sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Morte de Endy Will Sanders (4a Parte) - Danny Marks




4a Parte


Homens não são prisioneiros do destino, mas são prisioneiros de suas próprias mentes.
Franklin D. Roosevelt


            Dmarks dizia que um homem que ocupe um lugar de grande influência não pode ser menosprezado de forma alguma, não pela influência que possa exercer, mas pelo fato de ter conseguido alcançar a posição que ocupa, contra todas as vontades em contrário.
            Eu havia relaxado por um segundo com Ernest Glaubers, e ele me atingira imediatamente e de forma contundente. Sorri e me aproximei do homem.
            — Não tem medo que eu publique isso de alguma forma?
            Ele sorriu satisfeito com a virada que impusera à conversa.
            — Se o senhor conseguisse publicar isso, o que duvido muito, ainda teria que provar que é verdade. De qualquer forma eu o arrastaria pelas cortes interplanetárias até que tivesse gasto o seu ultimo crédito, e então o jogaria na primeira cesta de lixo que encontrasse para que fosse pulverizado até o mais ínfimo átomo.
            Ele sabia que eu não tinha nenhum gravador comigo, devia ter feito uma varredura antes de se aproximar da minha mesa. Com homens como Ernest nunca se está preparado o suficiente, isso me dava uma ideia bem clara do tipo de pessoas que formavam o Circulo Interno de Endy.
            — De qualquer forma, senhor Shimoda, não sou o único que pensa isso em relação ao cidadão a que se refere.
            Nem pensei em corrigi-lo em relação ao meu título. Ele estava dominando a situação mais rapidamente do que eu previra, sentia-se confortável novamente em seu próprio jogo.
            — Creio que Endy suspeitasse de seus sentimentos em relação a ele, não?
            — A pessoa a que se refere sabia exatamente dos sentimentos daqueles que o cercavam, tinha sua própria equipe de telepatas, caso não lhe tenham informado.
            — Ele nunca tomou nenhuma atitude em relação a isso? Aos seus sentimentos quero dizer.
            — O que pensou que ele faria? Demitir-me? O senhor não sabe nada sobre a pessoa que está investigando, não é mesmo? Ele me contratou justamente por isso. Gostava de ter os inimigos vigiados de perto, a serviço dele de preferência.
            Eu não respondi, quantas pessoas no universo poderiam dizer que conheciam Endy Will Sanders e estarem corretas no que diziam?
            — Para ele o mais significativo era a capacidade intelectual, quanto maior, maior a importância que possuíamos. Ninguém em sã consciência nutriria sentimentos agradáveis pelo seu antigo empregador, senhor Shimoda, e ninguém estava preocupado com isso, desde que os créditos fluíssem constantemente. No fim das contas são os créditos que importam.
            Notei um tom melancólico ao final da frase, mas prossegui sem mencionar o fato.
            — Então o senhor esta dizendo que ninguém do Circulo Interno sentia afeição por Endy? Nem mesmo o doutor Luiz Henrique III?
            — O Farrapo?
            A expressão que ele fez foi um misto de nojo e desprezo.
            — Como? — deixei que minha expressão denunciasse uma leve dúvida a respeito do que ele revelara.
            — A pessoa a que se referiu é o pior exemplo de um cientista, se é que se pode chamar esse... essa pessoa, de cientista.
            — Até onde sei ele é o chefe da divisão de Bioquímica da Enterprises, estou enganado?
            — Não, infelizmente não está.
            — E o senhor acabou de dizer que Endy só contrataria os melhores para trabalhar com ele, correto?
            Ele não respondeu e continuei atacando.
            — Mas pelo que fui informado o doutor Luiz Henrique não produziu nenhum trabalho significativo nos últimos...
            — Oito anos, cinco meses e vinte sete dias padrão. O ultimo trabalho significativo dele foi seu ensaio pragmático acerca das algas milenares de Alpha IV. E estou sendo generoso no termo “significativo”.
            — Mas pelo que soube, Endy tinha muito apreço pelo rapaz, talvez pela sua dedicação ao trabalho.
            — Dedicação? Só se o senhor quiser chamar de dedicação um modelo obsessivo que o faz esconder-se em seu laboratório deixando que os subordinados tomem decisões importantes. O homem quase não toma banho e se veste como um... um empregado da manutenção.
            Lembrei de Luiz Henrique III durante a cerimônia do funeral e entendi o que ele queria dizer, embora isso não colaborasse para melhorar a minha opinião a respeito de Ernesto.
            — Se o homem é tão incompetente, por que Endy o mantinha em uma posição tão alta? E ainda o aceitava em seu Circulo Interno.
            — Por causa de Lady Evelyn Einsenhower.
            Uma esfera pulsante se materializou diante de Ernesto. Ele atendeu a ligação sem se importar com o protocolo.
            — Dr. Glaubers, sua presença é solicitada em caráter de urgência no setor oito.
            Ernesto levantou-se e saiu sem sequer se despedir. Não importava mais, agora tinha uma nova linha de pesquisa para seguir, precisava descobrir o que a quinta esposa de Endy tinha a ver com “o Farrapo”, e por que alguém que não produzia nada de significativo em quase nove anos padrão contava com a atenção especial de alguém como o dono da Enterprises.


Próximos Capítulos: 

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