quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Refém da Doce Liberdade


Visto o branco da folha e escrevo com o corpo
O corpo que amo comete sacrilégios
Sou aquela que escreve e te oferta privilégios
Louvores
Meu Senhor
Mesmo povoada cidade vazia pede preces!
Meu amor é oração.
Meu corpo é danação.
Sob teu doce domínio.

Mil demônios
Mil anjos
Não houve salvação.
Flutuei branca-lua e tive essa visão na vigília.
Prenhez que gera a noite,
Sou Lua que ofusca
Na noite que ele me visita.
Às vezes escândalo, eclipse
Soturno
Saturno
Anéis
Tua fala torna a minha voz trêmula,
Corpo-oferenda-escritura
Nome se esgota na tecedura
Envolve-me mais que a pele ao seu pêssego
E assim vibro inteira
De cega pela luminosidade tateio
Sem pressa
Refém da doce liberdade

(Ana Amorim)
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