou olhando para dentro dele como se fosse um poço onde visões obscuras do passado pudessem ressurgir. Creio que há muito tempo queria contar a sua história para alguém. Uma pessoa que não poderia revelar nunca mais o que acontecera.
            — Fiquei sabendo do plano para matar Will por um mero acaso. É interessante como os homens não conseguem ver inteligência em uma mulher bonita, como se as duas coisas fossem excludentes. Para muitos era apenas um acessório caro do odioso Endy Will Sanders, algo para ser admirado e ignorado logo depois. Quando as pessoas se sentem seguras elas falam mais livremente, revelam coisas que não gostariam.
            — Então você revelou o plano para Endy.
            — Não, era algo ridículo, incipiente. Demétrio usou os seus recursos para cooptar Enrico Glaubers em seu projeto de vingança. O ódio a Will os unia de forma que jamais poderia ser superado por qualquer compensação. Meu marido passou a suspeitar disso e queria definir até onde eles haviam conseguido se infiltrar antes de tomar alguma atitude.
            — Vigie de perto os seus amigos e os inimigos mais perto ainda.
            — Will gostava dos clássicos, como você, Dannel. Na verdade você me lembra muito o meu marido, o lado bom dele.
            — Vou considerar isso como um elogio.
            — Eu não estava interessada nesses jogos de poder, só queria a minha liberdade. Estava cansada de ser um objeto, uma experiência inusitada nas mãos de pessoas com poucos escrúpulos.
            — Então criou a sua “arma”. Foi você e não o doutor Luiz.
            — Sim, mas não tinha como aperfeiçoar os seus efeitos sem que descobrissem e a tornassem sem efeito para o que eu pretendia.
            — Por isso testou com o seu próprio tio, Luiz Henrique.
            Ela me olhou surpresa. Às vezes eu causo esse efeito nas pessoas.
            — Muito bom, Dannel. Como descobriu isso? Ninguém nunca suspeitou, nem mesmo Will.
            — Elementar minha cara. Luiz Henrique III, o Farrapo como o chamavam, não tinha nenhuma preocupação com sua aparência pessoal, até mesmo o seu laboratório era desorganizado, nenhuma foto ou recordação que revelasse algum sentimento por nada que não estivesse em sua cabeça. Porém lá estava a cama. Uma cama de casal para um homem solteiro que não tinha o hábito de levar mulheres para o seu refúgio, exceto uma, você. Ainda havia traços do seu perfume hipnótico nos lençóis, e a forma como ele mantinha essa peça arrumada era toda a demonstração de amor que eu precisava ter. Mais do que qualquer foto ou registro, que suponho você deva ter cuidadosamente apagado depois que ele sofreu o... acidente.
            — Tenho que me desculpar, Dannel. Sabia que era inteligente, mas não pensei que fosse tão perceptivo. É verdade, meu tio foi a primeira vítima do meu perfume. Alguém que podia usar como teste sem que fosse descoberta.
            — O que deu errado, Evelyn. Você não queria matar Endy ou mesmo o seu tio. Creio que a única pessoa que realmente quis matar foi Glaubers.
            — Realmente tenho que aplaudir a sua perspicácia. Mas vamos inverter as coisas. Diga-me você, Dannel. O que acha que aconteceu?
            Eu sorri, as minhas chances de sair vivo haviam melhorado significativamente, se não cometesse nenhum erro.
            Precisava juntar as peças do quebra cabeças para descobrir o que havia acontecido, enquanto dava um jeito de não levar esse segredo para o túmulo.
 

Capítulo Final: 

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